ECOO

Cedeu e retrocedeu – Governo reduz proteção de floresta na Amazônia

Geórgia Santos
16 de julho de 2017

Nesta semana eu ia dar algumas dicas sobre como começar a viver de maneira mais sustentável, motivada por uma conversa que tive com meus pais. Mas o governo federal não permitiu. Não, não fui censurada. Acontece que o presidente Michel Temer cedeu à pressão da bancada ruralista e enviou ao Congresso um projeto de lei propondo uma REDUÇÃO NA PROTEÇÃO de floresta na Amazônia.

.

É isso mesmo, em meio a uma latente crise de negação da ciência – de dimensões apocalípticas, talvez – o governo brasileiro quer reduzir a proteção ao meio ambiente

.

Há um mês, o Executivo vetou a Medida Provisória 756, que reduzia a Floresta Nacional de Jamanxim (Flona), no Pará. Apesar da sinalização positiva, o governo cedeu e retrocedeu: o novo texto prevê uma redução de 349.046 hectares nos limites da Flona.

.

O PL propõe uma redução de 27% na área da Floresta Nacional

.

Segundo comunicado do Ministério do Meio Ambiente, o projeto foi desenhado para diminuir os conflitos na região e estancar o desmatamento:

“A área onde se localiza a Floresta Nacional do Jamanxim tem sido palco de recorrentes conflitos fundiários e de atividades ilegais de extração de madeira e de garimpo associados a grilagem de terra e a ausência de regramento ambiental. Com reflexos na escalada da criminalidade e da violência contra agentes públicos, sendo necessária a implantação de políticas de governo adequadas para enfrentar essas questões”.

Deixa eu ver se entendi: para evitar o DESMATAMENTO ILEGAL, o governo resolve retirar a proteção que impede o desmatamento. Logo, o desmatamento passa a ser LEGAL e o conflito deixa de existir porque os proprietários das terras da região não vão mais atacar agentes do IBAMA (oito viaturas foram queimadas nas últimas semanas). É isso?

Eu não sou escolada nesse assunto, confesso. Apesar de me preocupar com o meio ambiente e tentar levar uma vida sustentável, não conheço a situação dos conflitos e desmatamentos na Amazônia a fundo. O que sei é que é um problema grande e em ascensão há muitos anos. Mesmo assim, me parece um paradoxo.

.

Vamos abrir mão de proteger o meio ambiente para que ele deixe de ser destruído. Essa é a gênese da justificativa genial do PL

.

Posso estar errada e estou aberta à discussão, mas me parece mais uma atrocidade contra o meio ambiente. Não só isso, nos mostra que a nossa liberdade termina onde começa o dinheiro do outro, afinal, alguém está enchendo os bolsos com o ar que a gente deveria respirar.

 

 

Tão série

Game of Thrones – O que esperar do primeiro capítulo

Geórgia Santos
16 de julho de 2017

O inverno está chegando, finalmente. E não, não me refiro à massa de ar polar que deve arrefecer o clima no sul do Brasil. Falo, obviamente, de Game of Thrones, umas das mais aclamadas séries da atualidade – e de outros tempos também.

.

Logo vamos matar a curiosidade, mas enquanto isso, que tal tentar decifrar as pistas que a HBO vem dando nas últimas semanas?

.

A estreia desta sétima temporada é similar à anterior, afinal, não há livro que a preceda. As Crônicas de Gelo e Fogo tem “apenas” cinco livros e o sexto e sétimo volumes ainda não foram escritos. Ou seja, não sabemos como a saga da Guerra dos Tronos continua.

A HBO vem dando algumas pistas vagas sobre o que deve acontecer no primeiro capítulo, que vai ao ar hoje à noite. Como não fomos convidados para a pré-exibição, que aconteceu em Los Angeles na última quarta-feira, só nos resta tentar decifrar o mistério.

.

Episódio 61 – “Dragonstone” / “Pedra do Dragão”

.

Jon (Kit Harington) organizes the defense of the North. Cersei (Lena Headey) tries to even the odds. Daenerys (Emilia Clarke) comes home.

Jon (Kit Harington) organiza a defesa do Norte. Cersei (Lena Headey) tenta igualar as probabilidades. Daenerys (Emilia Clarke) volta para casa.

.

Retomando da última temporada, Jon Snow foi nomeado Rei do Norte. Como não poderia ser diferente, ele está tentando unir as forças que estavam divididas sob o reinado de Ramsay Bolton. O problema é que ele tem Mindinho em seu caminho, que está fazendo de tudo para afastar Sansa de Jon – provavelmente com o intuito de faze-la assumir o reino e destronar o (meio) irmão.

Mas afinal, contra o que ou quem o Norte precisa ser defendido? Juntando algumas teorias aqui e ali, podemos pensar no mais provável. Para ele, o maior inimigo está do outro lado da muralha. Por outro lado, desde a queda dos Boltons, Cersei sabe que já não tem amigos no norte e Jon pode estar armando uma defesa contra um possível ataque vindo das Terras Ocidentais.

Quanto a Cersei, não é segredo que ela está cercada por inimigos, logo, tentar igualar as (suas?) chances não é propriamente uma surpresa. A surpresa deve estar em COMO ela fará isso. Qual será o truque na manga, desta vez? Acredito que ela não consiga fazer nada sem a garantia de pelo menos um aliado, portanto, aposto que a tentativa de igualar as probabilidades é justamente a busca por uma nova aliança. Euron deve ser o nome que ela procura.

Daenerys voltar pra casa também não é propriamente uma grande novidade, afinal, a vemos sentada no trono no trailer que foi divulgado há mais de um mês. Trono do castelo que era a casa dos Targaryen.

Não é muito, mas ajuda a passer a ansiedade pelo novo episódio. Enquanto isso, dá uma curtida no trailer.

Samir Oliveira

O rock me ajudou a entender que não há nada de errado em ser gay

Samir Oliveira
13 de julho de 2017
Foto: Imagem dos arquivos de Tavinho Paes

Hoje é o Dia do Rock. Um gênero musical agressivo, intenso e contestador, que recebeu ao longo das décadas inúmeras contribuições da população LGBT. Verdadeiros ícones do rock eram/são gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.

Escrever sobre música é um desafio para mim. É uma área onde gente muito qualificada e especializada costuma fazer resenhas e análises. Definitivamente não é minha zona de conforto. Eu estaria mais à vontade descrevendo uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do que falando sobre um show um gênero musical.

.

Então tenham em mente que este texto não passa de um bocado de pitacos e sensações de um apreciador de alguns estilos de rock e artistas. É sobretudo um desabafo sobre como certas referências marcaram a minha vida e me ensinaram que não há nada de errado em ser gay

.

Meu primeiro contato com o rock foi ainda na infância. Quando eu ia para a casa do meu avô materno e ficava garimpando seus vinis, me divertindo com as capas. Um dia ouvi Raul Seixas e me apaixonei.

Depois descobri Legião Urbana na pré-adolescência. A voz e as letras de Renato Russo impactaram profundamente a sensibilidade do jovem menino gay que eu estava descobrindo ser no interior do Rio Grande do Sul. A internet era muito rudimentar naquela época. Então eu escutava os CDs (!) de Legião Urbana no Diskman (!!) e ia pausando as músicas frase por frase para anotar as letras em um caderno que eu conservada apenas para isso. Não tem como ser mais viado do que isso, né?

.

A insinuação da bissexualidade em “Meninos e Meninas”, o mistério envolvendo a figura de João Roberto em “Dezesseis” e tantos outros sentimentos transmitidos pelas músicas de Renato Russo dialogavam muito com quem eu era – ou estava descobrindo ser – naquele momento

.

Ao mesmo tempo descobri também Cazuza, que desatou uma potência revolucionária em minha vida. Lembro que estava no Ensino Médio na época e fui com a escola ver o filme do Cazuza no cinema. Saí mal disfarçando o choro, mas não podia comentar nada em casa. Falar sobre um roqueiro gay que morreu de Aids era um imenso tabu na minha família.

É incrível como uma coisa vai levando a outra. Com Cazuza veio Cássia Eller e toda sua malandragem. A força daquela mulher lésbica que desafiava os padrões que a sociedade impõe a tudo que é considerado feminino me impressionou.

Como vocês devem ter percebido, meu contato com o rock – e especificamente com o rock protagonizado por LGBTs – veio através da música brasileira. As influências internacionais chegaram um pouco depois, no final da adolescência. Mas vieram com tudo.

Embora não fosse homossexual, nem tivesse músicas de alguma forma relacionadas à população LGBT, Jim Morrison foi a grande paixão platônica da minha juventude. Sem dúvida The Doors é uma banda especial para mim. Só por isso incluo sua referência em um texto que deveria ser exclusivo para ícones do universo LGBT. Me perdoem, eu não resisto.

.

Poderia citar ainda muitas outras influências do mundo do rock que me ajudaram a aceitar quem eu sou. David Bowie foi fundamental. Sua figura anárquica mais confundia do que explicava. Freddie Mercury era uma alegria para meus ouvidos

.

Todas estas influências foram cruciais na minha formação pessoal e cultural e em meu processo de conhecimento sexual. É evidente que eu não bebi apenas dessas fontes. Afinal, não escutava apenas rock. O pop e a MPB também sempre estiveram muito presentes na minha vida. Mas era o rock que apelava a um instinto mais combativo. Era o rock que me induzia a acreditar que eu não precisava me desdobrar em explicações sobre quem eu era. Sobre por que eu era. Sobre até quando eu iria ser. E por isso eu serei sempre grato.

Foto: Cazuza e seu amigo Kiki, nos anos 1980 / Imagem dos arquivos de Tavinho Paes.

Nós US

Não espere de pé para a Casa Branca cair

Sacha
13 de julho de 2017
(you can read this article in English here)

Esta semana parece ter-se confirmado o caso de colusão da campanha Trump. Ninguém menos que o filho do presidente, Donald Trump Jr., divulgou uma série de emails em que se revela disposto a receber informações ilícitas sobre Hillary Clinton vindas de agentes russos. Sem sequer considerar o que havia por trás da oferta de informação, Trump Jr. responde com um simples “adoro isso.” Adorou tanto que não lhe importava a negligência de ética em aceitar o que foi apresentado. Adorou tanto que nem tentou esconder a troca. Entre o tanto barulho após o tweet revelador, há quem o classifique como alta traição. Agora só falta ver quais serão as repercussões legais.

Voltamos uns passos. Embora a revelação dos emails seja uma evidência clara de conluio, o caso ainda não tem processo judicial pendente. Até a publicação da íntegra dos emails, a informação foi vazando à imprensa pouco a pouco. De tal modo que Trump Jr. se viu obrigado a tentar controlar os danos possíveis, publicando a informação incriminatória de vez. Por uma campanha centrada num escândalo do servidor privado dos emails de Hillary, este escândalo resulta mais surreal ainda.

Num Congresso tão ineficaz como vem sendo, não há margem para contemplar o abandono total do projeto

 

Muitos representantes republicanos negavam a ligação entre Trump e a Rússia antes do caso dos emails. Reservavam comentários sobre o caso para informação nova e concreta. Agora tendo-a em mão, muitos ainda recusam a proclamar sobre as possíveis ligações Trump-Rússia. Eis o problema.

Caso confirmado, este escândalo seria uma violação de ética e comportamento político sem precedentes nos Estados Unidos. Nem Watergate chegou a ser tão flagrante quanto o que vemos agora. Ainda assim, o estabelecimento republicano continua hesitante. O motivo? Não querem desacelerar o já lento ritmo de legislação.

Visto que o ciclo político aponta para uma perda provável do controle absoluto da legislação nas eleições de 2018, os republicanos não estão dispostos a interferir na oportunidade única que têm para passar os seus projetos de lei mais importantes. O procedimento de destituição do presidente não só parava a atividade do executivo, senão toda a agenda legislativa. Num Congresso tão ineficaz como vem sendo, não há margem para contemplar o abandono total do projeto. Nem quando a evidência se empilha.

Imagem: John evans
Nós US

Don’t Hold Your Breath Waiting for the White House to Fall

Sacha
13 de julho de 2017
(pode ler este artigo em português aqui)

This week, the Trump campaign’s collusion seems to have been confirmed. No one less than the president’s son, Donald Trump Jr., divulged a series of emails in which he appeared willing to receive illicit inside information on Hillary Clinton coming from Russian agents. Without so much as considering what might be behind such an offer, Trump Jr. simply responded “I love it.” He loved it so much that the ethical violation it represents didn’t matter. He loved it so much that he didn’t even try to hide the exchange. Amid all of the noise after the revealing tweet, some qualify it as high treason. Now all that remains is to see what legal repercussions await.

Let’s take a step back. Despite the revelation of the emails being clear evidence of collusion, the case still does not have a judicial case pending. Until the complete publication of the emails, the information was being leaked bit by bit. It was thus that Trump Jr. found himself obliged to stymie possible fallout from the case, publishing the damning information all at once. For a campaign centered on Hillary’s private email server scandal, this scandal is all the more surreal.

In a Congress as ineffectual as this one has been, there is no margin for contemplating the total abandon of its project

Many Republican representatives negated the ties between Trump and Russia before the email case. They reserved their comments on it for new and concrete information to come out. Now, having it in hand, many still refuse to acknowledge possible Trump-Russia ties. Therein lies the problem.

If confirmed, this scandal would be a political and ethics violation on an unprecedented scale in the United States. Not even Watergate managed to be so flagrant as what we’re seeing now. Yet the Republican establishment is still hesitant. Their motive? They don’t want to slow down the already crawling pace of legislation.

Given that the political cycle is pointing to a probable loss of absolute control in the 2018 midterm elections, Republicans are not willing to interfere in the unique opportunity they have to pass their most important legislative projects. The impeachment process would not only halt the executive branch, it would halt the entire legislative agenda. In a Congress as ineffectual as this one has been, there is no margin for contemplating the total abandon of the project. Not even when evidence piles up.

Image: John evans
ECOO

Eu testei – Depilação sustentável (what?)

Geórgia Santos
9 de julho de 2017

Nessa nossa jornada para tentar causar menos impacto no meio ambiente, há coisas mais fáceis de se fazer, como deixar de usar sacolas plásticas, e outras menos confortáveis, como aderir a cosméticos naturais. E há outras sobre as quais simplesmente não pensamos, como depilação. Sim, esse hábito não é nem um pouco verde. Mesmo assim, não vou deixar de me depilar, óbvio. Então precisei encontrar alternativas para não usar cera ou mil gilettes, que são caras e rendem poucos usos.

.

Depilação definitiva

Meu primeiro passo foi procurar um método de depilação definitiva. Escolhi usar a luz pulsada e fiz na axila e virilha. Os resultados são realmente impressionantes. O número de sessões necessárias varia de acordo com o contraste do tom da pele e do pelo, mas em geral de cinco a seis sessões é mais do que suficiente. Eu não fui disciplinada. O correto é ter um intervalo de 20 dias entre cada sessão. Eu ficava meses e, consequentemente, meu tratamento ainda não terminou. Mesmo assim, só uso gilette para depilar minha axila uma vez por mês e olha lá.

 

Em Porto Alegre, o melhor custo benefício é no salão Wall Cabelos, no centro. A Cris é responsável pela depilação e faz um ótimo trabalho. E vale a pena cortar o cabelo por lá, também hehe =)

.

Safety razor

Como não terminei o tratamento, ainda preciso da gilette. Além do mais, ainda tenho pernas e o orçamento não permite laser no corpo inteiro. O problema é que elas são caras e não tem uma vida útil muito longa. Sem contar a quantidade de lixo não reciclável que gera – como mistura plástico e metal, não tem como ser separado corretamente. Já o problema da cera é que é cara e causa um impacto grande no meio ambiente (especialmente as de roll-on), além de DOER. E vamos combinar que tem que ser feito no salão, em casa fica uma meleca e não é prático – eu até já usei aquelas folhas de cera fria, mas são caras e produzem um montão de lixo.

Foi aí que cheguei no barbeador de metal Safety Razor. Sim, aqueles com cara de antiguinho que os tios das barbearias usam. Ele é reutilizável (tipo pra sempre), tem dois lados para depilar ou barbear e como a lâmina é feita só de metal, é reciclável. A troca da lâmina depende do uso, mas se for toda a semana pode ser trocada uma vez por mês.

Vantagens – É mais eficiente porque as lâminas são mais afiadas – e são recicláveis; dura uma vida inteira; é sustentável; bonitinho =); e é mais barato no longo prazo. Se comprar no exterior, o custo é ainda menor, eu paguei $18 dolares pelo meu Safety Razor com cinco lâminas incluídas.

.

Desvantagens – a chance de ser cortar é ENORME, realmente não é tão fácil quanto com uma gilette tradicional. E, claro, em comparação com a cera, o pelo vai crescer mais rápido. De qualquer forma, eu espero que a essas alturas tu saibas que a história de que o pelo cresce mais grosso é a mais absoluta bobagem.

.

Como se depilar?

Essa questão é BEM delicada, porque exige uma série de cuidados. Mas depois que a gente se acostuma, fica mais fácil.

  1. Lave bem a pele e utilize algo para facilitar que a lâmina deslize. Não precisa ser creme de barbear, pode ser um sabonete hidratante, um xampu sólido, ou até condicionador;
  2. Cuidado com o ângulo, não pode ser 90graus, senão a gente se corta. O ideal é acompanhar a curvatura do barbeador e da pele (o vídeo abaixo mostra direitinho)
  3. Não pressione, a lâmina vai funcionar apenas deslizando pela pele;

Dá uma olhada nesse vídeo e vê como é fácil. Eu testei e super recomendo. Pode comprar online, mesmo. 

Tão série

Três maratonas para curtir durante as férias de julho

Geórgia Santos
8 de julho de 2017

As férias de julho estão aí, trazendo com elas o friozinho do inverno. E nada combina melhor com o inverno do que passar horas em frente à televisão – embaixo de um cobertor, claro. E comendo pipoca, óbvio. Por isso, pensamos em três maratonas para curtir durante as férias. São séries que estrearam no último mês no Netflix e que acomodam essa necessidade urgente de deixar a marca do bumbum no sofá.

.

House of Cards

Já discutimos a nova temporada de House of Cards por aqui, e como se uma indicação não bastasse, aqui vai a segunda. Tem estômago para encarar um político de moralidade dúbia dando um jeitinho na legislação e contornando a Constituição para permanecer no poder? Não, eu não estou falando do Temer, só do casal Underwood. A maratona é perfeita para as férias de Julho, afinal, frieza é o que não falta. Prepara o cobertor!

.

Orange Is The New Black

A nova temporada começa três dias após a morte de Poussey Washington (Samira Wiley), é de partir o coração. Mas mais do que isso, as detentas abordam temas que tem permeado a nossa realidade durante uma rebelião, como o movimento Black Lives Matter. A gente vê, através das grades da Penitenciária de Litchfield, o preconceito do nosso mundo enquanto mulheres tentam encontrar sua voz. É possível verVale cada minutinho, cada grão de pipoca.

.

GLOW

Toda a exuberância da década de 80 transborda em GLOW – Gorgeous Ladies of Wrestling. Em tradução livre, Damas Maravilhosas da Luta. A série retrata os desafios de Ruth Wilder (Alison Brie), uma atriz cuja última chance em Hollywood é participar de um programa de TV sobre luta feminina. Collants, drogas, meias de lurex e mais um monte de coisas inapropriadas e engraçadas. A trama toda é baseada em uma história real, de um programa real.

Samir Oliveira

Não gay o bastante: o drama de refugiados homossexuais

Samir Oliveira
6 de julho de 2017
Foto: Nathan Rupert/Flickr

A situação dramática de refugiados ganha contornos de catástrofe humanitária em muitos países. A Síria é a expressão mais cristalina deste problema. Acossada por uma disputa infame entre um regime assassino e uma organização terrorista, a população síria vê no exílio a única alternativa. Mas existe uma outra faceta pouco explorada deste problema.

.

As pessoas que precisam deixar seus países devido à perseguição motivada por preconceito e discriminação. Não existe um dado preciso e confiável, mas não é difícil imaginar que centenas de milhares de LGBTs encontrem-se nessa situação no mundo inteiro

.

É evidente que este não é o único motivo para uma pessoa homossexual ou trans deixar seu país. A comunidade LGBT também sofre as consequências de guerras e catástrofes humanitárias – momento em que estão ainda mais vulneráveis que outros setores da população.

.

Exilados mesmo no exílio

Muitos LGBTs acabam buscando asilo na Holanda, um país tido como liberal nos costumes. Foi a primeira nação a legalizar o casamento gay. E recentemente o governo lançou um aplicativo – o Rainbow Refugees NL – que fornece informações a refugiados LGBTs sobre direitos, saúde e segurança. Através da ferramenta é possível verificar os trâmites do procedimento de solicitação de asilo e encontrar associações da sociedade civil que prestam auxílio a refugiados. O aplicativo está disponível em árabe, persa, francês e inglês.

O problema é que muitos refugiados LGBTs acabam enfrentando situações de violência nos próprios abrigos, que dividem com compatriotas e moradores de outros países. Com frequência, têm suas roupas queimadas e as camas vandalizadas com excrementos.

.

Reportagens da imprensa e relatório de ONGs apontam que homossexuais são xingados, espancados e até mesmo violentados sexualmente nestes abrigos

.

Mesmo diante de tantos abusos, resistem em ir à polícia, com receio de que o envolvimento das autoridades possa atrapalhar a concessão de asilo. Na Alemanha, a Federação Lésbica e Gay informa que ocorreram 106 casos de violência contra homossexuais e transexuais refugiados em Berlim, entre agosto de 2015 e janeiro de 2016. Na Holanda, a prefeitura de Amsterdã precisou viabilizar casas de abrigo exclusiva para refugiados LGBTs. É comum também que cidadãos holandeses se disponham a receber as vítimas em suas casas.

Mas não é apenas contra o preconceito que os refugiados LGBTs precisam lutar na Holanda. É também contra o próprio sistema que, em tese, os acolhe. Para que seja concedido asilo, é preciso que um assistente social do governo seja “convencido” de que o(a) solicitante é mesmo homossexual. Como se refugiados que já tomaram a decisão mais dura de suas existências – abandonar seu próprio país e deixar para trás os vínculos de toda uma vida – fossem forjar uma orientação sexual falsa. Ainda mais sabendo que isso tornaria suas relações mais conturbadas com suas comunidades de origem.

.

Suficientemente gay (?)

O caso do iraquiano Sahir, de 29 anos, é emblemático. Mesmo com um namorado, ele não foi considerado “gay o bastante” pelo sistema de acolhimento do governo holandês. Sahir teve que expor sua intimidade de forma completamente invasiva. Precisou relatar às autoridades que dorme junto com seu companheiro e que mantém relações sexuais frequentes com ele. De nada adiantou.

O governo também não aceita fotografias em paradas LGBTs ou depoimento de amigos, colegas ou familiares como “prova” de que o solicitante de asilo seja mesmo homossexual. O impasse absurdo gerado pelo caso de Sahir deslanchou uma onda de solidariedade com a campanha “Not Gay Enough”, que exige mudanças no sistema de acolhimento holandês.

Dentre as mudanças, o movimento quer que o procedimento de concessão de asilo a homossexuais passe pela deliberação de uma comissão formada por profissionais da psicologia e integrantes de ONGs especializadas em prestar auxílio a refugiados. Para que nenhum LGBT seja deportado a um lugar onde não se sente seguro.

Foto: Foto: Nathan Rupert/Flickr

ECOO

Eu testei – Desodorante natural

Geórgia Santos
2 de julho de 2017

Desodorante é sempre assunto delicado, especialmente a falta dele. É impossível sobreviver a um dia quente sem usar desodorante após o banho – com exceção do meu pai, que não usa e é cheiroso e é um mistério da natureza. Mas e se esse produto nos deixar doentes?

Há algum tempo, fiz um extenso exame de sangue e descobri que tenho uma quantidade excessiva de alumínio no organismo. Não sabia exatamente o que signifcava, mas fui pesquisar. Para minha surpresa, há uma forte relação desse metal com doenças como o mal de Alzheimer, câncer de pulmão e inflamações em geral. Fiquei bastante alarmada e já comecei a rever panelas e formas nas quais eu estava cozinhando, porque certamente isso vinha da ingestão.

.

Mas havia outro motivo (além da comida) pra o aumento de alumínio no meu organismo: desodorantes e antitranspirantes.

.

Sim, há uma quantidade bastante grande de alumínio nos desodorantes antitranspirantes a que estamos tão acostumados. Para piorar, estudos recentes indicam que o alumínio dos desodorantes podem estar associados ao aparecimento do câncer de mama. São pesquisas preliminares e talvez precipitadas, mas cientistas detectaram a absorção do alumínio em aplicação tópica através dos sais de alumínio que estão, adivinhem, em antitranspirantes.

Comecei, então, uma pesquisa para encontrar alternativas. Eu não quero ficar fedendo, mas também quero cuidar da saúde e do meio ambiente. Foi aí que encontrei os desodorantes naturais. Só há uma questão: eles não são antitranspirantes.

.

Diferença entre desodorante e antitranspirante

Desodorante é um produto que contém uma ou mais substâncias capazes de combater ou disfarçar o odor. Antitranspirante é o produto que reduz a quantidade de suor, seja inibindo a produção ou dificultando a eliminação do suor pelas glândulas sudoríparas.

No caso dos produtos naturais, eles são desodorantes. Isso significa que a gente sua normalmente, fica com a axila úmida e, eventualmente, aquela famosa marca de pizza embaixo do braço. Conforme o produto, isso acontece mais ou menos. Mas ficamos sempre cheirosos. Há soluções muito simples como passar LEITE DE MAGNÉSIA na axilas (com um algodão, bem simples); BICARBONATO DE SÓDIO (com os dedos, espalha o pó pelas axilas); ou mesmo uma mistura dos dois.

Mas também há desodorantes naturais, elaborados com fórmulas especiais. Não foi uma adaptação fácil, até porque usei várias marcas e diferentes tipos até descobrir o meu. Aí vai o que descobri e qual o meu preferido.

1 – T´EO – Lush

Foi o primeiro que usei. É um desodorante sólido feito com ingredientes em pó. Promete excelente absorção e pele seca. Segundo o fabricante, controla a transpiração e absorve odores.

Vantagem –  tem um toque seco, é cheiroso e, apesar de ser uma barrinha, a forma de passar é a mesma do roll´on. Realmente absorve a umidade e não deixa cheiro ruim. Além de não ter embalagem, o que é ótimo pra o ambiente.

Desvantagem –  a barra precisa ser acondicionada em uma caixinha longe de qualquer tipo de umidade. Ou seja, não rolou guardar no banheiro. Com a umidade do chuveiro, o pozinho grudou e eu precisava raspar a barrinha antes de passar. Nada prático.

PS.: transformei em pó e uso como “talco” para os pés

2 – Aromaco – Lush

À primeira vista, perfeito. Parece um sabonete e o fabricante promete uma pele renovada e seca graças a ingredientes que fecham os poros.

Vantagem – com o formato de sabonete, é bem prático para passar e pode ser acondicionado de qualquer maneira. Também não tem embalagem.

Desvantagem – a pele não fica seca e tem um cheiro estranho, a ponto de eu não saber se era mau cheiro na minha axila ou era o olor do desodorante.

PS.: assim como o primeiro, ajuda como chulé.

3 – Schmidt´s – Potinho

Descobri esse por acaso enquanto vasculhava as prateleiras da TJ-Max. O fabricante promete auxiliar na neutralização dos odores e absorção da umidade.

Vantagem – O aroma é delicioso (testei o de lavanda e sálvia) e funciona durante o dia inteiro. O pote é de vidro e pode ser reutilizado (o ambiente agradece). Além disso, ajuda a controlar a transpiração, é uma beleza.

Desvantagem – A única desvantagem é a maneira de passar. Ele tem uma textura de um creme durinho, quebradiço. Vem uma pequena espátula dentro do potinho, que serve para pegar o produto. A gente coloca o desodorante nos dedos e passa na axila conforme ele derrete. Não é difícil, só não é super prático.

4 – Schmidt´s – Bastão

O GRANDE VENCEDOR. Em outra incursão pela TJ-Maxx, descobri que existia outro tipo além do potinho – que eu já estava anunciando como o melhor desodorante natural do mundo. Resolvi comprar.

Vantagem – Fácil de passar (imagina um protetor labial gigante), cheiro maravilhoso (testei o de Ylang e calêndula), aguenta suor o dia inteiro e ajuda a absorver a umidade. Perfeito.

Desvantagem – Não vende no Brasil =/ Mas a internet tá aí pra ajudar.

 

  • *Se o cheiro ainda for muito forte e os desodorantes naturais não sustentarem, faça uma solução de álcool (pode ser o normal ou de cereais) com bicarbonato de sódio e passe na axila antes de dormir. Ajuda a aliviar.
Reporteando

O conto do meu amigo Brigadeiro Duar

Renata Colombo
29 de junho de 2017

Já contei aqui sobre situações constrangedoras, tristes, revoltantes. Mas todas servem de aprendizado E a grande burrice de um jornalista – e acho que de qualquer profissional – é quando ele se nega a aprender com as situações que vivencia.

.

Pois esta repórter aqui aprendeu, a duras penas e às custas de muita piada  (dos outros) as patentes da aeronáutica

.

Era repórter na Rádio Guaíba. Ficávamos na época numa redação minúscula antes da reforma interior do antigo prédio na Rua da Praia com a Caldas Jr, no centro de Porto Alegre. Prédio histórico, chamado de “esquina da comunicação”. O lugar é lindo.

Pois bem. Meu colega Samuel Vettori, grande repórter e amigo, aguardava retorno da assessoria de imprensa da aeronáutica para confirmar a fonte que daria entrevista a ele. Como estava ao telefone, pediu que eu atendesse e anotasse o nome e número da pessoa. Eis que entrego ao colega um pedaço de papel com o seguinte recado: “Brigadeiro Duar Fulano de Tal. Telefone tal”.

Eu, na minha mais tranquila versão, entreguei o bilhete. Samuel caiu no riso descontrolado. Todo mundo veio ver, querendo saber o motivo da piada. Eu não entendendo nada, achando que tinha anotado direito, afinal lá em Capão da Canoa tinha um cara chamado Duar, fiquei esperando a explicação.

Lição: um Brigadeiro na aeronáutica é Brigadeiro-do-Ar. O nome do oficial não era nada parecido com Duar, assim como não é brigadeiro destes de comer. Eu não fazia a menor ideia daquilo. Pra quem também não sabia, aí vai uma ajuda do Google: “Brigadeiro-do-Ar é o primeiro posto do generalato de oficiais aviadores na Força Aérea. Equivale a Contra-Almirante e General-de-Brigada”.

Curiosos se algum dia conheci o oficial? Sim! E não tive coragem de contar a história. Comecei a rir antes mesmo de me aproximar.