Geórgia Santos

Oscar 2017 – O erro não precisava ter sido agora

Geórgia Santos
27 de fevereiro de 2017

Houve erros em edições anteriores do Oscar, mas nenhum como o que ocorreu no último domingo. Faye Dunaway e Warren Beatty anunciaram La La Land como vencedor na categoria de melhor filme quando, na verdade, o ganhador era Moonlight. Bafão.

Mas a culpa não foi dos eternos Bonnie and Clyde, e sim de um dos responsáveis pelos envelopes. Acontece que um funcionário da empresa responsável pela contagem dos votos entregou o papel errado a Beatty.  O veterano claramente ficou confuso ao ler o conteúdo do envelope, mas a confusão foi interpretada como uma tentativa de fazer graça. Não era. Ele tinha em mãos o envelope de melhor atriz, cuja vencedora era Emma Stone, de La La Land. Daí o problema.

Mas erros acontecem. Geralmente não no anúncio de melhor filme do Oscar, mas acontecem. Só não precisava ter sido neste ano. Não neste ano.

Críticas a Trump

O tempo todo, a cerimônia foi permeada por críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (ainda é estranho dizer isso, por sinal). Todas merecidas. Meryl Streep foi a estrela, com sua atuação superestimada; Gael García Bernal, que é mexicano, declarou ser contra “qualquer tipo de muro” que possa dividir as pessoas; e Asghar Farhadi, o diretor iraniano que levou o prêmio de melhor filme estrangeiro com O Apartamento, enviou uma mensagem em que afirmava não estar presente “por respeito às pessoas do meu país e dos outros seis países que foram desrespeitados pela lei dos Estados Unidos, que proíbe a entrada no país”.

Portanto, também foi uma cerimônia bastante política. Sem contar com as sacadas interessantíssimas de Jimmy Kimmel ao longo da premiação, que chegou a mandar um tuíte a Donald Trump, perguntando se ele estava acordado – já que ainda não havia se manifestado sobre os recados dados pelos artistas.

“Absolutamente todas as manifestações contra Trump foram legítimas e fundamentadas”

 

Até que o erro aconteceu e era basicamente tudo o que Trump queria e precisava. Segundo ele, a confusão aconteceu porque eles estavam mais focados em política que na festa em si. Não deixa de ter certa razão, afinal, alguém se distraiu em algum momento. Por outro lado, absolutamente todas as manifestações contra Trump foram legítimas e fundamentadas. Tudo o que foi dito naquele palco foi com base nos atos espúrios do presidente dos EUA. E todos sabem disso.

Por isso esse erro não poderia ter acontecido agora. Porque tirou a força dos protestos emocionantes que testemunhamos na noite de domingo e que mereciam ser destaque na mídia internacional. O acontecido serviu para que o presidente voltasse ao Twitter com recadinhos infames à imprensa norte-americana. Isso depois de banir repórteres das coletivas de imprensa com base naquilo que ele gosta que seja dito ou não. Como bem disse John Stewart, está na hora de a mídia romper o relacionamento com Donald Trump, deixar de lado essa obsessão, sem mimimi, e procurar um hobby. Ele recomenda jornalismo.

Catraqueanas

Amor e desilusão na Distribuição de conteúdo por assinatura

Gustavo Mittelmann
27 de fevereiro de 2017

No último texto, falei sobre o comodismo dos usuários mobile e como isso estava resultando em um formato vertical para os anúncios em vídeo nas redes sociais. Bom, preciso fazer a ressalva de que somos preguiçosos, mas exigentes. E essa segunda característica, algumas vezes, pesa mais. O exemplo mais claro dessa dominância, senti na minha própria pele através dos serviços de assinatura.

É possível fazer uma ressalva dentro da ressalva? Bom, o texto é meu, então… liberdade poética: na verdade nunca fui preguiçoso em se tratando de garimpar filmes, álbuns e literatura para baixar de forma obscura (por pura falta de oferta oficial). Mas, assim como cada um de vocês, também fui seduzido pela facilidade nascida com os distribuidores de conteúdo por assinatura. Abracei o comodismo nas diversas embalagens em que me foi oferecido.
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“Considero uma troca justa: o aplicativo poupa meu esforço de busca na grande rede, e, por por facilitar minha vida, recebe mensalmente uns reais do meu bolso”

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Com essa fórmula, o Netflix se transformou no queridinho da galera. Existe ônus? Existe, claro. Não encontro lá tudo que gostaria de ver; há uma curadoria do conteúdo disponível, seja por entraves com um ou outro estúdio, seja por qualquer outro motivo. Não vem ao caso. O que importa, de fato, é que as restrições são compensadas com opções de qualidade e investimento sério até mesmo em produções próprias. Eu fecho o mês achando que fiz um ótimo negócio.
Essa mesma sensação de compensação ganha decibéis de realidade cada vez que a estrada é longa e o churrasco pede trilha sonora. É como ter desenvolvido um superpoder musical, de escutar praticamente tudo que eu quiser na hora que quiser. O Spotify só tem um desafeto aqui em casa, e não é o Apple Music, que não faz nada além de gerar meia dúzia de playlists temáticas. A mágoa fica por conta do iPad e seus 160gb de músicas engavetadas para o esquecimento.
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A Amazon me traiu

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Mas já me senti enganado, traído e desconsolado por quem eu menos imaginava. Amazon, sua falsa! Anos passei invejando os americanos com seus kindles e ar pseudo-intelectual nos parques e metrôs. Sim, essa coluna toda é para tratar, de forma quase terapêutica, da minha desilusão e das feridas abertas pelo Kindle Unlimited. Me atirei de cabeça logo que o serviço passou a ser oferecido no Brasil. Esperando, ávido, por novos títulos para matar a minha demanda reprimida.
Com o passar dos meses, no entanto, essa espera foi se transformando em abatimento até que não me restou outra chance senão abandonar precocemente um relacionamento que nascera repleto de sonhos de um futuro juntos. Não me restara dúvidas de que eu tinha caído por uma bonitinha mas ordinária assinatura. Uma bonita embalagem, de boa família, mas recheada de folhetins sabrinescos, autoajudas de quinta categoria e meia dúzia de clássicos escolares. Cerca de 50 mil títulos em português para fazer volume apenas. Tudo que era bom, que era lançamento ou que era interessante de fato, eu tinha que comprar fora do plano Unlimited.
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“Abandonei a comodidade da relação por me sentir feito de idiota”

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Tive uma recaída na rede. Passei a buscar tudo que não encontrava no meu relacionamento Kindle: bons livros de grandes autores e editoras respeitáveis, e revistas dos mais variados temas e procedências. Abandonei a comodidade da relação por me sentir feito de idiota. Amazon, o problema não sou eu, é você.
Escuta o que vou te dizer pra não acabar os dias sozinha: mais importante que o tamanho do acervo é o entretenimento que proporciona. Investe um tempinho, paga uns bons drinks e usa esse mesmo papinho que tu usou comigo pra convencer as editoras que é mais vantajoso pra todos ganhar no volume de vendas, encorpar o sistema de assinatura mensal com conteúdo gratuito e se tornar uma referência de fato e por merecimento, do que ganhar um pouco mais por vendas avulsas e esparsas em um país sem o hábito de leitura. Quem sabe, daí, rola um revival entre nós.
Raquel Grabauska

Santa Televisão

Raquel Grabauska
24 de fevereiro de 2017

Começo hoje contando pra vocês da minha vontade de me ajoelhar na frente de quem inventou a televisão. Não sei quem foi, mas assim que meus filhos crescerem um pouco mais eu vou pesquisar. Não faço agora porque não tenho tempo e porque dois segundos depois não vou mais lembrar mesmo. Então, assim que os guris crescerem mais um pouco, isso estará nas minhas prioridades: descobrir quem inventou a televisão e não esquecer seu nome. E reverenciar.

Tem dias em que só a TV salva. E olha que somos pais criteriosos. Não deixamos assistir programas violentos, controlamos o tempo de exposição à tela, selecionamos conteúdos. Mas que salva, salva!

Tenta atender um telefone com dois filhos em casa! E é claro que na hora que o telefone toca, um deles tem o assunto mais importante da vida dele pra falar contigo e o outro precisa muito achar aquele brinquedo que faz quatro meses que ele não brinca, mas que naquele momento em que o telefone tocou, virou um órgão essencial do corpo dele. Se ele não tiver o brinquedo naquele momento, não vai sobreviver, simples assim.  Então, obrigada senhor (a) inventor(a) da televisão. Por tua causa, consigo falar ao telefone de vez em quando.

Dicas de programas legais

Louie – um coelho desenhista. Ele ensina de um jeito tão legal que até eu consegui desenhar.

Wild Kratts –  Dois irmãos aventureiros e uma amiga cientista que pesquisam sobre animais selvagens.

Charlie e Lola – O dia a dia de dois irmãos cheios de imaginação.

 

Nós US

No, Trump wasn’t Brexit

Sacha
22 de fevereiro de 2017

(pode ler este artigo em português aqui)

There is a whole sea of comparisons between Brexit and Trump. They’re considered sister phenomenons, a wave spreading throughout the West. Except, despite appearances, they’re not quite as similar as they seem.

Similarities

It’s true that Western populism, in the current state of things, has taken on a conservative tendency. It’s also true that xenophobia is running high just as much in the United States as in Europe. It’s a fact that the demographics of Europe and the US are shifting toward ever less white, Christian pastures. It appears to be the case, for now, that the Conservative Party of the UK and the Republican Party of the US don’t have as well-defined of plans for what should come after their electoral victories as they made it seem. The media helped to construct and participate in a spectacle, abusing false premises and falsified facts to induce a more lucrative, dramatic result. Up to here, everything appears basically the same.

Where the paths split

The splitting point between Brexit and Trump resides, in part, in the fundamental difference in their respective political scenarios. The convocation of a referendum to determine the continuation within the European Union by a British government with a wide majority in Parliament does not, in fact, correspond with the regular occurrence of elections for the leader of another country. Cameron called the referendum looking for political consolidation at home and legitimation in Brussels, where he saw his bargaining position reduced because of strategic political errors in dealing with Europe.

Clinton’s big error was underestimating the importance of the electoral map

Cameron’s big error was to underestimate the apathy and friction to the EU that older Englishmen have. These are the same people who tend to vote in greater numbers and who lived through the complete trajectory of the difficult fit of the UK in the EU. Compare that to the loss of nearly 3 million votes that Trump had against Hillary Clinton, which has left doubts about the legitimacy of his presidential mandate, if not about the electoral system that allowed for him to win despite that discrepancy. Clinton’s big error was underestimating the importance of the electoral map.

The friction between the UK and the EU has always been well known, and led the EU to concede many special statuses for the country with regard to its contribution to the EU budget, belonging to the single currency, and more. Trump represents the culmination of years of extreme rhetoric normalized by factions of the Republican Party and the conservative media in the US, especially in their game of obstinance against everything that had anything to do with president Obama.

The main motive for voting to leave the EU was a nostalgia for times of greater individual relevance on the global stage for the ex-Empire, settled by a wide margin. The main motive for voting for Trump was a belief in his aggrandized rhetoric of xenophobia, racism, misogyny, and nationalism as an easy solution to local problems that have little to do with it—an elixir that worked by the slightest of margins in just the right places.

The similarities between the two cases are many, but it’s best that we avoid treating them as if they were exactly the same phenomenon.

Image: Michal Zacharzewski
Reporteando

A fonte deve ser preservada

Renata Colombo
21 de fevereiro de 2017

Ao longo da carreira, jornalistas passam por maus bocados e situações que preferem não lembrar. Somos agredidos, ameaçados, chantageados. Nós, mulheres, frequentemente assediadas. Há algo em nosso trabalho que faz com que as pessoas pensem que somos propriedade delas, ou algo do tipo. Coisas de poder. Sem contar na pressão para divulgarmos nossas fontes. Parecem esquecer que a fonte deve ser preservada. E não sou eu que estou dizendo, é a Constituição Federal.

Mas em meio a tanta coisa desagradável, temos nossos momentos de diversão. E, sim, rimos muito também.

Eu era uma repórter iniciante, uma “foca”, como chamamos no linguajar jornalístico. Era meados de 2009 e eu produzia uma reportagem dessas de prestação de serviços na área da saúde. Não lembro se era sobre gripe, vacinação ou falta de leitos em hospitais – algo bastante comum em Porto Alegre, infelizmente. Mas lembro que era para ser uma matéria trivial, cotidiana da cidade. Como já trabalhava em rádio há um tempo, tinha muitas fontes em hospitais e de profissionais da área e não era difícil o acesso às pessoas, na maioria das vezes. Então liguei para um médico “bam-bam-bam” pedindo uma entrevista para aquela tarde mesmo. Tinha que fechar a reportagem até o fim do dia.

“Dei início a entrevista e tudo corria tudo muito bem até que o telefone captou um ruído estranho vindo de dentro do consultório silencioso do médico”

Estávamos preparados, o operador na mesa de áudio e eu, que já estava no estúdio. Tudo estava certo. Até a hora de a gravação começar.  Dei início a entrevista e tudo corria tudo muito bem até que o telefone captou um ruído estranho vindo de dentro do consultório silencioso do médico. O operador e eu fechamos todos os microfones e tivemos ataques de risos. Daqueles fiasquentos, mesmo, de encher o olho de lágrimas e coisa e tal. Foi difícil finalizar. A conclusão a que chegamos é de que também era para ser silencioso o pum que o doutor deixou escapar.

Sim, ele soltou um peido, mesmo. No meio da gravação. E tão alto que conseguimos ouvir.

Guardo a gravação até hoje, mas é claro que, como sempre no jornalismo, não revelo a fonte nem sob tortura. É muito importante preservar as fontes.

Geórgia Santos

Eu quero Porto Alegre de volta (mas tenho medo de ser baleada dentro de casa)

Geórgia Santos
20 de fevereiro de 2017
Porto Alegre, RS - 15/01/2017 Domingo na Redenção Local: Parque Farroupilha (Redenção) Foto: Joel Vargas/PMPA

Eu quero Porto Alegre de volta. Vivo em Porto Alegre há 12 anos e vivo bem. Foi a cidade que escolhi e que me acolheu. Sempre me senti à vontade na capital gaúcha, provavelmente por ser uma espécie de híbrido entre uma cidade pequena e uma cidade grande. É uma metrópole, claro, com milhões de habitantes, trânsito intenso e uma cena cultural bastante importante. Mas também é aquele tipo de cidade em que a gente vive encontrando conhecidos pelas ruas, em que nada é segredo, igualzinho ao que acontece no interior.

A adaptação não foi fácil, mas também não foi o bicho. Eu saí de um município de 7 mil habitantes, tateando, mas me senti em casa quando cheguei à cidade grande. Eu não tinha medo. Porto Alegre me tem, eu pensei. Hoje, isso mudou.

“Um carro entra na contramão, dois homens armados saem do veículo apontando duas pistolas na direção de dois caras que estavam na calçada. Meu instinto treinado por um pai delegado não teve dúvidas: “gurias, pro chão””

É meu aniversário e eu estava a celebrar com duas amigas. Bebíamos um bom vinho branco argentino, um torrontés, e conversávamos sobre coisas boas e ruins enquanto destilávamos no calor que nem o ar condicionado era capaz de aplacar. Nesse meio tempo, eu olho pela janela, que estava aberta na altura dos meus olhos, e vejo uma cena que já não é mais inusitada. Um carro entra na contramão, dois homens armados saem do veículo apontando duas pistolas na direção de dois caras que estavam na calçada. Meu instinto treinado por um pai delegado não teve dúvidas: “gurias, pro chão”.

Perdendo Porto Alegre

Estávamos ali, nós três, jogadas no chão durante a celebração do meu aniversário. Com medo de sermos baleadas dentro de casa. Porto Alegre não me tem mais

Como disse, já se vão 12 anos da minha relação com essa capital e eu sou muito feliz aqui. Mas sim, agora eu tenho medo. Muito medo. Porto Alegre foi abandonada por quem tinha que cuidar dela e a consequência é que a estamos entregando a quem não merece. Somente neste final de semana, 40 pessoas foram assassinadas no Estado, 12 somente na capital.  A situação é insustentável. Não se trata de uma sensação de insegurança, ela é real.

Eu quero Porto Alegre de alegre de volta.

ECOO

Cabelo comportado é o que não polui – Aprenda a desintoxicar as madeixas

Geórgia Santos
19 de fevereiro de 2017

No post anterior, eu falei sobre empresas de produtos de higiene e beleza que realizam testes em animais. Mas a opção consciente de cosméticos vai além do problema horroroso com os bichinhos. Descobri que cabelo comportado é o que não polui. As nossas escolhas exercem uma série de impactos sobre o meio ambiente, especialmente no que tange à produção de lixo e no despejo de químicos que poluem rios e lençóis freáticos. Isso sem falar no efeito (devastador) à nossa saúde. Há muitos aditivos relacionados a uma lista interminável de doenças, inclusive câncer.

“Custo pra quem e benefício pra quem? Ao escolher à revelia, é benefício pessoal e custo pro planetinha”

Escolher produtos de acordo com a consciência ambiental e que não fazem mal à saúde é uma transição SUPER difícil de fazer, eu reconheço. Normalmente se escolhe um produto de acordo com o efeito e preço, a boa e velha relação custo/benefício. E é aí que a porca torce o rabo. Custo pra quem e benefício pra quem? Ao escolher à revelia, é benefício pessoal e custo pro planetinha.

Eu decidi começar pelos meus esvoaçantes cabelos crespos. Uau, difícil, hein. Comecei pelo xampu (erradamente!) e fui parar direto no site da LUSH, que produz cosméticos com ingredientes naturais e auto conservantes. Comprei dois: o REHAB e o CURLY WURLY, o primeiro é uma espécie de antirresíduos e o outro é específico para o meu tipo de cabelo. Adorei. Eles limpam super bem e deixam o cabelo lindo. Já o condicionador sólido (comprei o Jungle) é horrível. Difícil de usar, espesso e não desembaraça ou hidrata.

Só que eles não são naturais. Tóin!

A LUSH afirma que 71% dos seus produtos são produzidos de maneira natural  e sem conservantes sintéticos. E eles realmente tem muitas alternativas legais. Mas os que eu escolhi não fazem parte desse grupo.

VEJA QUAIS SUBSTÂNCIAS EVITAR NA HORA DE LAVAR OS CABELOS

1. SULFATOS

 A limpeza bonitinha a que estamos acostumados é fruto de um coquetel de surfactants, substâncias que limpam produzem aquela espuma toda. Os mais comuns, são:

  • Sodium Lauryl Sulfate (Lauril Sulfato de Sódio)
  • Sodium Laureth Sulfate (Lauriléter Sulfato de Sódio)
  • Ammonium Lauryl Sulfate (Lauril Sulfato de Amônio)
  • Ammonium Laureth Sulfate (Lauriléter Sulfato de Amônio)

Pesquisas do EWG, que estuda o efeito de substâncias químicas tóxicas, indicam que esses aditivos são responsáveis pela intensa descamação no couro cabeludo e coceira. Eles suspeitam, ainda, que o Lauril Sulfato de Sódio seja um poluente ambiental. Mais do que isso, o JOURNAL OF THE AMERICAN COLLEGE OF TOXICOLOGY alerta para o fato de que essa substância pode desnaturar as proteínas da pele e ser absorvido. Já o Lauriléter Sulfato de Sódio e o Lauril Sulfato de Amônio podem ser contaminados por substâncias tóxicas e cancerígenas como o dioxano e óxido de etileno.

2. AS FRAGRÂNCIAS SINTÉTICAS

 A mais famosa é o tal do PARFUM, esse sim está por tudo. O problema é que essa palavrinha pequena pode esconder mais de 3 MIL SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS. Foi minha perdição por tantos anos, sem falar nos tantos produtos orgânicos que utilizam em suas fórmulas como um sintético seguro. O problema é que podem causar danos ao sistema respiratório e ocasionar alergias em pessoas sensíveis. Há ESTUDOS que ainda indicam que as fragrâncias são tóxicas para o sistema imunológico.

3. SILICONES E DERIVADOS DE PETRÓLEO

Essas substâncias costumam ser responsáveis pela hidratação e pelo brilho nos nossos cabelos:

  • Silicones (dimethicone, simethicone, cyclomethicone, dimethiconol)
  • Parafina (paraffin)
  • Óleo mineral (mineral oil/paraffinum liquidum)
  • Petrolato (petrolatum)

São produtos comuns de se encontrar em rótulos e eles não tratam o cabelo de verdade, só dão a ilusão de um aspecto mais bonito. E eles não são solúveis em água, ou seja, poluem o meio ambiente.

Mas não voltei à estaca zero, os produtos da LUSH são bons para transição. Afinal, não são 100% naturais mas são melhores do que os que a gente costuma utilizar em função das quantidades reduzidas de sintéticos. Resolvi ler mais sobre o assunto e descobri algumas coisas úteis que quero compartilhar com vocês.

No site do UM ANO SEM LIXO, que é um guia incrível pra quem quer mudar os hábitos, tem uma lista maravilhosa de MARCAS DE XAMPUS E SABONETES NATURAIS. Todos para comprar online =)

Mas não é um processo fácil. Usando os cosméticos convencionais, uma troca abrupta para os orgânicos pode ser um grande choque. E o resultado pode não ser bom. Há quem não se adapte ao cheiro, às texturas ou até não limpar como gostaríamos. Para a transição ser mais suave, é importante desintoxicar o cabelo.

COMO DESINTOXICAR O CABELO

  • Comece de trás pra frente. Ou seja, comece substituindo a máscara hidratante, passe para o leave-in, depois o condicionador e depois substitua o xampu;
  • Os produtos da LUSH que eu usei são ótimos para transição, além de feitos à mão, eles são produzidos com ingredientes e naturais e tem quantidades baixas de conservantes sintéticos, bastante inferiores aos produtos convencionais. E eu comprei líquido, mas o ideal é utilizar o sólido, porque além de evitar a embalagem a gente já se acostuma com a lógica de lavar o cabelo com algo que parece um sabonetinho. Só que é caro =/

Nos próximos posts eu vou passar por cada um dos passos, começando pela máscara hidratante, então fica de olho por aqui. É difícil, mas é possível. Um dia a gente chega lá. =)

 

Tão série

Santa Clarita Diet – A única dieta que segui até o fim

Geórgia Santos
18 de fevereiro de 2017

Eu amo Bloody Mary. O drinque desprezado por brasileiros e brasileiras é dos meus favoritos. É picante. É intenso. É forte. É vermelho. Mas Sheila, a personagem de Drew Barrymore em Santa Clarita Diet, a nova série do Netflix, leva a devoção ao Bloody Mary a um outro patamar: com real blood – sangue de verdade.

A série retrata uma mulher de meia idade absolutamente comum e sem graça. Sheila é uma entediante corretora de imóveis que acha que rapidinhas são para cães de rua. Ela não fala palavrões, veste-se impecavelmente em tons neutros e atura ofensas do chefe com um sorriso no rosto. Ela vive em Santa Clarita, na California, com o marido Joel (Timothy Olyphant) e a filha Abby (Liv Hewson). São um casal bastante comum, com uma filha tão comum quanto sua relação.

“Ela vomita muito. Muito. Tipo muito, como frisa um colega de trabalho. Ela vomita tanto que vomita o coração”

A vida é bastante pacata. Até que Sheila encarna o exorcista e vomita uma gosma verde no carpete de uma casa que está mostrando a possíveis compradores. Ela vomita muito. Muito. Tipo muito, como frisa um colega de trabalho. Ela vomita tanto que vomita o coação. E é aí que uma série normalzinha sobre uma família de comercial de margarina se transforma em uma comédia de humor negro sobre zumbis e a hipocrisia permanente na qual estamos imersos.

Sheila transforma-se em um zumbi e só consegue comer carne crua. Carne de gado, de frango, essas coisas que toda a família tem em casa – exceto pelo tempo de forno, que difere um pouco das donas de casa comuns. Até que em um rompante de quem é guiado somente pelo instinto experimenta carne humana e não consegue voltar atrás.

As cenas podem ser bastante gráficas. A imagem da amiguinha do E.T. debruçada sobre um homem estripado pode ser muito chocante. Especialmente se notarmos que ela está com os intestinos do dito cujo na boca. Mas passado o choque, o que se tem é uma produção divertidíssima e inteligente. Sheila e o marido percebem que precisam matar outras pessoas para que ela possa sobreviver. Ainda assim, tentam manter a normalidade. E assim o público é brindado com uma mãe de família fazendo sua caminhada matinal enquanto bebe um smoothie de orelhas e nariz. Isso, sim, é um Bloody Mary.

“A Netflix usa da mais fina e ao mesmo tempo escrachada ironia para criticar a família americana “perfeita”

Ao mesmo tempo em que traz o elemento dos zumbis, um clássico de filmes de terror e de séries consagradas como The Walking Dead, a Netflix usa da mais fina e ao mesmo tempo escrachada ironia para criticar a família americana “perfeita”. Santa Clarita Diet é, também, uma crítica à sociedade das aparências: queremos o sangue do vizinho enquanto trocamos sorrisos e receitas de Brownie.

Em resumo, é a única dieta que segui até o fim – devorei os dez capítulos em um só dia. E não se preocupe, os pés e fígados que Drew Barrymore devora com tanto afinco são feitos de gominha de açúcar. Nhami.

Assista ao trailer

Raquel Grabauska

Criança fazendo manha? Imagina se fosse em alemão

Raquel Grabauska
17 de fevereiro de 2017

Criança fazendo manha é algo que tira os adultos do sério. Por isso, a felicidade ao ouvir um grito de birra num supermercado e esse grito ser de uma criança que não de um dos teus (lindos) dois filhos, é de um alívio descomunal.

Nossa família está passando por uma experiência divertida. Vamos morar por seis meses numa cidade pequena no sul da Alemanha. Essa aventura começou na semana passada. Nesse período deixamos pra trás algumas coisas importantes: família e amigos, é claro, um chinelo que fez falta no piso frio da cozinha, uma bolsa pequena para… Peraí, isso é bem significativo para nós adultos. Mas e a máscara do Darth Vader? E a fantasia do Stormtrooper? E aquele brinquedo?

E eu nem mencionei o principal: o idioma! Se mudanças já nos bagunçam, uma mudança pra um lugar onde alguém sendo carinhoso contigo fala “SGSHAJSGDSTTTTNNN”, é de deixar os olhos arregalados.

“Mas aqui a manha deles me assusta um pouco, pois tem o vizinho que não conhecemos, a caixa do super que nos olha com estranheza, o senhor idoso que parece não ter muita empatia”

Tudo isso pra dizer que meus dois filhos tem feito uma certa manha. Eles costumam fazer isso no dia a dia, em qualquer lugar. Mas aqui a manha deles me assusta um pouco. Tem o vizinho que não conhecemos, a caixa do super que nos olha com estranheza, o senhor idoso que parece não ter muita empatia. São valentes os meus guris.

A manha deles não tem sido maior que a dos outros tempos. Ia dizer que até tá menor. Mas não vou dizer pra não dar azar. Então, estar num supermercado e ouvir um uivo que parecia de um urso vindo de uma menininha de dois anos gritando um lindo “NEEEEEIIIIIINNNNNNNNNNNNNNNNNNN”, me deu um tremendo alívio. Meu abraço solidário à mãe dessa criança.

E se tua cria faz manha, só posso dizer que faz parte, todos eles fazem por milhares de motivos. Pensa no lado bom: poderia ser alemão.

A propósito, se estiver em Porto Alegre e a manha estiver muito forte, tua criança pode se divertir no Espaço Cuidado Que Mancha 😉

A foto é uma ilustração do Benjamin, meu filho mais velho, sobre manha. Há. 

Samir Oliveira

Apoie as drags locais, elas são fabulosas

Samir Oliveira
16 de fevereiro de 2017
Foto: Fernanda Piccolo

O meu primeiro contato com a cultura drag foi uma decorrência de um dos meus primeiros contatos com o entretenimento LGBT em geral. Com a ideia – revolucionária para um guri de 18 anos recém-feitos – de que existiam espaços onde eu poderia ser mais livre, mais leve e mais feliz. Ser mais eu, afinal. Era o verão de 2006 e eu estava recém começando a frequentar as festas LGBTs em Porto Alegre. Aliás, naquela época ainda se usava o termo “GLS”.

Uma breve pausa: não posso deixar de solicitar um minuto de silêncio ao constatar que 2006 já é considerado “naquela época”.

Mas não foi na Capital que tive minha primeira experiência com a cultura drag. Foi no litoral. Em Tramandaí havia a única casa noturna LGBT de todo o Litoral Norte gaúcho. Era o saudoso Sunga’s Bar. Um cubículo que milagrosamente (certamente pelos poderes de Cher) abrigava uma pista de dança, um palco, um bar, um arremedo de pátio externo, uma sala com exibição de filmes pornográficos e, claro, um dark room.

Foi no Sunga’s Bar que vi a primeira apresentação artística de uma drag queen. Até hoje nunca vou esquecer a performance memorável da Castanha, que dublou “Vai Wilson, vai” com maestria. Castanha, para quem não sabe, é uma personagem histórica da cena transformista. Inclusive há um longa-metragem que leva seu nome e um pouco de sua arte, dirigido pelo gaúcho Davi Pretto.

“A gente costuma crescer achando que não existem outros LGBTs no mundo”

A performance de Castanha me marcou. Eu ainda estava desbravando um mundo novo para mim: o de festas e ambientes de sociabilidade onde eu podia sair livremente com meus amigos, flertar, beber, dançar e absorver todo tipo de referência cultural que a heteronormatividade sempre manteve bem distante. A gente costuma crescer achando que não existem outros LGBTs no mundo. Que somos os únicos e, portanto, que deve ter alguma coisa errada conosco. Até que um dia eu descobri que somos muitos. Que somos incrivelmente diversos e criativos. E isso me fortaleceu.

Ru Paul’s Drag Race

Recentemente, a cultura drag parece ter ganhado um novo impulso. Uma nova onda de visibilidade se espalhou a partir do surgimento do seriado RuPaul’s Drag Race, um reality show dirigido pela maior celebridade drag dos Estados Unidos, Ru Paul. Ou mama Ru, como costumam dizer suas filhas – e elas são muitas. De 2009 para cá, foram oito temporadas, além de duas séries especiais onde competiam apenas ex-participantes. A nona temporada já está saindo do forno, deve estrear em julho deste ano.

Ao todo, mais de 100 drags já passaram pela competição. Não é exagero dizer que muitas delas redefiniram ou consolidaram completamente suas carreiras a partir da exposição obtida no reality show. Com prêmios milionários e patrocinadores de peso (grandes marcas de cosméticos, de perucas, de vestidos, acessórios e joias), RuPaul’s Drag Race se converteu em uma verdadeira indústria de entretenimento drag, com projeção internacional.

Eu sou um fã da cultura drag e vi absolutamente todas as temporadas de RuPaul. Gritei diante das tretas. Vibrei quando minhas preferidas ganharam. Odiei a Phi-Phi O’Hara um milhão de vezes. E sei na ponta da língua muitos bordões. Mas nada disso me impede de refletir sobre os limites deste tipo de exposição, a utilidade de seus discursos e a necessidade de construirmos narrativas próprias e independentes.

Drags locais

No Brasil, a arte drag está sendo revigorada e reinventada por jovens talentos que deixam qualquer um de queixo caído. Em Porto Alegre, especificamente, me alegra muito ver uma cena drag criativa e rebelde. Ver que existem trocas e diálogos entre as referências e as que estão começando agora. Ver que já existem famílias se consolidando, como a maravilhosa Sarah Vika e sua filha Vitz Vika. Ver que as mais distintas inspirações e estéticas moldam a arte de nomes como Charlene VoluntaireCassandra Calabouço, Belle Z, Rebeca Rebu, Eva King, Sayuri, Ayo e tantas outras. É até uma injustiça eu me atrever a citar nomes aqui, pois certamente estou – por esquecimento ou por ainda não conhecer – deixando de mencionar muitos talentos. Temos, inclusive, um drag king: León Rojas, que questiona os padrões de masculinidade através de sua arte.

A rebeldia sempre fez parte da cultura drag. Não é à toa que a revolta de Stonewall foi protagonizada por drag queens e travestis. Em agosto de 2016, em uma apresentação no Vitraux – uma das casas noturnas LGBTs mais antigas de Porto Alegre – a Alma Negrot transformou sua performance em um grito de luta contra a violência policial. Outra drag ergueu um cartaz com os dizeres “Fora Temer” e incendiou o público.

Diversas festas têm surgido com a ideia de promover a cultura drag. Muitas delas trazem drags famosas, ex-participantes de RuPaul’s Drag Race, o que costuma atrair um público considerável. É uma estratégia inteligente, se aliada com o devido espaço para apresentações das drags locais – o que me parece estar ocorrendo na maioria dos casos. Nós precisamos apoiar cada vez mais as drags das nossas cidades. Elas são fabulosas. Inclusive se você é fã de alguma, aproveite este espaço para comentar e divulgar seu trabalho. A nossa diversidade é o que nos fortalece!

Crédito da foto: Fernanda Piccolo.