Hoje em dia qualquer pessoa pública que se preza, seja político, artista, atleta, grande empresário, precisa saber fazer bom uso das redes soc
iais. No caso do poder público, o bom desempenho do cara nos perfis de facebook, instagram, e por aí vai, pode até mesmo derrubar, ou no bom e velho jargão jornalístico, furar a cobertura.
É um desafio diário imenso não cair no lugar comum. Aquele grande anúncio tão aguardado de verbas para hospitais dificilmente vai esperar o repórter chegar na coletiva e ter acesso aos números fresquinhos. Ele será feito nas redes sociais pela assessoria de imprensa ou quem sabe pelo próprio gestor público. Aquele plantão da equipe da fotografia para flagrar um encontro inesperado provavelmente será atropelado por uma foto oficial no perfil pessoal da fonte.
Em São Paulo a imprensa vive um bom exemplo disso. O prefeito João Doria (PSDB) sabe usar, e muito bem, as novas mídias a seu favor. Ele vem arrecadando milhões de visualizações e seguidores com esta estratégia. Não significa que as pautas são sempre válidas, muitas vezes são marketing, mas significa que ele movimenta a imprensa o tempo todo com aquilo que quer que seja divulgado. O desafio é conseguir trazer à tona os assuntos que os jornalistas querem discutir e não os que a fonte acredita que devem ser discutidos.
Trazendo essa situação para um mercado em recessão e cada vez mais enxuto, esbarramos em outro problema: optar pela cobertura factual do assunto escolhido pelo órgão público ou ignorá-lo e apostar naquele levantamento próprio em que um repórter ficou semanas debruçado.
Eu, particularmente, defendo sempre a apuração exclusiva, o olhar maldoso a coleta de dados, o aprofundamento do tema, mas também sei que está cada vez se afastando mais das nossas redações.
