Nesta semana, o fato que dilacerou o coração de todo o país. Agatha Félix, de oito anos, foi assassinada com um tiro de fuzil. Ela estava dentro de uma kombi no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
A família garante que ela foi assassinada pelo Estado. Assim como outras testemunhas que afirmam que não houve tiroteio. A versão oficial é outra. Segundo a Polícia Civil, o projétil que matou Ágatha é de fuzil, sim, mas não poderá ser comparado a armas de PMs. Não é possível dizer o calibre da bala achada no corpo da menina. Surpresa.
Mas se não é possível determinar o calibre da bala, é bastante claro que a Agatha foi morta como consequência da política de segurança de Wilson Witzel, o governador do Rio de Janeiro. Para compreender melhor essa realidade, conversamos com a jornalista e ativista Marcela Lisboa, moradora da Penha.
O governador ficou em silêncio em princípio. Quando falou, responsabilizou o usuário de maconha. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, apressou-se em descolar o assassinato da menina do excludente de ilicitude. Já o presidente Jair Bolsonaro ficou em silêncio sobre o caso da Agatha, não disse absolutamente nada. Adoraríamos que ele tivesse ficado em silêncio também na ONU.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. A edição é da jornalista Evelin Argenta. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
OUÇA Bendita Sois Vós #32 Precarização do trabalho
Geórgia Santos
22 de setembro de 2019
Nesta semana, trazemos para o centro do debate a precarização das relações de trabalho. A reforma trabalhista prometia aumentar salário após flexibilizar a legislação e terceirizar a mão de obra, mas o mercado só gera postos de trabalho com rendimentos precários. Segundo o IPEA, praticamente todas as novas vagas com carteira de trabalho assinada geradas no país em 2019 possuem uma remuneração máxima de até dois salários mínimos.
.
Para compreender melhor essa realidade, conversamos com Ludmilla Costhek Abílio, doutora em Ciências Sociais, autora do livro “Sem Maquiagem, o trabalho de um milhão de revendedoras de cosméticos”, da Boitempo Editorial
.
No Sobre Nós, Raquel Grabauska traz Os Ratos, de Dyonélio Machado. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. A edição é da jornalista Evelin Argenta.
OUÇA Bendita Sois Vós #31 Crivella e Bolsonaro, sem livros e sem pesquisa
Geórgia Santos
14 de setembro de 2019
No Bendita Sois Vós desta semana, censura e atraso. Enquanto o governo federal de Jair Bolsonaro corta mais de 5mil bolsas de pesquisa de pós-graduação, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella – não sozinho – censura livros com temática LGBT sob o argumento de proteção às crianças.
.
Bolsonaro e seus asseclas não gostam de livros, pesquisa ou conhecimento
.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. A edição é da jornalista Evelin Argenta.No quadro Sobre Nós, a diretora Raquel Grabauska traz a palavra de Cassandra Rios, a escritora mais censurada do Brasil.
O filme mais lindo do mundo fala de um tempo em que beijar era feio. Bem, o era para o vigário do povoado siciliano de Giancaldo, em uma Itália no pós-Guerra. Padre Adelfio fazia com que o projecionista Alfredo cortasse todas as cenas de beijo de qualquer filme que assistisse – porque como todo bom censor, ele via, previamente, a tudo o que os outros seriam impedidos de ver. Usando a hipocrisia que provavelmente o excitava como cortina, além dos beijos, censurava seios e pernas expostas. E fazia o mesmo com tudo que considerasse impróprio. Por motivos menos aleatórios e a mais a serviço de uma agenda moralizadora da Igreja Católica.
.
Mas não há censura que impeça a curiosidade de um menino. Totò, o protagonista de Cinema Paradiso (1988), ficava escondido atrás das cortinas, engalfinhado em veludo vermelho que, a mim, parecia cheirar mofo, e testemunhava todos os beijos,
todas as “indecências”,
todas as “imoralidades”
.
Os olhos do guri de seis anos brilhavam. Não pela mesma safadeza do Padre Adelfio, mas pelo cinema. Era o cinema que o encantava. Tanto que ele queria levar os beijos para casa. E os seios, as pernas, os tiros, as brigas, as indecências e as imoralidades. Mas Alfredo não deixava.
Eu sei que parece uma contradição eu afirmar que o filme mais lindo do mundo esconde beijos. Eu sei. Mas no filme mais lindo do mundo, os beijos vencem no final.
O conto de Cinema Paradiso aconteceu, de certa forma, no Brasil. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, também não gosta de beijos. Ele não é o padre Adelfio, mas o bispo evangélico ficou escandalizado com o romance gráfico Vingadores, A Cruzada das Crianças, da Marvel. A obra estava disponível na Bienal do Livro e conta a história do casal Wiccano e Hulking. Dois homens. Que se beijam.
.
Como eu disse, Crivella não gosta de beijos e determinou que a obra fosse retirada das prateleiras
.
Em vídeo publicado no Twitter, o prefeito disse que “livros assim precisam estar embalados em plástico preto lacrado e um adesivo do lado de fora avisando o conteúdo” e que tudo fora feito para “proteger as crianças”. Assim, em 2019, bem distante de Giancaldo ou do pós-guerra, beijos foram proibidos na Bienal. Um grupo de fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública (sim, isso existe) percorreu os estandes da feira para recolher exemplares “com cenas impróprias a crianças e adolescentes.” De forma aleatória. Igual ao padre Adelfio. Igual a qualquer censura.
O youtuber Felipe Neto reagiu ao obscurantismo e distribuiu, gratuitamente, mais de 10mil obras com temática LGBT durante a Bienal do Livro no Rio. Adequadamente, as publicações estavam envolvidas em plástico e um adesivo do lado de fora:
“Este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas.”
.
Assim como em Cinema Paradiso, os beijos venceram. Mas isso não é um filme, isso não é o final. O Brasil é governado pelo Padre Adelfio.
OUÇA Bendita Sois Vós #30 Bolsonaro, Amazônia e a crise internacional
Geórgia Santos
5 de setembro de 2019
Nesta semana, discutimos a negligência do governo federal com relação às queimadas na Amazônia e a crise internacionalque deriva dos constantes equívocos – para não dizer outra coisa – do presidente Jair Bolsonaro. Ele chegou ao cúmulo de endossar uma piada sobre a aparência da primeira-dama francesa. O presidente da França, Emanuel Macron, disse que espera que os brasileiros tenham logo um presidente à altura do cargo.
Para compreender melhor esse panorama, conversamos com o analista de política internacional da Rádio CBN e colunista do Estadão, o jornalista Lourival Sant’Anna.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Igor Natusch, e Tércio Saccol. Na trilha, Aluga-se, de Raul Seixas.
OUÇA Bendita Sois Vós #29 A cruzada contra os jornalistas
Geórgia Santos
17 de agosto de 2019
Como não conseguimos ficar uma semana sem falar do governo de Jair Bolsonaro – porque ele simplesmente não deixa -, o Bendita Sois Vós desta semana discute liberdade de imprensa. Mais especificamente a cruzada contra os jornalistas no Brasil e no mundo. Por aqui, o caso mais emblemático é a perseguição aos jornalistas do The Intercept Brasil após a publicação das reportagens da VazaJato. Por isso,conversamos com o editor-executivo do TIB, o jornalista Leandro Demori.
Jair Bolsonaro chegou a insinuar que o jornalista Glenn Greenwald, também do The Intercept Brasil, poderia ser preso. Mas o porta-voz do governo, general Otávio do Rego Barros, confrontado pelo repórter Guilherme Maziero, do Uol, não soube dizer qual crime Glenn Greenwald cometeu.
Para debater o assunto participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Tercio Saccol e Igor Natusch. Na trilha, Vence na Vida Quem diz Sim, com Chico Buarque e Nara Leão.
OUÇA Bendita Sois Vós #28 A narrativa do desmatamento
Geórgia Santos
10 de agosto de 2019
No episódio seis da segunda temporada do Bendita Sois Vós, os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol discutem a narrativa do desmatamento. A forma como o governo de Jair Bolsonaro lida com a questão do meio ambiente tem repercussões não apenas na questão da sustentabilidade, mas também na economia e política internacional.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que o desmatamento da Amazônia cresceu 88% e junho deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em julho, o desmatamento cresceu 278% em relação ao mesmo mês em 2018. E a resposta de Bolsonaro? Além de demitir o diretor do INPE, Ricardo Galvão, fez piadinhas e disse que é o “capitão motosserra”.
Na década de 70, os músicos Sá e Guarabyra já perguntavam na canção Sobradinho, que é trilha desse episódio, se o sertão vai virar mar. “Dá no coração, o medo que algum dia o mar também vire sertão.”
Não foi nem uma, nem duas vezes que eu perguntei a mim e a outros qual seria o limite de Jair Bolsonaro. Quão longe ele iria nas mentiras e ofensas? Mas também sempre fiquei intrigada com o que ele precisaria dizer para que não fosse defendido? O que ele precisaria dizer para que fosse chamado pelo que ele realmente é: preconceituoso, autoritário, despreparado e cruel.
.
Antes da campanha eleitoral e durante as eleições, foram muitas as oportunidades. Agora, enquanto presidente da República, absurdos são normalizados todos os dias
Na última semana, porém, Bolsonaro parece ter ido longe demais. Ele atacou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, dizendo que se ele quiser saber de que forma o pai dele desapareceu no período militar, ele contaria.
“Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, disse Bolsonaro durante coletiva de imprensa.
Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira era integrante do grupo Ação Popular (AP) e foi preso pelo governo em 1974 e nunca mais foi visto. No livro “Memórias de uma guerra suja”, lançado em 2012, o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra diz que o corpo de Fernando foi incinerado no forno de uma usina de açúcar na cidade de Campos, no Rio de Janeiro. Além da versão do ex-delegado, o atestado de óbito de Fernando, incluído no sistema da Comissão de Mortos e desaparecidos, diz que ele foi morto pelo Estado brasileiro.
Bolsonaro, porém, depois da polêmica, disse que o pai do presidente da OAB foi morto pelos companheiros, a quem ele classificou como terrorista. O presidente foi além e ainda questionou a legitimidade da Comissão da Verdade, que apurou os crimes cometidos pelo Estado durante a Ditadura Militar.
.
Bem, o limite de Bolsonaro ainda é desconhecido. Mas esse incidente com o presidente da OAB mostrou que talvez esse seja o limite para muitos dos apoiadores. A reação mais surpreendente foi a do governador de São Paulo, João Dória (PSDB)
.
É inaceitável que um presidente da República se manifeste dessa forma como se manifestou em relação ao pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Foi uma declaração infeliz do presidente Jair Bolsonaro — disse. Na sequência, Doria ainda negou ter alinhamento político com o governo de Bolsonaro.
Bom, a fotografia mostra a mentira do alinhamento. E obviamente, o distanciamento de Dória tem na mira a próxima eleição presidencial. Mas ele não foi o único. As manifestações de repúdio ocorreram em profusão, inclusive de figuras notadamente vinculadas à direita, como Rodrigo Constantino, e outros apoiadores. Talvez esse seja o limite de alguns apoiadores, diminuir a dor de alguém que perdeu o pai pelas mãos do Estado. Veremos.
De todo modo, me surpreende que as pessoas tenham ficado surpresas com o quão longe ele foi. Afinal, ele não elogiou Ustra, a quem ele chamou de “o terror de Dilma Rousseff”? Não disse que o erro do regime foi torturar e não matar? Não “brincou” que queria “fuzilar a petralhada”? Bolsonaro sempre foi isso. Autoritário, preconceituoso, cruel, torpe.
OUÇA Bendita Sois Vós #27 A normalização do absurdo
Geórgia Santos
2 de agosto de 2019
No episódio cinco da segunda temporada do Bendita Sois Vós, os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha e Igor Natusch discutem a normalização do absurdo. O debate acontece a partir das declarações mentirosas e preconceituosas do presidente Jair Bolsonaro que, entre outras coisas, mentiu que a jornalista Miriam Leitão era guerrilheira; disse que a Ancine precisa de filtro; chamou os governadores nordestinos de “paraíbas”, de forma pejorativa; afirmou que ninguém passa fome no Brasil; e ainda relativizou o trabalho infantil.
No Sobre Nós, com direção de Raquel Grabauska, as palavras da escritora Carolina de Jesus sobre a fome em reprodução de um episódio da temporada passada.
(Washington, DC - EUA 19/03/2019) Encontro com o Senhor Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América. Foto: Alan Santos/PR
Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que pretendia indicar o terceiro filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. O comunicado informal foi feito no dia 11, um dia depois de Eduardo completar 35 anos, idade mínima necessária para assumir o cargo de embaixador. Em tempos de sociedade da informação, a reação negativa foi praticamente instantânea na internet. Da oposição, é claro, mas também os aliados se mostraram contrários à decisão de Bolsonaro. O “guru” Olavo de Carvalho disse que se tratava de um retrocesso.
.
Até os apoiadores do Twitter roeram a corda
.
Foto: Reprodução /Twitter
É NEPOTISMO?
O primeiro “problema” é, obviamente, o fato de o presidente indicar o próprio filho para a função de embaixador no que se pode chamar de país mais importante do mundo. Não há precedentes em outras democracias. O único estadista a indicar o filho para a Embaixada dos EUA foi um rei saudita. Bolsonaro garante que não há nepotismo, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) tem decisões difusas sobre a legalidade do tema. Em agosto de 2008, foi aprovada uma súmula que proíbe a nomeação de cônjuge ou parente até terceiro grau para cargos em comissãos, de confiança ou função gratificada. Isso vale para todos os poderes em níveis municipal, estadual e federal. A questão é que não está claro se a regra vale para cargos de natureza política, como ministros de Estado e embaixadores.
.
ELE PODE SER INDICADO?
Uma segunda crítica com relação à decisão de Bolsonaro provém do fato de que ele Eduardo não é um diplomata, logo, não poderia ocupar o cargo. Mas não é bem assim. É verdade que a legislação brasileira estabelece que os chefes das chamadas missões diplomáticas permanentes devem ser escolhidos entre os ministros de primeira ou segunda classe do Itamaraty. Mas há uma exceção. Brasileiros natos que não pertençam aos quadros do Ministério das Relações Exteriores e que sejam maiores de 35 anos de idade podem ser indicados para embaixadas. A prerrogativa de escolha é do presidente. Desde que sejam cidadãos “de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país.” E é aí que a porca torce o rabo.
Jair, na mesma ocasião em que anunciou a possibilidade de indicá-lo, garantiu que Eduardo é a melhor pessoa para ocupar o posto de embaixador nos Estados. “Ele é amigo dos filhos do Trump, fala inglês e espanhol, e tem uma vivência muito grande no mundo. Poderia ser uma pessoa adequada e daria conta do recado perfeitamente”, disse o presidente.
.
Poderia, mas não é
.
Eduardo discorda e, na mesma hora, disse estar honrado com a escolha. Não apenas isso, garantiu estar preparado para o desafio. “É difícil falar de si próprio, né? Mas não sou um filho de deputado que está do nada vindo a ser alçado a essa condição, tem muito trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos, no frio do Maine, estado que faz divisa com o Canadá, no frio do Colorado, em uma montanha lá. Aprimorei o meu inglês, vi como é o trato receptivo do norte-americano para com os brasileiros”, disse o parlamentar.
.
EDUARDO É QUALIFICADO?
Dificilmente fritar hambúrguer no frio do Maine faça alguma diferença para quem quer ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Além do mais, alguns veículos brasileiros informaram que a lanchonete onde ele diz ter trabalhado não serve hambúrguer. Já falar inglês é importante. Mas também, há vídeos do terceiro filho de Bolsonaro que circulam pela internet e mostram o deputado falando um inglês sofrível, o que indica que ele consegue se comunicar em inglês, mas que não é fluente.
.
Diante das críticas aos seus atributos, ele resolveu responder divulgando no Twitter o que ele chamou de “breve currículo”
.
Foto: Reprodução /Twitter
Ai, não foi uma boa resposta. Especialmente errando a sigla da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, no caso. Mesmo assim, o presidente Jair Bolsonaro não recuou. Uma semana depois de iniciada a polêmica, ele finalmente decidiu por indicar o filho Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. E se mostrou surpreso com a “pressão” que a família vem sofrendo.
“Por que essa pressão em cima de um filho meu? Ele é competente ou não é competente? Dentro do quadro de indicações políticas, que vários países fazem isso, e é legal fazer no Brasil também, tá certo”, disse.
Não, ele não é competente, caro presidente. E o currículo que ele tanto exibe é, binariamente, uma prova bastante contundente da falta de preparo de Eduardo – e da irresponsabilidade da indicação.
.
Apesar disso, a escolha de Bolsonaro faz sentido
Explico
.
Bolsonaro já mostrou ser bastante desconfiado de maneira geral, o que faz com que se cerque, cada vez mais, de sua família. Esse é um traço que o presidente do Brasil tem em comum, justamente, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Afinal de contas, o conselheiro sênior de Trump é, nada mais, nada menos, que seu genro, Jared Kushner. O currículo dele é, com certeza, mais impressionante que o de Eduardo Bolsonaro, mas sua experiência como investidor e magnata do ramo imobiliário nunca o credenciaram para que ele ocupasse a posição que ocupa. Além de Jared, Ivanka Trump, a filha do presidente americano, é figurinha carimbada na administração e em eventos internacionais. Quem não lembra das caretas com que ela nos brindou durante as reuniões do G20?
Fotos: Getty Images
Ivanka acompanhou o pai durante todo o tempo. Ela inclusive sentou ao lado dos chefes de Estado como se fosse algo absolutamente normal, como se pode ver em uma das imagens acima. Da mesma forma que Eduardo fez durante a primeira viagem oficial de Jair Bolsonaro aos Estados.
(Washington, DC – EUA 19/03/2019) Encontro com o Senhor Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América. Foto: Alan Santos/PRbaix(Washington, DC – EUA 19/03/2019) Encontro com o Senhor Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América. Foto: Alan Santos/PR
Não acho que seja uma boa escolha, não acho que Eduardo Bolsonaro tenha o mínimo de preparo intelectual e experiência necessários para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Mas, dentro da lógica de Trump, que montou um “negócio de família”, faz sentido. “In family we trust”, parafraseando um ministro aí.