Raquel Grabauska

Férias deles, de novo!

Raquel Grabauska
29 de dezembro de 2017

A cada período de férias, crianças felizes, ansiosas pela diversão. Período de reorganizar. E os pais mães, o que fazem? E quem não tem o mesmo período de férias? Pelo menos em julho e no verão as famílias passam por isso. TODOS OS ANOS.

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Haja criatividade! Coloco aqui algumas dicas reunidas em blogs/sites que pensam em coisas para nos salvar!

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No Tempo Junto, tem muitas ideias simples e divertidas. Fizemos essa hoje mesmo, rendeu horas de diversão com as cobras de espuma. Na página The Dad Lab também há muitas inspirações. Desse, já separei essa aqui pra fazer semana que vem:

https://www.facebook.com/thedadlab/videos/583572708651185/

E tem essa ideia linda que minha amiga Carolina Hilário me passou. Essa eu vou fazer logo, mesmo que as crianças não queiram. Adorei!

E para quem está em Porto Alegre, tem o Espaço Cuidado Que Mancha. Casa de ferreiro, espeto de…ferro! Vem se divertir conosco 😉

 

 

 

Raquel Grabauska

Quando os filhos saem de casa

Raquel Grabauska
22 de dezembro de 2017

Ninho vazio. Não quero nem pensar nisso. Tá, ainda não é hora de pensar, meus filhos têm três e seis anos – mas bem pertinho de quatro e sete. Só um ano a mais, mas parece tanto! Às vezes em conversas hipotéticas sobre o futuro, conversamos sobre onde eles vão morar. O menor continua brincando e nem dá bola. O maior diz com veemência que nunca vai sair de casa, que não quer ficar longe.

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Eu sei que ele vai pro mundo. Mas ainda é bom pensar que não

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A dinda do menor fez aniversário mês passado. Somos muito amigos da família, então fizemos um almoço de comemoração na casa da mãe dela, que foi minha professora, virou orientadora, mãe, conselheira. O mais velho ficou realmente chateado, sem entender o porquê de ela não morar mais na mesma casa que os pais, já que eles são tão legais.

Íamos assim. Até que… semana passada estávamos no carro. A família toda. Esse foi um semestre puxado, de muito trabalho e muita correria, por isso eu comemorei o fato de estarmos juntos sem ter compromisso. Íamos só sair pra brincar. E o maior disse: eu amo fim de semana. Vou sempre ficar com vocês no fim de semana. Passou um tempo (três segundos) e ele:

“Na verdade, não vou conseguir passar todos. Porque vou ser inventor da Lego na Alemanha. Daí eu tenho que pegar um avião, ir lá, trabalhar um dia e falar com meu chefe ou minha chefe (coisa linda) pra ver se posso voltar e passar o fim de semana com vocês. Daí passo o fim de semana com vocês se eles deixarem.”

Tomara que teus chefes deixem, meu filho… tomara!

Raquel Grabauska

Voo solo

Raquel Grabauska
15 de dezembro de 2017
Meu filho tá crescendo. Meus filhos tão crescendo. Pela primeira vez tô achando rápido. Eu tive a sorte de poder ser a mãe (quase sempre) que queria ser. Amamentei o quanto quis, fiquei com eles o tanto que quis, do jeito que quis. Tudo em concordância/planejamento com o pai deles. Foi uma opção nossa. Abrimos mão de várias cosias, como do nosso tempo, por exemplo. Mas foi calculado. E para nós foi bem bom assim.
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Então tava tudo bem. Eles crescendo, nós achando bonito. Emocionante como tem que ser, cansativo como é. Vida real

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Estávamos nessa até semana passada. Fomos a um parque de diversões. Normalmente quando vamos, cada um de nós, adultos, fica com um dos guris nos brinquedos que precisam de um responsável junto. Dessa vez meu marido foi comprar uma água e eu estava com os dois. Liberou a entrada para o brinquedo e tinha um adulto para duas crianças. Não cabe, disse o moço. Suei prevendo o choro que viria. Meu filho disse: eu vou sozinho, mamãe.

Coração quis pular pra fora do peito. Respirei, dei aquela olhada desesperada para ver se o marido estava perto. Nem sinal ainda. Vamos lá. Tem certeza, meu filho? Tenho, mamãe. Vamos lá. Ajudei a entrada no avião. Sentei no de trás com o pequeno.

Claro, na hora as lágrimas correram. As minhas. Ele tava bem feliz. Bem feliz mesmo. Na hora que o brinquedo começou a andar, vi meu marido chegando. Na cara de espanto dele, me enxerguei. Nos enxergamos. Sorrisos e olhos marejados. Voa, meu filho, voa.

Raquel Grabauska

O monstro pode estar logo ali

Raquel Grabauska
8 de dezembro de 2017

Nessa semana um funcionário CC da secretaria de cultura de Porto Alegre foi preso em flagrante num vôo entre Guarulhos e Porto Alegre. Ele foi acusado de ter estuprado uma menina de seis anos. Li várias notícias, discussões, pontos de vista a respeito. 

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Gente que admiro falou sobre esperar as provas

Gente que admiro falou em linchar

Eu fiquei zonza

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Já tive caso de abuso na família. Uma pessoa muito amada e próxima foi abusada quando criança. Nunca conseguiu contar para alguém.  Um dia me contou. Já tinham se passado 40 anos. E contou como se tivesse vivendo o dia. Cada detalhe. A dor, a culpa, a vergonha, o desespero. A marca que fica, não sai. Nunca.

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Isso não pode acontecer. Não pode. Lendo sobre essa notícia, mexi no baú da dor. Não pode acontecer. Não pode

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Li gente dizendo que o abusador tem bom caráter, que é pai de uma menina.  Isso é o mais assustador. Os abusadores normalmente são pessoas próximas das crianças. Que tem a confiança delas. Um parente, um amigo da família. Alguém que devia estar cuidando, protegendo. E isso é ainda mais assustador.

Não sei como foi o caso nesse vôo. Confesso que não quero nem ler mais a respeito. Não quero ler porque me dói nas entranhas. Por essa menina, pela pessoa que amo e foi abusada. Mas principalmente porque sei que isso acontece e vai continuar acontecendo. E isso não pode acontecer. Não pode.

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Duas em cada cinco crianças sofrem algum tipo de abuso sexual. Por isso, é interessante conversar com as crianças para alertá-las sobre adultos com comportamentos suspeitos. Pipo e Fifi é um livro infantil que funciona como uma ferramento de proteção, explicando a crianças que tenham mais de três anos de idade conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas. Ele ensina a diferenciar toques de amor de toques abusivos. Clique aqui e conheça o projeto.

 

Raquel Grabauska

Meu filho ama o lado escuro da força

Raquel Grabauska
1 de dezembro de 2017

Meu filho mais velho tem seis anos. Quando era bebê, fugia de todas as situações mais tensas. Não era bem uma fuga, era uma defesa. Eu admirava a sensibilidade dele. Se chegava uma criança mais agressiva na praça, instantaneamente ele mudava de lugar. Evitava o conflito. Sempre. Era mesmo impressionante essa distância que ele tomava das situações de confronto. Além disso, nós nunca deixamos assistir TV por muito tempo, sempre fomos cuidadosos na seleção do que ia assistir, também evitando ao máximo cenas violentas.

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Quando nasceu nosso segundo filho, recebemos visitas de uns amigos muito queridos. Eles trouxeram um brinquedo de pano lindo para o bebê. Adorável. E um Darth Vader para o irmão. Sim! Um Darth Vader

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Já não achei os amigos tão queridos. Na verdade, nem eram meus amigos. Eram amigos do meu marido. E eu ali, olhando pra aquele brinquedo, pensando no quão rápida eu poderia ser para fazer sumir aquilo sem que o filho notasse, sem que os amigos percebessem meu desconforto. Nesses dois segundos, paixão à primeira vista! O Darth Vader tinha sido um encontro lindo! Uma criança completamente feliz com o brinquedo novo! Completamente feliz mesmo. Respirei, sequei as três lágrimas que já tinham caído e pensei: tudo bem, é só um boneco. Até que outro dia…

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Uma amiga muito querida mostrou um vídeo do Vader pra ele. Assim, sem falar comigo. Pegou o celular e mostrou. Suei frio, gelei, ri de nervoso, respirei e tentei desmontar a cara de louca que devia estar

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Ele adorou. Amou. Venerou. Feliz da vida! Andava pela casa cantarolando a música. Realmente muito empolgado. O bebê cresceu. O irmão mais velho seguiu gostando do lado escuro da força. Os dois brincam muito de serem o Vader. Adoram. Seguem sem assistir. Seguem amando. Respirei e entendi que tem o boneco, tem a música, tem a fantasia. E tem eles. Eles vão brincar, experimentar, fantasiar. E seguirão sendo eles. Meus adoráveis Vaders.

Raquel Grabauska

Erros e acertos

Raquel Grabauska
24 de novembro de 2017

Tô ficando repetitiva, eu sei, mas tenho pensado muito nisso. A gente sempre quer o melhor pra os filhos, sempre, mas o que é esse melhor?

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Nossa, como é difícil criar filhos!

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Porque pra mim é importante ter rotina com meus filhos. Eles ficam seguros. Eu fico segura, nos organizamos melhor. Para outra pessoa, a rotina é ruim. Aprisiona, incomoda. Quem de nós está certa? As duas. Ou nenhuma. Cada família tem o seu funcionamento. Às vezes o funcionamento é caótico, mas pra eles, funciona. Minha mãe sempre me dizia: o que seria do azul se não existisse o amarelo? Quando era pequena isso não me fazia muito sentido. Mas como era a mãe falando, sabia que devia ser coisa importante.

Com meus dois filhos, percebo que precisamos mesmo ter o azul e o amarelo. E o roxo, o preto, o rosa, o vermelho… Os dois recebem o mesmo carinho, o mesmo tratamento, a mesma educação. E cada um reage de um jeito. Água e vinho. É incrível como podem ser tão semelhantes e tão distintos ao mesmo tempo. Então, se na minha casa é assim, imagina no mundo? Se na tua casa é assim, imagina no mundo? Tenho procurado ter menos certezas no mundo. Isso tira um pouco do peso. Me permite observar mais, tentar mais. Avançar e recuar, sempre tendo em vista que estamos lidando com pessoas. E que nós somos pessoas também. Erros, acertos, azul, amarelo.

Raquel Grabauska

Como assim, meu filho não pode ter tudo?

Raquel Grabauska
17 de novembro de 2017

A gente sempre quer o melhor para os filhos. Uma boa escola, que seja bonito, inteligente, se dê bem com os amigos, que tenha uma profissão interessante, seja bem resolvido. Ih, tantos quereres.

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Daí tem a vida. E faz coisas que não são o que queremos. E a gente tem vontade de brigar. E tem vezes que a gente briga mesmo. 

Só que

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Nossos filhos vão ter suas decepções. E não serão poucas. Como nós também temos. Não precisavam ser tantas, mas elas estão aí e continuarão por aí. Tenho pensado bastante nisso. O que me fez pensar mais, foi um fato que aconteceu há alguns dias. Organizei um evento num espaço privado. O espaço é pequeno. Tínhamos um número limitado de ingressos. Os ingressos foram vendidos antecipadamente e esgotaram antes do evento.

No dia, chegou uma família sem ingressos bem na hora que ia começar. Eu disse que não teria como deixá-los entrar, pois já estávamos com a capacidade máxima. Mas como era o início e as pessoas ainda estavam chegando, eles poderiam entrar, ficar uns 15 minutos e sair depois, sem custo. Pensei em suavizar um pouco, para não deixar a família e principalmente a criança, tão frustrados.

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A mãe ficou bem chateada. Me deixou bem claro que não tinha gostado e que não teria vontade de voltar outro dia. Fiquei chateada, pois queria que entrasse, não queria deixar a criança ir embora frustada… Foram

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Um tempo depois chegaram mais duas famílias. Mesma situação. Pressão. Aí a festa já havia começado e a casa estava bem cheia. Expliquei. Não adiantou. Expliquei de novo. Nada. A mãe das crianças me disse que eram só duas crianças. Expliquei que antes dos filhos dela, já havia dito não para vários outros e que seria injusto deixaá-los entrar, já que outros também não entraram. E todos que ficaram de fora não entraram apenas porque não tinha lugar.

Expliquei que quem havia comprado seu ingresso deveria estar seguro e confortável, que deveria ter lugar para as pessoas aproveitassem o evento. Que é claro que eu queria atender o maior número de pessoas, afina, isso divulga meu trabalho, é renda, é super positivo. Mas que eu tinha responsabilidade, que precisava zelar pela segurança e pelo conforto de quem já estava.

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Ela me ouviu. Pegou seu celular e começou a tirar fotos dizendo que ia falar mal, que havia sido barrada. Isso durou em torno de 40 minutos. As crianças assistindo

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Me passaram tantas coisas pela cabeça. O que estamos ensinando para nossos filhos? Como lidar com a frustração? O que fazer se o mundo não parar porque tu quer? O que fazer se acabou o sorvete de morango e só tem o de chocolate? Ou o contrário? Ou? Ou? Problemas vamos ter sempre. O que nos faz crescer é a forma de lidar com eles.

Ontem assisti um episódio de Charlie e Lola, um desenho que adoramos. A Lola estava muito frustrada porque não conseguiu entrar no cinema para assistir o “Super gato”e a sessão estava lotada. Adivinha do que lembrei?

 

https://www.youtube.com/watch?v=rSb3Hogj_84

Raquel Grabauska

Pisando em legos

Raquel Grabauska
10 de novembro de 2017

Eu amo meus filhos. Mesmo. Mais que tudo. Bem clichê. Bem lugar comum. Sabe aquelas frases que todo mundo fala sobre os filhos? Que são a melhor coisa do mundo. Que não imagina a vida sem eles, é bem assim mesmo. Comercial de margarina. Só que hoje…

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Foi um tal de mãe, mãe, mamãe, mãe… me deu vontade de enfiar uma bolacha na boca de um e sentar o outro na frente da TV

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Nossa, que dia! Trabalhei no fim de semana, estamos nos recuperando de um mês de tosses por aqui, tive que planejar o trabalho do próximo fim de semana, alinhar equipe, pensar num cardápio saudável pra semana, pensar num jeito de fugir pra pelo menos um café com o marido. E cada tarefa sendo interrompida por pelo menos 7 ou 8 chamados de mamãe!

Sabe quando tu acha que vai explodir? Daí vem a gata (sim, eu tava achando pouco ter só dois filhos e resolvi dar a gata que eles tanto queriam) e derruba TODA a caixa de lego. E quando me preparo pra ter o maior chilique da história, meu filho menor me diz: mamãe, tu tá provocando a gata!

Não consigo não rir de mim, de nós, da gata é daqueles benditos legos pelo chão. Sim, tem dias que em que a vida é um imenso pisar em peças de Lego.

Raquel Grabauska

Festa do pijama

Raquel Grabauska
3 de novembro de 2017

Fizemos nossa primeira festa do pijama. Um encontro de amigos. Amigos de várias idades. Eles estavam exultantes. Mas duvido que alguém tenha aproveitado mais que eu!

Planejamos bastante. Cardápio, atividades, logística. Detalhe do detalhe. As crianças se conheciam. Alguns mais, outros menos. Um dos pais levou uma barraca imensa, daquelas de acampamento de verdade! Pronto, barraca ocupando uma sala inteira, sorriso ocupando meu rosto inteiro. E as crianças… nossa, euforia completa!

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Teve caça ao tesouro. Filme no projetor. Lanche gostoso. Bagunça generalizada. Felicidade irrestrita

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Me peguei vendo um a um dormir. Um gosta de dormir com um pouco de luz. Outro quer história. Outra quer música. Outra não quer dormir (e é mesmo a última a se entregar). Tão pequenos, tão lindos, tão decididos. Tão entregues a nós!

Fiquei pensando na confiança que esses pais tiveram em deixá-los conosco. Que linda experiência. Uma amizade selada, ainda mais confirmada. Não dormi mais que 35 minutos seguidos. E mês que vem quero outra!

Raquel Grabauska

Psicotécnico para paternidade/maternidade

Raquel Grabauska
27 de outubro de 2017

Devia ter psicotécnico pra ser pai e mãe. A gente devia fazer um teste antes. Devia mesmo. Pra ver se está apto ou não

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Aquela maternidade de bebê fofinho, quietinho, puro sorrisos não existe. Bebê chora. Faz cocô. Xixi. Chora.  Vomita. Chora. Acorda no meio da noite. Chora. E a gente só fica sabendo disso, de verdade, depois que eles nascem. Por mais que a gente leia e se informe antes, a ficha só cai quando tu passa mais outra e outra noite sem dormir. E chora, igual a um bebê.

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Por isso acho injusto ser assim, de supetão.

Sem aviso. Sem test-drive

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Não dá pra trocar por um que não chore? Não não dá. Sabe aquela massagem que tu ganhava do marido/mulher? Sabe aquele cineminha? Festa? Isso vai virando uma lembrança cada vez mais vaga. A gente troca amigos que bebem por amigos com bebê. Claro que nem todos. Esses exemplares raros existem. Não sou um deles.

Mas o que existe nos filhos que faz a gente passar por tudo isso e amá-los cada vez mais? Existem eles mesmos. Chorando, fazendo manha… mas sorrindo, conversando, brincando. De um jeito tão intenso que faz aquilo tudo desaparecer. E até ter vontade de ter mais outro filho.

Essa foto é de um dos lindos bonecos que a Marta Castilhos produz. Para quem quiser saber mais sobre o trabalho dela, o email é castilhosmarta@gmail.com. Trabalho bom de gente boa! Vale muito.