Raquel Grabauska

Sobre julgamentos sem fim

Raquel Grabauska
11 de agosto de 2017

Tenho lido muitas brigas/críticas sobre partos, criação de filhos, enfim, assuntos que envolvem a maternidade. Sempre fui entusiasta do parto natural. Daí tive perda de líquido e acabei numa cesárea. Com o segundo filho, consegui o tão desejado parto: sem interferências, sem anestesia, como eu queria. O resultado? Amos os dois filhos da mesma forma. Sou mãe dos dois, do mesmo jeito. Se tivesse um terceiro filho, tentaria de novo o natural. Mas paramos por aqui.

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Eu nunca quis ter filhos. Quando tive o primeiro, quis ter dois. Quando tive o segundo, quis ter vinte. Meu marido, ouvindo eu contar isso pra uma amiga, disse: quando eu tive o primeiro, quis ter vários.

Quando tive o segundo, quis ter dois

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Quando eu dizia que não queria ter filhos, ouvia que ia ficar sozinha, que só filhos completam vida da pessoa. Eu amo meus filhos mais que tudo no mundo. Muito mais que tudo. Mas não acho que ter filhos é garantia de felicidade. Porque com filhos tu dorme menos, come quando dá, namora quando dá, toma banho quando dá… Claro que isso é por um tempo. Mas que tempo!

Então, cesária ou natural, com filhos ou sem filhos, um filho, dois, três ou quatro… São escolhas muito pessoais. Seria bom que nós pais, responsáveis por ensaiar os filhos a respeitarem os outros, aprendêssemos isso também.

Raquel Grabauska

Sim, crianças choram!

Raquel Grabauska
4 de agosto de 2017

Dois posts circularam e ainda estão circulando sem parar no Facebook.

Um deles foi sobre um pai xingando uma pessoa que não quis dar um gole do seu suco pro filho dele (um desconhecido). O outro de uma mãe xingando a mulher que não deixou o filho dela brincar com colecionáveis que custavam 1500 reais. Li os dois da primeira vez e pasmei com o que houve. Mas eu  não sou muito chegada ao Facebook. Uso bastante por causa do trabalho. Mas pra vida pessoal não tenho muita paciência. O festival de opiniões urgentes e importantes que se cria nesse tribunal virtual me angustia.

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Mas… dias desses tava ali lendo e vi uma mãe dizendo: vocês sabem se posso fazer permanece no cabelo de uma menina de 3 anos?

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Li. Reli. Li de novo. O motivo? Ela cortou o cabelo da filha e a menina tava chorando porque queria os cachinhos de volta.

Eu não suporto que meus filhos sofram. Não gosto de vê-los chorar (nem quando têm motivo, muito menos quando não têm). Mas fiquei realmente estarrecida quando li que ela queria fazer permanente.

Eu sempre fui mãe grude. Sempre. Meu marido também. Dia desses um amigo querido disse: eu crio meu filho pensando em preparará-lo para quando eu não estiver mais aqui. Na hora, me deu um embrulho no estômago. Não consigo pensar em ficar pensando em não estar viva pra ver os guris crescerem. Minha família tem muitos de casos de morte prematura. Então, esse é realmente um assunto difícil pra mim.

Depois de um tempo, assimilei melhor o que ele tinha comentado. E achei bonito. Ele me abriu uma possibilidade de deixar os meninos crescerem de um jeito mais tranquilo. Porque eu sigo perto, sigo “grudenta”, mas sinto que confio mais na capacidade deles de se resolverem. Sabem aquele começo do aprender a andar de bicicleta? Tu segura a bicicleta pra criança ter confiança e quando sente que tá tudo bem, solta pra ela ir. Quando percebe, já tá andando. Sem tua ajuda. Tenho sentido isso. E isso me fortalece. E fortalece aos meus guris também.

Por isso, se eu encontrasse essa mãe hoje, eu diria, deixa ela chorar pelos cachinhos. Fica do lado, dá carinho, ela vai resolver mais rápido.

Raquel Grabauska

Filhos de vidro

Raquel Grabauska
28 de julho de 2017

Está chegando ao fim uma das experiências mais ricas da minha vida. Desde fevereiro estamos morando na Alemanha. A cidade é Erlangen. Pequena e universitária, um lugar tranquilo e bom demais pra viver em família.

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Chegamos aqui uns, vamos embora outros. Muita transformação. Pra mim, a maior foi o aprendizado que tive com os pais/mães/cuidadores/professores alemães. Sem dúvida. Eles criam as crianças para serem independentes desde muito cedo

Muito independentes, muito cedo. Claro, isso tem o lado bom e o lado ruim, como quase tudo na vida

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Vi em duas situações diferentes bebês de colo chorarem por um tempo imenso. Uma num ônibus. O bebê visivelmente incomodado no carrinho. Chorava copiosamente. A irmã pequena ao lado, olhava pela janela como se nada tivesse acontecendo e nos premiava com um dos sorrisos mais doces que já vi. A mãe nada fazia. Nada mesmo. Pensei que não cabia a mim julgar. Visivelmente ela não dormia há dias. Ela parecia muito cansada. Não sei o que ela estava passando. Se tinha problema como o marido, se perdera o emprego ou o que podia estar errado em sua vida. Tentei não julgar. Mas confesso que foi bem difícil. Julguei, sim. Não consigo pensar em deixar um bebê chorar por 30 minutos e não fazer nada.

A outra situação foi numa praça. Uma cuidadora com três crianças. Dois brincavam felizes e soltos na areia e o bebê no carrinho. Chorava muito. A cuidadora entregava uma pá daquelas de brincar na areia. Ele parava de chorar por cinco segundos e  recomeçava. Foi assim por umas duas horas. Usei todo meu auto-controle pra não me meter. Tá, auto-controle e minha impossibilidade de argumentar em alemão com uma senhora de seus sessenta anos.

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Por outro lado, cheguei aqui com duas crianças de vidro. Eles pensavam em cair e já estávamos, meu marido e eu, dando colo e querendo impedir o sofrimento que poderia acontecer.

Super protetores

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Aprendemos a deixar que eles resolvam as coisas que pensamos eles têm capacidade pra resolver. E tentar. E errar. E pedir ajuda quando precisam. Aprendemos a confiar mais neles. Na força deles. Eles nos ensinaram um montão de coisas. São muito mais fortes do que jamais pensamos. Não foram poucas as vezes em que quis chorar vendo meu filho com seus seis aninhos cair um tombo homérico da bicicleta sem rodinhas que ele usou pra aprender a andar aqui. Caiu, se machucou feio. A gente por perto. Ele caía e já do chão nos dizia: tô bem. Lindo, forte. Ensinando aos pais a ver o filho aprender a andar de bicicleta.

Essa confiança que os alemães dão às crianças é impressionante. Ensinaram aos nossos filhos, ensinaram principalmente aos pais dos nossos filhos.

Raquel Grabauska

As crianças e os bebês

Raquel Grabauska
21 de julho de 2017

O nosso filho mais velho tem seis anos, um irmão de três e ainda me pede mais outro irmão. Antes  de termos ele, perdemos um bebê aos três meses de gestação.

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Ele ouviu eu contar essa história (que eu achei que ele não tava ouvindo), me perguntou apavorado: mamãe, como tu PERDEU um bebê?

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Depois de um tempo ele falou: pensando bem, até que foi bom tu ter perdido aquele bebê, mamãe. Porque tu fica com o mano no colo, o papai comigo. Quem iria segurar o bebê? Meu carinho e respeito aos pais de gêmeos. Pais de trigêmeos pra cima, merecem um altar!

Nosso filho mais novo tem três anos. Acha os bebês adoráveis. Fomos almoçar na casa de uma amiga que tem um bebê de três meses. Ela foi tomar um banho e fiquei com o bebê.  Ele fez carinho, gostou e logo quis mudar de assunto.  Me disse: mamãe, ele não te gostando do teu colo. Ele precisa ir pra cama dele.

Eu sempre converso com os guris sobre o que vou escrever aqui na semana. A partir da conversa eles fazem as ilustrações. Hoje o Benjamin me ouviu e disse: é, mamãe. Tá bom assim, só eu e o mano. Esses são os meus meninos. Me fazem rir e me emocionam (também me irritam muitas vezes, mas sobre isso falo outro dia)

Raquel Grabauska

Pequeno roteiro de passeios com criança na Europa

Raquel Grabauska
14 de julho de 2017

Aqui em casa,  a gente faz tudo meio em volta dos guris. Levamos em conta a vontade deles na hora de decidir pra onde vamos. À medida que estão crescendo, estamos aprendendo a fazer o caminho do meio: cuidar deles sem deixar de cuidar de nós também. Mas não é fácil, por isso divido com vocês este pequeno roteiro de passeios com criança na Europa.

Estamos desde fevereiro morando na Alemanha, quase chegando a hora de voltar pra casa. A cidade em que estamos é linda. É pequena, então é de uma tranquilidade… As praças são maravilhosas! Aqui na Alemanha, em todas as cidades que fomos, só ir pra praça já é um super passeio.

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Fomos pra Munique, Stuttgart, Nuremberg, Bamberg, Benshein, Frankfurt e Berlim. Passamos em Insbruck, na Áustria – ver os Alpes é divino. Também fomos pra Bolonha e Rovigo, na Itália 

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De tudo o que vimos, conto aqui o que mais nos fascinou

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  • Museu do trem em Nuremberg. São 3 museus num só. Tem a Kibala, uma parte do museu dedicada só pras crianças. Andam de trem, se vestem de maquinista, lindo! Tem o museu do trem para os adultos, onde a gente vê trens de verdade, dos antigos aos modernos. Junto tem o Museu da Comunicação;
  • Em Frankfurt tem o Experimenta, um museu só para crianças, de experimentações. São 4 andares onde se pode mexer em tudo! Ficamos 6 horas! E os guris queriam ficar mais;
  • Bamberg é linda, nada de especial para fazer, o que acaba sendo mais especial ainda! Andar pela cidade e ver o rio é um deslumbre. Andar por andar, contemplar, aproveitar. Os guris amaram um totem que tem no centro, ele se divide em 3 partes e as crianças ficando brincando de forjar diferentes figuras. Simples e muuuuuito divertido. Tem também uma parte de pedras, como se fosse uma piscina de pedras, onde fica correndo água. Fomos num dia frio, os guris loucos pra se enfiarem. Vamos voltar agora que está quente!
  • Em Munique tem o Deutsches Museum, um museu que todo mundo adora, mas depois de ir nesses que podia mexer em tudo, os guris não se entusiasmaram muito,  por ser só de olhar. Pretendemos voltar outro dia sem tanta expectativa.
  • Perto daqui de Erlangen, em Zirndorf, tem o Playmobil Fun, imperdível! Um parque onde tu brinca com tudo! Sem filas. Onde tu olha tem um brinquedo disponível. Tem dinossauros, navio pirata, travessia, castelo. Já fomos duas vezes e queremos mais uma!
  • Em Nuremberg fomos no zoológico. É uma mistura de sensações. Os animais são fascinantes, as crianças ficaram maravilhadas. Mas nós, os adultos, sofremos um pouco vendo os bichos presos. Mas é incrível. Tem uma área onde as crianças podem dar comida (que eles vendem em máquinas) para as cabras. Isso rendeu metade do passeio. Ficamos 5 horas lá;
  • Em Amsterdan, tem o Museu do Van Gogh – vale pra qualquer idade. Vimos desde bebês até crianças grandes contemplando. Algumas tinham blocos de desenho e ficavam desenhando em frente aos quadros, emocionante. Também tem o Nemo: Museu de ciência e experimentos. Uma loucura!

Isso é um pouquinho do que fizemos aqui. Esperamos continuar esses passeios!

*A ilustração é do Benjamin. A Família na Kibala.

Raquel Grabauska

Férias da criançada+pais em férias = pais de cabelo em pé

Raquel Grabauska
7 de julho de 2017

O que fazer com a criançada em férias se os pais não estão em férias?

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Alguns programas legais pra fazer no mês de julho

  • Em dia de chuva – Museu da PUC – dá pra ficar hoooooras lá, tem muita coisa pra ver.
  • Em dia de sol: convidar os amigos para um piquenique num parque. A praça do DMAE é uma boa pedida!
  • Uma festa do pijama: convidar os amigos e se preparar para não dormir!
  • Uma festa à fantasia – pode ser em qualquer hora do dia, música, um lanche e cada uma com a fantasia que mais gostar.
  • Oficina de culinária – convidar os amigos e preparar guloseimas gostosas.

Se não gostou de nenhuma das dicas, leva os filhos lá no Espaço Cuidado Que Mancha. Preparamos uma programação especial de férias!

Raquel Grabauska

Quem ensina o que quer…

Raquel Grabauska
30 de junho de 2017

Criar filhos, educar, ver crescer é lindo. Mas dá um trabalho!!!

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Um trabalho quase sempre gostoso. Aquele serzinho ali tem personalidade, vontade. É uma pessoa. Mesmo. Então tu diz uma coisa pra ele. Ele ouve. Ele interpreta. Parece telefone sem fio.

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Tu diz: Que rua barulhenta. Ele ouve: Tá uma manhã muito cinzenta. Então, entre o que a gente ensina e como eles aprendem, tem um longo caminho. Caminho esse que pra nós tem sido divertido

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Eu sempre estimulo os guris a darem oi pra pessoas. Não gosto de ficar obrigando, mas sempre dou exemplo. Principalmente com as pessoas idosas. Acho lindo eles cumprimentarem e derreto quase sempre com o sorriso que se abre do outro lado. Hoje passou uma velhinha por nós, tinha jeito de triste. Os guris estavam lanchando, estávamos na praça. Os dois ficaram quietos, só olhando. Eu dei oi, ela sorriu. Eles quietos. Eu disse: filho, porque não deu oi? O Benjamim respondeu: mamãe, tu precisa saber o que tu quer, ou eu dou oi ou eu não falo de boca cheia, não sei o que fazer!

*Os guris quase sempre fazem as ilustrações aqui da coluna. Hoje expliquei pro Benjamin sobre o que ia escrever e pedi, como de costume, que ele desenhasse o que tinha entendido. Ouvi: não tô com vontade. Posso desenhar um tigre? E ta aí a ilustração, dando mais sentido ao que falei.

Raquel Grabauska

Viva São João!

Raquel Grabauska
23 de junho de 2017

Dia 24 é dia de São João! E pra entrar no clima, hoje temos duas sugestões: uma festa e muita música!

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Festa

Pra quem quiser participar de uma autêntica festa junina, é só chegar lá na praça Estado de Israel, na frente do Espaço Cuidado Que Mancha. Vai ter pescaria, jogo de argolas, boca do monstro. Vai ter uma oficina criação de brinquedos de sucata. Vai ter comidinhas gostosas. Vai ter a Editora Libretos com banca de livros. Vai ter um brechó, quentão, cerveja artesanal e muito mais! Uma tarde pra reunir a família, os vizinhos, brincar e pegar um solzinho!

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Músicas

Pra quem quiser ir entrando no clima, indico o maravilhoso CD São João do Carneirinho, da Cia Cabelo de Maria, de São Paulo. É ouvir, se emocionar e dançar!

 

 

 

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Boa festa pra todos!

Raquel Grabauska

Mães que tudo fazem

Raquel Grabauska
16 de junho de 2017

Quando nasce um filho, tudo aquilo que a gente pensou, idealizou, sonhou, muda drasticamente

A distância que se cria entre a teoria e a prática é imensa. E essa tentativa de unir uma coisa com a outra resulta na criação dos nossos filhos. Uma das principais coisas que tenho lido em relação às mães recentes é a necessidade de ficar mais tempo com os filhos. Li esses dias o desespero de uma mãe que teria que colocar a filha de 4 meses na creche para poder voltar ao trabalho. Pagando a creche, restariam R$ 200,00 do salário dela.

O que fazer então? Tenho visto muita mãe criando seu próprio negócio. Recriando, inventando uma nova carreira.

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Vou citar aqui apenas quatro mães que conheço e admiro muito Certamente elas inspiram muita gente

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A Flávia criou o Brechó Infantil Entrou na Roda Virtual após o nascimento da sua filha. A ideia era ter mais tempo para dedicar à pequena e também colocar em prática os conceitos aprendidos no Mestrado de Educação Ambiental.

As roupinhas entram na roda entre os bebês e crianças e auxiliam na reutilização de materiais, já que muitas peças são recuperadas e garimpadas de uma mãe para outra.

A Fernanda foi comissária de vôo por 5 anos, normalmente ficava longe de casa de 5 a 6 dias. Quando teve seus filhos, optou por ficar com eles e abandonar a profissão. E estando em casa, precisava fazer algo pra ajudar no orçamento. Foi quando falou com uma amiga de SP que já trabalhava com mimos pra festa e resolveram abrir uma filial da Tuca Minuca” em Porto Alegre. E então há três anos faz os trabalhos em casa:  “assim pude juntar duas coisas que amo, meus filhos e as festas!”

Para a Mah, do Design Bárbaro, tudo começou após sua demissão ao término da licença maternidade. Seis meses depois, seu marido também foi demitido. Entraram com toda a energia num projeto conjunto.  “Nossa forma de trabalhar é intensa e apaixonada, acreditamos no trabalho de nossos clientes”.

A Diva tem dois filhos e queria mais tempo ao lado deles. Quando o mais novo nasceu, foi diagnosticado aplv e alérgico a  ovo. Precisava de maiores cuidados com a alimentação. Foi então que surgia a ideia de trabalhar em casa. Sua mãe, costureira há mais de 40 anos, fazia fantasias para sua filha mais velha e elas viam uma grande demanda nesse mercado. Criaram assim a Imaginar e Brincar, uma loja de fantasias e acessórios infantis que valorizam o conforto e diversão em suas roupas.

Admiro demais essas super profissionais!

Raquel Grabauska

Sem palavras

Raquel Grabauska
9 de junho de 2017

Isso foi a coisa mais emocionante que vi nos últimos tempos. Aproveitem!