Raquel Grabauska

Programa imperdível pro fim de semana

Raquel Grabauska
2 de junho de 2017

Nesse fim de semana tem dois espetáculos ímpares pra gurizada!

TEM GATO NA TUBA

 

Um cortejo carnavalesco abre o espetáculo em clima de festa. É um ambiente antigo de carnaval dos anos 50/60, com certa ingenuidade no ar. A música Tem Gato na Tuba faz as personagens lembrarem as canções e histórias do compositor João de Barro, o Braguinha. Esta trupe resolve, então, contar as histórias que antigamente fizeram sucesso na colorida coleção Disquinho. Interpretam, cantam e narram três histórias muito divertidas: História da Baratinha, A Festa no Céu e Chapeuzinho Vermelho. Cada história acentua uma linguagem para ganhar vida no palco, passando por teatro de máscaras, mímica, teatro de animação e manipulação de objetos. Tudo entrecortado por marchinhas carnavalescas e famosas canções de Braguinha.

PITOCANDO

Sensível, expressivo e lúdico. Combinação de sons, brincadeiras e cores que a criançada e toda a famílias tem aplaudido e repetido. Uma delícia! Indicado para bebês e crianças de 0 a 8 anos, Pitocando é acústico, com duração de 45 minutos. Resgate de canções, lendas e ditos! Resultado, 16 músicas pinçadas deste rico repertório folclórico, 9 composições que costuram esse passeio musical, 3 lindas vozes e 40 instrumentos de origens das mais variadas (indiana, indígena, africana, portuguesa) dividindo espaço com materiais musicais alternativos (vidrofone, megafone e apito de PET, celofanes, jornal). No palco, as cantoras/instrumentistas dão significado para as canções, com muito afeto. Flautas costuram “Bambalalão” à textura instrumental da tambura com o vidrofone. Caxixis embalam o metalofone em “Saci”. A platéia é convidada a participar com a trupe, tocando clavas coloridas, caxixis, cantando, brincando de adivinhas e se remexendo.

Eu, se fosse vocês, ia nos dois!

 *As informações foram fornecidas pela produção dos espetáculos.
** A arte da máscaras foi feita pelo Benjamin. Segundo ele: “nossa coluna é ilustrada com desenhos, hoje fizemos um exceção e usamos massinha de modelar”.
Raquel Grabauska

Irmãos

Raquel Grabauska
26 de maio de 2017

Eu tenho/tive dois irmãos. Nunca sei como falar disso, pois um deles já se foi. Muito cedo. Muito, muito cedo. Meus irmãos são 7 e 8 anos mais velhos que eu. Isso quer dizer que eu era a pirralha que incomodava eles. E mesmo assim, só lembro deles com carinho. Muito carinho. Foi com eles que aprendi a gostar de música boa, de ler, de ir atrás de cultura. Nossos pais não tiveram acesso à muita coisa. Nós, de certa forma, também não. Mas meus dois irmãos me deram acesso à muitas coisas legais. Essa semana lembrei com meus filhos da Lenda do Pégaso, do Moraes Moreira com Jorge Mautner.

https://youtu.be/J-CbW7OO-H4

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Aprendi essa com os meus irmãos. Linda demais essa música. E vocês devem imaginar o tamanho da minha emoção ao ver meus filhos pedindo pra dormir aos som da música que eu ouvia na voz dos meus irmãos quando era pequena…

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Essa semana meu filho mais velho estava chateado com alguma coisa e foi desenhar. Desenhou um menino. E achou feio. Não ficou como ele queria. Deixou de lado, chateado, e foi começar outro. Meu filho mais novo viu que o irmão estava chateado. Pegou o desenho, pegou as tintas, tudo no silêncio pouco usual dos seus três anos. Sentou e começou a pintar. Disse: vou deixar bem bonito pro mano ficar feliz.

Feliz fiquei eu por ter meus irmãos. Feliz fiquei eu por ver meus filhos crescendo juntos.

Raquel Grabauska

Batmãe

Raquel Grabauska
19 de maio de 2017

Aos olhos dos filhos, me sinto muitas vezes uma heroína.

Tom com 3 anos: Mamãe, desenha o Thor?

Desenhei.

Ele ficou muito feliz e se entusiasmou: Mamãe, desenha um lobo?

 

 

Benjamin, 6 anos:

Mamãe, tu só sabe desenhar o Batman?!

(agora ficou evidente o motivo pelo qual acabei no teatro)

Raquel Grabauska

Mãe

Raquel Grabauska
12 de maio de 2017

Mãe sente falta de sexo

Mãe sente falta de banho

Mãe sente falta de tempo

Mãe sente falta de ser

 

Filho sai

Mãe sente falta de filho

 

Filho cresce

Mãe sente falta de filho

 

Tempo passa

Mãe sente falta de filho

 

Mãe sente falta de mãe

(a ilustração de hoje é o jeito que meu filho mais velho me enxergou hoje)
Raquel Grabauska

Monstro da culpa

Raquel Grabauska
5 de maio de 2017

Sabe aquela clássica frase: “Nasce um filho, nasce uma mãe?” Acrescento: “Nasce uma culpa.”

Acho que passei mais tempo tentando não ter culpa do que ninando meus filhos. E olha que não os ninei pouco! Uma das primeiras culpas que lembro foi quando viajamos pela primeira vez e tive que cozinhar uma beterraba que não era orgânica pra papinha do Benjamin. Me senti a pior pessoa do mundo.

Me dei conta disso esses dias, quando vi os dois comendo o segundo picolé do dia. Culpa por ser o segundo picolé, culpa pelo choro se não deixasse comer o segundo picolé. Como isso é raro de acontecer, escolhi a culpa sem o choro.

Haja exercício de paciência comigo mesma. Eu acerto muito com eles. Então tenho me permitido errar. E tenho demonstrado isso pra eles. Tento deixar de ser a super mãe para ser uma mãe real, embora eles me chamem muitas vezes de Mulher Maravilha.

Foto: Monstro da Culpa, ilustração do Tom

Raquel Grabauska

Dez coisas que eu gostaria de ter sabido antes do nascimento do bebê

Raquel Grabauska
28 de abril de 2017

Há muito que eu gostaria que tivessem me dito antes de ser mãe. Então, acho que o mundo pode se beneficiar da minha atual sabedoria com estas dez coisas que eu gostaria de ter sabido antes do nascimento do bebê:

1. Não estou mais grávida

Foi um choque. Foi muito estranho. Antes todo mundo me paparicava. Depois que o bebê nasceu, sequer olham pra gente!!!

2. O bebê chora e a gente não sabe o motivo
O principal é ter calma. Se a gente fica nervosa, ele fica mais. Bebês choram, disse minha terapeuta. E isso mudou minha vida. Logo a gente aprende a entender o que ele quer com o choro;
3. O corpo volta (um pouco) pro lugar
Nos primeiros dias algumas pessoas me perguntaram quando nasceria o bebê. Pelo menos as deixei constrangidas dizendo que já tinha nascido – isso é divertido! A marquinha charmosa da cesárea do primeiro filho segue firme e forte, mas a barriga já era quase a mesma de antes por volta dos 3 meses. E com o segundo filho, parto normal, minha vagina não virou uma gaita de foles, ela ficou normal, não esgaçou e eu sinto prazer. Uau;
4. Esquece os peitos
A gente vira uma distribuidora de leite. Fica cheio, vaza, tu tem que mostrar pra todo mundo… Sigo no próximo tópico;
5 . Amamentar
Eu sempre procurei me recolher. Às vezes tinha que expulsar todo mundo de volta. Pra mim foi bem importante ter consciência desse momento de total cumplicidade com o bebê. Logo ele vai ter foco em outras coisas, esse é o período só nosso. Depois tem que deixar ele ir pro mundo;
6. Sexo é uma coisa que a gente volta a fazer
Parece que nunca mais vai dar, mas dá sim;
7. O pai também decide sobre o bebê
Como mãe, tinha  a tendência a ter que saber tudo. Um dos fatores que mais me deixa tranqüila é poder ter muitas dúvidas e compartilhar com meu marido querido. A mãe tem um poder imenso. Tem que usar pro bem;
8. Sobre o sono
Esse é o maior companheiro, tá sempre do teu ladinho agora. Todo mundo me disse que a mãe dorme quando o bebê dorme. Consegui isso pouquíssimas vezes durante o dia. Quando ele dorme, é a hora de fazer as coisas… Tem que usar o bom senso e selecionar as dormidas possíveis. Com dois meses do bebê, o sono já vai melhorando. É legal dividir com o pai as madrugadas. A gente faz um horário de mamada pra cada um. No horário do pai, ele me passava o bebê na hora de mamar. Arroto, colocar e pegar ele na cama mil vezes, fralda, era com ele. Isso Me possibilitava lindas dormidas de quase duas horas!!!
9. Surdez aos palpiteiros
No início eu quis matar todos. O uso da frase “o médico nos orientou assim” foi um santo remédio. Com o tempo a gente aprende a selecionar os palpites e consegue não ouvir vários;
10.Embrulhinho e chiado, queridos aliados
Aconchegamos os guris numa cobertinha leve, deixando eles se sentirem seguros. Usamos um chiado que ainda nos acompanha nos lugares barulhentos. Ajuda ele a dormir, só. Fica o chiado ao fundo, dizem que imita o barulho que o útero faz. Eu caio no sono ouvindo. E olha que não sou mais bebê faz um tempinho;

 

Raquel Grabauska

Uma simples ida ao supermercado

Raquel Grabauska
21 de abril de 2017

Estamos morando na Alemanha faz dois meses e, há poucos dias, fiz meu primeiro papelão aqui! Fui ao supermercado. Não, o papelão não foi esse.

Quando cheguei, vi que tinha esquecido as sacolas em casa, então fui colocar moedas pra poder usar o carrinho e não tinha  –  e aqui precisa colocar uma moeda para liberar o carrinho e quando tu devolve ele pro lugar, pega a moeda de volta. Então, peguei um cestinho e tentei equilibrar todas as compras. Filão no caixa.

Abriu o caixa do lado, um express. O caixa passa as coisas numa velocidade quase como a da luz e tem uma prateleira do tamanho de um o.b. médio pra equilibrar tudo. Tu tem que guardar as compras nas sacolas – que a essa altura eu tinha comprado no super. Consegui, suando, mas consegui. Fiz uma economia em relação às compras anteriores, então fiquei feliz.

Passei o cartão e pediu o PIN

Coloquei a senha

O PIN tem quatro dígitos

“Ai,ai,ai,ai,ai”  

A senha tem seis

Coloquei os 4 primeiros. Senha errada. A moça do caixa já me fuzilando. Eu disse que não tinha o PIN. Ela me disse que todo mundo tem pin. A fila cresceu como bolo bom. Ligo pro meu marido. Guris gritando ao fundo. Ele diz que o PIN é a senha. Digo que não. Ele insiste. Digo delicadamente que a senha é teu **, procura o PIN. A fila já tava na França. Perguntei sobre o pin pra moça que falava inglês na fila. Diz que o PIN nasce com o cartão, no dia que ele sai do banco. Falei pro meu marido que o PIN tem quatro números. Ele me dá cinco. Insisti carinhosamente que eram quatro. Ele tinha certeza absoluta que eram cinco.

“Tá, amor. Vou desligar. Desculpa, moça, vou ter que sair pra tirar dinheiro.”

Coloquei TODAS as compras num canto. Pedi desculpas pro pessoal da fila, que já tava lá na África. Saí, peguei o carrinho das crianças que levei pra colocar as compras e caminhei 30 minutos de volta pra casa. As pessoas me olham passeando com um carrinho de crianças e sorriem. Olham pra dentro do carrinho, não enxergam crianças e me olham espantadas – obviamente pensando que eu tenho sérios problemas.

Meu marido liga dizendo que achou o PIN. O PIN tem quatro dígitos. Estou na porta de casa.

Raquel Grabauska

Filhos no mundo

Raquel Grabauska
14 de abril de 2017

Sei que a gente cria os filhos pro mundo e quer que o mundo seja bom com eles. Mas também quero muito que meus filhos sejam bons com o mundo. Que respeitem os outros, que sejam conscientes … tenho pensado tanto nisso. Tem dias em que enlouqueço com as demandas dos meus dois filhos e tem dias que penso que estão crescendo rápido demais. Ontem foi um dia desses.

Estamos morando no campus da universidade. As aulas estão começando por aqui e vejo famílias chegando. Os filhos vindo morar com outros estudantes e os pais entregando os filhos pro mundo. Trazem travesseiros, mantimentos, espelho… trazem de tudo. Pra cada família, o essencial é diferente. E ao mesmo tempo vai ficando tudo tão parecido.

Não vi ninguém chorando ainda. Eles me viram chorar algumas vezes. Me emociono muito.

Seguimos crescendo, meus filhos. Tô tentando fazer um mundo melhor pra vocês e vocês pessoas pra um mundo melhor.

Raquel Grabauska

Santa paciência, Batman!

Raquel Grabauska
7 de abril de 2017

Alguém já pensou no tempo que agente leva pra arrumar os filhos pra sair de casa? Aqui a lei da inércia nos acompanha o tempo todo. Os guris acordam cedo. Entre 6 e 6h30 já estamos de pé (eles mais acordados, nós, os pais, ainda chamando urubu de meu louro…). Paciência.

Eu sempre penso que vamos tomar café da manhã, ajeitar um pouco a casa, brincar e pelas 9 podemos fazer algo de legal na rua.

Depois de 18 tentativas, conseguimos tomar o café. Ainda de pijama.

Daí conseguimos tirar a blusa de um. Enquanto isso o outro tirou a cueca e tá achando muito divertido correr peladão pela casa. Isso deixa o outro com vontade de ir atrás do irmão. E lá tão eles, lindos, dançando peladões. Aí já se foi metade da manhã. Quando conseguimos vestir os dois, estamos na porta e um lembra que quer ir no banheiro. Voltamos. Quando vamos sair de novo, o outro lembra que quer água. Muita sede. Temos que voltar. Pronto. Saindo. Ops, deu fome. Tá, lanchamos. E assim vai. Vai e volta e vai e volta… até que vai mesmo. Chega na praça. Brinca, brinca, brinca, corre, brinca. Hora de ir embora. Não querem ir!!!! Nunca!!! Daí começa tudo de novo…

Táticas para fazer os filhos irem de um lugar para o outro em menos de 36horas!

  • Ver um OVNI na rua (não pode mentir que viu, porque a gente não deve mentir para os filhos…)
  • Dizer que talvez a gente encontra o Batman no passeio.
  • Aventar a possiblidade de passar numa sorveteria, mesmo que esteja fazendo -5 graus.
Raquel Grabauska

Viajar com crianças

Raquel Grabauska
31 de março de 2017

Sabe aquela história de quando a criança não quer dormir tu embala no carrinho ou sai pra dar uma volta de carro? Aqui nunca funcionou. Quer despertar um filho meu é só colocar no carro. Já fizemos uma viagem que devia durar três horas. Com nossos dois filhos, levou 6.

Meu trabalho no teatro exige muitas viagens. Viajei até as semanas finais da gravidez. Quando o bebê tinha três meses, fizemos nossa primeira viagem curta de carro. Pra ele foi tranquilo. Eu fiquei numa tensão… Uma viagem de 2h30min me pareceu durar uns 14 dias.

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“A cara das pessoas ao ver uma família chegando com uma criança é algo memorável”

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Quando ele tinha 9 meses fizemos a primeira de avião. Tuuudo bem. Ele mamou na subida e dormiu quase o vôo todo. Daí fomos nos adaptando e voltamos às muitas viagens de sempre. Quando ele tinha quase dois anos, fizemos a primeira viagem internacional. 12 horas dentro de um avião. A entrada no avião já é algo para os fortes. A cara das pessoas ao ver uma família chegando com uma criança é algo memorável. O pânico que se instala com a possibilidade de ter uma crianças perturbando a viagem é hilário. E compreensível. E um risco real.

Uma vez fizemos uma viagem de carro de nove horas. Meu filho queria que eu cantasse. O caminho todo. TODO. Colocava uma música no rádio: não,a mamãe canta. O pai cantava: não a mamãe canta. Contava uma história: não, a mamãe… A mamãe já cantava que a borboletinha entrou na roda e fiz miau. Não sabia mais o que tava falando.

Agora temos dois filhos. Eles Têm o poder de às vezes virarem 18. Nossos quatro braços às vezes parecem insuficientes.

Dias desses viajamos de trem. Meu marido, eu, nossos dois filhos (3 e 5 anos). Na cabine tinha mais uma criança de 2 anos e outra de 4. Os dois não se conheciam e eram alemães. Pequeno detalhe: ainda não falamos mais que cinco ou seis palavras em alemão. Mas isso não importou. Quando vi, estávamos todos brincando de o limão entrou na roda. Isso rendeu duas horas de viagem. O alemão de 4 anos cantarolava a melodia. As mães deles conversavam animadamente entre elas.

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Desde então desenvolvemos alguns suportes para que as viagens sejam possíveis para eles, para nós e pra quem está por perto:

  • sempre que entramos num avião, imediatamente eu falo pra pessoa que está na nossa frente que estamos viajando com crianças, que se estivermos incomodando, pode falar. Até hoje tivemos sorte. Acho que isso já humaniza um pouco, as pessoas nos veem como pessoas e não como dois portadores de capetas ambulantes;
  • Fazer amizade com quem está atrás. Aquelas espiadinhas, brincar de olhar e esconder, rendem hooooras de brincadeira;
  • Lápis de cor, revistas, livros. Sim, isso funciona sempre!

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Inventamos também alguns jogos nossos (em viagens terrestres):

  1. Quem acha aquele carro daquela cor daquele daquele carro – essa é auto explicativa. Rende muito tempo. Principalmente se eu peço pra achar um carro roxo com bolinhas verdes. Rá;
  2. Acha tudo acha tudo acha– escolhe um objeto e os outro têm qua achar na rua;
  3. Árvore crescente – acha uma placa na rua. Tem que achar várias iguais. Vai montando uma árvore imaginária com as placas. Se parecer uma placa com X, a árvore desmonta;

Os nomes das brincadeiras  e a ilustração são do Benjamin