{"id":9278,"date":"2023-08-07T16:24:54","date_gmt":"2023-08-07T19:24:54","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=9278"},"modified":"2023-08-23T12:00:07","modified_gmt":"2023-08-23T15:00:07","slug":"a-liberdade-de-nao-colocar-vidas-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=9278","title":{"rendered":"A liberdade de n\u00e3o colocar vidas em risco"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><b>Brasil registra aumento em mortes no tr\u00e2nsito enquanto, no Congresso, tramitam propostas para flexibilizar a legisla\u00e7\u00e3o em nome da liberdade<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9289 aligncenter\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"956\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-scaled.jpg 2560w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-768x358.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-300x140.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-1024x478.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-1536x717.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Capa-2048x956.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dois anos, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) lan\u00e7ou, em Genebra, a D\u00e9cada de A\u00e7\u00e3o pela Seguran\u00e7a no Tr\u00e2nsito 2021-2030. O objetivo \u00e9 prevenir ao menos 50% das mortes e les\u00f5es no tr\u00e2nsito at\u00e9 2030. Mas faltou uma palavra no t\u00edtulo da a\u00e7\u00e3o proposta pela OMS. Esta \u00e9 a <em>Segunda<\/em> D\u00e9cada de A\u00e7\u00e3o pela Seguran\u00e7a no Tr\u00e2nsito.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>A <em>Primeira<\/em> foi lan\u00e7ada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 2010 com a meta ambiciosa de conscientizar os pa\u00edses a adotar medidas e reduzir tamb\u00e9m em 50% a mortalidade em rodovias. Naquela ocasi\u00e3o, entre 2011 e 2020. Qual n\u00e3o foi surpresa, portanto, quando o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) divulgou, em agosto deste ano, o <a href=\"https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/bitstream\/11058\/12250\/1\/NT-Balanco_Primeira_Publicacao_Preliminar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cBalan\u00e7o da 1\u00aa d\u00e9cada de a\u00e7\u00e3o pela seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito no Brasil e perspectivas para a 2\u00aa d\u00e9cada\u201d<\/a> com a informa\u00e7\u00e3o de que o Brasil registrou um aumento de 13,5% em mortes no tr\u00e2nsito entre 2010 e 2019. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes cresceu 2,3% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada anterior. Os acidentes com motocicleta puxam a fila do crescimento das mortes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A pesquisa foi realizada pelos pesquisadores Carlos Henrique Carvalho e Erivelton Pires Guedes a partir de dados do Datasus, plataforma do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade dispon\u00edvel para consulta. Al\u00e9m disso, eles utilizaram informa\u00e7\u00f5es de ocorr\u00eancias registradas pela Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF).<\/p>\n<hr \/>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Eu n\u00e3o dirijo. E isso se deve \u00e0s estat\u00edsticas. N\u00e3o que eu n\u00e3o dirija porque determinado estudo aponte para determinada tendencia, e sim porque minha m\u00e3e e um querido amigo se tornaram estat\u00edsticas. Foi em 1996, eu tinha oito anos e estava ansiosa pela chegada dela enquanto meu pai preparava o churrasco que ele sempre assava para esper\u00e1-los. Naquela \u00e9poca, minha m\u00e3e era prefeita da cidade em que n\u00f3s mor\u00e1vamos e ela e o ent\u00e3o vice-prefeito, o amigo querido, viajavam o tempo todo para a capital. Eles deveriam chegar a qualquer momento.<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00f3s t\u00ednhamos nos mudado para aquela grande h\u00e1 poucos meses. Foram anos de constru\u00e7\u00e3o para eu, finalmente, poder brincar no s\u00f3t\u00e3o. Eu adorava aquele lugar. O problema \u00e9 que eu ficava isolada. Ent\u00e3o, sempre que eu ouvia um barulho que poderia significar que eles estavam chegando, eu descia as escadas correndo e passava feito um furac\u00e3o pelo seu Jorge. Ele achava gra\u00e7a e ria.<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Mas foi ficando chato. E estranho. O tempo foi passando e nada de eles chegarem. At\u00e9 que o telefone tocou. Meu pai atendeu. O semblante mudou. Ele manteve a calma, mas encheu os olhos de l\u00e1grimas.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cMas tu t\u00e1 bem? E o Nelcides? Tenta ficar tranquila, eu falo com eles.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Eu n\u00e3o entendi o que havia acontecido. Ou n\u00e3o queria entender, porque eu era bem esperta. De todo modo, arranquei o telefone da m\u00e3o dele e perguntei se ela tava quase chegando. Um cl\u00e1ssico. Ela estava chorando, mas tentou se recompor para n\u00e3o me preocupar. Enquanto ela me explicava que eles haviam se envolvido em um acidente e que demorariam para chegar, meu pai me olhava com tristeza e carinho.<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Ele ent\u00e3o ligou para a fam\u00edlia do Nelcides. Nelcides Tecchio era o nome dele. Um tipo bonach\u00e3o que tinha o h\u00e1bito de ajudar muita gente, principalmente levando os doentes para consultas em outros munic\u00edpios. Ele mexia na canela enquanto falava e me ensinou a tomar sete goles de guaran\u00e1 quando estivesse com solu\u00e7o. Os quatro filhos eram doidos por ele. Mas, ao telefone, meu pai n\u00e3o falou no passado, como eu fa\u00e7o agora.<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Em pouco tempo, minha casa come\u00e7ou a encher de gente. Mas encher mesmo. Eu falo de, sei l\u00e1, cem pessoas. Talvez mais. Assim eu fui entendendo que era grave. Eu desconfiei quando vi um advers\u00e1rio pol\u00edtico da minha m\u00e3e chimarr\u00e3o na nossa cozinha. Mas s\u00f3 tive certeza quando ela chegou.<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Eu nunca vou esquecer daquela cena. Ela desceu do carro com muita dificuldade. A cabe\u00e7a estava enfaixada e o tailleur de linho azul escuro estava rasgado e ensanguentado. Ela bateu a cabe\u00e7a no parabrisa mesmo estando de cinto de seguran\u00e7a, isso fez com que o peito dela se abrisse e as costelas quebrassem. Ela tinha sangue, pontos e curativos por todos os lados. A meia-cal\u00e7a cor de gelo estava vermelha. O sapato da mesma cor da meia, antes e depois. Foi s\u00f3 naquele instante que ela verbalizou que o amigo querido havia falecido. Depois daquele dia, foram meses de um luto intenso e de uma recupera\u00e7\u00e3o lenta.<\/em><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>Isso aconteceu h\u00e1 27 anos e h\u00e1 27 anos eu carrego esse medo. Ir para a estrada \u00e9 um supl\u00edcio, algo incompreens\u00edvel para o meu avo, um caminhoneiro que amava a profiss\u00e3o. O problema \u00e9 que as estat\u00edsticas, as benditas estat\u00edsticas, refor\u00e7am a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que me acompanha h\u00e1 tanto tempo.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-9278-1\" width=\"640\" height=\"360\" loop=\"1\" autoplay=\"1\" preload=\"auto\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Videoleap-26209C95-350E-4D5B-AA3C-62D32C82D8C8.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Videoleap-26209C95-350E-4D5B-AA3C-62D32C82D8C8.mp4\">https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Videoleap-26209C95-350E-4D5B-AA3C-62D32C82D8C8.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Em dez anos, 392 mil pessoas perderam a vida em acidentes de tr\u00e2nsito no Brasil<\/h4>\n<h5 style=\"text-align: center;\">.<\/h5>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os autores optaram por deixar o ano de 2020 de fora em fun\u00e7\u00e3o da rotina at\u00edpica ocasionada pela pandemia da Covid-19, algo que poderia justamente falsear os n\u00fameros. O resultado foi que no Brasil, entre 2010 e 2019, 392 mil pessoas perderam a vida em acidentes de transporte terrestre, incluindo atropelamentos, ocorr\u00eancias com bicicletas, motocicletas, autom\u00f3veis, caminhonetes, caminh\u00f5es, \u00f4nibus, ve\u00edculos de servi\u00e7o e fora de estrada. As regi\u00f5es Nordeste e Norte concentraram o maior crescimento do n\u00famero de mortes, com cerca de 45% de aumento. Os acidentes com motocicleta puxam a fila do crescimento no n\u00famero de \u00f3bitos. As mortes de usu\u00e1rios de motocicleta cresceram cerca de 150% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo passado divulgou, em 2021, que houve uma <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-10\/em-uma-decada-brasil-reduziu-em-30-mortes-por-acidentes-de-transito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">redu\u00e7\u00e3o de 30% no n\u00famero de mortes<\/a> por acidentes, mas o pesquisador Carlos Henrique Carvalho, um dos respons\u00e1veis pelo estudo do Ipea, indica que a discrep\u00e2ncia acontece, provavelmente, em fun\u00e7\u00e3o de uma diverg\u00eancia de metodologia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cHouve uma queda na taxa de mortalidade por 100 mil habitantes a partir de 2014. Isso ocorreu muito em fun\u00e7\u00e3o do desaquecimento da economia. E em 2020 [ano que foi exclu\u00eddo do levantamento do Ipea justamente por ter sido at\u00edpico] come\u00e7ou a pandemia, que reduziu bastante o volume de tr\u00e1fego e circula\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias. E isso teve impacto. Mas na pesquisa, comparando as duas d\u00e9cadas, a gente viu que a mortalidade subiu. Na primeira d\u00e9cada houve 346 mil mortes e na segunda d\u00e9cada houve 392 mil. Ou seja, o n\u00famero de mortes continua subindo\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise das mortes por faixa et\u00e1ria mostra outros n\u00fameros que s\u00e3o assustadores. Por exemplo, pelo menos um ter\u00e7o \u00e9 formado por jovens de at\u00e9 15 anos. E os acidentes com motocicletas respondem por cerca de 44% dos \u00f3bitos na faixa de 15 a 29 anos. E como se n\u00e3o bastasse o horror da viol\u00eancia, essas ocorr\u00eancias ainda geram custos superiores a R$ 50 bilh\u00f5es por ano. Isso gera forte impacto na economia por conta dos gastos com a previd\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o de renda das fam\u00edlias atingidas, al\u00e9m dos eventuais altos custos hospitalares e danos patrimoniais.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.cnt.org.br\/painel-acidente\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Painel CNT de Consultas Din\u00e2micas dos Acidentes Rodovi\u00e1rios 2022<\/a> mostra, a partir de an\u00e1lises de ocorr\u00eancias em rodovias federais, que somente em 2022 houve 64.447 acidentes, sendo 52.948 com v\u00edtimas (mortos ou feridos). No per\u00edodo acumulado de 2007 a 2022, foram 1.982.059 acidentes, sendo 970.674 com v\u00edtimas. Quase um milh\u00e3o de pessoas ficaram feridas ou perderam a vida.\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Somente em 2022, 5.432 vidas foram perdidas nessas rodovias. Se olharmos para o per\u00edodo acumulado, estamos falando da morte de 110.215 pessoas.\u00a0A rodovia com o maior n\u00famero de acidentes no ano passado foi a BR-101, onde foi contabilizado um total de 9.079 acidentes com v\u00edtimas. Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de mortes, a BR-116 \u00e9 a rodovia em que mais se morre. Somente em 2022 foram 640 vidas perdidas nesta rodovia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/p>\n<h4 class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><strong>O custo anual estimado dos acidentes ocorridos em rodovias federais no Brasil chegou a R$ 12,92 bilh\u00f5es em 2022<\/strong><\/h4>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Dados da PRF, respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle do tr\u00e2nsito em rodovias federais em todo o pa\u00eds, mostram que a principal causa dos sinistros nessas rodovias \u00e9 a falta de aten\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o dos motoristas, motociclistas e pedestres (36% das ocorr\u00eancias). Essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 reafirmada pelo levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes (CNT), que indica que o que mais causa acidentes \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o tardia ou ineficiente do condutor, com um total de 8.065 acidentes (12,5% do total). E a principal causa de mortes \u00e9 transitar na contram\u00e3o &#8211; provavelmente em ultrapassagens -, com um total de 753 ocorr\u00eancias (13,7% do total).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Foi essa a causa do acidente que vitimou o Nelcides, l\u00e1 em 1996. O motorista fez uma ultrapassagem em local indevido e n\u00e3o havia acostamento. Os carros colidiram de frente e a vida de muitas pessoas mudou para sempre a partir daquele momento.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os estudos mostram consistentemente<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>que as quest\u00f5es comportamentais est\u00e3o associadas \u00e0 maioria dos acidentes. Al\u00e9m dos problemas j\u00e1 citados, ainda se observa desobedi\u00eancias das regras de tr\u00e2nsito (14,4%), excesso de velocidade (10%) e uso de \u00e1lcool (5%), lembrando que as \u00faltimas duas tamb\u00e9m s\u00e3o desobedi\u00eancias. O principal tipo de ocorr\u00eancia \u00e9 a colis\u00e3o frontal, respons\u00e1vel por quase 40% das mortes no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O levantamento do Ipea tamb\u00e9m aponta para essa dire\u00e7\u00e3o. &#8220;A pesquisa mostrou claramente que as quest\u00f5es comportamentais s\u00e3o as principais causas para a ocorr\u00eancia desses sinistros. Desobedi\u00eancia das regras, excesso de velocidade, uso de drogas e \u00e1lcool e falta de aten\u00e7\u00e3o responderam, nos dados da d\u00e9cada analisada, por dois ter\u00e7os das causas de acidente&#8221;, explica Carlos Henrique Carvalho.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os recursos para a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de redu\u00e7\u00e3o da mortalidade no tr\u00e2nsito, em geral, tiveram contingenciamentos para forma\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit prim\u00e1rio, acentuados a partir da crise econ\u00f4mica iniciada em 2014. O Fundo Nacional de Seguran\u00e7a e Educa\u00e7\u00e3o no Tr\u00e2nsito (Funset), oriundo de 5% da arrecada\u00e7\u00e3o das multas de tr\u00e2nsito e destinado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de medidas de seguran\u00e7a e campanhas educativas, tiveram corte de 75% em rela\u00e7\u00e3o ao total\u00a0arrecadado no per\u00edodo. Al\u00e9m disso, os recursos do seguro DPVAT (Danos Pessoais por Ve\u00edculos Automotores Terrestres), dos quais 45% s\u00e3o destinados ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para compensa\u00e7\u00e3o das ocorr\u00eancias com atendimento hospitalar das v\u00edtimas de tr\u00e2nsito e 5% para financiar medidas do Sistema Nacional de Tr\u00e2nsito (SNT), foram fortemente reduzidos e depois zerados. J\u00e1 os recursos da Contribui\u00e7\u00e3o de Interven\u00e7\u00e3o no Dom\u00ednio Econ\u00f4mico (CIDE) sobre combust\u00edveis, destinados aos investimentos em infraestrutura vi\u00e1ria, foram reduzidos e posteriormente zerados para manter o pre\u00e7o dos combust\u00edveis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9282\" aria-describedby=\"caption-attachment-9282\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ferrez-central-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9282\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/ferrez-central-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1631\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9282\" class=\"wp-caption-text\"><em><span style=\"color: #ff6600;\">Marc Ferrez\/ Cole\u00e7\u00e3o Gilberto Ferrez\/ Acervo Instituto Moreira Salles. Avenida Central na altura da Rua do Ouvidor, com rua Miguel Couto, Rio de Janeiro, c. 1906. Negativo de Vidro.<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">De uma maneira perversa, acostumamo-nos a esse tipo de informa\u00e7\u00e3o. A nossa rotina n\u00e3o \u00e9 alterada pelo fato de que a gente sabe que o transito no Brasil mata mais que guerras ou mesmo que morre mais gente nas estradas do que por arma de fogo. Ali\u00e1s, sequer conseguimos dissociar os carros da nossa rotina. Mas nem sempre foi assim. No final do s\u00e9culo XIX, as pessoas andavam a p\u00e9. E para todos os cantos. Os pedestres compartilhavam as vias com bondes, carro\u00e7as e bicicletas at\u00e9 que, em 1891, o primeiro carro chega ao Brasil pelas m\u00e3os do pai da avia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma piada, tampouco confus\u00e3o. Santos Dumont trouxe de Paris um Peugeot Type 3 e saiu a rodar pleno Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em uma velocidade bastante diferente do que o s\u00e9culo XXI imp\u00f5e, o primeiro acidente de carro s\u00f3 aconteceu seis anos depois e no Rio de Janeiro. De novo, com figuras c\u00e9lebres envolvidas. O abolicionista Jos\u00e9 do Patrocinio, dono do jornal A Cidade do Rio, tamb\u00e9m retornou de Paris com uma novidade: o Serpollet.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Trago de Paris um carro a vapor\u2026 O Ve\u00edculo do Futuro, meus amigos. Um prod\u00edgio! L\u00e9guas por hora. N\u00e3o h\u00e1 aclives para ele: com um h\u00e1bil maquinista vai pelo Corcovado acima, garanto a voc\u00eas, pelo Corcovado acima, garanto a voc\u00eas, pelo Corcovado acima como um cabrito. Em meia hora faremos o trajeto do Largo do S\u00e3o Francisco ao Alto da Tijuca. Imaginem! \u00c9 a morte de tudo, dos t\u00edlburis, dos carros, do bonde\u2026 at\u00e9 da estrada de ferro. Ficamos senhores da via\u00e7\u00e3o. \u00c9 a fortuna.&#8221; Anunciou Patroc\u00ednio a seus amigos.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na cr\u00f4nica \u201cA era do autom\u00f3vel\u201d, o cronista Jo\u00e3o do Rio diz que \u201co primeiro (carro), de Patroc\u00ednio, foi motivo de escandalosa aten\u00e7\u00e3o. Gente de guarda-chuva debaixo do bra\u00e7o parava estarrecida, como se tivesse visto um bicho de Marte ou um aparelho de morte imediata.\u201d Bem, n\u00e3o estavam t\u00e3o distantes assim da realidade e o poeta Olavo Bilac parecia disposto a provar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Bilac era amigo de Patroc\u00ednio e resolveu que queria dirigir o Serpollet. O poeta assumiu a dire\u00e7\u00e3o e o jornalista, corajoso, sentou no lado do carona. Os dois sa\u00edram de Botafogo ruma \u00e0 Estrada Velha da Tijuca, no Alto da Boa Vista. O carro chegou a impressionantes 4 km\/h antes da<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>primeira curva e, rapidamente, Olavo Bilac perdeu o controle e bateu em uma \u00e1rvore. Eles n\u00e3o se feriram, mas foi o fim do Serpollet. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que n\u00e3o havia escolas de dire\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis, exig\u00eancia de uma carteira de habilita\u00e7\u00e3o ou demanda para testes psicot\u00e9cnicos e motores. Da mesma forma que n\u00e3o \u00e9 preciso esclarecer que Bilac nunca havia tido contato com um autom\u00f3vel na vida. Ou seja, a cr\u00f4nica de uma morte anunciada.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Mas se o acidente no Rio de Janeiro servir como met\u00e1fora, o autom\u00f3vel adentrou o mundo dos pedestres assustados sem pedir licen\u00e7a e mostrando a que veio. N\u00e3o demorou muito para que acidentes, muita polui\u00e7\u00e3o e imensos congestionamentos passassem a fazer parte da rotina das grandes cidades. Um estudo do historiador Peter D. Norton indica que, nos Estados Unidos, o n\u00famero de pessoas mortas anualmente no transito passou de cerca de 250 em 1905 para algo perto de 15 mil em 1922. O resultado da pesquisa de Norton est\u00e1 no livro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Fighting-Traffic-American-Inside-Technology\/dp\/0262516128\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Fighting Traffic: The Dawn of the Motor Age in the American City<\/i><\/a>, publicado pela MIT Press e sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas. Ali, ele mostra o processo turbulento que levou o autom\u00f3vel a se tornar n\u00e3o apenas parte indissoci\u00e1vel da vida dos norte-americanos como o elemento de preval\u00eancia nas ruas a despeito dos pedestres.<\/p>\n<h6 class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff6600;\">OU\u00c7A . A imposi\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel produziu um custo muito grande na vida urbana, por Roberto Andr\u00e9s, Urbanista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/1586241203&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true&amp;visual=true\" width=\"100%\" height=\"300\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc; line-break: anywhere; word-break: normal; overflow: hidden; white-space: nowrap; text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate, 'Lucida Grande', 'Lucida Sans Unicode', 'Lucida Sans', Garuda, Verdana, Tahoma, sans-serif; font-weight: 100; text-align: center;\"><a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Ge\u00f3rgia Pelissaro Santos\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/georgia-pelissaro-santos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ge\u00f3rgia Pelissaro Santos<\/a> \u00b7 <a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"A imposi\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/georgia-pelissaro-santos\/a-imposicao-do-automovel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A imposi\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel<\/a><\/div>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Era um futuro que ningu\u00e9m poderia imaginar no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando o carro ainda era um item de luxo &#8211; inclusive na Europa. Afinal, o privil\u00e9gio de dirigir estava restrito aos homens ricos. Jovens aristocratas, banqueiros e alguns industriais. No Brasil n\u00e3o era diferente, n\u00e3o \u00e0 toa as duas ocorr\u00eancias listadas acima envolvem nomes c\u00e9lebres da nossa hist\u00f3ria. Pois foi nos Estados Unidos, gra\u00e7as aos processos de automa\u00e7\u00e3o industrial da Ford, que o carro se tornou um produto de massas. E a r\u00e1pida difus\u00e3o foi acompanhado da escalada de acidentes e mortes. Crian\u00e7as de quatro a oito anos representavam o principal grupo de v\u00edtimas em muitas cidades. Na maioria, morriam atropeladas enquanto brincavam nas ruas, caminhavam pelos bairros ou de e para a escola.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O problema n\u00e3o era ignorado. \u00c0 \u00e9poca, houve muita como\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o contra os motoristas, que eram poucos, e contra o pr\u00f3prio carro. N\u00e3o demorou a surgir grupos e eventos destinados \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a no transito que organizavam passeatas e instalavam monumentos p\u00fablicos em mem\u00f3ria das v\u00edtimas. Esses comit\u00eas ainda foram respons\u00e1veis por campanhas publicit\u00e1rias bastante agressivas, inclusive associando o carro ao diabo. Al\u00e9m disso, com o crescimento das frotas e dos acidentes, tamb\u00e9m cresciam os congestionamentos. Ou seja, no meio da d\u00e9cada de 1920, a situa\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel nos Estados Unidos n\u00e3o era das melhores. Estavam na ascendente o tom e a for\u00e7a das campanhas de seguran\u00e7a, a indigna\u00e7\u00e3o com acidentes e mortes, as buscas por redu\u00e7\u00e3o de velocidade e restri\u00e7\u00e3o \u00e0 circula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas adensadas. Assim, entre 1923 e 1924 a venda de autom\u00f3veis caiu pela primeira vez no pa\u00eds e despertou a aten\u00e7\u00e3o do setor automotivo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9284\" aria-describedby=\"caption-attachment-9284\" style=\"width: 939px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/NYT.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9284\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/NYT.jpg\" alt=\"\" width=\"939\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/NYT.jpg 939w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/NYT-768x393.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/NYT-300x153.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 939px) 100vw, 939px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9284\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #ff6600;\"><em>No The New York Times, reportagens sobre o levante da na\u00e7\u00e3o contra as mortes causadas por autom\u00f3veis<\/em><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Rapidamente, a partir de uma atua\u00e7\u00e3o atua\u00e7\u00e3o organizada de associa\u00e7\u00f5es industriais e c\u00e2maras de com\u00e9rcio, surge o\u00a0<i>lobby\u00a0<\/i>automobil\u00edstico, que, com relevante investimento financeiro, se estruturou para persuadir governos, m\u00eddia e Judici\u00e1rio. Havia dois problemas a combater, um referente \u00e0 justi\u00e7a e outro que dizia respeito \u00e0 efici\u00eancia. Os comit\u00eas de seguran\u00e7a apontavam o fato de que os poucos motoristas, a minoria, tirava o direito da maioria, os pedestres, de frequentar as ruas. J\u00e1 os engenheiros de tr\u00e1fego indicavam que os autom\u00f3veis eram pouco eficientes em regi\u00f5es muito populosas. A estrat\u00e9gia foi, ent\u00e3o, virar o jogo, inverter a narrativa &#8211; onde j\u00e1 vimos isso antes?<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Assim, o lobby automobil\u00edstico come\u00e7ou a discutir os problemas nos termos da liberdade. Pol\u00edtica e de mercado.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>E deu certo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Junto ao discurso existia a vantagem de fomentar uma imensa cadeia econ\u00f4mica que envolvia as empreiteiras, os propriet\u00e1rios de terra, o mercado imobili\u00e1rio e, claro, a ind\u00fastria automobil\u00edstica. Esse arranjo esteve no centro do <em>New Deal<\/em> na d\u00e9cada de 1930 e, depois da Segunda Guerra Mundial, o modelo foi exportado para o mundo. No Brasil, essa ideia foi incorporada ao ousado Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, que transferiu o investimento em ferrovias para rodovias. E assim, o Brasil se transformou em um pa\u00eds que prioriza o carro.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No Brasil, at\u00e9 o final dos anos 1990, a principal v\u00edtima do tr\u00e2nsito era o pedestre. O C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro (lei 9.503\/1997) associado a campanhas educativas fez com que as mortes em acidentes de tr\u00e2nsito ca\u00edssem por alguns anos &#8211; as de pedestres ca\u00edram quase pela metade entre 1997 e 2000, mas isso n\u00e3o se repetiu em outras frentes, indicando que seria preciso a adotar medidas<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>estruturais. Especialmente diante do crescimento da frota, que aumentou a partir do s\u00e9culo XXI com as pol\u00edticas de incentivo \u00e0 ind\u00fastria automobil\u00edstica do segundo governo Lula.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>As consequ\u00eancias s\u00e3o os n\u00fameros que abrem essa reportagem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A legisla\u00e7\u00e3o evoluiu bastante desde a cria\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo e algumas a\u00e7\u00f5es foram bastante eficientes. Uma delas foi a implementa\u00e7\u00e3o da lei seca (lei 11.705\/2008), que entrou em vigor h\u00e1 15 anos. Dados do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (CISA) mostrou que as mortes em acidentes de tr\u00e2nsito causados pela\u00a0mistura de \u00e1lcool e dire\u00e7\u00e3o\u00a0ca\u00edram 32% no Brasil entre 2010 e 2021. Hoje se sabe, portanto, que a lei contribuiu para a redu\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancias e de mortes, mas foi muito criticada quando proposta. Quem era contra, usava um argumento que j\u00e1 vimos aqui: o da liberdade. \u00c9 um argumento recorrente, afinal de contas, e que agora volta a ser usado.<\/p>\n<h2 class=\"p2\" style=\"text-align: center;\">.<\/h2>\n<h2 class=\"p2\" style=\"text-align: center;\">LIBERDADE?<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 24 de julho, o deputado federal Kim Kataguiri (UNI\u00c3O-SP), membro do Movimento Brasil Livre (MBL) prop\u00f4s uma nova altera\u00e7\u00e3o no C\u00f3digo de Transito. O <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2302220&amp;filename=PL%203616\/2023\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PL 3616\/2023<\/a> disp\u00f5e sobre a realiza\u00e7\u00e3o dos exames exigidos no processo de habilita\u00e7\u00e3o. Kataguiri entende que exames de aptid\u00e3o f\u00edsica e mental e de vista devem ser realizados em regime de livre concorr\u00eancia e que os cidad\u00e3os devem ter autonomia para escolher as cl\u00ednicas. Que n\u00e3o devem se submeter apenas aos estabelecimentos credenciadas pelo Detran como determina a legisla\u00e7\u00e3o atual.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Ali\u00e1s, essa n\u00e3o \u00e9 a primeira proposta de Kataguiri para o C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito. Em 2020,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ele prop\u00f4s acabar com as exig\u00eancias de autoescolas no processo de emiss\u00e3o da CNH e abrir a porta para instrutores independentes. Nos dois casos, o objetivo \u00e9 parecido. Segundo o texto mais recente, a ideia \u00e9 \u201cassegurar a liberdade de escolha do cidad\u00e3o que pretende tirar ou renovar a carteira de motorista (CNH)\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O PL ainda explica que o ato de pr\u00e9-determinar as cl\u00ednicas configuraria em reserva de mercado, algo que o \u201cSTF, guardi\u00e3o da nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal, repudia\u201d. Mas o argumento tresloucado da liberdade n\u00e3o para por a\u00ed. Na justificativa do projeto, ainda h\u00e1 men\u00e7\u00e3o a Ludwig Von Mises e ao que o autor denominou de &#8220;socialismo das guildas&#8221;.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cEm um sistema de coopera\u00e7\u00e3o social com base na divis\u00e3o do trabalho, nada h\u00e1 que se identifique com o interesse exclusivo dos membros de algum estabelecimento, companhia ou setor, e que n\u00e3o seja tamb\u00e9m de interesse dos demais membros da coletividade (&#8230;)N\u00e3o existem quest\u00f5es internas de qualquer guilda cujas solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o afetem a toda a na\u00e7\u00e3o. Um setor da atividade econ\u00f4mica n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o apenas daqueles que nele trabalham; est\u00e1 a servi\u00e7o de todos&#8230; O esquema do socialismo de guildas e do corporativismo n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o o fato de que o \u00fanico prop\u00f3sito da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o consumo. H\u00e1 uma invers\u00e3o total de valores; a produ\u00e7\u00e3o torna-se um fim em si mesmo (&#8230;) a reserva de mercado \u00e9 extremamente eficiente em restringir a oferta de servi\u00e7os e, com isso, encarecer os pre\u00e7os ao mesmo tempo em que derruba a qualidade, pois a concorr\u00eancia \u00e9 extremamente restrita.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ainda se pode ler o seguinte: \u201cSe a finalidade do exame de vista \u00e9 auferir se a pessoa tem condi\u00e7\u00f5es de enxergar enquanto dirige, pouco importa se o exame \u00e9 realizado na cl\u00ednica A, B ou C.\u201d O nobre deputado esquece, por\u00e9m, que a legisla\u00e7\u00e3o vigente visa garantir a imparcialidade e impessoalidade dos exames que atestam a aptid\u00e3o dos brasileiros para conduzir seus ve\u00edculos, reduzindo a possibilidade de burla.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Tanto \u00e9 assim que a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina do Tr\u00e1fego (Abramet) <a href=\"https:\/\/abramet.com.br\/noticias\/nota-de-esclarecimento-sobre-pl-3616-2023\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicou uma nota<\/a> em que externa preocupa\u00e7\u00e3o com a apresenta\u00e7\u00e3o do projeto. \u201cA vincula\u00e7\u00e3o das cl\u00ednicas aos Departamentos de Tr\u00e2nsito Estaduais, regra atualmente em vigor, proporciona um controle mais rigoroso da qualidade dos exames e dos profissionais que os realizam, o que \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a seguran\u00e7a e a sa\u00fade no tr\u00e2nsito\u201d, explica. Essa pr\u00e1tica assegura a isen\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos peritos envolvidos no processo e evita conflitos de interesse. Segundo a Abramet, a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o do controle sobre os exames de aptid\u00e3o f\u00edsica e mental pode resultar em um maior n\u00famero de condutores e motoristas n\u00e3o aptos nas vias. Isso em um pa\u00eds cuja principal causa de acidentes em rodovias \u00e9 a falta de aten\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o. Um pa\u00eds em que o comportamento dos envolvidos \u00e9 determinante para a seguran\u00e7a no transito.<\/p>\n<h6 class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff6600;\">OU\u00c7A . Por que os exames &#8211; f\u00edsico e mental &#8211; s\u00e3o t\u00e3o importantes? Por Ricardo Hegele, m\u00e9dico do tr\u00e1fego e vice-presidente da Abramet<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/1586244167&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true&amp;visual=true\" width=\"100%\" height=\"300\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc; line-break: anywhere; word-break: normal; overflow: hidden; white-space: nowrap; text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate, 'Lucida Grande', 'Lucida Sans Unicode', 'Lucida Sans', Garuda, Verdana, Tahoma, sans-serif; font-weight: 100; text-align: center;\"><a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Ge\u00f3rgia Pelissaro Santos\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/georgia-pelissaro-santos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ge\u00f3rgia Pelissaro Santos<\/a> \u00b7 <a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Por que os exames - f\u00edsico e mental - s\u00e3o t\u00e3o importantes?\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/georgia-pelissaro-santos\/audio-2023-08-07-15-34-57\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Por que os exames &#8211; f\u00edsico e mental &#8211; s\u00e3o t\u00e3o importantes?<\/a><\/div>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a legisla\u00e7\u00e3o atual garante acessibilidade universal. O vice-presidente<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>da Abramet, Ricardo Hegele, explica que as depend\u00eancias tem que ter acessibilidade, tamanho apropriado e equipamento espec\u00edficos. \u201cAl\u00e9m do atendimento \u00e0s normas t\u00e9cnicas, tem que ter acessibilidade aos sistemas informatizados de comunica\u00e7\u00e3o com o Detran e a guarda dos prontu\u00e1rios tem tamb\u00e9m essa necessidade especial. Existem resolu\u00e7\u00f5es e outras normativas que, frente a necessidade desse exame criterioso, considerando que esse exame \u00e9 um ato pericial, ele deve ser realizado em local de atividade m\u00e9dica exclusiva pra esse tipo de procedimento. E devem ser distribu\u00eddos de forma imparcial e equitativa. Esses locais ainda tem fiscaliza\u00e7\u00e3o e vistorias\u201d, explica.<\/p>\n<h6 class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff6600;\">OU\u00c7A . A que riscos estamos expostos quando o condutor pode escolher quem vai fazer o exame? Por Ricardo Hegele, m\u00e9dico do tr\u00e1fego e vice-presidente da Abramet<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/1586245415&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true&amp;visual=true\" width=\"100%\" height=\"300\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc; line-break: anywhere; word-break: normal; overflow: hidden; white-space: nowrap; text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate, 'Lucida Grande', 'Lucida Sans Unicode', 'Lucida Sans', Garuda, Verdana, Tahoma, sans-serif; font-weight: 100; text-align: center;\"><a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Ge\u00f3rgia Pelissaro Santos\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/georgia-pelissaro-santos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ge\u00f3rgia Pelissaro Santos<\/a> \u00b7 <a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"A que riscos estamos expostos?\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/georgia-pelissaro-santos\/audio-2023-08-07-15-34-57-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A que riscos estamos expostos?<\/a><\/div>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Isso significa que propostas como o PL 3616\/2023 trazem risco \u00e0 seguran\u00e7a. Hegele lembra que projetos similares j\u00e1 foram propostos antes, inclusive pelo \u00faltimo governo, e foram rejeitados pelo Congresso.<\/p>\n<h2 class=\"p2\" style=\"text-align: center;\">.<\/h2>\n<h2 class=\"p2\" style=\"text-align: center;\">CONDUTORES DESCOMPENSADOS<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com o <a href=\"https:\/\/cnt.org.br\/documento\/09b4928e-caac-464f-9eae-66de73deca21\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guia CNT de seguran\u00e7a nas rodovias<\/a>, as ocorr\u00eancias de acidentes nas rodovias do pa\u00eds s\u00e3o muito elevadas e h\u00e1 muitos motivos para isso. Destaca-se as condi\u00e7\u00f5es do ve\u00edculo, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e da rodovia e o comportamento do motorista. Em muitos casos, os sinistros n\u00e3o tem apenas um motivo. O Guia CNT exemplifica que \u201cquando h\u00e1 falta de aten\u00e7\u00e3o por parte do condutor (comportamento do motorista) ao passar por um ponto cr\u00edtico, como um buraco grande (condi\u00e7\u00e3o da rodovia), pode-se perder o controle do ve\u00edculo e ocorrer uma colis\u00e3o ou sa\u00edda de pista.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na perspectiva do \u201cVis\u00e3o Zero\u201d, que \u00e9 uma abordagem que entende que nenhuma morte no transito \u00e9 aceit\u00e1vel, eventuais erros do condutor deveriam ter as suas consequ\u00eancias mitigadas por elementos da pr\u00f3pria infraestrutura que alertam o motorista caso ele saia inadvertidamente da faixa, mant\u00eam o ve\u00edculo na via e absorvem os impactos. Infelizmente, o Brasil sobre com a falta de investimento na infra vi\u00e1ria. Isso significa que se apenas 12% das vias s\u00e3o asfaltadas no pa\u00eds, segundo estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes, \u00e9 imposs\u00edvel pensar em conten\u00e7\u00f5es que \u201cperdoariam\u201d as falhas dos motoristas, evitando a ocorr\u00eancia de acidentes ou minorando os seus efeitos. Ou seja,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>a aptid\u00e3o f\u00edsica e mental dos motoristas \u00e9 ainda mais importante no Brasil, onde a rea\u00e7\u00e3o tardia ou ineficiente do condutor \u00e9 a principal causa de acidentes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Quem melhor traduziu as caracter\u00edsticas particulares da din\u00e2mica social do tr\u00e2nsito no Brasil foi o antrop\u00f3logo Roberto DaMatta, no livro <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/F%C3%A9-Deus-T%C3%A1bua-Roberto-DaMatta\/dp\/8532526004\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>F\u00e9 em Deus, P\u00e9 na T\u00e1bua<\/i><\/a>, publicado em 2010<i>.<\/i> A partir de uma s\u00e9rie de entrevistas com motoristas, motociclistas e pedestres, ele mostrou que muitos motoristas apontavam como solu\u00e7\u00e3o para o tr\u00e2nsito mais fiscaliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00f5es para infratores, ao mesmo tempo que n\u00e3o consideravam deixar de realizar suas paradas em fila dupla, ultrapassagens em trechos proibidos, furadas de sinal e excessos de velocidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 duvida alguma, como tem sido exaustivamente assinalado por especialistas nesta \u00e1rea, que o comportamento do motorista \u00e9 o grande respons\u00e1vel &#8211; ao lado da postura dos pedestres, das vias por onde trafega e do ve\u00edculo que dirige &#8211; pela maioria dos acidentes de tr\u00e2nsito no Brasil.&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuem tem f\u00e9 em Deus \u00e9 aquele mesmo sujeito que, sem d\u00f3 ou piedade, enfia o p\u00e9 na t\u00e1bua\u201d, disse DaMatta.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Mais de 25 anos depois, meu trauma me acompanha, \u00e9 verdade. Mas n\u00e3o me impede de viajar de carro. Na \u00faltima vez em que me aventurei a passar muito tempo na estrada &#8211; de carona, \u00e9 claro -, embarquei em uma empreitada pelo interior do Rio Grande do Sul. E enquanto viajava de Pelotas a Bag\u00e9, a minha lista de viagem do Spotify me pregou uma pe\u00e7a. Eu ouvi a melodia conhecida e um apito de trem. Maria Fuma\u00e7a, de Kleiton e Kledir. Eu adoro essa m\u00fasica. E, confesso, preferia estar a bordo de um trem de passageiros. Mas esse n\u00e3o \u00e9 um ttado contra o autom\u00f3vel, afinal, fiz meus 2 mil quil\u00f4metros planejados dentro de um carro muito querido. \u00c9 apenas uma alerta e um lembrete de que as pessoas morrem na estrada.<\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-9278-2\" width=\"640\" height=\"360\" loop=\"1\" autoplay=\"1\" preload=\"auto\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Videoleap-3FC1F322-851B-40CF-A86F-16EB1F1A416B.mp4?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Videoleap-3FC1F322-851B-40CF-A86F-16EB1F1A416B.mp4\">https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Videoleap-3FC1F322-851B-40CF-A86F-16EB1F1A416B.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo dados do Guia CNT de seguran\u00e7a nas rodovias, a maioria dos acidentes ocorre nos finais de semana e em feriados, \u00e0 noite e com mau tempo, quando h\u00e1 piores condi\u00e7\u00f5es de visibilidade. A maioria dos acidentes \u00e9 fruto de colis\u00f5es e sa\u00eddas de pista e a maioria das mortes resulta de colis\u00f5es e atropelamentos. Ou seja, todo mundo que est\u00e1 na via est\u00e1 vulner\u00e1vel, n\u00e3o apenas os ocupantes dos carros. Al\u00e9m disso, 66,0% da extens\u00e3o das rodovias apresentam algum tipo de problema; 55,5% da extens\u00e3o apresentam problemas no pavimento; 60,7% da extens\u00e3o t\u00eam problemas de sinaliza\u00e7\u00e3o; 63,9% da extens\u00e3o t\u00eam defici\u00eancia na geometria da via.Por isso, todo cuidado \u00e9 pouco.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Antes de iniciar a viagem, o condutor deve se certificar de que a habilita\u00e7\u00e3o e os documentos do ve\u00edculo est\u00e3o v\u00e1lidos. Motoristas de ve\u00edculos pesados devem, ainda, realizar<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>periodicamente exames toxicol\u00f3gicos. Para evitar a ocorr\u00eancia de avarias durante a viagem, o condutor deve fazer as manuten\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas do ve\u00edculo, assim como verificar o funcionamento de far\u00f3is, freios e limpadores de para-brisas, as trocas e a calibragem dos pneus e os n\u00edveis de \u00f3leo lubrificante e \u00e1gua. Tamb\u00e9m \u00e9 importante que o motorista conhe\u00e7a previamente as condi\u00e7\u00f5es das vias por onde vai transitar. Desse modo, deve planejar a sua viagem, analisando, dentre as rotas poss\u00edveis, aquela que apresenta as melhores condi\u00e7\u00f5es \u2013 ou, caso haja apenas um itiner\u00e1rio, identificando as situa\u00e7\u00f5es de perigo que pode encontrar nele.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Pra mim, especificamente, viajar de carro \u00e9 aterrorizante, eu n\u00e3o vou negar. Mas n\u00e3o precisa ser assim se todos seguirmos as orienta\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e formos respons\u00e1veis e atentos ao que dita a legisla\u00e7\u00e3o. Eu cumpro meu papel de carona afivelando o cinto de seguran\u00e7a e sendo absolutamente vigilante &#8211; jamais chata, claro que n\u00e3o &#8211; com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de medidas preventivas. Ao meu lado, ningu\u00e9m ultrapassa em local perigoso, ningu\u00e9m dirige alcoolizado, ningu\u00e9m burla a legisla\u00e7\u00e3o do transito deliberadamente. Se o faz inadvertidamente, paga a multa correspondente sem discurso.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>E fazemos isso com toda a liberdade que temos de n\u00e3o colocar ningu\u00e9m em risco.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":9289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[376],"tags":[],"class_list":["post-9278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens-especiais"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9278\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}