Nesta edição, falamos da epítome da pauta que une coronavírus e política. O presidente da República Federativa do Brasil, senhor Jair Messias Bolsonaro, disse que testou positivo para o novo coronavírus. Após esconder os testes há alguns meses, ele convocou uma entrevista coletiva PRESENCIAL para dizer que está infectado.
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Bolsonaro ainda prestou o desserviço de retirar a máscara ao final da entrevista, colocando em risco os repórteres que estavam no local. E, é claro, reafirmou a eficácia da cloroquina no tratamento contra a Covid-19, mesmo sem eficácia comprovada cientificamente
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Desinformação à parte – ou não – a declaração do presidente gerou muita suspeita, afinal, ninguém nunca sabe se o que Bolsonaro diz é verdade ou mentira. De todo modo, isso ainda tem inúmeras implicações tanto no combate ao Covid-19 quanto na política brasileira. Depois de ele confirmar que está infectado, vimos pessoas torcendo pra que ele morra; outras dizendo que essa torcida é falta empatia; notamos o nítido enfraquecimento da popularidade de Bolsonaro; e, é claro, testemunhamos o presidente da República virando garoto-propaganda de um remédio que ele estocou sem respaldo cientifico e agora não tem onde desovar.
Participam do programa os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
BSV Especial Coronavírus #16 Fake News em tempos de pandemia
Geórgia Santos
9 de julho de 2020
Desde março, os jornalistas do BSV discutem os diversos aspectos da pandemia e da política brasileira. Hoje, eles falam sobre as Fake News, que não só bagunçaram e bagunçam a política como já são um problema para quem quer se informar a respeito do coronavírus.
Uma pesquisa realizada pela Avaaz, uma comunidade de mobilização online que leva a voz da sociedade civil para os espaços de tomada de decisão em todo o mundo, indica que as Fake News sobre a pandemia atingem 110 milhões de pessoas no Brasil.E o estudo mostra que sete em cada 10 brasileiros acreditam em pelo menos uma notícia falsa sobre o coronavírus.
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E qual a resposta institucional? Aprovar, às escuras e às pressas, o PL das Fake News
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Parece bom, um projeto de lei que visa combater a desinformação, mas o buraco é mais embaixo. Apesar de ter sido submetido a mudanças, o texto aprovador pelo Senado no dia 30 de junho implica em sérios riscos à privacidade, à liberdade de expressão, abre caminho para a autocensura e para a perseguição a jornalistas.
O convidado desta semana é o jornalista Marcelo Trasel, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), uma das entidades que mais criticou o fato de o projeto ter sido aprovado sem discussão com a sociedade civil e com sérios problemas. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
BSV Especial Coronavírus #14 Bolsonaro subindo no telhado
Geórgia Santos
20 de junho de 2020
Abraham Weintraub não é mais Ministro da Educação, para felicidade geral da nação e daqueles que, segundo ele, não tem Deus no coração. Mas muita água rolou nesta semana antes da saída de Weintraub. Muita.
Na segunda-feira, 15, a extremista bolsonarista Sara Winter foi presa pela Polícia Federal (PF) em função de sua participação em manifestações antidemocráticas. A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).
Na terça-feira, 16, como parte do mesmo inquérito que investiga a origem de recursos e a estrutura de financiamento desses grupos suspeitos da prática de atos antidemocráticos, a PF bateu à porta de aliados de Jair Bolsonaro. A polícia cumpriu uma série de mandados de busca e apreensão solicitados pela PGR. A ação atingiu parlamentares como o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) e influenciadores como o blogueiro Allan dos Santos. Fernando Lisboa, outro alvo, outro blogueiro, até chorou.
Na quarta, 17, o pleno do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um pedido para fazer um levantamento do número de militares da ativa e da reserva nos últimos três governos. E, é claro, fazer um levantamento especialmente sobre os militares no governo Bolsonaro. A ideia é verificar se há uma militarização excessiva do serviço público. ?Mas o TCU seguiu dando o que falar na quinta-feira, 18, já que o Ministério Público (MP) solicitou que se investigue uma suspeita de compra superfaturada de cloroquina pelo exército.
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Mas a quinta-feira não acabou por aí
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Fabricio Queiroz foi preso. O Queiroz. O próprio. Acusado de gerenciar as rachadinhas dos salários de servidores dos gabinetes da família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro. Ele também é apontado como uma das conexões do clã com milicianos e com o Escritório do Crime, no Rio. Queiroz foi preso em Atibaia (SP), em um imóvel de Frederick Wassef, advogado de Jair Bolsonaro. O próprio.
Bolsonaro fez questão de defender Queiroz publicamente, dizendo que foi uma prisão espetaculosa, como se ele fosse o pior bandido da face da terra. Bolsonaro ainda fez questão de dizer que ele não estava foragido e que não havia mandado de prisão impetrado contra ele.
Mas a quinta-feira ainda não acabou. Foi justamente na quinta-feira que os brasileiros se despediram do inadequado Abraham Weintraub do Ministério da Educação e testemunharam o abraço mais estranho de todos os tempos, como mostra a foto de capa. Aliás, bizarro e, assim como o ministro, inadequado em tempos de pandemia.
Na sexta-feira, 19, o nosso país, governado por um grupo criminoso e altamente disfuncional, atinge o número de um milhão de casos de coronavírus e quase 50 mil mortes.
Para fazer uma análise sobre o impacto de todos esses fatos no governo Bolsonaro, participam os jornalistas Geórgia Santos, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
BSV Especial Coronavírus #13 Sobre protesto, violência e quem pode ter a carteirinha de antifa
Geórgia Santos
5 de junho de 2020
Há mais de uma semana, multidões estão nas ruas de algumas das principais cidades dos Estados Unidos em protesto contra o assassinato de George Floyd, um homem negro, por um policial branco em Mineappolis. O racismo emerge, então, como uma das questões centrais do nosso tempo e a luta antirracista ganha uma nova força com os movimentos que se articulam inclusive no Brasil.
Mas a presença de Jair Bolsonaro na presidência da República impõe também outros debates. Porque ao mesmo tempo em que há uma mobilização antirracista, um grupo de racistas, sim racistas, fez uma caminhada com tochas em Brasília. Os 300 do Brasil.
E como consequência, vemos uma crescente mobilização também do movimento antifascista – Antifa. Que o presidente Bolsonaro, a exemplo do seu muso Donald Trump, diz que é coisa de terrorista.
E cá estamos nós pra tentar compreender como esse movimento pode se sustentar por aqui e de que forma ele pode ajudar a restaurar a democracia. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
Um mar amorfo de bestialidades quase neutraliza a discussão sobre outras coisas nos tempos que correm. O governo Bolsonaro é desprezível, autoritário e corrupto. Precisa acabar. Seus séquitos apoiadores financeiros vivem muito bem no luxo dos veludos. Mas a crueldade dos monstros sanguessugas não pode paralisar-nos e é preciso reagir. Uma forma imprescindível de reação é a manutenção da quarentena para quem tem condições e pode mantê-la. No momento, a quarentena é a luta armada de 2020.
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Em meio a tudo isso, os filmes me aquecem. Certamente a sessão mais memorável deste maio que está prestes a se esgotar, levando com ele a vida de muita gente, espalhadas nos muitos brasis que temos no Brasil, ao descompasso do desprezível conjunto de abomináveis senhores da morte que dizem nos governar, enfim, eu dizia que a sessão mais marcante dessa quarentena, até aqui, foi a de A Casa e o Mundo (Índia, 1984), de Satyajit Ray. Curioso que, como em boa parte da obra cinematográfica do cineasta indiano, a casa, isto é, o espaço interior (ambiente dos dramas corriqueiros e cotidianos, mas também espaço para onde converge uma série de problemas do mundo, pois indissociáveis) existe pois há um fora dele, o exterior. Os espaços em Ray têm contornos e, ao mesmo tempo, respeitam aqui a intimidade da câmera clássica. Ele tem, no entanto, a malícia que faz do seu cinema uma viagem atenta ao conjunto de valores em vigor no espaço do qual ele fazia parte.
A história de A Casa e o Mundo é uma história conjugal, passada em Calcutá, e ela toma forma inteiramente no espaço doméstico. Estrutura dramática habitual em Ray, é possível conhecer o mundo com aquilo que ele nos dá a ver por meio de suas imagens e é necessário se inserir nesse mundo a partir de uma série de decisões (morais, absolutamente).
Bimala é casada com um homem intelectual, rico e liberal, e se vê encantada pelo amigo do marido que ele próprio insiste em lhe apresentar, contrariando a tradição. A tensão que se cria é exatamente resultado disso, consequência de crises constantes da tríade de personagens protagonistas, e comporta todos os conflitos, hesitações e vacilos possíveis naquele registro. Não há existência passiva no conjunto de ações assumidas pelos três, e suas decisões movem a trama. O narrador não deseja esconder as pistas, os motivos dos seus personagens. Ao contrário, ele espera que o espectador os decodifique. Nesse sentido, a razão de Ray opera de modo distinto a de um Bergman, Ozu ou de Fellini, por exemplo, que operam mais no mistério.
Satyajit Ray era um observador engenhoso e responsável. Audacioso, em A Casa e o Mundo ele não só “comenta” a cultura oficial, mas a interpreta compreendendo suas verdades mais íntimas – e suas falsidades também, seus vespeiros e suas contradições. Parece ser a melhor forma de fazer cinema político.
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Vale acompanhar as redes da Mostra de Cinemas Africanos. A Mostra coordena o Cine África, que está promovendo debates também com uma galera muito qualificada para falar sobre os filmes africanos. Espia a programação aqui. Além do Cine África, segue até o dia o 7 de junho o We Are One – A Global Film Festival, e o pessoal da Mostra publicou uma página com as exibições dos filmes africanos que integram a programação do festival, que são disponibilizados no YouTube.
Nós pensávamos que o assunto dominante seria o avanço da Covid-19 pelo Brasil, mas não é. O assunto dominante continua sendo Jair Bolsonaro, que está em guerra declarada contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
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Bolsonaro afirma que o STF age contra a liberdade de expressão. Logo ele, que espantou a imprensa do Planalto. Pela primeira vez no período democrático, parte dos veículos da mídia tradicional se recusa a fazer cobertura por falta de segurança
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Esses defensores da liberdade de expressão que acham normal uma ameaça de morte. Como disse Eduardo Bolsonaro em entrevista ao jornalista José Luís Datena, na intimidade, até um pais pode dizer que quer matar o filho.
Que coronavírus, que nada, nem Ministro da Saúde temos. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
BSV Especial Coronavírus #11 Enfim, o vídeo de Bolsonaro
Geórgia Santos
22 de maio de 2020
E como já é de praxe, estamos sextando! De novo por culpa de Jair Bolsonaro. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, derrubou o sigilo do vídeo da famigerada reunião ministerial do dia 22 de abril. Segundo Sérgio Moro, foi nesta reunião em que o presidente ameaçou interferir na Polícia Federal.
O vídeo é bastante claro com relação a tentativa de interferência e confirma a denúncia de Moro. Mostra que Bolsonaro incorreu em crime de responsabilidade. Mas o vídeo mostra mais que isso.
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Mostra que somos governados por pessoas ignorantes, grosseiras, ineptas e cruéis
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O ministro da educação, Abraham Weintraub, pede a prisão de ministros do STF e destila podridão. O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, quer aproveitar que a mídia só fala em Covid para afrouxar regulação ambiental. O ministro da Economia, Paulo Guedes, garante que o Brasil surpreendera o mundo. Já está surpreendendo. Estamos perto de ser o país com o maior número de mortes por dia em função do coronavírus.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natuch e Tércio Saccol.Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
Estamos durante a pandemia de coronavírus e, no Brasil, a crise política também perdura. Nelson Teich, que substituiu Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde há pouco mais de um mês, pediu para sair.
Tudo leva a crer que a saída de Teich tem relação com divergências com o presidente Jair Bolsonaro, especialmente sobre questões como isolamento social e a famosa cloroquina. Ainda não há substituto definido. Por enquanto, a pasta fica nas mãos de um militar, o general Eduardo Pazuello.
Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
Já são nove edições especiais do Bendita Sois Vós e, ao longo desse tempo, uma coisa fica cada vez mais clara: a pandemia de coronavírus não afeta a todos de forma igual.
Enquanto o presidente brinca – OU NÃO -, sobre fazer churrasco pra uma galera no final de semana, mais de 13 mil pessoas morrem vítimas de coronavírus no Brasil até o momento, oficialmente. E a resposta de Jair Bolsonaro? Andar de jet ski. O presidente, claramente, faz parte da turma mais preocupada em salvar CNPJs do que salvar vidas.
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Enquanto isso, enquanto a preocupação é com salvar empresas, a desigualdade floresce no país
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Nem todos conseguem ficar em casa, nem todos conseguem ficar isolados. Nem todos TEM casa. Milhares perderam o emprego. Milhares não tem o que comer. E o auxilio emergencial do governo não chega a todos. Por isso, conversamos com a assistente social Paola Carvalho, Diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica.
?Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
Mais de 7 mil pessoas morreram e o presidente fez o que Paulo Cintura – sim, aquele mesmo da Escolhinha do Professor Raimundo – chamou de FESTA MARAVILHOSA. Mais de 7 mil pessoas morreram e, no Twitter, o governo federal celebra os números do combate ao coronavírus no Brasil. Segundo o texto postado pelo perfil da secretaria de comunicação do Palácio do Planalto, os números seguem amplamente positivos.
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E nesse caldeirão de negação e irresponsabilidade que poderia ser classificado como criminoso, há milhares de brasileiros que escutam o presidente, defendem o presidente
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Há milhares de brasileiros que lutam por um projeto econômico que ninguém entende; que minimizam a doença; que fazem pouco caso das mortes; que protestam contra profissionais da saúde, contra quem defende o isolamento social amplamente apoiado pela ciência.
É dessas pessoas que vamos falar hoje. Na verdade, a ideia é tentar entender se há maneira de falar com essas pessoas, que acreditam que o coronavírus é uma gripezinha, e qual retórica usar para combater o bolsonarismo. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.