{"id":9511,"date":"2023-12-18T11:48:31","date_gmt":"2023-12-18T14:48:31","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=9511"},"modified":"2025-03-02T13:00:53","modified_gmt":"2025-03-02T16:00:53","slug":"a-culpa-e-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=9511","title":{"rendered":"A culpa \u00e9 do capitalismo"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A culpa \u00e9 do capitalismo a gente ficar exausto de tanto trabalhar e, ainda assim, faltar dinheiro para sobreviver. A culpa \u00e9 do capitalismo aceitar condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, chefes abusivos e baixos sal\u00e1rios.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, a culpa tamb\u00e9m \u00e9 do capitalismo quando a gente resolve virar empreendedor para deixar de ter chefe e\u2026 fica exausto de tanto trabalhar, sem o suficiente para sobreviver, aceitando condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho. No lugar de chefes, surgem clientes querendo ditar regras e impor suas vontades, como se fossem donos das nossas decis\u00f5es e de todo o nosso tempo.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os dilemas mencionados s\u00e3o puro suco de capitalismo apesar de, muitas vezes, n\u00e3o serem percept\u00edveis como algo coletivo. Afinal, o objetivo \u00e9 justamente esse: fazer com que nossas ang\u00fastias financeiras e profissionais pare\u00e7am individuais, fruto da nossa pr\u00f3pria incompet\u00eancia na gest\u00e3o da vida.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Maldito capitalismo<\/h2>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 alguns meses, comentei com uma amiga sobre a dificuldade de ter tempo livre para determinada atividade e disparei: &#8211; Maldito capitalismo! Para minha surpresa, ela perguntou o que o sistema econ\u00f4mico onde estamos compulsoriamente inseridos tinha a ver com a quest\u00e3o mencionada. Na hora, confesso ter ficado com pregui\u00e7a de explicar algo que parece t\u00e3o expl\u00edcito para mim &#8211; a ponto de ter virado bord\u00e3o com algumas pessoas pr\u00f3ximas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Afinal, o capitalismo est\u00e1 por tudo. Nas rela\u00e7\u00f5es profissionais. No excesso de trabalho ou no desespero pela falta de um emprego. No esfacelamento dos direitos trabalhistas, que levam \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o, informalidade e precariza\u00e7\u00e3o em geral.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No cen\u00e1rio brasileiro, o capitalismo (maldito!!) tamb\u00e9m est\u00e1 presente quando o empres\u00e1rio espertinho resolve n\u00e3o ter mais funcion\u00e1rios e sugere que todos da equipe se tornem microempreendedores individuais. Por\u00e9m, com hor\u00e1rio espec\u00edfico a cumprir e indo presencialmente trabalhar. E o MEI, que deveria ter autonomia, acaba &#8211; por falta de alternativa &#8211; muitas vezes se submetendo a ser empregado, sem benef\u00edcios como f\u00e9rias e d\u00e9cimo-terceiro sal\u00e1rio.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas quem \u00e9 o respons\u00e1vel por essa situa\u00e7\u00e3o? O trabalhador que aceitou ou o empres\u00e1rio que teve essa ideia \u201cbrilhante\u201d? Nada disso, amiguinhos:&nbsp; a culpa \u00e9 do capitalismo!<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Capitalismo cognitivo<\/h2>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Trabalho por conta pr\u00f3pria desde 2018 na \u00e1rea cultural e de comunica\u00e7\u00e3o. E me tornei uma das piores chefes que tive, me cobrando produtividade, insights sensacionais di\u00e1rios e sem me conceder a margem saud\u00e1vel para erros de percurso. Em caso de falhas nas medidas (auto) impostas, sinto que sou uma fraude, um fracasso, uma perdedora.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao trocar o emprego com carteira assinada pelo empreendedorismo me tornei uma v\u00edtima do capitalismo de uma forma muito mais sutil. Ele est\u00e1 dentro de mim.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Me dei conta disso ao assistir a um <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/Czri3V4OnQZ\/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo<\/a> do professor de filosofia Renato Judz com uma cr\u00edtica ao capitalismo cognitivo, que nos introjeta o desejo de querermos ser produtivos 24 horas, ao n\u00e3o nos considerarmos dignos de descanso.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consumismo afetivo?<\/h2>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m do capitalismo cognitivo, outro motor fundamental do sistema econ\u00f4mico vigente \u00e9 o consumismo, que leva as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es a serem utilit\u00e1rias. Nesse sentido, considero bastante subversivo o cultivo de amizades. J\u00e1 que, por ess\u00eancia, relacionamentos fraternos genu\u00ednos v\u00e3o na contram\u00e3o do capitalismo, ao romper com a l\u00f3gica de associa\u00e7\u00e3o direta ao consumo. Casais, fam\u00edlias e namorados t\u00eam gastos em comum. Amigos, em geral, t\u00eam outra din\u00e2mica nas intera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, h\u00e1 alguns anos, o com\u00e9rcio criou o Dia do Amigo, uma forma de monetizar esse tipo de afetividade. Na \u00e9poca de final de ano em que estamos agora, \u00e9 quase obrigat\u00f3rio em empresas a troca de presentes com a tradi\u00e7\u00e3o do amigo secreto (ou oculto). Mais uma vez, \u00e9 o capitalismo se impondo nas rela\u00e7\u00f5es do dia a dia.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consumo do bem<\/h2>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para dar algum sentido ao consumismo compuls\u00f3rio natalino, sugiro presentear quem a gente ama com livros que possam provocar reflex\u00f5es. E, assim, tirar as pessoas do torpor provocado pelo excesso de trabalho, por exemplo.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dicas de leitura<\/h3>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como considero que os la\u00e7os fraternos podem ser revolucion\u00e1rios, escolhi a tem\u00e1tica amizade para as sugest\u00f5es de leitura abaixo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">G\u00eanero: infantojuvenil<\/h4>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Amigo-Para-Sempre-Marina-Colasanti\/dp\/8596010424\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cUm amigo para sempre\u201d<\/a> &#8211; Sinopse: Uma das obras-primas de Marina Colasanti, que estreou na literatura com uma linguagem po\u00e9tica e simb\u00f3lica, num momento em que predominava a cr\u00edtica social e pol\u00edtica por mio da par\u00f3dia dos contos de fada. Aqui, n\u00e3o se trata de um conto de encantamento, mas o encantamento \u2013 ou transcend\u00eancia \u2013 est\u00e1 presente pelo modo de narrar um epis\u00f3dio da vida do escritor angolano Luandino Vieira: na pris\u00e3o, em Cabo Verde, pacientemente, ele conquista a confian\u00e7a e amizade de um p\u00e1ssaro.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">G\u00eanero: poesia l\u00edrica<\/h4>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Platero-Eu-Juan-Ramon-Jimenez\/dp\/8578273133\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cPlatero e Eu\u201d<\/a> &#8211; Sinopse: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Magn\u00edfico poema em prosa, em que Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez (Pr\u00e9mio Nobel de Literatura, em 1956) descreve o ambiente e a vida da gente simples da sua pequena aldeia andaluza, e tamb\u00e9m a afei\u00e7\u00e3o que o une ao burrito Platero, que umas vezes lhe serve de confidente, e outras \u00e9 o verdadeiro sujeito da a\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">(Indica\u00e7\u00e3o de editor do site Literatura RS Vitor Diel)<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">G\u00eanero: romance\u00a0<\/h4>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/amiga-genial-Inf%C3%A2ncia-adolesc%C3%AAncia\/dp\/8525060607#:~:text=Hist%C3%B3ria%20da%20menina%20perdida,agora%2C%20atinge%20o%20seu%20%C3%A1pice.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cA Amiga Genial\u201d<\/a> &#8211; Sinopse: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">A S\u00e9rie Napolitana, formada por quatro romances, conta a hist\u00f3ria de duas amigas ao longo de suas vidas. O primeiro, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A amiga genial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, \u00e9 narrado por Elena Greco e cobre da inf\u00e2ncia aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhan\u00e7a pobre de N\u00e1poles, na d\u00e9cada de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a fam\u00edlia do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma crian\u00e7a magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das aten\u00e7\u00f5es. Essa menina, t\u00e3o diferente de Elena, exerce uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel sobre ela. As duas se unem, competem, brigam, fazem planos.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">(Indica\u00e7\u00e3o da jornalista Tatiane de Sousa)<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PS: A ideia desta publica\u00e7\u00e3o surgiu a partir da minha escassez de tempo para me dedicar a textos nesta coluna em 2023. O motivo, voc\u00eas j\u00e1 podem imaginar. Maldito capitalismo!&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A culpa \u00e9 do capitalismo a gente ficar exausto de tanto trabalhar e, ainda assim, faltar dinheiro para sobreviver. 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