Reporteando

Documentário – onde as histórias ganham mais voz

Renata Colombo
28 de março de 2017

Sempre tive um sonho como repórter. Um só. Fazer um documentário.

Uma boa reportagem, ótima, daquelas de se orgulhar, pode chegar a uma grande reportagem, especial, de profundidade. E ela pode ser um documentário. Neste formato, as histórias reais, de gente de verdade, as coisas que impactam na vida das pessoas ganham uma plástica menos bruta, melhor editada.  Parece que dá ainda mais voz a quem tem o que contar, que não é o repórter, é a fonte, o personagem.

Um que adoro se chama Nascidos em Bordéis. É uma reportagem que qualquer jornalista baba. Sabe por quê? Porque como toda boa reportagem ela toma um rumo diferente, que não estava no script, nos surpreendendo com o que descobrimos pelo caminho. Tem frio na barriga melhor que esse para um repórter? Desconheço.

A fotógrafa inglesa Zana Briski ia somente retratar o cenário de prostituição do distrito de Linha Vermelha, em Calcutá, até resolver entregar uma câmera fotográfica nas mãos de crianças que viviam no lugarejo abandonado. Os resultados, obviamente, foram surpreendentes. As fotos revelaram histórias que as crianças não tinham coragem de contar. As imagens mostraram a realidade triste de um local em que o destino das meninas era a prostituição, que não tinha escola e onde as crianças viviam sem perspectiva de futuro.

Essa semana estreia nos cinemas um que retrata a nossa realidade de forma dura e despida. Tenho orgulho de dizer que ajudei a dar o pontapé inicial na produção, mas o mérito do resultado sensacional não é meu.  A partir de quinta-feira, dia 30, estará nos cinemas o documentário Central – O poder das facções no maior presídio do Brasil, dos meus corajosos amigos Tatiana Sager e Renato Dornelles.

É triste, porém enriquecedor, mergulhar em universos onde a gente enxerga que o ser humano pode ser ainda mais primitivo, escroto e desumano. Central nos leva a uma reflexão difícil. Uma mistura de desesperança, de medo, de nojo e por que não de compaixão.

Está feito o convite. Assistam. Eu, como repórter, devorei cada imagem inédita, cada cenário conhecido, cada depoimento revoltante, cada pensamento sobre a vida e o que fazemos dela. Acho que vocês vão gostar.

Prometo que quando fizer o meu convido também!