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OUÇA Bendita Sois Vós #17 Bolsonaro, uma nova forma ou uma “não-forma” de se comunicar?

Geórgia Santos
11 de janeiro de 2019

Jair Bolsonaro já é o presidente do Brasil, com direito a retrato oficial e tudo. Desde a campanha eleitoral, deixou claro o desprezo pelo jornalismo produzido no país. No dia em que tomou posse, a hostilidade tomou novas formas. Os jornalistas não tinham autorização para conversar com as fontes, enfrentaram restrições para beber água, e precisavam pedir autorização para usar o banheiro. Sentaram no chão e até maçãs eram revistadas. Tudo controlado. A orientação era para não levantar as câmeras, pois snipers estavam autorizados a atirar se detectassem qualquer movimento suspeito. Além disso, o Twitter é o novo canal oficial do presidente com os cidadãos, evitando a mediação. Diante disso, no episódio 17 do podcast Bendita Sois Vós, perguntamos: o governo Bolsonaro traz uma nova forma de se comunicar ou uma “não-forma” de se comunicar?

Participam os jornalistas Tércio Saccol, Flávia Cunha e Igor Natusch. Evelin Argenta entrevista a cientista social Tathiana Chicarino, especialista em mídias sociais e democracia. 

No Sobre Nós, Raquel Grabauska fala d´O Homem Mais Mentiroso do Mundo

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OUÇA Bendita Sois Vós #15 O que levamos de 2018?

Geórgia Santos
28 de dezembro de 2018

No último episódio do ano, os jornalistas do Bendita Sois Vós perguntam o que aprendemos em 2018 e fazem uma retrospectiva dos principais acontecimentos. Foi um ano intenso em que testemunhamos, perplexos, a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em seguida, a prisão do ex-presidente Lula. Greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo, incêndio no Museu Nacional, Bolsonaro esfaqueado, eleições, Bolsonaro eleito presidente, e agora João de Deus culpando o todo poderoso pelos crimes dos quais é acusado.

Participam da conversa os jornalistas Geórgia Santos, Igor Natusch e Tércio Saccol.

No Sobre Nós desta semana, Raquel Grabauska e Angelo Primon trazem Luis Fernando Veríssimo.

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OUÇA Bendita Sois Vós #13 Quem são os ministros de Bolsonaro? 

Geórgia Santos
14 de dezembro de 2018

O governo de Jair Bolsonaro já está desenhado. O presidente eleito pretendia ter 15 ministérios, deve ficar com 22 – mas o Ministério do Trabalho foi extinto.Entre os ministros, sete militares, o mesmo número de militares que ocuparam ministérios no governo do General Costa e Silva. Mas quem são os ministros de Bolsonaro? E o que essas escolhas representam em termos de tendência?

Os jornalistas Geórgia Santos, Tércio Saccol e Igor Natusch discutem os nomes do novo governo e entrevistam o sociólogo Fernando Cotanda, coordenador do curso de Pós-Graduação em Relações do Trabalho da UFRGS. Ele fala sobre a extinção do Ministério do Trabalho. Evelin Argenta conversa com Carlo Rittl, secretário -executivo do Observatório do Clima, sobre a indicação controversa para o Ministério do Meio Ambiente. Ele falou ao Vós diretamente da COP24, na Polônia.

No Sobre Nós, Raquel Grabauska e Angelo Primon trazem “A Fuga”, de Clarice Lispector, como uma provocação a algumas das ideias ventiladas no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

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OUÇA Bendita Sois Vós #12 A bancada evangélica ameaça o estado laico? 

Geórgia Santos
7 de dezembro de 2018

Mesmo antes da eleição já se notava a forte presença da igreja evangélica na política, com a bancada na Câmara dando o tom de discussões sobre gênero, por exemplo. Durante o pleito, os evangélicos comandaram a narrativa. E agora, na transição para o novo governo, dão as cartas inclusive na escolha de ministros. Diante disso, resta a dúvida: a bancada evangélica ameaça o estado laico? Participam do programa os jornalistas Geórgia Santos, Igor Natusch e Tércio Saccol. 

O antropólogo Eduardo Dullo, coordenador do Núcleo de Estudos da Religião da UFRGS, explica como e quando o Brasil se tornou um Estado laico e se o é, de fato, e de que forma as igrejas Católica e Evangélica participam da política nacional. Evelin Argenta ainda conversa com o sociólogo Edin Abumanssur, da PUC-SP, que explica a atuação da bancada evangélica no Congresso.

No Sobre Nós, Raquel Grabauska e Angelo Primon trazem o texto “O que é religião”, de Rubem Alves.

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OUÇA Bendita Sois Vós #11 Quais os efeitos do discurso de Bolsonaro na segurança?

Geórgia Santos
3 de dezembro de 2018

No episódio 11 do podcast Bendita Sois Vós, o tema é segurança. Provavelmente, um dos temas que mais aflige os brasileiros e que mais foi debatido ao longo das eleições – e depois dela. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, soube usar isso muito bem, com um discurso enérgico de endurecimento das leis. E para completar, nomeou uma estrela para o ministério, o agora ex-juiz Sérgio Moro.

Com essa premissa, os jornalistas Geórgia Santos, Igor Natusch e Tércio Saccol perguntam: o discurso da segurança pública de Bolsonaro pode ser implementado na prática?

O sociólogo e pesquisador Rodrigo Azevedo, especialista em Segurança Pública, explica as nuances do problema no Brasil e alerta para as medidas de populismo punitivo do novo governo, que podem piorar o problema. Evelin Argenta ainda conversa com o promotor Lincoln Gakiya, especialista em Primeiro Comando da Capital, o PCC.

No quadro Sobre Nós, com Raquel Grabauska e Angelo Primon, o medo paralisante do Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.

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OUÇA Bendita Sois Vós #10 Existe política externa sem ideologia?

Geórgia Santos
28 de novembro de 2018

Jair Bolsonaro ainda não assumiu, mas algumas decisões do novo presidente já tem efeito prático na sociedade brasileira. Especialmente na área da política externa, que prometeu ampliar “sem conotação ideológica” e aproximar o Brasil de outros países que, segundo ele, foram desprezados pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Por isso, os jornalistas Geórgia Santos, Tércio Saccol e Igor Natusch perguntam: existe política externa sem ideologia?

Ainda uma entrevista com Tanguy Baghdadi, professor de Política Internacional e host podcast Petit Journal. Ele fala sobre decisões políticas e comerciais e sobre o histórico do novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, como tendência. 

Evelin Argenta entrevista Mauro Junqueira, Presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, que entende que Cuba pode ter se precipitado ao retirar os médicos do Brasil.

No Sobre Nós, com Raquel Grabauska e Angelo Primon, uma reflexão sobre como seria se os tubarões fossem homens pelas palavras de Bertold Brecht.

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OUÇA Bendita Sois Vós #7 É preciso resistir?

Geórgia Santos
4 de novembro de 2018

O sétimo episódio do Bendita Sois Vós vem na sequência do resultado final das eleições de 2018, em que Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente do Brasil. Diante disso, perguntamos, é preciso resistir? Como resistir? Resistir a que?

A jornalista e cientista política Geórgia Santos conversa com os jornalistas Flávia Cunha e Igor Natusch e com o jornalista e professor Tércio Saccol. Além disso, Evelin Argenta traz depoimentos de mulheres e homens que sentem que, mais do que nunca, é preciso resistir a determinadas ideias. Como voz de inspiração, também há a declaração de Pepe Mujica, que diz que “a vida é uma luta permanente. […] Não há derrota definitiva, nem triunfo definitivo.”

 

Samir Oliveira

As paradas LGBTs ecoarão resistência

Samir Oliveira
1 de novembro de 2018

Um sentimento muito forte de medo tomou conta de boa parte da população LGBT após a vitória de Jair Bolsonaro. Não é para menos. Os ódios mobilizados pelo presidente eleito fizeram desaguar o esgoto da internet. Não foram poucos os comentários celebrando a abertura de uma temporada de caça a homossexuais, pregando a morte de bichas ou até mesmo a criação de grupos de extermínio.

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Eu estou com medo. Meus amigos estão com medo. Especialmente aqueles que, assim como eu, integram a sopa de letras da comunidade LGBT

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As horas seguintes ao resultado das urnas foram de pavor. Os foguetes nas ruas pareciam comemorar o nosso fim. Em muitos lugares se ouviu barulho de tiros. Abriram a Caixa de Pandora e agora as manifestações de ódio correm soltas à luz do dia.
É impossível não ficar com medo. Mais do que impossível, é imprudente. O medo é um instinto natural de preservação. Não temos que lutar contra o medo. Temos que lutar apesar do medo. Ainda estamos elaborando o luto de uma eleição devastadora, em que o autoritarismo toma de assalto a democracia pela porta da frente, sem derrubar um prego.

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Precisamos entender como foi que chegamos até aqui. Este é o primeiro passo.

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Em seguida precisamos construir redes de acolhimento e espaços seguros para reuniões, encontros e diálogos. A organização da resistência passa também pela organização de cada um de nós, seja em partidos, em entidades da sociedade civil, em associações, em coletivos movidos por causas específicas. Cada espaço conta. Cada pessoa conta.

Ninguém pode ficar para trás. Este é o segundo passo. O terceiro passo é a nossa ação nas ruas. É lá que se dará o enfrentamento mais duro à política de Bolsonaro. É nas ruas que combateremos o ódio. E a comunidade LGBT tem seus próprios métodos para isso, sendo as paradas do orgulho a principal demonstração de força, de amor, de combatividade e de resistência diante daqueles que desejam a nossa volta ao armário.

O Rio Grande do Sul vai ter uma agenda intensa de paradas LGBTs neste final de 2018. A principal delas sem dúvida é a 22ª Parada Livre de Porto Alegre, que ocorre no dia 18 de novembro, na Redenção. Tradicionalmente o evento leva pelo menos 30 mil pessoas todos os anos para as ruas. O lema desta edição não poderia ser mais crucial: Resistir para não morrer.

Teremos pelo menos mais oito paradas até o final do ano. A maioria delas já possui data definida: Cachoeirinha (04/11), Sapucaia (11/11), Santa Maria (18/11), Porto Alegre (18/11), Caxias do Sul (25/11), Esteio (02/12), Pelotas e Rio Grande. A comunidade LGBT tem estado, junto com as mulheres, na linha de frente da resistência. Para nós, é uma questão de sobrevivência. Cada uma destas paradas deve ser um grito potente contra o projeto autoritário e intolerante de Bolsonaro. Estamos apenas começando. Onde querem armário, demonstraremos orgulho!

Geórgia Santos

O fim da História

Geórgia Santos
31 de outubro de 2018

Em O Fim da História, Gilberto Gil disse que não acredita que o tempo venha comprovar ou negar que a História possa se acabar. Na poesia, tanto pode findar quanto pode ficar. “Basta ver que um povo derruba um czar e derruba de novo quem pôs no lugar.”

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Mas e se o tempo vier a comprovar que a História se pode negar?

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A exemplo do que fez durante toda a eleição, o presidente eleito do Brasil disse, nas primeiras entrevistas após o resultado, que a população brasileira está começando a entender que não houve ditadura no país. Jair Messias Bolsonaro ainda relativizou a censura aos meios de comunicação do período do regime militar. O “mito” disse que algumas reportagens eram censuradas apenas para evitar o envio de mensagens cifradas para grupos que ofereciam resistência às autoridades. Segundo Bolsonaro, “o período militar não foi uma ditadura”.

Ao longo de duas décadas, entre 1964 e 1985, houve suspensão de direitos políticos; não havia eleições para presidente; o Congresso foi fechado; houve restrições à liberdade de imprensa e manifestação; perseguição à oposição; censura à classe artística; exílio forçado; e uma série de outras atrocidades. Os relatos de tortura colhidos pela Comissão da Verdade são assustadores. Choques elétricos, afogamentos, pau-de-arara, cadeira do dragão, estupros, tortura com animais fazem parte de um triste rol de performances desempenhadas pelos militares brasileiros por mais de 20 anos. Mas, segundo Bolsonaro, “o período militar não foi uma ditadura.”

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Pessoas foram torturadas. Pessoas desapareceram. Pessoas foram assassinadas

Mas, segundo Bolsonaro, “o período militar não foi uma ditadura”

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O presidente eleito ignora os livros de História para eleger as memórias de um torturador como obra de cabeceira. A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça (2006)  foi escrito por Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI, um dos órgãos mais atuantes na repressão política durante a ditadura militar no Brasil. Para historiadores, sociólogos e cientistas políticos, não se pode considerar que o livro ofereça precisão histórica. Dr. Tibiriçá, como era conhecido, foi o primeiro militar condenado pela Justiça Brasileira pela prática de tortura durante o regime, em 2008. Mas, segundo Bolsonaro, “o período militar não foi uma ditadura.” 

O problema em negar a História é que ela é cíclica. Quando se nega a história, ela volta a acontecer. Quando normalizamos autoritarismo e tortura, volta a História e reescreve o capítulo cujo título era pra ser “Nunca Mais”. “Nunca Mais”, “Nunca É Demais”, “Nunca Mais”, “Nunca É Demais”, e assim por diante. Tanto faz.

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OUÇA Bendita Sois Vós # 6 Nós estamos doentes?

Geórgia Santos
26 de outubro de 2018

Como uma última oportunidade de reflexão antes das eleições, a jornalista Geórgia Santos pergunta: nós estamos doentes?

O nível de violência desse pleito é anormal. Estamos fisicamente doentes, com dores musculares, problemas para dormir e transtornos de ansiedade. Mas talvez estejamos doentes enquanto sociedade. E relativizar autoritarismo, tortura, machismo, homofobia, e xenofobia talvez seja o sintoma dessa doença.

Participam do programa os jornalistas Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Evelin Argenta conversa com Christian Dunker, psicanalista e professor titular do departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). No quadro Sobre Nós, Agressões. Relatos de pessoas que foram agredidas por motivação política durante as eleições de 2018.

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