{"id":9452,"date":"2023-10-24T15:29:34","date_gmt":"2023-10-24T18:29:34","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=9452"},"modified":"2025-03-04T22:01:04","modified_gmt":"2025-03-05T01:01:04","slug":"as-origens-de-conflitos-entre-israel-e-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=9452","title":{"rendered":"As origens dos conflitos entre Israel e Palestina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"p4\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/podcasts\/bendita-sois-vos-91-as-repercussoes-do-conflito-na-faixa-de-gaza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os violentos ataques do Hamas &#8211; cujo nome \u00e9 um acr\u00f4nimo de Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica em \u00e1rabe \u2013 a civis israelenses no in\u00edcio do m\u00eas surpreendeu as for\u00e7as de intelig\u00eancia de Israel<\/a>, mas n\u00e3o pode ser considerado s\u00fabito se olharmos para a hist\u00f3ria das disputas territoriais e pol\u00edticas na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens e relatos chocantes do que se sucedeu desde o primeiro ataque em 07 de outubro gearam revolta em todo o mundo diante da crueldade das a\u00e7\u00f5es consideradas terroristas. H\u00e1 quem argumente, no entanto, que, historicamente, a\u00e7\u00f5es semelhantes j\u00e1 aconteceram em outros per\u00edodos tamb\u00e9m contra a comunidade palestina da qual o grupo extremista faz parte, apesar de n\u00e3o representar a maioria dos palestinos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image alignnone\">\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69de9bbe63ca5&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" class=\"aligncenter wp-lightbox-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on-async--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-async-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9453\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_.jpg 1200w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN71007022__ME11715_-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Aumentar imagem\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem de um panfleto em que se v\u00ea a imagem de uma crian\u00e7a israelense sequestrada pelo Hamas sobre uma mesa do evento \u201cStanding with Israel\u201d, que em tradu\u00e7\u00e3o livre significa algo como \u201cEstamos com Israel\u201d, organizado pela Miss\u00e3o Permanente de Israel na ONU.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"p4\"><strong>Para compreender melhor a dimens\u00e3o do conflito , \u00e9 preciso voltar no tempo e retomar a origem e hist\u00f3rico desta disputa.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Um dos marcos mais importantes dessa disputa \u00e9 o in\u00edcio do movimento sionista, entre o final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, que defendia a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo judeu e um Estado nacional judaico no territ\u00f3rio onde existiu o antigo Reino de Israel. No local, por\u00e9m, j\u00e1 estavam os palestinos, \u00e0 \u00e9poca em poder turco-otomano. Sionistas come\u00e7aram, ent\u00e3o, a comprar algumas terras e assentar colonos judeus na regi\u00e3o. \u201cEssas primeiras levas de migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram um problema porque eram apenas cerca de 20 mil pessoas, mas o cen\u00e1rio ficou mais complicado a partir da Primeira Guerra Mundial, porque os brit\u00e2nicos estavam de um lado da guerra e o Imp\u00e9rio Otomano do outro. E para conseguir apoio na guerra, os brit\u00e2nicos fizeram acordos tanto com judeus quanto com \u00e1rabes, acordo esses que n\u00e3o conseguiram cumprir porque eram incompat\u00edveis: n\u00e3o era poss\u00edvel garantir um grande estado \u00e1rabe e assentar os judeus l\u00e1 na Palestina\u201d, explica Denise De Rocchi, doutora em Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora do N\u00facleo de Pesquisa sobre Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Mundo \u00c1rabe (Nuprima\/UFRGS).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Ou seja, a no\u00e7\u00e3o de um estado nacional n\u00e3o existia na regi\u00e3o at\u00e9 a Primeira Guerra, que ocorreu de 1914 a 1918, quando os otomanos foram, ent\u00e3o, derrotados por Fran\u00e7a e Reino Unido. Com a queda do Imp\u00e9rio, a regi\u00e3o do Levante foi dividida entre os vencedores,&nbsp; exceto pela Turquia, e os brit\u00e2nicos ficaram com a Palestina, um territ\u00f3rio multirreligioso que, naquele momento, era de maioria mu\u00e7ulmana, mas que tamb\u00e9m abrigava crist\u00e3os e judeus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\"><strong>Mas ao contr\u00e1rio do que os franceses fizeram na S\u00edria e L\u00edbano, o Reino Unido manteve o territ\u00f3rio com status indefinido.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Enquanto isso, a persegui\u00e7\u00e3o aos judeus na Europa aumentou imensamente durante a Segunda Guerra e, consequentemente, na tentativa de fugir do que viria a ser o Holocausto, aumentou tamb\u00e9m a migra\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o da Palestina. Neste contexto, os brit\u00e2nicos tentaram limitar a entrada e manter o controle do territ\u00f3rio, estabelecendo um n\u00famero de cotas de migra\u00e7\u00e3o, o que provocou mais diverg\u00eancias e inflou movimentos mais radicais que queriam a sa\u00edda do Reino Unido do comando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Mesmo com a limita\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, duas identidades passam a colidir na regi\u00e3o a partir do aumento da migra\u00e7\u00e3o: a dos \u00e1rabes, formada por mu\u00e7ulmanos, principalmente, crist\u00e3os e, posteriormente, pela emergente identidade palestina; e a dos judeus. E a disputa se intensificaria a partir da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Em 1947, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), presidida pelo Embaixador brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou o Plano de Partilha da Palestina, que consistia em dividir o territ\u00f3rio em dois Estados: um judeus e outro \u00e1rabe. Sendo que as \u00e1reas de Jerusal\u00e9m e Bel\u00e9m permaneceriam sob controle internacional. A proposta era destinar 53% do territ\u00f3rio aos 700 mil judeus que viviam na regi\u00e3o e 47% para 1,4 milh\u00e3o de \u00e1rabes. Foram 33 votos a favor do Plano, 13 votos contr\u00e1rios, 10 absten\u00e7\u00f5es e uma aus\u00eancia. A Ag\u00eancia Judaica aceitou a resolu\u00e7\u00e3o e os pa\u00edses da Liga \u00c1rabe se opuseram.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7701599_39e_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1179\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7701599_39e_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9454\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7701599_39e_.jpg 1200w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7701599_39e_-768x755.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7701599_39e_-300x295.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7701599_39e_-1024x1006.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><span style=\"color: #999999;\"><em>Vista parcial da \u00faltima reuni\u00e3o do Comit\u00ea Ad Hoc de 57 membros sobre a Quest\u00e3o Palestina que aprovou a resolu\u00e7\u00e3o sobre a divis\u00e3o da Palestina em Estados \u00c1rabes e Judeus, em 25 de novembro de 1947, Nova York. Foto: UN Photo<\/em><\/span><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"p4\">Em 14 de maio de 1948, foi declarada a Independ\u00eancia do Estado de Israel, j\u00e1 em meio a uma guerra civil entre \u00e1rabes e judeus. Egito, S\u00edria, Iraque, Jord\u00e2nia, L\u00edbano e Ar\u00e1bia Saudita atacaram o novo pa\u00eds em rejei\u00e7\u00e3o ao Plano de Partilha da ONU. Para os israelenses, \u00e9 a Guerra da Independ\u00eancia, para os palestinos, \u00e9 a <em>Nakba<\/em>, ou <em>A Cat\u00e1strofe<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Esse confronto terminou com um acordo de armist\u00edcio depois de for\u00e7as judaicas desbaratarem ex\u00e9rcitos \u00e1rabes e ampliarem o dom\u00ednio sobre o territ\u00f3rio. O restante do mapa foi ocupado pela Jord\u00e2nia, que anexou a Cisjord\u00e2nia, e pelo Egito, que anexou a Faixa de Gaza. Milhares de judeus foram expulsos de pa\u00edses \u00e1rabes e a ONU estima que mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas e tornaram-se refugiados.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7746797_d66_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"730\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7746797_d66_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9455\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7746797_d66_.jpg 1200w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7746797_d66_-768x467.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7746797_d66_-300x183.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7746797_d66_-1024x623.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><span style=\"color: #999999;\"><em>Cena em Khan Yunis, na \u00e1rea de Gaza, no sul da Palestina, mostrando uma fam\u00edlia refugiada em sua casa improvisada, entre 1948 e 1949. Foto: UN Photo<\/em><\/span><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"p4\">A Nakba \u00e9 lembrada pelos palestinos todos os anos no dia 15 de maio, quando eles saem \u00e0s ruas com chaves que representam as chaves das casas das quais foram expulsos h\u00e1 75 anos e para as quais nunca puderam retornar. Mas o final da guerra em 1949 n\u00e3o seria o fim dos conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Em 1967, usando como justificativa a movimenta\u00e7\u00e3o militar de for\u00e7as \u00e1rabes nas fronteiras,&nbsp; Israel d\u00e1 in\u00edcio a uma ofensiva contra S\u00edria, Egito, Jord\u00e2nia e Iraque e que ficaria conhecida com a Guerra dos Seis Dias. Israel derrotou os pa\u00edses \u00e1rabes e tornou-se uma pot\u00eancia na regi\u00e3o, ampliando ainda mais o territ\u00f3rio, que agora inclu\u00eda as Colinas de Gol\u00e3 (controle dividido com os s\u00edrios), a Cisjord\u00e2nia e a pen\u00ednsula do Sinai (controle dividido com os eg\u00edpcios). Al\u00e9m do controle de Jerusal\u00e9m. H\u00e1 outro resultado, no entanto, produzido por esse conflito: mais 350 mil refugiados palestinos, novamente expulsos e rejeitados por alguns pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">H\u00e1 d\u00e9cadas, \u00e1rabes acusam sionistas pela expuls\u00e3o dos palestinos em 1948 enquanto israelenses dizem que os pa\u00edses \u00e1rabes pediram a sa\u00edda dos palestinos. Ainda hoje, mais de 5,9 milh\u00f5es de refugiados palestinos vivem em acampamentos na Jord\u00e2nia, Gaza, Cisjord\u00e2nia, S\u00edria, L\u00edbano e Jerusal\u00e9m Oriental, segundo informa\u00e7\u00f5es da ONU.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"796\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9456\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_.jpg 1200w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_-768x509.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_-300x199.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/UN7711333_ec1_-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><span style=\"color: #999999;\">Alguns dos estimados 60 mil refugiados palestinos que viviam no campo de Baqa, 25 quil\u00f4metros a noroeste de Am\u00e3, capital da Jord\u00e2nia, em 1968. UN Photo\/FAO\/P. Pittet.<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading p4\"><b>.<\/b><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading p4\"><b>A PAZ \u00c9 POSS\u00cdVEL?<\/b><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">As perguntas principais neste momento em todas as partes do mundo s\u00e3o quando e de que forma pode-se chegar \u00e0 pacifica\u00e7\u00e3o dos conflitos naquela regi\u00e3o. Denise De Rocchi lembra, por\u00e9m, que, como aconteceu na luta contra o colonialismo em v\u00e1rios territ\u00f3rios, nem tudo foi feito de forma pac\u00edfica. \u201cEm muitos locais perceberam que s\u00f3 atrav\u00e9s da negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o estavam conseguindo seus objetivos. Ent\u00e3o, quando parte da popula\u00e7\u00e3o se sente alijada de seus direitos, n\u00e3o consegue ter participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de outra forma, acaba usando o caminho da for\u00e7a, da viol\u00eancia, para conseguir derrotar o outro grupo e atingir objetivos\u201d, explica a pesquisadora. Ela acrescenta que em muitos pa\u00edses foi necess\u00e1rio firmar um acordo que permitisse baixar as armas e incorporar o grupo beligerante nas conversas. Como na Irlanda com o Ex\u00e9rcito Republicano Irland\u00eas (IRA), na Espanha com o ETA (P\u00e1tria Basca e Liberdade) e na Am\u00e9rica do Sul com as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC), que permitiram que anistiados pudessem participar das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Organiza\u00e7\u00f5es ligadas a direitos humanos e assist\u00eancia humanit\u00e1ria temem que o governo de&nbsp; Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, possa insistir em uma esp\u00e9cie de ataque em massa na Faixa de Gaza em repres\u00e1lia ao Hamas e cause ainda mais mortes e a expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o fixa da regi\u00e3o. O entendimento desses mecanismos \u00e9 que o do poderio militar e a tentativa de aniquilar o inimigo s\u00f3 prolongue o ciclo de viol\u00eancia. \u201cTem tamb\u00e9m uma falta de mecanismos no cen\u00e1rio internacional para for\u00e7ar a implementa\u00e7\u00e3o dos acordos realizados. A gente j\u00e1 est\u00e1 vendo um aumento do preconceito e da viol\u00eancia f\u00edsica ou verbal contra pessoas identificadas como palestinas e israelenses. Isso n\u00e3o acontece s\u00f3 no local dos conflitos, mas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses onde essas pessoas est\u00e3o vivendo e est\u00e3o nessa di\u00e1spora. Temos todo um estere\u00f3tipo sobre \u00e1rabes, sobre a popula\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, sobre a comunidade judaica, coisas muito anteriores a esses conflitos e que agora tem uma fa\u00edsca que faz isso emergir nesse momento\u201d, acrescenta a pesquisadora Denise De Rocchi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"p4\">Mesmo antes desse conflito, o \u00cdndice de Opini\u00e3o \u00c1rabe de 2022, pesquisa realizada no segundo semestre do ano passado com mais de 33 mil pessoas em 14 pa\u00edses \u00e1rabes pelo Centro \u00c1rabe de Pesquisa e Estudos Pol\u00edticos em Doha, Catar, apontou que 76% das pessoas ouvidas entendem que a quest\u00e3o pol\u00edtica-territorial na regi\u00e3o \u00e9 um problema de todos os \u00e1rabes e n\u00e3o s\u00f3 dos palestinos. Dos que responderam ao questionamento, 84% disseram que se oporiam ao reconhecimento diplom\u00e1tico de Israel por parte de seus pa\u00edses. Mais do que isso, 38% consideram Israel uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a do mundo \u00e1rabe e 20% apontaram os Estados Unidos como um perigo. O motivo \u00e9 a vincula\u00e7\u00e3o do desrespeito a acordos territoriais firmados e que n\u00e3o s\u00e3o cumpridos.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Grafico-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"968\" height=\"635\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Grafico-2-e1698171784693.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9458\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Grafico-2-e1698171784693.jpg 968w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Grafico-2-e1698171784693-300x197.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Grafico-2-e1698171784693-768x504.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Grafico-2-e1698171784693-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 968px) 100vw, 968px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><span style=\"color: #999999;\">Fonte: Arabdcenter.org\/resource\/arab-opinion-index-2022-executive-summary\/<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"p4\">O estudo mostra que o conflito vai muito al\u00e9m de uma disputa e um risco para palestinos e israelenses. \u201cQuando o conflito \u00e9 analisado na perspectiva hist\u00f3rica, percebe-se que o colonialismo prejudicou a regi\u00e3o. Ao inv\u00e9s de criar um entendimento, fomentou a disputa entre as partes. E nota-se tamb\u00e9m a fragilidade dos palestinos, que encontraram menos apoio e respaldo na comunidade internacional. O apoio dos EUA \u00e0 pol\u00edtica israelense tem um grande impacto. Hoje se v\u00ea que o acordo de territ\u00f3rios n\u00e3o foi respeitado e sem que haja san\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am com que o governo israelense cumpra esses acordos e distensione a situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 medo da viol\u00eancia, mas isso tamb\u00e9m acabou sendo capitalizado pelo governo do Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, para ele seguir com essa pol\u00edtica que agora est\u00e1 mostrando que tem um esgotamento, que n\u00e3o resolve o problema. Ent\u00e3o fica Israel com preocupa\u00e7\u00e3o constante com seguran\u00e7a pelas rela\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis com todos da regi\u00e3o\u201d, analisa Denise De Rocchi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading p4\"><b>.<\/b><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading p4\"><b>O PAPEL DO BRASIL NA GUERRA<\/b><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading p4\">&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"p7\">O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais acolheu popula\u00e7\u00f5es \u00e1rabes no mundo e tamb\u00e9m tem uma comunidade judaica muito numerosa. Al\u00e9m disso, tem capacidade e qualidade diplom\u00e1tica reconhecida, sendo que sempre participou das discuss\u00f5es em \u00f3rg\u00e3os multilaterais e reivindicou participa\u00e7\u00e3o em negocia\u00e7\u00f5es. O pa\u00eds costuma ser aceito como mediador por n\u00e3o se envolver no conflito tomando parte por um dos lados, mas negociando a paz.&nbsp; \u201cEstamos numa segunda onda de guerra que sacode a opini\u00e3o p\u00fablica brasileira: teve a quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia e agora de novo. Algumas pessoas acham que a forma de solucionar o problema \u00e9 tomar um dos lados, mas a diplomacia tenta colocar as duas partes para conversar na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, sem se posicionar. \u00c0s vezes, vendo cenas t\u00e3o chocantes, as pessoas ficam revoltadas e querem uma resposta dura e imediata contra os respons\u00e1veis pelo que elas est\u00e3o vendo,\u201d, explica a professora. Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Imagem de capa:<\/em> <\/span><span style=\"color: #999999;\"><em>Cena em Khan Yunis, na \u00e1rea de Gaza, no sul da Palestina, mostrando uma fam\u00edlia refugiada em sua casa improvisada, entre 1948 e 1949. Foto: UN Photo<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os violentos ataques do Hamas &#8211; cujo nome \u00e9 um acr\u00f4nimo de Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica em \u00e1rabe \u2013 a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":9455,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[376],"tags":[2803,2612,2809,2805,2804,2808,2806,2807],"class_list":["post-9452","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens-especiais","tag-hamas","tag-holocausto","tag-liga-arabe","tag-missao-permanente-de-israel","tag-movimento-de-resistencia-islamica","tag-organizacao-das-nacoes-unidas","tag-primeira-guerra-mundial","tag-segunda-guerra-mundial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9452\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}