Os primeiros 50 a gente não esquece! (Onde eu coloquei os óculos?). A atriz, produtora e diretora Raquel Grabauska fala sobre a vida, expectativas e falta de.
A história na hora de dormir aqui em casa é lei. Mesmo com cansaço, mesmo esgotados, sempre tem história. Ano passado moramos seis meses no exterior e escolhemos a dedo o que levaríamos. Dentre as escolhas, cinco livros – e acho que saberei esses cinco pelo resto da vida.
Sempre tem a fase de repetir a história que mais se gosta. Mas seis meses é tempo demais pras mesmas histórias…
Eu gosto do livro de papel, folhear um livro, não tem igual. Mas fui obrigada a me render, claro, não quero ser uma mãe das cavernas. Leio no Kindle e outros meio. Então, seguem sugestões que nos salvam em viagens:
Dia sim, dia não: mamãe, quando eu vou ter um dente mole?
Pois bem, não teve. Nasceu ontem um dente permanente sem ter caído o dente de leite. A nossa super dentista havia pedido uma tomografia para ver se estava tudo bem. Nos enrolamos nos mil afazeres que pais e mães têm e deixamos para as férias da cria. O dia de fazer foi o dia que precisou.
Meus filhos amam ir na dentista. Pedem pra ir. Ela é mesmo incrível, paciente, carinhosa, respeitosa. Com eles e conosco. Explicou hoje que teria que ter espaço para o dente novo nascer. Que faria isso com calma. Que se ele não quisesse, ela não faria hoje, mas em algum momento precisaria. Conhecendo nosso filho, imaginamos que seria pior esperar. Ele passaria os dias pensando nisso e não iria relaxar. Afinal, ele entrou em férias essa semana – primeiras férias oficiais do colégio. Conversamos. Ele estava apavorado. Nós também. A dentista, comovida, distribuiu carinho e calmaria pra todos nós. Então, convencemos o moço.
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Dá pra comer sorvete depois. Pode ganhar brinquedo. Todas aquelas coisas que agente não deve fazer, fizemos. Nem sei mais o que prometeríamos. Ele aceitou relativamente fácil.
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Para não precisar fazer novamente o mesmo processo, removeu os dois dentinhos da frente. Anestesia. Ver aquela agulha na boca do meu filhote… e depois um alicate puxando o dente… quando ele parou de chorar, chorei eu. O choro trancado durante o processo, o choro de alívio por ter acabado, o choro de orgulho do meu menino valente. O choro de ver que ele cresceu.
Então ele perguntou se a Fada do Dente deixaria algo pra ele. Falei que ela deixa dinheiro. “Dinheiro é sem graça. Eu sei que ela vai deixar algo, porque tu é minha fada do dente”. A fada já passou e deixou duas lembrancinhas, afinal, foram dois dentes. A fada do dente verdadeira trabalhou lindamente hoje. Depois de tudo isso, tenho certeza que logo meu menino vai pedir para ir na dentista de novo. Obrigada querida dentista Cláudia, nossa fada do dente.
As férias chegaram. E é aquele momento em que os pais e mães sempre ficam confusos sobre o que fazer. De qualquer forma, precisamos lembrar que é importante que as crianças brinquem e se divirtam, sem pressão. Há pouco tempo, dessas coisas que agente vê por acaso e depois vira fã, encontrei isso:
“Ensine uma criança escrever aos 7 anos e ela aprenderá em menos de 1 mês. É próximo aos 7 anos que o cérebro está preparado para a aprendizagem da escrita. Nessa idade o cérebro completa o desenvolvimento das áreas 23, 44 e área de Brodmann, que são importantes para a transformação do grafema em fonema.
A função da pré-escola é a estimulação. O brincar é um importante incentivador da leitura (lembre-se que as palavras são símbolos e o faz-de-conta é simbólico, como dar vida aos bonecos, fingir que está comendo de mentirinha, etc.).
As crianças não aprendem quando forçadas, mas sim por prazer. Chega de pressão, castigos e diagnósticos de desatenção. O processo acontecerá paralelamente com a troca dos dentes. Antes não é melhor.
Psicóloga Márcia Tosin
Virei mesmo fã. De seguir no Facebook – eu detesto Facebook. Para quem acredita nisso, para quem não acredita, para quem não sabe o que achar: as férias estão aí, e o Espaço Cuidado Que Mancha segue com a programação de sempre e ainda preparou uma programação especial para o mês de julho. Levando em conta tudo o que está dito aí em cima, que as crianças precisam brincar e aprender por prazer. Sem pressão, sem castigos.
Faz tempo que sinto vontade de ficar entediada. O tédio nunca fez muito parte da minha vida. Depois de dois filhos então, tédio inexiste. Cada dia é completamente diferente e inusitado. E olha, sou bem fã de rotina!
Na última sexta-feira eu estava de aniversário. Comemorei com amigos queridos. No sábado de manhã, trabalhei. Depois do trabalho, confraternização com os colegas e amigos. Esquecendo a idade que completei, resolvi sair pra dançar. Praticamente um Kerb!
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Voltei às 4:30h!
Meus filhos acordam cedo. Sempre. Já estava preparada pra ter sono o dia todo. Mas…
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Às 7h da manhã ouço um choro. Meio sem conseguir acordar, vou cambaleando em direção ao barulho. Meu marido já estava com o filho no colo. O filho com a mão na cabeça. Muita dor, lágrimas escorrendo. Acabou o meu sono. Isso foi domingo. Estou escrevendo na terça. Contem os dias comigo.
Na segunda-feira, quando a dor de cabeça cedeu, um dente resolveu nascer. Uma noite inteira de choro. Inteira. Uma agonia. Noite acordada, tentando dar carinho e conforto para aliviar a dor. Dia de zumbi. Hoje ele acordou completamente abatido. Olhos fundos. Dava para sentir todos os ossinhos do corpo.
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No fim da manhã, parece que alguém ligou a criança na tomada. Riu, comeu, brincou.Respiramos novamente! Filho doente deixa a gente sem ar…
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Como já estava disposto, resolveu se limpar depois de fazer cocô. Foi bonito. As costas, então, ficaram lindas. Arruma tudo pra dar banho – em Porto alegre, inverno, 11 graus. Aquece o banheiro, pega a roupa, pega toalha.Olho pro chão e tem uma bolinha que tá quase embaixo do meu pé. Não dá tempo de desviar, pisei.
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Era um cocô. Não sei como. Na tentativa de não pisar com todo o pé no cocô, faço um movimento rápido e derrubo toda a xícara de café recém feito no outro pé. Um pé queimado e o outro… prefiro não rimar.
Preciso de um dia de tédio. Só um, por favor!
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A ilustração de hoje é do Tom. Ele nunca gostou de desenhar e, com esse desenho (claramente é um dinossauro rex!), inaugurou uma série de ilustrações e não parou nunca mais de desenhar. Principalmente na hora de dormir.
Eu adoro fazer as festas de aniversário dos meus filhos. Sempre gostei. Achei que não ia gostar, que não ia dar bola. Daí arrumei uma comadre festeira que me fez me apaixonar pela ideia há quase 8 anos atrás. Nos últimos tempos tenho tido ajuda de amigas queridas. O que torna a maratona um encontro feliz, divertido. Acho que me divirto mais com os preparativos do que propriamente com a festa.
Hoje é meu aniversário. Ontem ele combinaram que me acordariam com beijos. Eu tive insônia. Ele me acordaram às 6:30h com o beijos combinados. Meu marido quis preservar meus sono (isso é sempre um lindo presente de aniversário), eu preferi acordar meio grogue e ganhar aquele beijos felizes.
Meu filho maior foi para a escola, meu filho menor foi pra sua escola de arte. Empolgado para ver meus presentes. É complicado para uma mãe explicar pro filho que o melhor presente é aquele abraço, aquela ligação, aquela lembrança de uma amiga que tá do outro lado do mundo. E não necessariamente o presente em si. Como explicar o prazer de receber a visita do irmão no meio do expediente de trabalho? De tomar um café e conversar? Tudo isso pode ser melhor que um presente? Pra nós adultos, claro que sim…
Ele quis muito ver meus presentes. Eu expliquei que presente de adulto é diferente. Faz 3 meses que ele escolheu que minha festa tinha que ser do Thor. Teve o Thor no meu bolo hoje. Bolo lindo e delicioso, presente de amiga da vida.
Mas o ponto alto do dia foi:
Mamãe, abre teus presentes.
Já abri, filho.
Não, mamãe, abre teus presentes!!!
Já abri, meu filho!
Mamãe, abre teus brinquedos!!!!
Nesse ano não ganhei brinquedos. Ano passado meus meninos me deram um dinossauro de montar. De igual pra igual. Me deram um brinquedo que adoraram. Claro que adorei.
Hoje me senti do tamanho deles. Adorei soprar as velas junto. Meu próximo aniversário vai ser de vampiro. Decidimos hoje.
Sempre ouvi as pessoas falarem sobre como faz bem ficar longe pra sentir saudades. Tempo de qualidade, quantidade não importa. Respeito as opiniões. Não tem mais mãe ou menos mãe pra mim. Mesmo. Claro que me dá vontade de dar colo pra todos os bebês que ficam em creches ou em qualquer outro lugar que não seja um bom colo quando precisam. Assim como sinto vontade de dar colo para muitas pessoas adultas que conheço.
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Quando meu primeiro filho nasceu, minha mãe e minha sogra me recomendaram muito sobre o perigo do colo dado aos bebês: estraga a criança
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Confesso que eu estava impressionada. Estava tendendo a não dar colo, não queria “estragar o guri”. Num dos primeiros choros, meu marido me olhou e sem titubear um segundo, deu colo pro filho. Eu falei sobre os comentários das nossas mães e ele: “não vou deixar meu filho chorando”. Chorei eu. Achei tão lindo e sábio. Ele não estava preocupado com a opinião de ninguém. Nem da mãe, nem da sogra, muito menos a minha. Ele só estava sendo pai. Criando vínculo. Foi bonito de ver. Foi bonito sentir o ruir daquela “sapiência da mulher” que tudo sabe sobre ter um filho. Ver ele agindo como um pai que ama e cuida, me ensinou muito sobre ser mãe.
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Fim de semana passado fiquei longe pela primeira vez do meu filho menor
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Quatro aninhos grudados. Não senti alívio. Tinha medo de sentir. Trabalhei, me diverti, dormi, mas foi bem bom voltar e ter a nossa rotina. Estamos todos crescendo. Logo vai ser normal ficarmos tempo longe. Por ora, quero aproveitar.
Inverno é uma delicia. Um vinho, uma lareira, é bom pra namorar. Mas inverno com filhos é uma m… nariz escorrendo, roupa que não seca, mil tentativas pra vestir a criança, torcer para que o casaco caiba por cima da camiseta/blusa/blusão e que ainda possa dar alguma chance de movimento.
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Além dessa beleza toda, ainda tem os dias de doença. No verão tem também, mas nada como no inverno. Tem gripe, tem febre, tem tosse, tem nariz escorrendo. Haja mãos…
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Mãe, quero água!
Mãe, tô com fome!
Mãe, mas não tô com fome!
Mãe, brinca junto!
Daí a mãe senta pra brincar e:
Mãe, quero água!
Mãe, tô com fome!
Mãe, mãe, mãe!!!!!
A gente multiplica as mãos e as mães. Na verdade, o colo ainda é o melhor remédio pra essas doenças de inverno. Aqui quase sempre alivia os sintomas.
No último mês de maio, se foram duas pessoas lindas que conheci. O Baleia conheci esse ano na escola do meu filho. Uma pessoa querida, intensa. Que parava para conversar conversas de verdade. Sem celular, sem interrupções. Sempre tinha uma história boa pra contar. E ouvia as histórias que a gente contava também. Olhando, falando, ouvindo.
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O Miguel conheci faz uns 18 anos. Conheci no palco, admirei pra sempre. Os dois se foram muito repentinamente. Faltaram conversas ainda, sobraram assuntos. Vão fazer muita falta por aqui. O mundo teve sorte em tê-los. Eu sou feliz por tê-los conhecido. Divido com vocês um tanto das lindezas deles. O que fica é isso, o tanto de coisas lindas que fazemos por aqui. Tenho pensado muito nisso. Nas lindezas que quero deixar com meus filhos. Aproveitem!
Quando eu era pequena, minha família passou por diversos apertos financeiros. Uma boneca legal, um passeio, alguma roupa ou uma sandália eram sonhos quase sempre inalcançáveis. Sempre perto do meu aniversário acontecia algo e a situação piorava. Parecia uma tradição, já.
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Quando eu tinha quase 7 anos, uma amiga prometeu uma festa linda. Eu podia escolher o que quisesse. Escolhi uma festa à fantasia.
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Todas as crianças ganhariam fantasias de bicho. Planejamos por dois meses. O pai dela era rico e daria de presente. Ela pediu segredo. Eles moravam numa casa tão simples como a minha, mas eram muito ricos e disfarçavam para não serem roubados. E assim fiquei, em segredo. Dois meses planejando cada detalhe, sorrindo sem perceber, flutuando no pensamento daquela felicidade que viria.
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Foi chegando perto do dia e nada acontecia. E eu entendendo. No dia seguinte veríamos a fantasia. No dia seguinte teria o … no dia seguinte.
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Chegou o dia da festa e nada aconteceu. Lembro da sensação de desmoronar. Não ter a festa foi ruim, é claro. Mas me desmanchou perceber que minha amiga não tinha falado a verdade. Lembro do assombro e tristeza da minha mãe quando contei pra ela. Lembro de perguntar: porque ela fez isso, mãe? E minha mãe, sem conseguir responder, deu aquele abraço gostoso que só a mãe da gente dá e faz sumir a dor.
Dia desses meu filho foi enganado por um colega numa troca de brinquedos. Foi muito injusto. Nós tentamos orientar, mas deixamos ele resolver a situação. Ele não quis nos ouvir, pois questionamos (para ele) o que o amigo estava fazendo. Ao perceber que não era como havia sido combinado, ruiu um tanto. E perguntou: porque ele fez isso, mamãe? Dei meu melhor abraço e falei. Dias depois meu filho mais novo estava contando algo que um amigo havia contado. O mais velho percebeu que não era verdade: mano, isso é mentira! Ao que o outro respondeu: nãoooo!! Meu amigo falou!
Palavra de amigo tem poder. Que a gente sempre possa crescer com os amigos que nos dizem palavras importantes.
Meu filho mais novo sempre teve algumas questões sensíveis que nos colocavam no limite entre manha / necessidade / vontade. Aqui sempre foi uma casa de muitos colos, de carinho, de conversa. Começou uma fase de chiliques que ficamos sem saber como lidar. Qualquer cheiro mais forte, irritava. Sair de casa e dar de cara com o sol, irritava. Barulho então, qualquer som mais alto ou pessoa falando muito, irritava.
Estávamos todos em frangalhos. Muitas variáveis, todos pisando em ovos. Até que tivemos que levar o mais velho na oftalmologista. Aproveitamos a ida e consultamos os dois. Pela reação que ele teve ao pingar a gota no olho, a médica já me alertou: tem grau.
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Fomos na expectativa de que o mais velho precisaria de óculos. Saímos chorando: o mais velho por não precisar de óculos, o mais novo por não estar enxergando por causa da pupila dilatada e eu chorando por causa do diagnóstico.
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Há uma diferença grande de grau entre um olho e outro. Então é como se um olho não tivesse aprendido a enxergar. A instrução é de começar o uso de óculos imediatamente. Esperar três meses e torcer para que os óculos façam o olho aprender a ver. Caso não seja suficiente, em três meses terá que fechar o olho bom para obrigar o outro a focar. Isso foi há três semanas. O início foi bem difícil. Ele não reconheceu os personagens dos desenhos na TV. Na rua foi mais fácil. Em três dias já vimos uma mudança incrível no humor. O cansaço que a falta de visão estava gerando foi transformado em energia. Hoje, ele me falou sobre estar triste que os olhos não funcionam. Mas está usando os óculos, o tempo todo. Aprendeu até a limpar as lentes sozinho.
A oftalmologista disse que isso se trata até a criança ter seis, sete anos. Depois não há o que fazer. Vimos com uma folga de dois anos para tratar. Agora é esperar e torcer. Eu resolvi escrever sobre isso como uma forma de alerta. Independente do problema, precisamos estar sempre atentos aos sinais que as crianças mostram e eventuais mudanças de comportamento. Isso pode indicar algum problema que sequer imaginamos.