Glow

Sexo para seguir

Fernanda Ferrão
20 de abril de 2017
Ilustrações eróticas. @regardscoupables

Se quiser, clique e leia ouvindo: Rihanna – Sex with Me

Ui!

Toda mulher já fingiu gozar. Tá, posso estar exagerando. Mas tenho absoluta certeza que quase todas as mulheres já fingiram e, infelizmente, muitas dessas ainda fingem (assim, no presente mesmo).

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Duvida? Faça uma pesquisa rapidinha com as mulheres que convivem contigo. Não importa idade, aparência, nacionalidade. Uma informação meio triste para falar de algo muito feliz: sexo, corpo, nudez

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Acredito que a medida em que cresce a naturalidade com que encaramos o sexo, o nosso corpo e o corpo do outro, também aumentam nossas chances de acerto nessa arte tão prazerosa. Um jeito relativamente fácil para começar é tentar conviver com pornografia – assunto polêmico, eu sei. Mas, mais fácil ainda, erotismo em rede social, que é pra não ferir o pudor e o moralismo de ninguém (credo!). Nem o teu.

Selecionei alguns perfis de Instagram que trabalham o erotismo, a nudez, o tesão, o sexo, o pornô (ufa!) de um jeito delicado. É arte pra dar aquela sensação de calorzinho, sabe? As imagens falam bem melhor que eu aqui. A ver:

http://www.instagram.com/p/BTJ9NTbFW5U/?taken-by=regards_coupables

http://www.instagram.com/p/BSifIGXBwg7/?taken-by=petitesluxures

https://www.instagram.com/p/BRLre_8Fyi_/?taken-by=nudegrafia

https://www.instagram.com/p/BRwGvmYDZ5p/?taken-by=nataliejhane

https://www.instagram.com/p/BR-ClZDF-Mu/?taken-by=fridacastelli

https://www.instagram.com/p/BSAEc2ChS7k/?taken-by=alphachanneling

https://www.instagram.com/p/BSULY8JgoOe/?taken-by=apolloniasaintclair_

Mais sobre numa matéria da TPM.

Nós US

A extraordinária política de sempre

Sacha
19 de abril de 2017
(you can read this article in English here)

Vivemos em tempos únicos, num cenário político sem precedentes.  A definição de era extraordinária. Descrevo os dias atuais? Não, você entendeu errado. A política de sempre é a política extraordinária. Até com um tal presidente Donald Trump dos Estados Unidos da América.

Os acontecimentos no mundo não deixam de surpreender, a política também

Muito se tem falado sobre o aumento no risco de conflitos com Donald Trump liderando o país mais rico e militarmente potente do mundo. Isto não deixa de ser uma verdade. Porém, o lado que mais interessa é a ideia de que representa uma divergência profunda do status quo. Em maior ou menor grau, o risco de conflito na escala mundial é um constante desde o fim da Segunda Guerra Mundial, para não esquecermos da Guerra Fria e os diversos conflitos do século XX. Até o medo de guerra nuclear por causa de instabilidade de algum regime não é nada novo. No nosso mundo, já vivemos as mesmas tensões que hoje se apresentam com tanto apelo.

A política resume-se na ação e reação a estes eventos da história. A Crise dos mísseis de Cuba foi, no seu momento, o evento da mais alta tensão política no mundo, com o mais alto risco de guerra nuclear, num cenário de vários pontos potenciais de conflitos na mesma escala. A política surpreende-nos tanto quanto o resumo dos eventos que provoca.

O cenário político transforma-se conforme estes acontecimentos, tornando cada momento o mais incerto e arriscado de sempre

Um dos fundamentos da política é que os atores—os políticos, os regimes, os países como entidades monolíticas—respondem com respeito aos seus próprios interesses. Isto é, agem de acordo com o que consideram promover o seu bem-estar. Simples assim, certo? Não, é mais complicado.

A balança de poder no mundo depende de balanças de poder cada vez mais pequenas. Dois países mantêm a paz ou entram em conflito dependendo da correspondência ou não dos seus interesses internos. Um país mantém um regime estável se conseguir uma balança entre os interesses da sociedade civil e a classe político-militar. E continua assim. Em cada escala, uma balança diferente. A política responde, no seu fundo, a todas estas balanças, fazendo decisões para tentar resolvê-las.

É por isso que cada momento, especialmente com os avanços na tecnologia, é e sempre será o momento mais arriscado da história. Ontem parece estável quando amanhã não tem garantias, deixando de lado o que possa ter negado as garantias antes.

Vivemos a evolução de ideias nada novas

Trump não foi um gênio de garrafa que apareceu do nada. É, na verdade, apenas a evolução de pensamentos e ideologia já existente faz décadas nos Estados Unidos. Bill O’Reilly saiu do ar agora neste ano de 2017 depois de 21 longos anos cuspindo as palavras da ideologia que hoje domina na Casa Branca. O Partido Republicano experimentou cessar todas as atividades do governo por causa do orçamento em 1995, 18 anos antes do mesmo ato causar um escândalo de instabilidade impensável. E mais.

O único que há é uma evolução, em todos os lados, de ideias e pensamentos velhos. É verdade que nunca tivemos uma pessoa de tamanha inexperiência, com tal comportamento, com tais conflitos de interesse na Casa Branca. O que sucede, contudo, tem uma história da qual devemos aprender melhor.

Image: Miral Akbulut
Nós US

The Extraordinary Politics of Ever

Sacha
19 de abril de 2017
(pode ler este artigo em português aqui)

We live in unique times, in a political environment without precedents, the definition of an extraordinary era. Am I describing nowadays? No, you’ve just misunderstood. The politics of ever are extraordinary politics. Even with one certain President of the United States Donald Trump.

What happens in the world doesn’t cease to surprise, politics too

A lot is said about the increased risk of conflict with Donald Trump leading the richest and militarily strongest country in the world. This doesn’t cease to be the truth, but, what’s more pressing is the idea that it represents a profound divergence from the status quo. To a greater or lesser degree, the risk of world conflict has been a constant since the end of World War II, lest we forget the Cold War and the many conflicts of the 20th century. Even the fear of nuclear war due to some regime’s instability, thus, is nothing new. In our world, we have lived through the same tensions that today are brought up with such force.

Politics can be resumed in the action and reaction to events in history. The Cuban Missile Crisis was, in its moment, the moment of greatest political tention in the world, with the highest risk of nuclear war, in a climate of many points of potential conflict at a similar scale. Politics surprises us as much as the summary of the events it provokes.

The political climate transforms itself according to these events, making each moment the most uncertain and risky ever

One of the fundaments of politics is that the actors—politicians, regimes, countries as monolithic entities—respond according to their own interests. That is, they act based on what they consider to promote their own well-being. Simple. Right? It’s complicated.

The balance of power in the world depends on continually smaller balances of power. Two countries maintain peace or enter into conflict depending on the overlap or not of their internal interests. A country maintains a stable regime if it achieves a balance between the interests of civil society and the military and political classes. And so on. At every scale, a different balance. Politics responds, at its core, to all of these balances, making decisions on how to resolve them.

That is why each moment, especially with advances in technology, is and always will be the riskiest moment in history. Yesterday seems stable when tomorrow is not guaranteed, setting aside that which may have negated yesterday’s guarantees.

We live in an evolution of ideas that are not at all new

Trump was not a genie in a bottle that came out of nowhere. He is, in truth, just the evolution of thoughts and ideology that already existed for decades in the United States. Bill O’Reilly was cancelled now in 2017 after 21 long years spitting the words of the ideology that now dominates in the White House. The Republican Party tried out shutting the government down in 1995, 18 years before the same act would cause an unthinkable scandal of instability. And so on.

The only thing there is is an evolution, on all parts, of old ideas and thoughts. It’s true that we’ve never had a person of such inexperience, with such a temperament, with such conflicts of interest in the White House. What follows, however, has a history from which we ought to learn better.

Image: Miral Akbulut
Tão série

Black-ish

Geórgia Santos
15 de abril de 2017

Black-ish é uma mistura de tudo o que eu adoro: é engraçada, bem escrita e apresenta uma dura crítica à sociedade contemporânea sem pesar. A série de Kenya Barris está redefinindo o significado de sitcom.

Não precisa ser vazio para ser engraçado e não precisa ser pesado para ser relevante.

A série parte da premissa de que quando um negro norte-americano atinge um determinado status social, passa por uma espécie de branqueamento. Por isso o “ish”, em Black-ish, que em tradução livre seria algo como “Mais ou menos negro.” Ou seja, é difícil se manter conectado às origens e mais complicado ainda manter a família ciente de onde veio e do motivo pelo qual é importante lembrar disso.

Andre (Dre) Johnson Sr (Anthony Anderson) é um rico executivo do ramo da Publicidade e é casado com a médica Rainbow (Bow) Jhonson (Tracee Ellis Ross), com quem tem cinco filhos. A cada episódio, um dilema sobre como lembrar da relevância de sua origem e, principalmente, o longo caminho trilhado até aqui. Um bom exemplo pra quem nunca viu a série é o episódio em que Dre percebe que os filhos não sabem que Barak Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. No mundo das crianças, isso é absolutamente normal. Obama é o único presidente que conhecem, afinal de contas. Chocado, o pai compreende que a família precisa saber do tortuoso caminho até a vitória do democrata em 2008 e valorizar o que ele representa.

Ele enfrenta, então, o dilema central: será que ele está desconectando os filhos de sua herança cultural ao oferecer os privilégios que ele não teve na infância?

Black-ish é diferente e nos mostra uma família tentando entender o mundo do qual faz parte, inclusive com suas brigas e dilemas morais. E o fato de ser sobre uma família negra não é acidental, é a identidade da série. Fala sobre racismo, sobre estereótipos, sobre brutalidade policial, Black Lives Matter, dilemas sobre relacionamentos entre negros e brancos e, em meio a isso tudo, encontra humor para divertir o telespectador brincando a duração (loooonga) dos cultos e com o fato de que Dre vê racismo em todo canto, pra citar alguns.

É, também, uma ótima oportunidade para nós, brancos, abrirmos os olhos de uma vez por todas. Eles simplesmente atacam temas sensíveis em todos os episódios e funciona: Obama ama, Trump considera racista. Isso diz muito.

Guia de Viagem

San Andres – A comida suspeita

Geórgia Santos
14 de abril de 2017

Passamos pelos mosquitos de Cartagena, pelos sicários de Playa Blanca e, finalmente, chegamos ao final da saga da lua-de-mel nas ilhas caribenhas de San Andres e a comida mais do que suspeita.

Não tinha ouvido falar de San Andres até começar a pesquisar roteiros em potencial para relaxar com meu marido antes de voltar à realidade da vida. E conforme eu pesquisava, mais me convencia de que seria o final perfeito para um roteiro montado com muito amor. Afinal, é um pedaço de terra abençoado pelo universo e banhado pelo mar do caribe – sem custar os olhos, o nariz e a boca da cara como costuma ser com Cancuns da vida.

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É, sem dúvida, um dos lugares mais lindos que já conheci na minha vida. E o melhor: é Zona Franca. Isso mesmo, gentes, muitas compras e nenhum imposto. Agora me digam se não é a definição de paraíso?

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San Andres tem um probleminha, no entanto, não tem muitos lugares legais pra comer. Circulamos bastante pelo centro e após um jantar não muito agradável, chegamos à conclusão que o restaurante do nosso hotel era melhor e que era jogo comer por lá. E assim fizemos pelos cinco dias que ficamos por lá. E tudo correu bem, até que não correu mais – ou correu demais.

No último dia, já estávamos “empacotados” e vestidos para vazar. Almoçamos e fomos nos sentar em umas poltroninhas interessantes. Claro, eu comecei a passar mal. Minha pressão baixou de repente e eu senti um forte enjoo. Tentei jogar água no rosto, tirei os tênis e não passava. Me “pelei” ao máximo e me deitei na recepção mesmo e fiquei em posição fetal até o momento de sair. Quando fomos ao aeroporto, eu estava melhor, mas não 100%. Embarcamos e o enjoo voltou. Fui estranha até o Panamá.

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No Panamá, tomei um Coca e tal e melhorei. Achei que o sufoco havia passado. Que nada. Comecei a jantar e já vi que não ia descer. A essas alturas, minha dor de barriga já havia ultrapassado todos os limites da vida. Quando nos aproximamos de Porto Alegre, ficou insustentável. Corri pro banheiro e fiquei lá. Por muito tempo. Muito. Voltei desmilinguida

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Poucos minutos antes de aterrissarmos, comecei a suar. Estava correndo pra o banheiro que acolheu tão bem quando uma aeromoça me interrompe: “vuelve a su asiento, vamos aterrar”, ou algo assim. Eu só lembro de olhar pra ela e dizer: “não”. E quando o piloto iniciava a descida, eu iniciava outra coisa.

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Voltei, apertei o cinto e combinei com o Cléber: “Assim que essa merda parar (o avião, no caso), eu vou sair correndo. Então tu pega nossas coisas e me encontra na esteira de bagagem.” E assim foi. Saí correndo

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Fui ao banheiro mais duas vezes somente antes de as nossas malas chegarem. Imaginem como foi o resto do dia. Ou não. É melhor.

Não sei o que foi, não sei se foi algo que comi, se foi a água, se foi a pressão, se foi vírus, se foi bactéria. Mas que foi suspeito, foi. E, óbvio, não podia terminar uma viagem sem algo dar errado.

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Lugares para ver

Centro

Na verdade, deveria ter uma categoria especial chamada “lugares para comprar”. O centro de San Andres é bem agradável à noite – nem adiante ir durante o dia, não existe. Com um calçadão enorme e uma série de barzinhos, é ótimo pra uma caminhada. Mas é melhor ainda pra torrar dinheiro na Zona Franca que tanto amamos. Perfumes, cosméticos, bebidas, acessórios e usa série de coisas legais. Fiz um rancho.

Johnny Cay

É um dos lugares mais lindos que já vi na minha vida. Daquele tipo que não parece de verdade, como se estivéssemos dentro de uma fotografia. Os barcos saem em dois horários do centro, às 11h30 e às 12h50. O passeio inclui almoço.

A ilha é paradisíaca, absolutamente linda, com um mar de um azul que chega a doer, comida boa, música divertida e ótimos drinques. Sim, ali na foto não é água de coco.

Rocky Cay

É uma ilha minúscula, mas bem bonitinha. É um passeio legal, mas só se estiver no teu caminho. Não vale desviar pra isso. Nós tínhamos o privilégio de ter acesso pelo nosso hotel.

El Acuario

A ilha é, de fato, um aquário natural. Há uma série de piscinas formadas por bancos de corais e uma diversidade incrível, de peixes pequenos a ouriços-do-mar, pepinos-do-mar (bizarros) e arraias. A ilha tem uma pequena infra, que inclui barracas que oferecem comida, bebida e ainda armários (guarda-volumes) e venda e aluguel de equipamentos para mergulho. Além de um sapato de neoprene, que eu achei basante útil pra caminhar por lá.

Há um passeio de barco muito legal que ajuda a conhecer melhor a região. O fundo da embarcação é de vidro, então dá pra ver uma quantidade imensa de animais marinhos. Até eu, que tenho medinho, curti.

Nesse passeio é possível notar sete cores diferentes no mar de San Andres.

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Onde comer

Não sei mesmo, te vira. Mas os passeios incluem almoço.

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Onde ficar

Hotel Cocoplum Beach

Um hotel maravilhoso, com praia particular, de frente para a ilha Rocky Cay. Serviço impecável, quartos enormes, espaçosos e confortáveis. Café da manhã incluso e é uma delícia. Os drinques são uma perdição. Essa era a vibe, ó.

Como se movimentar

Táxi e barco no caso das ilhas, óbvio. Mas não tem muito mistério. Pergunte à gerência do seu hotel para providenciar os transportes.

Samir Oliveira

Um campo de concentração para gays na Chechênia: onde fomos parar?

Samir Oliveira
13 de abril de 2017
Foto: Divulgação/Presidência da Rússia

O mundo foi assombrado esta semana por uma informação que nem os piores portais de fake news conseguiriam elaborar: a de que autoridades na Chechênia estariam levando homossexuais para um campo de concentração. Na era da pós-verdade e das notícias falsas, confesso que custei a acreditar. Até que garimpei em diversos sites confiáveis e verifiquei, para meu espanto, que a notícia era verdadeira.

Contudo, a dificuldade de acesso a informações no local, devido ao bloqueio proporcionado pelo poder público na Chechênia, borra ainda mais as fronteiras entre o que é real e o que são especulações.

Por exemplo: até o momento nenhum informe soube precisar onde ficaria este campo de concentração. Mas todos são unânimes em relatar que homossexuais estão sendo perseguidos e assassinados. A maior parte das informações vem de organizações em defesa dos direitos humanos. Tudo começou quando um movimento LGBT da Rússia passou a exigir das autoridades permissão para realização de paradas do orgulho LGBT em diversas cidades do país. A “ousadia” despertou a revolta de comunidades que já são extremamente preconceituosas, deslanchando uma caça às bruxas devastadora para a população LGBT na região – a imensa maioria, aliás, ainda dentro do armário, por motivos óbvios.

?Mas o que a Rússia tem a ver com isso?

Todas as notícias sobre o assunto falham em explicar exatamente o que é a Chechênia. É uma República, mas não é exatamente um país independente. Acontece que na Federação Russa existem vários níveis de autonomia concedidos a seus territórios. Existem 83 divisões territoriais na Rússia: 46 províncias, 21 repúblicas, 9 territórios, 4 regiões autônomas, 2 cidades federais e uma província autônoma.

As repúblicas gozam de uma ampla autonomia em relação ao Kremlin. Têm seus próprios presidentes e parlamentos. Mas isso não justifica a omissão de Vladmir Putin em relação ao que ocorre na República da Chechênia.

Os últimos anos já nos deram provas o suficiente de que a Rússia, como um todo, é uma sociedade bastante conservadora no que diz respeito à população LGBT. Não causa surpresa o fato de o governo central se omitir sobre a perseguição escrachada aos gays em seus territórios.

A República da Chechênia é governada por Ramzan Kadyrov, aliado de Putin e muçulmano sunita, assim como a maioria dos habitantes da região. Não que eu ache que a culpa pelo preconceito seja da religião, muitos países possuem maioria muçulmana, seja ela sunita ou xiita, e não constroem campos de concentração para LGBTs. O Brasil é um país de maioria católica e é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Ou seja, a questão é muito mais profunda e complexa. Infelizmente visões ocidentalistas e mal intencionadas acabam manipulando os fatos para construir um discurso islamofóbico que sirva aos interesses das grandes potências ocidentais.

A própria resposta do governo local da Chechênia às acusações de que estaria perseguindo homossexuais é uma prova cabal de que algo muito obscuro ocorre na região: “Não podemos perseguir quem não existe”.

O autoritarismo de Kadyrov é notório – e não é de hoje. Em 2006, a jornalista russa Anna Politkovskaya foi assassinada em frente ao seu prédio em Moscou semanas após dar uma entrevista a uma rádio qualificando o governante chechênio como “um covarde escondido atrás de um exército”.

Resposta internacional

A comunidade internacional precisa se insurgir contra este absurdo. A construção de campos de concentração para homossexuais nos leva aos períodos mais sombrios da história da humanidade. Há relatos de que as autoridades policiais da Chechênia estariam usando o Facebook para “descobrir” quem é homossexual na região, marcando encontros com homens gays para então prendê-los.

Seria ingenuidade minha pensar que a ONU ou qualquer potência internacional adotariam medidas drásticas contra a Rússia, ela própria uma potência com assento no Conselho de Segurança. Mas é preciso, no mínimo, dar acesso aos grupos em defesa dos direitos humanos para que possam ingressar na Chechênia com plena liberdade para salvar as vidas ameaçadas pela intolerância. Para que possam oferecer aos homossexuais da região uma porta de saída daquele horror.

Foto: Presidente russo, Vladimir Putin, reunido com o presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov.
Crédito da Foto: Presidência da Rússia/Divulgação.

Nós US

3 coisas que o escândalo da United nos ensina sobre a nossa cultura

Sacha
12 de abril de 2017
(you can read this article in English here)

É inevitável ter que enfrentar o que aconteceu com aquele passageiro naquele voo da United Airlines quando falamos de Estados Unidos. O episódio mostra algo sobre onde temos chegado enquanto cultura que, certamente, incomoda.

1. Não conseguimos controlar a nossa indignação

É praticamente possível cronometrar a sequência de acontecimentos cada vez que uma notícia destas aparece, tal é a situação do novo mundo de redes sociais. O caso da United não foi diferente. O nosso mundo tem câmeras disponíveis em qualquer dispositivo portátil e regras novas que permitem o uso delas mesmo no ar. Logo, as imagens do homem sendo arrastado do avião não demoraram em aparecer. E nem tampouco a indignação coletiva.

O que ocorreu é horrível e a reação da empresa só deixou as coisas piores, indiscutivelmente. Mas a sequência trágica já se tornou previsível—cada ataque à humanidade, à dignidade, segue a mesma linha. Virou fórmula para sensacionalizar, sem tratar do Sensacionalista. Indignamo-nos por causa de manchetes e vídeos curtos e perdemos o contexto e um entendimento mais completo do que acontece nestas situações. Não é difícil perceber porque isto não ajuda a melhorar o mal que é a causa delas.

2. As empresas já aprenderam a comercializar essa indignação—mas não são isoladas dela, nem a United

Depois dos acontecimentos em Chicago, a United perdeu em torno de U$ 900 milhões. É uma soma impressionante, mas não é uma reação única. Justo antes, a Pepsi lançou uma propaganda comercializando imagens de luta popular e foi escoriada nas redes sociais por isso. As empresas já veem a nossa indignação como fonte de lucro e aplicam-na em campanhas com vários graus de êxito. Só que, às vezes, o grande lucro desejado pode ser mesmo ao contrário. O poder da indignação não é controlado pelas empresas, por mais que tentem.

3. Temos um problema de brutalidade policial

No fundo, o problema real não foi culpa da United, mas da unidade policial que tratou de remover o passageiro que se recusou a sair do avião. Assim que a companhia aérea se viu obrigada a chamar a polícia para tratar de uma situação de beligerância aparente, passou a responsabilidade pelo acontecido aos policiais. E na tradição da polícia de Chicago, não foi com calma e gentileza, como se vê nos múltiplos vídeos. Eis o problema.

Desde a morte em 2014 do jovem negro Michael Brown pelas mãos de um policial depois exonerado, a brutalidade policial e a injustiça têm surgido como tema na política americana. Os casos já são inúmeros e a cada semana temos mais algum, mais um exemplo deste desserviço à população. E nestes cinco anos, pouco ou nada se tem feito para encarar a agressão policial, a militarização de polícia civil ou as injustiças, claramente documentadas, cometidas pela polícia. Temos um problema de brutalidade policial que se agrava com os avanços na tecnologia e incrementos nos orçamentos. Sem confrontar este problema, haverá mais polémicas ao estilo United.

Imagem: Juha Martikainen
Nós US

3 Things the United Scandal Teaches Us About Our Culture

Sacha
12 de abril de 2017
(pode ler este artigo em português aqui)

It’s inevitable that we talk about what happened to that passenger on that United flight if we’re talking about the United States right now. The thing is, it shows us something about where we’ve come as a culture that definitely won’t sit easy.

1. We can’t control our outrage

We’re at a point where it’s practically possible to track the sequence of events each time this kind of news emerges. The United case wasn’t any different. Our world is one where video cameras are available on any portable device, with new rules allowing them to be used even in the air. Of course the images of the middle-aged man being dragged off the plane didn’t take their time to appear. Nor did the collective outrage toward United over what happened.

What happened was horrible and the company’s reaction only made it worse, unquestionably. But the tragic sequence has already become predictable—every attack on humanity, on our dignity, follows the same line. It’s become a formula for sensationalism, without being the Onion. We get outraged over headlines and short videos and lose both context and a more complete understanding of what happens in these situations. It’s not difficult to understand why this doesn’t help solve the underlying problem.

2. Companies have already learned to commercialize our outrage—but aren’t free from it, not even United

After what happened in Chicago, United lost around 900 million dollars. It’s an impressive sum, but it’s not a one-off. Just before them, Pepsi launched an ad campaign commercializing the images of popular struggle and was excoriated across social media for it. Companies already see our outrage as a source of profit and apply it in their campaigns to varying degrees of success. Except that, sometimes, the huge profits they hope for end up being just the opposite. The power of outrage isn’t controlled by companies, much as they try to.

3. We have a police brutality problem

At the root of it all, the real problem wasn’t what United did so much as the police unit that handled the removal of the passenger who refused to leave the plane. Once United was forced to call the police to handle the belligerent passenger, the responsibility for what happened passed to the police. In the tradition of the Chicago police, it wasn’t all calm and polite, as we saw from the many videos. That’s the problem.

Since the death in 2014 of the black teen Michael Brown at the hands of a cop who would be later exonerated, police brutality and injustice have surged in American politics. There are innumerable cases, and each week we have some other, yet another example of this disservice to our population. And in these three years since, little or nothing have been done to confront police aggression, police militarization, or clearly-documented injustices committed by the police. We have a police brutality problem that is aggravated by advances in technology and increases in police budgets. Without confronting this problem, there will be more United-style controversies.

Image: Juha Martikainen
ECOO

Três hábitos simples e sustentáveis para adotar no trabalho

Geórgia Santos
9 de abril de 2017

Levar uma vida verde não é fácil, já entendi. Mas isso não significa que tudo seja difícil. A seguir, veja 3 hábitos simples e sustentáveis para adotar no trabalho – e em casa. Acredite, já é um passo enooooorme.

1 – Adote uma caneca

Fala aí, tu passas o dia inteiro tomando café pra conseguir chegar ao final de um dia de trabalho, né? Começa por aí. Em vez de utilizar copos de papel, plástico ou isopor a cada cafezinho, adote uma caneca. Beba café o dia inteiro em uma caneca só tua, é até mais gostoso.

2 – Use talheres de verdade

Cada vez mais as pessoas levam o almoço de casa em vez de almoçar fora, certo? Seja por economia ou pra manter a forma. Sem contar as telentregas que nos economizam um tempão. Aproveita essa onda e abandona os talheres descartáveis. Usar garfo e faca reutilizáveis deixam o almoço mais agradável e o planeta agradece.

3 – Utilize guardanapos de tecido

Essa é uma mudança mais radical, mas é tão simples quanto as outras duas e pode ser adotada em casa. Basta substituir os guardanapos de papel por guardanapos de pano. É mais barato, limpa melhor e, no trabalho, ainda serve de toalhinha. “Ah, mas tem que lavar!” E daí? Por acaso tu usas roupas de papel pra não ter que lavar?

E aí, vai aderir? =)

Guia de Viagem

Cartagena 2 – As praias e os sicários

Geórgia Santos
8 de abril de 2017

Já falei aqui sobre as maravilhas de Cartagena, uma das cidades mais belas e procuradas da Colômbia. Só tem um probleminha: as praias são decepcionantes. Uma vibe meio litoral gaúcho – com todo o respeito que tenho pelo litoral gaúcho. O mar é escuro, bastante agitado, areia estranha, enfim, não são praias bonitas. Mas há opções belíssimas no entorno: a Playa Blanca Baru e o Arquipelago de Rosario. E mesmo parecendo duas lombrigas pálidas que fogem do sol, Cléber e eu não perdemos a oportunidade e começamos pela Playa Blanca. Mas foi aí que tudo começou a dar errado. Óbvio.

As pessoas podem escolher ir à Playa Blanca de barco ou carro – há uma ponte que liga a ilha ao continente. Nós conversamos com a gerente do hotel em que estávamos e ela disse que se fôssemos por terra teríamos uma experiência exclusiva, digamos assim. Iríamos sozinhos e teríamos atendimento personalizado em vez de viajarmos em um barco atrolhado de gente. E foi o que fizemos. Acontece que o irmão da moça fazia isso eventualmente (ele era mecânico originalmente) e ficou de viajar conosco. Às 7h da manhã estava nos esperando com um carro limpinho, cheiroso, aguinha e umas cumbias no rádio. Muy bueno.

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“Após uma hora e alguma coisa de viagem, avistamos um grupo de oito motoqueiros parados em uma encruzilhada”

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Aos poucos fomos nos afastando de Cartagena e indo em direção a um local bastante remoto, digamos assim. Estrada de chão batido, casebres, raras pessoas no entorno e coisa e tal. Após uma hora e alguma coisa de viagem, avistamos um grupo de oito motoqueiros parados em uma encruzilhada. Todos encostados em suas motos, como se esperassem algo acontecer. Ou alguém aparecer.

Não seguimos adiante, viramos à direita. Foi a deixa para os rapazes simpáticos montarem em suas motos e acelerarem na direção do carro. Conforme avançávamos pela via estreita e coberta pelo mato, eles se aproximavam. Até que nos cercaram. Dois ultrapassaram o carro e guiavam o caminho; quatro avançavam ao nosso lado na mesma velocidade como um pequeno comboio; Outros dois nos seguiam.

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Eram sicários, eu tinha certeza. Seríamos assassinados ali

No meio do nada

Na Colômbia

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Cléber me olhou mais pálido do que o normal, com um semblante ligeiramente apavorado, agarrou minha mão e eu senti que ele havia entendido o que estava acontecendo: estávamos paranoicos de tanto assistir Narcos e El Patrón del Mal. Lógico.

Eram apenas vendedores ambulantes, todos vindos de uma vila de pescadores vizinha, esperando os turistas para achacar. Estávamos entre os primeiros a chegar à praia e, por isso, fomos seguidos. Foi colocar o pé pra fora do carro para começar a oferta de tudo o que se possa imaginar. Até massagem, veja só.

Mas passado o susto, a viagem valeu a pena. Cada minuto de sol, mojito, pescado e mar transparente compensou o medo de morrer. Até voltarmos e o motorista quase nos enfiar embaixo de um carro durante uma ultrapassagem.

 

PLAYA BLANCA

Desculpem pelos pés do Cléber, mas o cenário era esse. E aquele pontinho acima do pé direito sou eu.

Como chegar

O lugar é absoltamente incrível: uma areia branca (rá), mal azulzinho, drinques e espreguiçadeiras. Um ótimo lugar pra passar o dia. Há duas formas de chegar: barco ou carro. Os barcos saem de um porto próximo à Torre do Relógio e tem uma desvantagem: o passeio é em grupo. Ou seja, horário pra sair, pra voltar, almoço no restaurante ao estilo refeitório com bandeja. E uma galera no entorno pra infernizar. Já de carro, que me parece a melhor opção, é uma viagem privada. Os pacotes também incluem uma refeição (pescado, arroz con coco e patacones), a diferença é que o guia entrega o almocinho na espreguiçadeira e a gente finge que é rico. É só falar com a gerência do hotel em que se está hospedado e eles arranjam a viagem, seja de barco ou carro.

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O que fazer

É um dia na praia, sem preocupações e com uma água quentinha. Há, porém, algumas atividades como mergulhos, trilhas e passeios de barco. Nós, como bons preguiçosos, passamos o dia embaixo do guarda-sol, lindamente deitados e ociosos.

Cuidados

A praia é lotadassa de ambulantes. Sério. Nós, brasileiros, estamos relativamente acostumados com isso, mas lá a coisa toma outra proporção. E eles vendem de colares a mariscos. De pulseiras a…. massagens. Sim. Aliás, as minas massagistas já chegam te pegando pra cobrar depois. Eu tava deitadona lá e uma delas chegou me apalpando. Não rolou.

A recomendaçãoo é não comer nada que os ambulantes oferecem e só aceitar massagens das meninas credenciadas. Enquanto descansávamos rolou um barraco entre duas massagistas, foi massa. Rolou até tapa na cara. A nossa deixa pra sair de lá.

ISLA DEL SOL

Como chegar

Nesse caso, o barco é a única alternativa. Também parte da Torre do Relógio, mas é uma viagem bastante longa e é feita em uma espécie de lancha – não conheço barcos. Não vista nada que não possa molhar, porque vai molhar. E guarde qualquer coisa eletrônica, porque vai molhar. Confesso que detestei a viagem, me borrei toda e achei que morreríamos afogados. Mas a gente chegou e voltou e valeu a pena. O pacote inclui um belo almoço tradicional. Esse passeio também pode ser organizado pela gerência do seu hotel.

O que fazer

É uma ilha pequena e faz parte do Arquipelago de Rosario – ou seja, há outras ilhas. Mas também há passeios, trilhas e mergulhos. Nós, novamente, ficamos deitados ao sol sem fazer absolutamente nada. Há mar, piscinas naturais e piscinas artificiais. Cabanas e redes. Ócio pra que te quero…

Cuidados

Nenhum. É uma ilha privada, tudo muito seguro e as únicas pessoas no local são as pessoas com as quais se divide o barco. Mas eu me preocupei muito com os lagartos.