Raquel Grabauska

Música de gente grande pra todo mundo ouvir

Raquel Grabauska
9 de março de 2018

Uma das muitas coisas boas que aprendi com meus irmãos mais velhos foi ouvir música. Mais que tudo, ouvir música boa. Eu lembro da sensação de confiança que eu tinha. O que eles ouviam, eu sabia que deveria parar e ouvir também. Cantava as músicas muitas vezes sem nem fazer ideia do que tava sendo dito.

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Como foi com a Rita Lee: “se a Débora quer que o Gregor lhe pegue”

Essa era a minha versão, cantada com todo o entusiasmo.

A dela era: “se a Deborah Kerr que o Gregory Peck”

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Muitas dessas músicas boas faço questão de mostrar aos meus filhos. Flutuo feliz e emocionada quando vejo eles gostando e cantando também. Acho que a mais óbvia de todas, mas que figura em todas as listas é O Leãozinho. E segue:

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Mestre Jonas, de Sá e Guarabyra
A Lenda do Pégaso, de Moraes Moreira e Jorge Mautner
O Vira – ou, na nossa versão, “O gato preto cruzou a estrada”
Vida de Cachorro – também conhecida por nós como “Vamos embora cachorrinho”
Peixinhos do Mar, do Milton Nascimento – melhor chamada de “Quem me ensinou a nadar”
Borboleta, de Marisa Monte – mais fofamente conhecida por “Borboleta pequenina”
Pombo Correio, do Moraes Moreira
Acabou Chorare, dos Novos Baianos

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Recentemente descobri essa de DaniBlack feat. Milton Nascimento

Raquel Grabauska

Primeiro dia de aula

Raquel Grabauska
2 de março de 2018

Mãos suadas, ansiedade, cadernos novos, mochila organizada. Expectativa a milhão!

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Muita novidade, ansiedade, mil coisas pra assimilar!

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Falando do meu filho que começou no primeiro ano? Não! Tô falando de mim! Ele foi mega feliz. Ficou tímido nos dois primeiros minutos e depois me dispensou. Assim, sem mais nem menos. Dispensou mesmo! Minha ansiedade dissipou e meu sorriso encontrou o dele. Estamos prontos!

Época que dá vontade de encontrar os amigos, mais do que nunca. Amigos que estão com os filhos começando a escola, que trocaram de escola… estamos todos no mesmo barco.

Têm os pais que vibram com a chegada do fim das férias. Tem os pais que choram num cantinho achando que ainda é cedo para separar do filhote. Tem de tudo. Mas os filhos crescem. E isso é para todos! Bom início de ano letivo para todos!

Raquel Grabauska

Palpiteiros de plantão

Raquel Grabauska
23 de fevereiro de 2018

Ano de 2018. São muitos anos de humanidade. Muitos. Já inventaram a roda, penicilina, café expresso, protetor solar… Talvez seja por ver essa evolução do mundo que me choque tanto o comportamento das pessoas.  Especialmente o dos palpiteiros! Nuuuuuussa! Haja paciência com os palpiteiros. Sou uma pessoa paciente. Mas me sinto o ser mais involuído do mundo perto de um palpiteiro. Tenho vontade de dizer todas as coisas que não se deve dizer e fazer todas as coisas que não se deve fazer quando sou abordada por um palpiteiro.

Dia desses chegamos num lugar público. Bem público. A praia, na verdade. Em dois segundos uma família veio e ficou íntima. Eu gosto de gente. Gosto mesmo. Mas…

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Já começamos assim: “É a primeira vez das meninas na praia?”

“Meninos”, disse eu.

“Meninos?!!!!”

“Sim, meninos. São meninos cabeludos.”

Silêncio de meio segundo seguido de um “hannnnn”

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Sério? Já inventaram até máquina de pão e as pessoas ainda se importam com o cabelo dos outros????

Pensei em ir mais pro fundo do mar, em busca de privacidade. Uma onda safada nos aproximou novamente. Mais perguntas, forçando uma aproximação. Os guris tinham viajado durante a noite, dormido mal, nadaram a manhã inteira, viajaram mais duas horas de carro. E estavam no mar! Felizes, como é pra ser. Não estavam interessados em perguntas e respostas. Estavam deslumbrados, como se fosse a primeira vez. Pra quem não mora na praia, acho que toda vez parece a primeira vez.

Dois segundos mais de conversa, poucas respostas minhas e zero dos guris. E eles são bem queridos. O intruso solta: “ah, esse é bem mais solto que o outro!” Se referindo ao meu filho mais novo.

Mergulhei pra não mergulhar o intruso. Dar um caldinho não seria má ideia… mas meus filhos estavam ali e não gosto de dar mau exemplo. TPM na escrita à parte, porque ó céus???? Qual a necessidade de se meter tanto? Vai fazer um castelo de areia, vai.

Raquel Grabauska

Fases

Raquel Grabauska
16 de fevereiro de 2018

Meus dois filhos andavam bem difíceis. Tudo era motivo pra briga, manha, choramingos mil. E sempre que eles saem do prumo, revejo como estamos por aqui. Se saímos da rotina, eles sentem. Se estamos tensos, eles sentem. Se … eles sentem. E se desorganizam. Há que se respirar fundo pra cessar o motivo inicial e recomeçar a funcionar com calma. Fácil não é.

No auge de um dia em que tive vontade de sair correndo a pé pra África, perguntei pro meu filho mais velho, que estava na 83 manhã da manhã (isso era perto das 9h!) o que estava acontecendo. Perguntei não, dei um mega discurso. Ele, que até então disparava um chilique por minuto, me disse:

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“Mamãe, tu tem que entender que eu tô numa fase muito difícil.”

Entre a vontade de rir e a certeza de que estava sendo enrolada, perguntei: qual fase?

“A fase dos dentes”

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Assim, sem enrolar, miar. Só lúcido, analítico. Sensível e conhecedor de si mesmo. Não vou dizer que foi um tapa de luva. Foi mesmo um mega soco com aquelas luvas de boxe que tu vê o atingido ir caindo pelo ringue lentamente até se espatifar no chão. Ele tem seis anos e dois dentes nascendo ao mesmo tempo. Lembrei de que ele sempre foi o bebê mais doce do mundo. Quando nasciam os dentes, era muito sofrimento, choro, irritação.

E naquele dia ele virou meu bebê novamente. E depois virou a pessoa mais madura que já vi. Se dar conta de um processo desses, conseguir assimilar e expressar, é para os grandes. Me senti pequena, inábil como mãe e completamente insensível. Pedi desculpas e ando conversando com a fada do dente…

Raquel Grabauska

O melhor brinquedo para dar para uma criança 

Raquel Grabauska
9 de fevereiro de 2018

 Férias chegando, arrumação de mala, aquela função toda. Uma amiga também estava precisando de férias e não teria como sair da cidade. Ofereci pra ela e o filho ficarem em nossa casa. Me dei conta que o filho dela é mais velho que os meus.

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Comentei que não sabia se ele ia se interessar pelos brinquedos dos guris.

Ao que ela me respondeu: tu sabe qual o brinquedo que uma criança gosta?

Enquanto eu estava no hummmm… ela disse: outra criança

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Isso fez tanto sentido pra mim, me desmontou, me remontou, me fez sorrir e trouxe leveza. Já vi crianças deixando o brinquedo de lado e indo brincar com a caixa. Ahhhh, mas ter um amigo pra brincar, não tem coisa melhor.

Outra amiga está passando um tempo fora do país. Não muito tempo a ponto de colocar o filho na escola, nem tão pouco a ponto de não precisar ter amigos novos. Quando me contou do quanto está gostando da viagem, a única ressalva era a falta de amigos para o filho brincar.

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Quando ficamos morando fora por seis meses, raros os dias em que meus guris não falassem nos amigos. E teve dias em que até brincadeira através da internet as mães dos amigos  eu promovemos, porque a saudade era gigante

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Agora estamos em férias numa pousada. Os guris fizeram amizade de cara. O outro menino foi embora uns dias após a nossa chegada e deu pra ouvir os corações rachando. Ao mesmo tempo, foi lindo de ver os irmãos tão próximos, brincando, estando ali um para o outro. Brigando, dizendo coisas duras. Reconciliando depois. Assim como fazem os bons amigos.

Raquel Grabauska

Hoje chorei comprando manga

Raquel Grabauska
2 de fevereiro de 2018

Estávamos no carro e na estrada, vimos duas crianças vendendo frutas numa banquinha improvisada. Janeiro, Nordeste, perto de 36 graus. Sol escaldante. E vi um dos sorrisos mais lindos do mundo.

Me pareceram duas irmãs. Felizes com a venda. A mais velha foi me dar o troco, eu disse que não precisava. O olhar feliz entre as duas me desmontou. Era pouco o troco. Quis ter dado mais. Muito mais. Quis tirar as meninas dali. A mais nova das irmãs regulava de idade com meu filho mais velho. Que segundos atrás regateava conosco um presente que queria. E eu vinha explicando que não iria dar, que fazia poucos dias que ele havia ganhado um brinquedo, que a vida… e apareceram as meninas vendendo manga.

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Meus meninos ficaram espantados com as crianças trabalhando. Já nos ouviram falando mil vezes sobre, mas nunca tinham visto de perto

De tão perto

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Fiquei pensando no quanto o lugar onde nascemos define quem somos. As oportunidades, o que seremos. O que o futuro nos reserva, não sabemos. Mas hoje me doeu pensar no futuro daquelas meninas. Não me permiti sentir pena delas. Quero admirá-las. Admiro. Pequenas valentes. Nosso carro retomou o caminho e as lágrimas puderam cair. Aquele sorriso vai me iluminar por muito tempo.

Raquel Grabauska

Crianças e a dor da separação

Raquel Grabauska
26 de janeiro de 2018

Hoje saímos de férias. Trabalhos encaminhados, providências tomadas, tudo organizado. Malas prontas, filhos banhados e alimentados. Tudo certo. Já na porta, resolvo dar o último carinho pra gata. Tem água, comida. Mais um carinho. Vai ter gente pra cuidar dela. Mas não seremos nós. Tô nessas divagações, uma lagriminha quase caindo. Ouço um murmúrio que evolui rapidamente pra um dos prantos mais sofridos que já ouvi:

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Vou sentir saudades da Titaaaaaaaaaaa… A seguir, outra voz dilacerada se soma: vou sentir saudades da Titaaaaaaaaaaaaa! Os dois meninos se olham, olham pra gata que já havia pressentido o que estava por vir e, ao mesmo tempo: vou sentir saudades da Tiiiiiiitaaaaaaaaa!

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Ficamos, meu marido e eu, explicando que estava tudo bem, que ela seria bem cuidada. O choro continua cada vez mais forte. Muito mais forte e mais sentido. Lembrei dos meus bichinhos de estimação da infância. Era um amor imenso. A morte deles era algo dilacerante.

Hoje meus filhotes se deram conta da dor da separação. Tão com os olhinhos inchados e num funga-funga de dar dó. Me impressionei com o quanto ficaram sentidos. Achei bonito o carinho e respeito que tiveram pela gata. Eles vão sentir saudades da Titaaaaaaaa. Eu também.

Raquel Grabauska

Um dia tu vai rir disso tudo…

Raquel Grabauska
20 de janeiro de 2018

Tem dias que a gente quer que não existam. Tem dias que a gente pensa que noutro dia vamos rir disso tudo. E tem dias em que chega mesmo o dia de rir do que passou!

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Resumo do dia 31/12/2017

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Nosso filho mais novo amanheceu com o olho inchado e  picadas de mosquito na perna. Imaginamos que o olho deva ter tido uma reação alérgica. Tinha comprado espumante. Dia de folga, fomos na feira, bicicleta, almoço fora. Voltamos e coloquei o espumante pra gelar. A ideia era ir no super e beber na volta. No caminho, ponderei que não era bom beber, caso o olho piorasse… num impulso, resolvemos reorganizar a casa:

O nosso quarto virou dos guris. O que era do menor, sala de tv. O do maior, o nosso. O escritório, quarto de brinquedos. Cozinha e banheiro continuaram eles mesmos. No meio disso tudo, pensei, “ah, tá tudo bem!” Espumante aberto, só que congelado. Começou a vazar por tudo. Meu marido serviu 3 taças de vez. Ele não tomou nenhuma. Nisso foi quase meia garrafa. Aí o olho inchou. Resolvemos ir no Banco de olhos. Espumante ficou aberto. Banco de olhos cheio, muito tempo de espera.

Muito cheio. Postei num grupo de mães do facebook (obrigada, mulherada!!!) um pedido de socorro e todo mundo relatou casos parecidos. Fomos pra casa, pediatra disse que tá tudo bem. Dê-lhe homeopatia. Tinha brinquedo que não tinha dado no natal, evitando o consumismo exagerado. Dei hoje.

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Não tem coisa melhor pra acabar com posição ideológica que filho doente…

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Todas as peças da casa bagunçadas. Muito bagunçadas. Organizamos o quarto dos guris e o nosso. Lugar pra dormir e espaço pra pisar. Ficou ótimo. Dei um jeito na cozinha. O esqueleto da casa tá semi-estruturado. Os dois quartos mais bagunçados tiveram as portas fechadas. Talvez pra sempre. Guris no banho, aproveito pra dar mais uma arrumada. Dormiram. Marido fazendo um jantar. Fui pro banho. Lembrei do meio espumante. Tinha posto no congelador. Explodiu quase todo em mim. Banho de espumante, novo banho de chuveiro. Sentada agora no sofá, a taça restante de espumante comigo. Jantar pronto. Feliz ano novo!

Raquel Grabauska

Mãe não pode ficar doente

Raquel Grabauska
12 de janeiro de 2018

Eu nunca tomo remédio. Nunca.  Semana passada, ao acordar, chamei meu marido e, ainda deitada, implorei por um remédio para dor de cabeça. Ele trouxe um, eu queria 30. Realmente estava além do suportável. Isso foi só o dia começando. Dor no corpo, mal-estar, aquela função toda. Vontade de ficar deitada e sumir um pouco.

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Ouço vozes: mamãe, vamos brincar?
Dois filhos sorrindo, aquele sorriso incomparável, irresistível
E a mãe sem força

E como a gente faz?

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Não tem o que fazer. A gente cria forças, levanta e brinca. Poucas vezes fiquei doente a ponto de não dar conta de levantar e ser mãe. A sensação é tão ruim, tão ruim, pior que tomar suco de jenipapo. Deveríamos ter super poderes. É o desejo de toda mãe, ao ver o filho doente, que fosse ela no lugar dele. Mas já pensou se fôssemos atendidas nesse pedido? Não dá, realmente não dá.

Só sei que, nesse dia, virei paciente e fui cuidada por dois médicos. Os melhores. Quando voltou do trabalho, mais cedo que o normal para socorrer uma moribunda, meu marido perguntou como eu estava.

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Nosso filho mais novo respondeu: a mamãe não pode falar, ela tá muito fraca

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Ali relaxei, fiquei fraca e pude descansar. Por 30 minutos, pois os médicos queriam continuar o trabalho deles.

Raquel Grabauska

As intempéries climáticas

Raquel Grabauska
5 de janeiro de 2018

Devíamos viver na primavera. Ai, não. Na primavera tem flores, pólen, espirros, rinite. Quem sabe o verão? Brotoeja e mosquitos, não, obrigada. E se tentarmos o inverno? Nariz escorrendo, tosse, febre. Nananinã. O outono? Não me vem nada de ruim pensando no outono.

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Quero viver no outono pra sempre

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Verão é bom pra quem tá na praia. Me diz que gosta do verão e te pergunto em que praia tu estás! Ou num ar condicionado eterno. Primavera é lindo. É mesmo. Até a primeira otite do filho. É tanta alergia, tanta secreção que tu esquece das flores. E o inverno? Ficamos mais charmosos, bem vestidos. E prontos pra correr qualquer maratona, porque vestir crianças no inverno é vencer uma maratona. Uma não, duas, no meu caso.

Então, realisticamente falando, só nos resta o outono. Aquela luz, o barulho dos pés nas folhas, a temperatura nem muito quente nem muito fria. Sim, esse é o mundo ideal. O inverno sempre foi minha estação preferida. Acho gostoso o frio na pele. Gosto do vinho no frio. Mas quando chegou o primeiro filho, o inverno virou meu inimigo. Feliz com chegada do verão, não fiquei mais tão feliz depois de ter que passar protetor solar naquele corpinho que vem junto com uma goela incrível ao ter contato com aquela coisa gosmenta, mas necessária. Então eu amava a pirmavera. Até ver a quantidade de lenços de papel tentando dar conta daquele pobre narizinho.

Resumindo, por ora, preciso viver num outono eterno. Alguém me diz onde?