{"id":985,"date":"2017-03-07T19:47:53","date_gmt":"2017-03-07T22:47:53","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=985"},"modified":"2017-03-07T19:47:53","modified_gmt":"2017-03-07T22:47:53","slug":"respeita-as-minas-na-literatura-e-em-qualquer-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=985","title":{"rendered":"Respeita As Minas (Na Literatura e Em Qualquer Lugar)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Se tem um termo que incomoda grande parte das escritoras \u00e9 ter sua obra denominada como <\/span><b>literatura feminina<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. O r\u00f3tulo particularmente me remete a uma mo\u00e7a muito comportada, vestida com babados e frufrus, escrevendo sobre cora\u00e7\u00f5es partidos, fragilidades e futilidades. No outro extremo, caso fosse usual a classifica\u00e7\u00e3o <\/span><b>literatura masculina<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, acabaria parecendo inaceit\u00e1vel que houvesse sensibilidade nos textos liter\u00e1rios escritos por homens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em pleno s\u00e9culo 21, o feminismo ainda \u00e9 uma das bandeiras que precisam estar em evid\u00eancia, para evitar a desigualdade entre homens e mulheres, em um mundo que j\u00e1 abriu espa\u00e7o para orienta\u00e7\u00f5es sexuais diversas e debates de temas considerados pol\u00eamicos por muitos, como aborto, por exemplo. Nesse contexto, a literatura dita feminista \u00e9 um instrumento fundamental para o empoderamento feminino, um conceito que muitas vezes desperta antipatia por parte das pessoas mais conservadoras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Uma das escritoras mais representativas dessa vertente \u00e9 a ga\u00facha radicada em S\u00e3o Paulo Clara Averbuck. Na \u00e9poca do surgimento dos blogs, Clara apresentou aos internautas seus textos densos e diretos, abordando temas como sexo, bebidas e drogas na perspectiva de uma mulher forte e sem frescuras. Em 2002, a escritora lan\u00e7ou sua primeira obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1quina de Pinball<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, em que aparece sua personagem mais famosa, Camila. A protagonista desse livro acabou indo parar no cinema, em uma adapta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o agradou a escritora. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Com o passar dos anos, Clara consolidou sua luta feminista, presente no site Lugar de Mulher, no qual \u00e9 uma das editoras. Tamb\u00e9m tem uma presen\u00e7a constante nas redes sociais, com posicionamentos pol\u00edticos e relatos sinceros sobre o cotidiano de uma escritora sem grana no Brasil: viver de frilas para pagar o aluguel, como criar uma filha adolescente sozinha e sua ang\u00fastia ao receber diariamente relatos de abusos sofridos por outras mulheres, sentindo-se muitas vezes impotente para dar uma real ajuda a essas manas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Seu livro mais recente, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Toureando o Diabo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, traz o retorno da personagem Camila, mais amadurecida e com ideais declaradamente feministas. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a obra \u00e9 dedicada \u201c\u00e0s minas &#8211; todas elas\u201d. Publicado de forma independente, por meio de financiamento coletivo, o livro tem coautoria da ilustradora Eva Uviedo e pode ser comprado <a href=\"http:\/\/www.evauviedo.com.br\/toureando-o-diabo\">aqui<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/toureando2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-987\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/toureando2-300x150.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Do fim dos anos 40, quando Simone de Beauvoir chocou a sociedade com seu ensaio filos\u00f3fico <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Segundo Sexo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (que eu recomendo fortemente a leitura), at\u00e9 os dias atuais, o lugar da mulher \u00e9 mesmo aonde ela quiser. Inclusive fora de r\u00f3tulos reducionistas como literatura feminina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(PS: Certamente falaremos sobre mulheres na literatura em muitos outros posts do blog Voos Liter\u00e1rios. Mas o dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 marcado por lutas extremamente significativas das mulheres e n\u00e3o como um dia de comemora\u00e7\u00f5es. Esse texto \u00e9 uma singela homenagem a todas as mulheres que enfrentam qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o ou opress\u00e3o em suas vidas.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se tem um termo que incomoda grande parte das escritoras \u00e9 ter sua obra denominada como literatura feminina. 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