BSV Especial Coronavírus #5 Pode ficar menos pior?
Geórgia Santos
22 de abril de 2020
Cá estamos nós em mais uma edição especial sobre o coronavírus. A questão é que, graças ao presidente da República, temos falado pouco do vírus e da doença em si. Em vez disso, estamos discutindo a maneira brilhante pela qual Jair Bolsonaro domina o debate público e desvia o foco das imensas falhas do governo federal na condução da crise. A começar pela troca do ministro da Saúde. Sai Henrique Mandetta, entra Nelson Teich, um médico respeitado, sem experiencia no serviço público e, obviamente, alinhado com as ideias do capitão.
Mas não basta a troca no ministério. No último domingo, dia 19, houve protestos pedindo não apenas o fim da quarentena, mas também uma intervenção militar, o fechamento do STF e o fechamento do Congresso. No Rio Grande do Sul, os machões agrediram mulheres e jornalistas. Bolsonaro participou de um dos atos e deu razão aos manifestantes.No dia seguinte, voltou atrás. Disse que não se pode falar em fechamento de Congresso e deu uma de rei sol em 2020 e disse que ele é a constituição.
.
E ele pode voltar atrás, porque Bolsonaro não enfrenta nem nunca enfrentou consequências pelo que diz ou faz
.
O que alguns insistem em chamar de flerte com autoritarismo já virou orgia e os chefes dos outros poderes se protegem com notas de repúdio. Wow. Portanto, diferente do resto do mundo, em vez de debatermos maneiras de frear a pandemia, estamos discutindo se existe a possibilidade de sofrermos um golpe militar ou não. Será que pode ficar pior?? Ou melhor, que tal invertemos a pauta na ideia do copo meio cheio e perguntar se pode ser uma oportunidade ficar menos pior?
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flavia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
BSV Especial Coronavírus #4 Por que o povo sai de casa?
Geórgia Santos
16 de abril de 2020
Apesar da COVID-19 continuar circulando por aí e a todo vapor, há quem diga que o tal do coronavírus vírus está indo embora do Brasil. Leia-se: Jair Bolsonaro.
Não podemos afirmar o quanto as manifestações do Presidente da República impactam na tomada de decisão das pessoas que resolvem sair de casa. Mas o fato é que a cada dia que passa, o isolamento diminui. Em Porto Alegre os parques estavam cheios no final de semana e, em São Paulo, epicentro da crise, nova carreata, com direito a manifestação – com meme do caixão e tudo.
As pessoas também podem estar cansadas do isolamento, afinal, é desgastante ficar preso em casa. Esse pode ser um motivo bastante forte para sair por aí. Mas há, ainda uma terceira camada além do presidente e do emocional, a desinformação. Algumas figuras negacionistas que se dizem amparadas pela ciência tem tido cada vez mais espaço para destilar ideias de jerico.
E nós, jornalistas, temos responsabilidade nisso também. Porque mesmo que os riscos da crise sejam amplamente divulgados e mesmo que haja insistência nisso, há quem se dedique a ouvir as vozes contrárias. Dois ladosem uma pandemia era tudo o que a gente precisava.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flavia Cunha, Igor Natusch, Tércio Saccol e o convidado Marcelo Nepomuceno.Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
BSV Especial Coronavírus #3 Ainda tem a crise política
Geórgia Santos
8 de abril de 2020
Pensávamos que um bom tempo não haveria outro assunto a não ser a pandemia de Coronavírus, por isso essas edições especiais do Bendita. Mas como se bastasse um vírus mortal circulando por aí, os brasileiros ainda precisam lidar com uma crise política.
Em meio a boatos de que o ministro da saúde seria demitido, Luís Henrique Mandeta anunciou que fica. Mas não sabemos até quando, até porque é bastante evidente que o político do DEM e o presidente Jair Bolsonaro discordam sobre a forma de comandar o país durante essa crise.
?De todo modo, quem perde são os brasileiros, que já percebem um relaxamento no isolamento. Muito em função do desdém de Bolsonaro com relação à Covid-19. Por isso, o convidado da semana é Diogo Rimoli, ele que é professor de português, radialistas e guia turístico em Roma e vai nos contar, sob uma perspectiva de quem vive o pior momento da Itália em décadas, quão nocivas são as declarações de Bolsonaro.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
Primeiro de abril é o dia da mentira. Para Jair Bolsonaro, todo dia é primeiro de abril. Primeiro de abril em 64, com o golpe militar que prometia trazer a democracia de volta. Dia da mentira em 2020, em que o presidente da república minimiza a pandemia de coronavírus, que já fez milhares de vítimas no mundo todo. Acrescenta-se a isso o fato de que ele continua estimulando as pessoas a saírem de casa e está consolidada a distopia que a gente só lia em livro ou via em filme.
.
Para o povo brasileiro também, todo dia é primeiro de abril
.
Porque parece que todo dia é dia de cair em uma pegadinha nova. ?Na noite de 31 de março, Jair Bolsonaro fez um pronunciamento (quase) comedido sobre o coronavírus. O mais próximo do decente que vimos nos últimos tempos. Mas em primeiro de abril já estava fazendo a alegria do picadeiro montado para sua claque em Brasília. O juízo não durou 12 horas.
Por isso, ouvimos a médica infectologista Ana Lúcia Didonet Moro, que fala sobre os erros e acertos das autoridades brasileiras. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
OUÇA BSV Especial Coronavírus #1 Não é só uma gripezinha
Geórgia Santos
25 de março de 2020
Não há outro assunto a não ser a pandemia de coronavírus. Já são milhares de infectados no Brasil e milhares de mortes no mundo inteiro. Por isso, a partir desta edição, o Bendita Sois Vós vai se dedicar a entender todas as consequências do Covid-19. Não apenas as consequências físicas, mas também sociais, econômicas e políticas.
Em um país em que o presidente da República classifica a pandemia como histeria, é fundamental que tratemos a questão com informação e responsabilidade. Por isso, os jornalistas do Vós conversam com a médica infectologista Ana Lúcia Didonet Moro, que explica no que esse vírus é diferente de outros e a importância do isolamento social. O outro entrevistado é o psiquiatra Érico Moura, que fala sobre como lidar com o confinamento e o medo de se infectar.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
OUÇA Bendita Sois Vós #49 Mulheres no país do Messias, dólar em alta e a tal fraude
Geórgia Santos
10 de março de 2020
No episódio de hoje, mulheres. Mulheres e os obstáculos constantes, especialmente em um país governado por um presidente misógino e machista.
A ideia de um Dia da Mulher surgiu no início do século 20, entre movimentos socialistas e operários, justamente no contexto das lutas feministas por melhores condições de vida e trabalho e pelo direito ao voto. Em 1975, o 8 de março foi adotado como Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidos principalmente para lembrar o quanto ainda precisamos lutar. E aqui estamos nós, em 2020 – e dadas as devidas proporções – lutando por melhores condições de vida e trabalho.
Também hoje, a queda no preço do petróleo, o colapso da Bolsa e a disparada do dólar. E a mais nova tentativa de Bolsonaro de enfraquecer as instituições. Segundo ele, a eleição em que ele foi escolhido presidente foi fraudada.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
OUÇA Bendita Sois Vós #48 O elemento político das polícias
Geórgia Santos
2 de março de 2020
No episódio desta semana, as repercussões políticas e sociais da crise da segurança pública no Brasil. E quando se fala em crise da segurança, há dezenas de caminhos e abordagens. Neste caso, usamos o episódio do motim dos policiais militares do Estado do Ceará como ponto de partida para entender o papel das polícias na política.
.
Os policiais encapuzados foram confrontados pelo Senador Cid Gomes, do PDT, que em uma ação bizarra no município de Sobral, pra dizer o mínimo, avançou com uma retroescavadeira sobre o grupo amotinado. Como resposta, levou dois tiros
.
O caso foi chocante e desencadeou um debate sobre a legitimidade da ação dos policiais e das polícias em geral. Por isso, os jornalistas do Vós discutem a possibilidade de a polícia militar se tornar mais que um barco armado do Estado e passar a ter relevância no jogo político.
Participam Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
(Brasília - DF, 09/12/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, se despede ao término do almoço.rFoto: Marcos Corrêa/PR
O patriota brasileiro pode ser definido a partir de uma característica muito curiosa: ele adora odiar seu próprio povo. Para grande parcela dos valorosos brasileiros de bandeira adesivada no carro e camiseta verde e amarela, o povo brasileiro é formado por vagabundos, preguiçosos, incompetentes e bandidos em potencial.
Os valores desejáveis para uma nação forte e poderosa não estão entre nós, mas em outros lugares, e tudo seria muito melhor se nosso povo letárgico, burro e animalizado seguisse esses lindos exemplos – ou mesmo se sumisse de vez, dando espaço para braços realmente dispostos a trabalhar por um grande país.
Aparentemente, o presidente Jair Bolsonaro concorda, ao menos parcialmente, com esse enunciado. Afinal, retuitou para seus milhões de seguidores um vídeo de Alexandre Garcia, no qual o jornalista (um dos mais empolgados puxa-sacos do atual governo) teoriza, de forma irônica, sobre como seria lindo o Brasil se nosso povo de molengas submissos fosse trabalhador, sério e concentrado como os japoneses.
.
Sim, no fim das contas é isso aí mesmo: o Presidente da República concordando publicamente com quem diz que o povo brasileiro não presta para nada. Curioso caso de um nacionalista que ama o povo dos outros e despreza o próprio
.
(Sim, todos sabemos que provavelmente foi o tresloucado Carlos Bolsonaro, filho do presidente e dono das senhas das redes sociais do pai, quem postou a estupidez. Mas a verdade é que isso muda pouco o argumento: continua sendo um endosso a um discurso rasteiro sobre a população brasileira, vindo de gente muito próxima ao topo do poder.)
Esse patriotismo à brasileira que acha que xingar brasileiros de vagabundos é ser patriota é ridículo, é claro. Mas não é exatamente difícil de entender. Afinal, o amor à pátria aqui se confunde com coisas bem mais profundas: o racismo e o ódio a gente pobre.
No Brasil, o que define a cidadania é o que se tem, desde tempos imemoriais. Ser bom é ser dono, é ter algum tipo de propriedade sobre o Brasil – ou, pelo menos, ser (ou achar que é) amigo de quem a tenha. Aos que não têm quase nada, cabe a sina de sempre ficar com um pouco menos – e quando já se tirou tudo que se pode levar embora com as mãos, resta esvaziá-los também da capacidade de gerar coisas novas, de serem um povo pelos próprios termos, de existir sem pedir licença.
A cultura do povo não é a cultura brasileira: é a cultura do povão. Os desmatamentos não são consequência de um modelo predatório e assassino de capitalismo: são o gesto ignorante de quem não tem o que comer. A crise econômica não é falta de emprego: é falta de imaginação de quem não consegue ser empreendedor e fica esperando que os patrões deem tudo de mão beijada. Se os pobres brasileiros nada têm, é porque nada produzem; se vivem com fome, é porque são preguiçosos esperando que o sustento caia do céu, prontos a vender o voto pelas esmolas de um programa assistencial qualquer.
.
Em última análise, o patriota à brasileira representado na fala nojenta de Alexandre Garcia não ama o Brasil: na verdade, se acha dono dele, enquanto recursos, território e conceito. E faz questão de dizer que os não-donos do Brasil não são nada, não podem ser nada, jamais serão coisa alguma. Mesmo que isso seja uma mentira deslavada
.
A patriotada, nesse contexto, nada mais é que um recurso retórico, um argumento sonoro repetido por elitistas preconceituosos enrolados na bandeira nacional. O Brasil dessas pessoas só existe no espelho de casa, nos próprios delírios de ascensão social – ou nas gordas contas bancárias de quem usa o verde e amarelo para seguir sem riscos no topo da pirâmide. Alexandre Garcia, porta-voz fiel desse raciocínio excludente até os ossos, ofereceu a ração confirmatória da vez. E Jair Bolsonaro – um misto de presidente, entreguista patológico e avatar de todos os preconceitos de uma nação que cansou de festa e resolveu odiar – faz o que pode para cometer o desaforo supremo: o de um governante que ri e despreza a desgraça aqueles que foi eleito para governar.
OUÇA Bendita Sois Vós #44 Liberdade de imprensa a perigo – de novo
Geórgia Santos
27 de janeiro de 2020
Neste episódio, os jornalistas do Vós falam sobre liberdade de imprensa no Brasil.Ou melhor, sobre mais uma tentativa de cercear a liberdade de imprensa no Brasil.
Todos estamos familiarizados com os constantes ataques do presidente da República aos jornalistas e da recusa de Jair Bolsonaro em conceder entrevista ao que ele chama de grande mídia. Agora, no entanto, foi a vez do Ministério Público Federal. O jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, foi denunciado pelo MPF em função da produção das reportagens que ficaram conhecidas como Vazajato, que revelaram a comunicação ilegal entre procuradores do Ministério Público e o então juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato. Glenn e outras seis pessoas foram denunciadas por associação criminosa para invasão de equipamentos de comunicação e interceptação ilegal de comunicações.
.
Glenn Greenwald não foi investigado, Não foi indiciado, não cometeu qualquer irregularidade
Ele está sendo punido por fazer jornalismo
.
Os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha e Tércio Saccol conversam com Marcelo Träsel, presidente da Abraji e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
OUÇA Bendita Sois Vós #43 O nazismo no governo Bolsonaro
Geórgia Santos
20 de janeiro de 2020
O governo Bolsonaro começou o ano de 2020 surpreendendo um total de zero pessoas com ofensas a jornalistas, uso indevido da máquina pública na Secretaria de Comunicação e erros inadmissíveis com as notas do Enem, comprometendo o futuro de milhares de jovens. Mas na última semana, o agora ex-secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, ultrapassou os limites.
Alvim publicou um vídeo em que aparece defendendo a criação de uma nova identidade para a arte no Brasil. Ao fundo, Wagner e a obra favorita de Adolf Hitler. A estética é idêntica à adotada por regimes totalitários. E o discurso é um plágio de Joseph Goebbels, Ministro da propaganda de Hitler.
Roberto Alvim foi demitido quando o plágio veio à tona. Mas o discurso em si não foi questionado. Aliás, o texto em si havia sido elogiado. E até agora, não sabemos se o projeto absurdo para a proposta de reconstrução da cultura no brasil será implementado ou não. Até porque ficou claro, até aqui, que o nazismo incomoda mais pelo termo do que pelo que representa. Tanto é assim que agora, nas redes sociais, há quem diga que Alvim foi vítima de uma trama da esquerda, que colocou o trecho de Goebbels de propósito para derrubá-lo. Embora toda a construção estética do vídeo deixa claro que tudo foi pensado com muito cuidado.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.