ECOO

Quantos planetas seriam necessários se todo mundo vivesse como você? 

Geórgia Santos
5 de agosto de 2018

No dia primeiro de agosto, chegamos ao Dia de Sobrecarga da Terra. Isso significa que nós já consumimos uma quantidade de recursos naturais equivalente ao total de recursos que o planeta pode produzir em 2018. Pelo restante do ano, estaremos consumindo além da capacidade de renovação da Terra. O levantamento é realizado pela Global Footprint Network (GFN), uma organização não-governamental que desenvolve a pesquisa na área da sustentabilidade. Viveremos em dívida com a natureza pelos próximos cinco meses. Bem, na verdade estamos em dívida com a natureza há muito tempo, mas a velocidade com que estamos aumentando esse déficit é assombrosa

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O Dia de Sobrecarga da Terra é lembrado todos os anos desde 1970 e, naquele ano, o consumo de recursos naturais só superou o volume de renovação no dia 29 de dezembro

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A organização indica que há dois problemas que são cada vez mais recorrentes na sociedade e são os principais responsáveis por chegarmos esse ponto: o consumo e o consequente desperdício. O consumo excessivo faz com que a gente compre muito mais do que a gente necessita. E isso serve para todas as esferas da nossa vida. Compramos muita roupa, muita comida, muita bugiganga. Obviamente, o resultado também é desperdício, principalmente de comida. Segundo dados da GFN, um terço de toda a comida comprada em supermercados acaba na lata de lixo.

No Brasil, a situação é pior do que a média do planeta. Se todos vivessem como os brasileiros, o Dia de Sobrecarga da Terra seria em 19 de julho. Nos Estados Unidos, um dos piores com relação à demanda natural e consumo, a data cairia em 15 de março.

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Qual a sua Pegada Ecológica?

A Global Footprint Network acredita que nós não podemos controlar aquilo que não podemos medir. Por esse motivo, a Pegada Ecológica é a única métrica de sustentabilidade para indivíduos, governos e negócios. Mas o que é isso, afinal? A expressão Pegada Ecológica vem do inglês ecological footprint e mede a demanda humana por recursos naturais. A grosso modo, são os rastros que nossos hábitos deixam no ambiente, a quantidade de recursos necessários para suportar as pessoas ou a economia.
A GFN tornou possível, então, que as pessoas meçam suas próprias pegadas e determinem o seu dia de sobrecarga.
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Quantos planetas seriam necessários se todo mundo vivesse como você?

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O primeiro passo pode ser difícil, mas você pode fazer o teste aqui. Está em inglês, mas as perguntas são as seguintes: Com que frequência você consome produtos de origem animal?; Quanto da comida que você come é não-processada, não embalada e produzida localmente?; Como é a sua casa? Casa, apartamento, condomínio de luxo?; Com que material sua casa é construída?;

Quantas pessoas vivem na sua casa e qual o tamanho do espaço?; Você tem eletricidade em sua casa? Quão eficiente é em termos de energia?; Quanto da energia da sua casa provem de fontes renováveis?; Comparando com os vizinhos, quanto lixo você produz?; Quantos quilômetros você anda de carro ou moto? Como motorista ou passageiro; Qual a média de economia de combustível dos seus veículos?; Quanto você anda de carro, você pega ou oferece carona?; Quanto você usa o transporte público?; Quantas horas você voa por ano?

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Eu fiz o teste e fiquei triste, bem triste

De acordo com esses parâmetros, o meu Dia de Sobrecarga seria 25 de junho e, se todos vivessem como eu, precisaríamos de duas Terras

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E olha que eu sou o tipo de pessoa que compra comida na feira e não dirige. É verdade que algumas dessas coisas, na maioria das vezes, não estão ao nosso alcance, como o material com que nossa casa é construída. Além disso, a pegada ecológica é fruto também da estrutura social e governamental, como mobilidade, assistência médica e social, rodovias e infraestrutura. Mas outras são fruto de nossas escolhas, como o uso de energia renovável em casa, produzir menos lixo e consumir menos produtos de origem animal. E aqui eles não estão entrando na questão de proteção dos animais, mas a quantidade de recursos naturais consumidos para a criação. O projeto Cowspiracy mostra, por exemplo, que é preciso 2500 galões de água para produzir um hambúrguer de 500g. São DEZ MIL LITROS DE ÁGUA consumidos para produzir um hambúrguer de meio quilo.

Eu gosto de pensar que faço muito pelo planeta, que consumo pouco dos recursos naturais, mas não é verdade. Ainda há muito por fazer. Muito. Curiosamente, enquanto escrevo essa coluna começa a tocar Papagaio do Futuro, com Geraldo Azevedo e Alceu Valença, no Spotify. “Eu fumo e tusso fumaça de gasolina.”

Reporteando

As perguntas-padrão de uma eleição seriam mais reveladoras

Geórgia Santos
31 de julho de 2018

Na noite de ontem, o programa Roda Viva recebeu o deputado Jair Bolsonaro (PSL), candidato à presidência da República. Confesso, eu estava muito curiosa por esse momento. Especialmente porque o político é conhecido por evitar esse tipo de encontro com jornalistas, com os quais mantém uma relação de hostilidade. E no ensejo das confissões, admito que fiquei frustrada. Não com ele, sua ignorância sempre aparece, mas com a entrevista em si.

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Não foi propriamente uma entrevista ruim, mas foi mais do mesmo

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Já no início, quando o apresentador do programa, Ricardo Lessa, pergunta sobre a realização pela qual ele gostaria de ser lembrado, Bolsonaro despeja a ladainha que todos conhecemos. “Nós cansamos da esquerda”, “[queremos um Brasil] que respeite a família, bem como as crianças em sala de aula”; “que jogue pesado na questão da segurança pública”; “que jogue pesado contra o MST”. De novo, pra mim, apenas o “sonho” que o candidato tem de tornar a economia brasileira plenamente liberal, já que até pouco tempo era um estatista.

Mas a ladainha que conhecemos seguiu programa afora. O começo da entrevista foi marcado por perguntas sobre a Ditadura Militar, por exemplo. Acho que é um tema que deve ser abordado, afinal de contas faz parte do nosso passado recente e o candidato já exaltou e defendeu o período mais que algumas vezes. Mas insistir por quase meia hora nisso, é escada pra ele.

Ele relativizou a tortura com o discurso padrão de que eram terroristas, disse que a maioria inventou que foi torturada para receber indenização, votos e poder; disse que sem a “revolução teríamos virado Cuba”; questionou o assassinato de Vladimir Herzog; disse que não foi golpe; e ainda flertou com a ideia de reeditar o período quando perguntou se “o clima não está muito parecido com aquela época.”

Em outras frentes, o candidato do PSL disse que é contra políticas afirmativas. Segundo ele, entrar em uma universidade, por exemplo, é questão de mérito e competência. “Se eles podem ser tão bons no Ensino Superior, e acho que sejam (sic), por que não estudam no Ensino Básico aqui atrás, pra que tenham melhor base e sigam carreira numa situação de igualdade?” Ele afirma que não há dívida a ser quitada com a população negra porque ele nunca escravizou ninguém. Aliás, foi mais longe. “Se for ver a história realmente, os portugueses nem pisaram na África, os próprios negros que entregavam os escravos”, disse ele, em um momento de profunda infelicidade.

Ao ser confrontado com os rótulos de homofóbico, misógino e racista, negou todos. Obviamente.

“Se eu sou racista tinha que tá (sic) preso. São calúnias, nada mais.”

“Onde que que eu sou homofóbico? A minha briga é contra o material escolar. […] não pode o pai chegar em casa e encontrar o Joãozinho de seis anos de idade brincando de boneca por influencia da escola.”

Felizmente, o jornalista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, corrigiu Bolsonaro ao lembrar que ele foi denunciado pelo crime de racismo. Ele relativizou (de novo), disse que apenas exagerou nas brincadeiras e que aquilo não é racismo. Quanto a não ser homofóbico, não foi corrigido, infelizmente, então nós fazemos isso aqui.

Bolsonaro tergiversou o tempo todo e reproduziu os discursos aos quais já estamos todos acostumados. Se defendeu sobre o receber auxílio-moradia dizendo que está na lei, ignorando a imoralidade de utilizar o benefício mesmo com imóvel próprio; disse que, no sétimo mandato, nunca integrou a Comissão de Orçamento, nem a de Saúde e que nunca integrou a maioria das comissões da Câmara dos Deputados porque “aquilo é um mundo”; disse que a última CPI que funcionou na Câmara foi há mais de 20 anos – aparentemente esqueceu de Eduardo Cunha; disse que evoluiu em suas contradições com relação à democracia; admitiu ter votado em Lula e elogiado Chávez, mas não admitiu ter mudado de opinião. Segundo ele, Chávez é que mudou e parou de elogiar os Estados Unidos (?). Em resumo, mais do mesmo.

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A falta de preparo do candidato à presidência apareceu no que chamo de perguntas-padrão do período pré-eleição. Ou seja, ao responder questões sobre pontos críticos que um eventual governo deverá enfrentar

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Inovação

O diretor de Inovação e Articulação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, perguntou qual seria o papel que o Ministério da Educação deveria desempenhar e se a Educação Superior pública deveria estar vinculada ao Ministério da Educação ou ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A resposta foi um festival de desconhecimento. Uma confusão. Primeiro, disse que não há pesquisa no Brasil,  que é uma raridade; depois que é preciso “inverter a pirâmide” e investir em Educação Básica; em seguida, que a comunidade científica está em segundo plano no país; completou dizendo que “não interessa aonde vá ficar, tem que ser uma pessoa isenta e com conhecimento de causa”; terminou afirmando que “temos que investir e dar meios para que o pesquisador possa exercitar o trabalho. Se você quiser entrar na área da biodiversidade, você tem uma dificuldade enorme. Agora, tá cheio de gente tentando roubar a nossa biodiversidade.”

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Mortalidade infantil

Esse momento, na minha opinião, foi o mais revelador no que tange à falta de preparo – e noção. A jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico, questionou sobre as políticas que o candidato pretende propor para, entre outras coisas, a redução da mortalidade infantil, especialmente se houver redução de impostos.  Bolsonaro não apenas demonstrou pouca familiaridade com o assunto como foi leviano ao, basicamente, culpar as gestantes. Ignorando o fato de que altos índices de mortalidade infantil estão associados à falta de saneamento básico.

“Mortalidade infantil. Tem muito a ver com os prematuros. É muito mais fácil um prematuro morrer do que um que cumpriu a gestação normalmente. Medidas preventivas de Saúde.  [Jornalista: tem mais a ver com saneamento básico do que com prematuridade]. Não tem a ver. Olha só, tem um mar de problemas , tem que ver a questão, o passado daquela pessoa, signatário dela, alimentação da mãe, tem um montão de coisas, tô citando aqui um exemplo apenas. […] Muita gestante não dá bola pra saúde bucal, ou não faz exame de seu sistema unirnario com freqüência”, disse.

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Desemprego no campo

O candidato acredita que o desemprego no campo se dá em função da tecnologia e da fiscalização. Depois de dizer que “é difícil ser patrão no Brasil”, afirmou que o trabalhador deve ser treinado para fazer outra coisa, já que a mecanização deve substituir o trabalho braçal. Também defendeu que o governo não pode atrapalhar com legislação e fiscalização “absurdas”.

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Para mim, a candidatura de uma pessoa com um perfil tão belicoso é assustadora. Assusta que alguém se sinta tão à vontade para falar o que ele diz. Assusta que tantas pessoas apóiem alguém assim. Dito isso, acredito que esta seja uma campanha bastante emocional, o que explica parte desse apoio. Sua base é movida pelo “sentimento”, sentimento de medo, de cansaço, de necessidade de mudança – embora eu não entenda como alguém que é deputado há 27 anos possa ser mudança. Mas é justamente esse “sentimento” que torna inócua a insistência com alguns temas como o racismo, homofobia, misoginia, xenofobia e Ditadura Militar.

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O eleitor de Bolsonaro concorda com ele, não se importa com esses temas ou não acredita que ele seja assim – atribuindo tudo às Fake News

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Isso prova que, mais do que nunca, o jornalismo responsável precisa entrar em campo. O candidato do PSL precisa ser exposto como o candidato despreparado que é, não pela maneira como ele pensa ou em função do que defende. Até porque, ele tem todo o direito de defender o que bem entender – e o dever de arcar com as consequências disso também.

E é nesse ponto que o programa Roda Viva falhou. À parte esses três momento que destaquei, sobre inovação, mortalidade infantil e desemprego – e talvez algum outro que me tenha escapado, foi uma entrevista pouco reveladora.

Faltou perguntar sobre plano de governo, sobre projetos para educação e saúde. Não ouvi nada a respeito de cultura, não tenho a menor ideia do que ele pensa a respeito. De política internacional, só sei que quer fazer comércio com todos os países. E para a segurança? Além do óbvio e de armar o “cidadão de bem”, não ouvi nada que fosse produtivo.

Não teve coordenador de campanha adversário como entrevistador, ele não foi interrompido constantemente, mas, de certa forma, o programa foi desenhado de maneira similar ao que recebeu Manuela Dávila. Por motivos diferentes, é claro. Afinal de contas, o candidato do PSL é cheio de contradições e precisa ser confrontado. De todo modo, ficou claro que o objetivo era constrangê-lo, pegá-lo no “contrapé”. Estratégia que, na minha opinião, só fortalece uma candidatura que atribuiu notícias ruins à manipulação da grande mídia.

Durante o programa, ele disse que “a imprensa quase toda é de esquerda no mundo, Trump sofreu com isso, são os Fake News.”

Ele deixou a cama pronta. Não podemos deixar o jornalismo deitar.

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#PlasticFreeJuly . menos plástico no trabalho

Geórgia Santos
28 de julho de 2018

As medidas de sustentabilidade no trabalho quase sempre envolvem papel, especialmente no que diz respeito às impressões desnecessárias e desperdício. Mas assim como em outras esferas da nossa rotina, no trabalho – seja ele qual for – o plástico também não dá folga.

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Por isso, aproveitando o desafio do Julho Sem Plástico, a gente pensou em algumas sugestões para diminuir o consumo de plástico no trabalho.

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Fuja dos descartáveis – nada de usar copinho plástico e coisas do tipo, tenha sempre uma caneca em mãos para o cafezinho ou água, utilize talheres de metal para as refeições e, é claro, pratos de louça;

Leve a marmita de casa – se levar a comida de casa, use potinhos reutilizáveis e lave depois, bem simples. Se quiser comprar comida, leve o recipiente para evitar o uso de descartáveis;

Prefira frutas para o lanche – fruta se descasca, não desembala. É saudável, prática e não vem embrulhada em plástico;

E evite o desperdício de material de escritório, afinal de contas, a maior parte não é reciclável. Se você não trabalha em escritório ou em um ambiente similar, dê uma olhada ao redor e se desafie. O que você pode fazer para reduzir o consumo de plástico?

Imagem: Pixabay

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#PlasticFreeJuly . 5 maneiras de deixar o plástico longe da comida

Geórgia Santos
27 de julho de 2018

Quando pensamos no consumo de plástico, é óbvio e automático pensarmos em produtos de limpeza, higiene e limpeza. Nas embalagens e composições. Mas você já parou para olhar quão cheia fica a lata do lixo seco depois de um supermercado? A alimentação padrão do brasileiro gera muito lixo e já passou da hora de mudar isso. O desafio do Julho Sem Plástico é um ótimo momento para dar início a essa mudança de hábitos. Então, vamos aproveitar o #plasticfreejuly para começar.

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Cinco maneiras de deixar o plástico longe da comida

  1. Sacola reutilizável – essa a gente não cansa de repetir, nada de usar sacolas plásticas; 
  2. Cozinhe a própria comida – a tele-entrega é uma tentação para os dias de preguiça, eu sei. Não foi somente uma vez em que cedi a essa tentação. Mas vamos pensar na quantidade de embalagens na proporção com a quantidade de comida. Não precisa, né?
  3. Frequente a feira e/ou compre a granel – supermercados são cheios de produtos dos quais a gente não precisa. Mas a gente compra mesmo assim, porque estão na nossa cara. Frenquentar a feira – orgânica, de preferência – é uma ótima maneira de gastar menos, ter uma alimentação mais saudável e, claro, consumir menos plástico. O mesmo vale para mercados e armazéns que vendem a granel;
  4. Saquinhos de pano ou potes de vidro – não adianta comprar na feira ou a granel e utilizar saquinhos plásticos. Se não quiser deixar as compras soltas na sacola – reutilizável =) – basta levar saquinhos de pano, bem parecidos com aqueles que a gente usa para guardar sapato. Outra alternativa é utilizar potes de vidro para comprar grãos e coisas parecidas;
  5. Garrafa reutilizável – fique longe da garrafa PET.  Utilize uma garrafa de vidro ou inox para a água e fique longe dos refrigerantes. Vinho pode =)

Imagens: Pixabay

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#PlasticFreeJuly . casa mais limpa e sem plástico

Geórgia Santos
26 de julho de 2018

No desafio do Julho Sem Plástico, a ideia é reduzir o consumo de plástico no dia-a-dia. Desde 2011, o #PlasticFreeJuly traz essa provocação com o intuito de fazer com que as pessoas reflitam sobre seus hábitos. E na rotina do cuidado de uma casa, é fácil notar que há muito plástico envolvido quando se trata de produtos de limpeza. Das embalagens à composição de alguns, que podem conter microplástico. Mas se teve algo que aprendi com essa jornada de tentar levar uma vida mais sustentável é que precisamos de muito pouco para limpar uma casa adequadamente.

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É possível limpar a casa somente com água, sabão de coco, bicarbonato de sódio, álcool e vinagre 

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Parece que estou ouvindo minha mãe falando: “Ah, mas uma água sanitária faz milagres.” Não, essa não seria minha mãe, ela falaria “QBoa”, mesmo. De qualquer forma, ela levantaria o questionamento e eu responderia: é verdade, especialmente contra mofo. Mas não é imprescindível.

Então, para dar aquela ajudinha, dá uma conferida nessa receita de sabão líquido natural, que pode ser utilizado para limpar a casa, lavar a louça e lavar a roupa. 

Sem contar que uma bucha vegetal – ela de novo – substitui perfeitamente a esponja de pia comum e limpa tão bem quanto. Aproveita o desafio do #PlasticFreeJuly e se joga nessa vida mais sustentável.

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#PlasticFreeJuly . 10 maneiras de evitar o plástico da rotina de higiene e beleza

Geórgia Santos
25 de julho de 2018

Ainda falta uma semana para o mês acabar. Isso significa que ainda dá tempo de participar do desafio do Julho Sem Plástico, ou #PlasticFreeJuly. Tomar a decisão de consumir menos plástico pode ser desafiador, mas é muito importante que se pense sobre esse problema. E esse movimento faz justamente isso, incentiva a refletir sobre a real necessidade do plástico em nossas vidas.

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E um dos momentos em que mais se consome plástico é justamente durante rotina de higiene e beleza

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Por esse motivo, pensamos em 10 maneiras de reduzir o consumo de plástico na hora de cuidar de si. Algumas são mudanças mais drásticas, outras mais simples. Mas todas possíveis.

  1. Utilizar xampu e condicionador em barra – se comprar direto do produtor, melhor ainda. Afinal, algumas marcas que enviam pela internet o fazem em embalagens plásticas 🙁
  2. Fazer depilação definitiva ou utilizar barbeador de metal – aquela “giletezinha” normal mistura plástico e metal e não pode ser reciclada, sem contar que tem uma vida útil reduzida;
  3. Utilizar desodorante natural – mas escolha um que tenha embalagem de vidro ou que seja em barra;
  4. Sabonete natural – da mesma forma que o xampu e o condicionador, quanto menos intermediários, melhor;
  5. Discos de limpeza reutilizável – sabe aquele disco de algodão para limpar o rosto? Então, ele vem em embalagem, né? Que tal usar disquinhos de crochê e evitar mais esse plástico na vida?
  6. Escova de dentes de bambu – a escova tradicional é um pavor, todinha feita de plástico. A de bambu é barata, biodegradável  (com exceção das cerdas) e tão boa quanto;
  7. Coletor menstrual – esse assunto é polêmico e algumas pessoas não se sentem confortáveis, mas é uma ótima alternativa aos montes de plástico dos absorventes comuns, além de ser seguro e deixar a área “respirar”. Se você é do time que não confia no coletor, experimente as calcinhas absorventes. O mesmo vale para protetores diários, que agora tem opões reutilizáveis;
  8. Hidrante caseiro – ao produzirmos os cremes hidratantes – e outros cosméticos – em casa, diminuímos o consumo de plástico e ainda tratamos bem do corpo;
  9. Talco para os pés – abandone os tubinhos plásticos e experimente fazer a mistura em casa, é bem mais barato;
  10. Bucha natural – nada melhor para esfoliar rosto e corpo do que uma bucha vegetal. É barata, natural, biodegradável e vem sem embalagem, prontinha direto da terra;

Há inúmeras outras alternativas como oleo vegetal para demaquilar; pó de café para espantar a celulite; máscara de abacate para os cabelos; mel para combater caspa e espinhas; essas são apenas sugestões para o pontapé inicial. Que tal? Ainda dá tempo de aceitar o #PlasticFreeJuly. E se não for em Julho, não tem problema. Qualquer dia é dia para embarcar em uma jornada sustentável.

Imagens: Pixabay

Pedro Henrique Gomes

Três filmes e o VAR

Pedro Henrique Gomes
14 de julho de 2018
Willem Dafoe and Brooklynn Prince in 'The Florida Project" from EPK.tv

Deixe a luz do sol entrar, de Claire Denis, França, 2017

A expressão mais clara de uma cineasta que detém o controle absoluto do material de sua criação e, a um só tempo, é capaz de estar aberta ao imprevisto de uma cena, ao improviso. Deixe a luz do sol entrar é o filme mais estranho de Claire Denis, no sentido de que é tão elíptico, tão claro na abordagem e direto ação. Como é corrente em seus filmes, a câmera privilegia uma relação próxima de seus personagens, flutuando de corpo a corpo, mas que não mostra tudo pois prefere construir uma espécie de campo sensível (e sensual) e permitir que se formem partes inacessíveis, pedaços de planos que tateamos sem ver. Suas imagens são formas de discurso do corpo mais do que da fala. Além disso, apenas um comentário sobre o trabalho de Juliette Binoche no filme: uma atriz como essa não merece nada menos do que a eternidade.

Projeto Flórida, Sean Baker, EUA, 2017

O filme de Sean Baker consegue registrar, a partir de personagens infantis, a crueza do mundo os cerca. O mundo dos adultos é tão ou mais esquisito do que o das crianças que bagunçam o hotel onde moram em Orlando. Pertinho da Disney (que também é um universo adulto e infantil ao mesmo tempo), o hotel comporta uma variedade de personagens, entre eles o de Willem Defoe, que faz Bobby, o manager do local, personagem permeado por conflitos na relação com os moradores e hóspedes. Em especial com mãe de Moonne, Halley, que tem vários problemas para se manter hospedada. O eixo central do filme gira em torno destes três personagens e é através deles que expõe, na simplicidade de sua estratégia narrativa, a história dramática que a fantasia e o glamour do sonho americano muitas vezes não conseguem captar.

Como falar com garotas em festas, de John Cameron Mitchell, Reino Unido, 2017

O filme reforça a minha crença de que John Cameron Mitchell não possui a mais vaga ideia do que significa encenação no cinema. Adaptando Neil Gaiman, não consegue sair do círculo vicioso de suas soluções visuais e narrativas e propor um desafio ao espectador que não seja o de interpelar imagens fugidias em um filme “diferentão”, radical na publicidade de si mesmo e muito duro na articulação de toda essa liberdade aparente. Dito de outro modo, é preciso decifrar – e ter noção disso – a consciência de sua criação, os seus mecanismos. Como falar com garotas em festas parece um filme contente apenas com sua coragem conteudística, mas que resulta confuso diante da fragilidade de sua trama.

VAR: “Mas você não viu no vídeo, seu juiz?”

Agora que já se sabe que o VAR não encerra a discussão sobre um lance disputado no calor do jogo, já podemos abandonar o seu constrangedor uso no futebol para fins de definição, por exemplo, de um pênalti. No tênis ou no vôlei, ou a bola está dentro ou está fora da linha. Um sensor e um vídeo “provam” as reivindicações, quando feitas e necessárias. No futebol, acrescenta-se que a disputa física entre atletas embaralha a interpretação: a certeza do que os nossos olhos nos mostram é suspensa, subjetiva (dada a interpretação do sujeito-juiz). Simplesmente ela não existe – é possível que o vídeo venha a reforçar essa confusão, tornar mais acirrados os ânimos quando a decisão do árbitro não concordar com a emoção dos atletas em campo. A intensidade com que os corpos se tocam não é acessada pela imagem. O corpo encena, a câmera mente.

ECOO

#PlasticFreeJuly . vamos tentar viver sem plástico?

Geórgia Santos
2 de julho de 2018

Você já ouviu falar no Plastic Free July? Em tradução livre para o português, o Julho Livre de Plástico é um movimento global que propõe o desafio de reduzir o uso de plástico no dia a dia. A ação começou na Austrália, em 2011, com poucos participantes. Felizmente, sete anos depois já atinge milhões de pessoas em mais de 150 países. O importante crescimento possibilitou que o grupo se transformasse em uma fundação de caridade, sem fins lucrativos, que vislumbra um mundo sem lixo plástico.

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Desafio #PlasticFreeJuly

Para que as futuras gerações encontram um planeta sustentável e habitável, é imperativo que o consumo de plástico seja reduzido drasticamente. Pouco tempo atrás, falamos sobre a baleia encontrada na Espanha com 29Kg de sacolas plásticas no estômago. Para se ter uma ideia, estima-se que mais de OITO MILHÕES DE TONELADAS de plástico sejam despejadas nos mares em todo o mundo. A crise é global e os números são assustadores. A previsão é de que em 2050 teremos mais plástico do que peixes nadando nos oceanos.

Por esse motivo, foi criado o Desafio #PlasticFreeJuly. Quem aceita o desafio, aceita reduzir o consumo de plástico ao longo de todo o mês de julho, com o compromisso de seguir com os bons hábitos adquiridos. A ideia é conscientizar as pessoas para que as próximas gerações encontrem um mundo mais limpo. Aceitar o desafio é um passo importante na direção da mudança de comportamento.

A hashtag #choosetorefuse é autoexplicativa: recusar o plástico é uma escolha.  É uma escolha recusar sacolas plásticas, canudos plásticos, embalagens de comida e copos plásticos.

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Como participar do Desafio #PlasticFreeJuly

  1. Clique aqui para se inscrever. Esse é o primeiro passo. A partir da confirmação da inscrição, você receberá emails com dicas e receitas ao longo do mês de julho;
  2. Faça o Quiz do Plástico para que você saiba de onde vem o plástico que você consome, é bastante útil para começar a recusar algumas embalagens e mudar hábitos. É bastante surpreendente;
  3. Escolha qual será seu objetivo principal: evitar os plásticos que parecem encher a lixeira dos recicláveis; evitar pedir comida que venha em embalagem plástica; ou ainda escolher o caminho mais difícil e #livredeplástico, nem que seja por um dia, ou uma semana;

Gostou da ideia? A gente vai abraçar o desafio e, ao longo das semanas, vamos contar qual a parte mais difícil e, claro, dividir algumas ideias.

Tão série

Will and Grace está de volta – e ainda é relevante

Geórgia Santos
29 de junho de 2018

O retorno de Will and Grace depois de onze anos fora das telas foi uma grata surpresa. Por outro lado, também foi uma surpresa estranha. Porque é absolutamente estranho perceber que 20 anos depois da estreia, eles continuam relevantes. No primeiro episódio, o quarteto fantástico está jogando Celebridade na sala do apartamento de Will com um texto que não nos permite esquecer que estamos em 2018.

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Will: Ele é um homem mas envelheceu como lésbica.

Grace: Steven Tyler; Jon Voight,  Newt Gingrich?

Will: Isso! Ela é… nem sei por onde começar.

Grace: Jada Pinkett Smith!

Will: Sim! Nós queremos amá-la mas ela torna isso impossível.

Grace: Caitlyn Jenner!

Will: Isso! Rica. Refém.

Grace: Melania!

Will: Não. Usa boina!

Grace: Patty Hearst!

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A série continua a mesma. Will (Eric McCormack) e Grace (Debra Messing) aparecem morando juntos temporariamente. Os dois solteiros e batendo cabeça. Grace diz que ficará apenas algumas semanas, até baixar a poeira.

Jack: Dos seus genitais?

Grace: Do meu divórcio!

Felizmente, os criadores Max Mutchnick and David Kohan ignoram o (horrível) final da oitava e até então última temporada, em que os amigos são vistos criando seus filhos separadamente e ficam 20 anos sem se falar até que as crias resolvem se casar. Não, né. Eles atribuem a cena a um pesadelo de Karen (Megan Mullally), induzido por pílulas e álcool, enquanto ela está catatônica no sofá.

Jack (Sean Hayes) mora do outro lado do corredor, ainda ácido, ainda incorrigível e hilário. Quanto a Karen, essa está definitivamente vivendo o sonho. Afinal de contas, o presidente dos Estados Unidos é justamente o tipo de homem que ela admira e espera que ocupe o poder.

A série definitivamente continua a mesma, mas se antes era elogiada por ajudar a educar os americanos com relação às uniões homoafetivas e a luta por direitos da população LGBT, hoje essa educação se estende a uma crítica social e política. Will and Grace confirma as suspeitas de analistas de que o tragicômico governo Trump, mais trágico do que cômico, seria um prato cheio para cientistas políticos e humoristas.

Tanto é assim que o primeiro episódio é recheado de referências ao atual momento político dos EUA. Há quem considere forçado, mas eu acho hilário e necessário. E usar a amizade de Karen com o presidente é a maneira perfeita de tornar tudo mais natural. Em todos os episódios há situações que nos fazem refletir sobre o momento polarizado a que estamos todos submetidos, seja nos Estados Unidos ou no Brasil. Mas há um momento em especifico que eu acho primoroso e emblemático.

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O bolo para o SEU presidente

Karen: Passando;

Homem: Ei, escolhe um número;

Karen: Hm, ok, um!

Confeiteira: Oi, sou a Amy, como posso tornar seu dia mais doce?

Karen: Eu preciso de um bolo;

Amy: Você está com sorte, eu faço bolos, por enquanto, se eles não aumentarem o aluguel, essa vizinhança inteira…

Karen: Querida, querida, pessoas como eu não se preocupam com os problemas da classe trabalhadora branca, aquilo foi só pra ganhar a eleição. Falando nisso, eu preciso de um bolo grande para o aniversário de uma pessoa muito importante;

Amy: Hm, importante?

Karen: Aham. Eu quero de chocolate, com cobertura branca e um monte de estrelas, letras em vermelho e eu preciso que diga M – A – G – A. Make America Great Again ?Faça a America Grande Novamente, em tradução livre, é o slogan de campanha de Donald Trump?! Você fará um bolo para o seu presidente!

Amy: Oh!

Karen: Ele vai a minha casa para uma coisinha, nós vamos servir White Russians ?Russos Brancos, o nome de uma bebida?, mas voce não precisa saber  da lista de convidados.

Amy: Isso parece legal, mas não; Desculpe, odeio decepcionar pessoas e eu sou péssima em me defender, por isso Jocelyn diz que eu não deveria trabalhar no balcão, mas ela está morta agora e eu não vou fazer um bolo para aquela pessoa;

Karen: Deixa eu ver se entendi, Smiley Cyrus. Você não quer fazer um bolo porque não gosta do que ele representa?

O episódio faz uma clara referência ao que aconteceu no Colorado, quando um confeiteiro recusou fazer o bolo de casamento para um casal gay alegando que feria suas crenças religiosas – no caso, cristãs. Além disso, a série, de maneira inteligente, faz com que a gente reflita sobre empatia e a necessidade de se ter um debate transparente sobre o que as coisas significam. Quando Grace fica sabendo do que aconteceu com Karen por meio de seu assistente, Tony (Anthony Ramos), se sente ultrajada. Justamente porque imagina ser um caso de preconceito contra casais homossexuais. Quando fica sabendo que o bolo é para Donald Trump, o ultraje desaparece, alegando que são coisas completamente diferentes.

Tony: Como vai requerer sua liberdade de expressão se não vai defender a dos outros?

Grace: E se alguém quisesse fazer um bolo que diz: “Eu Odeio Porto-Riquenhos”?

Tony: se diz “MAGA”, a parte do  “Eu Odeio Porto-Riquenhos” está implícita;

Grace engole o orgulho e decide ajudar Karen. Ela deixa claro para a confeiteira que considera que as crenças da amiga são horríveis, mas mesmo pessoas com crenças horríveis tem direitos. Consequentemente, Karen consegue o bolo, mas a confeiteira faz questão de dar um recado e incluir umas letrinhas no pedido.

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“I” MAGA “Y”

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“Eu sou um gay” em bom português. Portanto, o episódio The Beefcake & the Cake Beef inteiro é um espetáculo e um ótimo exemplar do motivo pelo qual amamos Will and Grace e do porquê a série continua relevante. E engraçada. E provocadora. E merecedora dos seus 16 Emmy. No final, vemos um bonitão que flerta com Grace enquanto pede para a confeiteira ajustar a suástica do bolo, que está um pouco torta.

Samir Oliveira

Dia de orgulho – e luta

Geórgia Santos
28 de junho de 2018

Hoje é celebrado o Dia do Orgulho LGBT+

O 28 de junho nos leva à Nova York de 1969, quando frequentadores do Stonewall Inn reagiram à constante interferência da polícia no estabelecimento – motivada, obviamente, por intolerância. Para aquela noite estava programada mais uma batida policial no famoso bar gay de NY. Mas não foi o que aconteceu. Gays, lésbicas e travestis que estavam no local se rebelaram contra a ação e mudaram para sempre a história do movimento LGBT. O que era para ser (mais)  uma noite de opressão deu início a uma série de protestos pelo fim da discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero. No ano seguinte, a resistência seria marcada pela primeira marcha do Orgulho nos Estados Unidos, movimento que inspirou tantos outros pelo mundo.

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Quase 50 anos depois, o 28 de junho é conhecido como dia de luta contra o preconceito. Conhecido como dia de Pride, de Orgulho de ser quem se é. Assim mesmo, em caixa alta.

 

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Até o movimento iniciado em Stonewall, a mobilização dos grupos gays nos EUA era focada na aceitação dos homossexuais. Então, a revolta de 1969 foi um divisor de águas na luta por direitos da população LGBT+. A partir daquele momento, ser gay passa a ser uma forma de desafiar também as estruturas sociais heteronormativas. Consequentemente, há um aumento importante no coro do movimento e uma série de conquistas fundamentais.

Mas ainda há um caminho longo pela frente, especialmente para o Brasil. Todos os anos o Grupo Gay da Bahia (GGB) monitora o assassinato de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil. Os dados são assustadores: 2017 registrou um aumento de 30% nos homicídios de LGBTs em relação a 2016. Foram 445 mortes no ano passado e 343 no ano retrasado. O Brasil ainda ostenta o título de país mais violento do mundo para pessoas trans, por exemplo. Levantamento da ONG Transgender Europe indica que houve 868 mortes entre 2008 e 2016. O segundo colocado, o México, registrou 257 no mesmo período.

O Vós tem muito orgulho de fazer parte do grupo de defende e apoia o movimento pelos direitos LGBT+. A nossa forma de contribuir é trazendo à tona assuntos cruciais da comunidade para que a sociedade tenha elementos para refletir. E fazemos isso por meio desta coluna. Por isso, escolhemos alguns textos fundamentais que já foram publicados por aqui. Orgulhe-se!

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Não é qualquer crime, é crime de ódio – e ele só aumenta no Brasil
LGBTs no centro das decisões políticas – por que não?
Discutir gênero e sexualidade nas escolas é mais do que urgente, é vital
Ativistas trans se reúnem em Porto Alegre para debater construção de políticas públicas e luta por direitos
Eu poderia ter sido uma vítima da “cura gay”