{"id":8762,"date":"2022-09-01T17:16:06","date_gmt":"2022-09-01T20:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8762"},"modified":"2022-09-01T20:09:09","modified_gmt":"2022-09-01T23:09:09","slug":"misoginia-nas-eleicoes-e-na-vida-em-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8762","title":{"rendered":"Misoginia nas elei\u00e7\u00f5es e na vida em sociedade"},"content":{"rendered":"\n<h2>Misoginia<\/h2>\n<ol>\n<li><strong>\u00f3dio ou avers\u00e3o \u00e0s mulheres<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<h6><em><span style=\"font-weight: 400\">Fonte: Oxford Languages<\/span><\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A campanha eleitoral de 2022 \u00e9 s\u00f3 mais um campo social no qual podemos observar a misoginia e o machismo cotidiano no Brasil. At\u00e9 o momento, um epis\u00f3dio virou um s\u00edmbolo mis\u00f3gino: os ataques de Jair Bolsonaro \u00e0 jornalista Vera Magalh\u00e3es durante o debate presidencial do dia 28 de agosto. Ofendido pelo coment\u00e1rio <\/span><span style=\"font-weight: 400\">da jornalista sobre a conduta de desinforma\u00e7\u00e3o e atraso na vacina\u00e7\u00e3o da covid-19, Bolsonaro reagiu da seguinte forma:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Vera, eu acho que eu n\u00e3o podia esperar outra coisa de voc\u00ea. Acho que voc\u00ea dorme pensando em mim. Voc\u00ea tem alguma paix\u00e3o em mim. N\u00e3o pode tomar partido num debate como esse. Fazer acusa\u00e7\u00f5es mentirosas a meu respeito. Voc\u00ea \u00e9 uma vergonha para o jornalismo brasileiro.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\">Machismo recorrente<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A partir da\u00ed, o tema machismo na pol\u00edtica esquentou o debate, com Bolsonaro como a figura central de cr\u00edtica, principalmente das candidatas mulheres presentes no programa, Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (Uni\u00e3o Brasil).\u00a0 A postura machista do atual presidente do Brasil n\u00e3o \u00e9 uma novidade. Mas ele segue negando este fato. Em um <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/politica\/2022\/08\/30\/interna_politica,1390033\/bolsonaro-sobre-vera-magalhaes-ela-bate-em-mim-o-tempo-todo.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">evento com empres\u00e1rios<\/a> em Bras\u00edlia, dois dias depois do debate eleitoral, afirmou:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Eu n\u00e3o ofendi a Vera Magalh\u00e3es, s\u00f3 que ela bate em mim o tempo todo. Eu falei que ela&#8230; sonha comigo. Nada mais do que isso a\u00ed. Outra coisa, ela n\u00e3o fez uma pergunta, ela fez uma afirma\u00e7\u00e3o contra mim.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar do machismo evidente das duas declara\u00e7\u00f5es, o candidato pelo PL seguir\u00e1 nessa narrativa de nega\u00e7\u00e3o, que faz parte da conduta machista. Afinal, uma das formas de desmerecer uma mulher \u00e9 justamente invalidar suas opini\u00f5es a respeito de um assunto. No caso, a jornalista Vera Magalh\u00e3es afirma que a declara\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/eleicoes\/2022\/08\/30\/vera-magalhaes-bolsonaro-falar-em-dormir-pensando-nele-e-misoginia.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cdormir pensando nele\u201d<\/a> \u00e9, por si s\u00f3, mis\u00f3gina. Al\u00e9m disso, para ela, a fala de Bolsonaro contrib<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ui para o machismo estrutural, ao associar o papel da mulher mesmo quando ela est\u00e1 exercendo seu trabalho a alguma conota\u00e7\u00e3o de cunho sexual.<\/span><\/p>\n<h3>Misoginia cotidiana<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, as mulheres enfrentam o machismo em suas rela\u00e7\u00f5es cotidianas. De casos escancarados, como este de Bolsonaro, at\u00e9 o machismo sutil, com microagress\u00f5es, inclusive no ambiente de trabalho.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, para haver uma mudan\u00e7a de atitude na sociedade brasileira como um todo, \u00e9 preciso haver uma conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os preju\u00edzos do machismo nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sendo assim, indico quatro sugest\u00f5es de leitura que podem ser aconselhadas tanto para homens que queiram apoiar o feminismo quanto para mulheres que ainda n\u00e3o entenderam a import\u00e2ncia da luta feminista.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3>Dicas de leitura<\/h3>\n<p><strong><i><a href=\"https:\/\/www.martinsfontespaulista.com.br\/clube-da-luta-feminista-835044\/p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clube da Luta Feminista<\/a> &#8211; Um manual de sobreviv\u00eancia (para um ambiente de trabalho machista)<\/i><\/strong><span style=\"font-weight: 400\"><strong>,<\/strong> de Jessica Bennett<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Um guia divertido e pr\u00e1tico sobre como se defender do machismo nas rela\u00e7\u00f5es profissionais. Um vi\u00e9s interessante trazido pela autora \u00e9 sobre comportamentos que n\u00e3o s\u00e3o notoriamente mis\u00f3ginos e que podem provocar d\u00favidas e inseguran\u00e7as nas mulheres no ambiente corporativo. Entre eles, por exemplo, o caso da revista norte-americana <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Newsweek<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nos anos 1960 e 1970, era uma publica\u00e7\u00e3o notoriamente machista, o que deixou de ser d\u00e9cadas depois, quando Jessica Bennett foi rep\u00f3rter l\u00e1.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\">Confira um trecho:<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cCerta vez, Gail Collins, colunista do New York Times, me contou que, se o machismo em sua \u00e9poca era de fato acachapante, pelo menos tinha uma esp\u00e9cie de vantagem: era f\u00e1cil identific\u00e1-lo. Quando um sujeito passava a m\u00e3o na sua bunda ou te dizia que \u2018na Newsweek, mulher n\u00e3o escreve\u2019, sem d\u00favida era injusto, mas pelo menos voc\u00ea reconhecia na hora. Era uma discrimina\u00e7\u00e3o flagrante \u2013 machismo de papel passado e se encaixando na defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u2013, e n\u00e3o simplesmente uma \u2018sensa\u00e7\u00e3o\u2019. (Ser\u00e1 que aconteceu mesmo? Estou maluca? Ser\u00e1 que s\u00f3 eu vi isto?)<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, reconhecer o machismo est\u00e1 mais dif\u00edcil do que antes. Tal como as microagress\u00f5es que as pessoas negras suportam todos os dias \u2013 racismo dissimulado em forma de pequenos insultos ou desd\u00e9m \u2013, o machismo de hoje em dia \u00e9 insidioso, vago, politicamente correto, e at\u00e9 mesmo simp\u00e1tico. S\u00e3o condutas indefin\u00edveis, imensur\u00e1veis,\u00a0<\/span><\/em><em><span style=\"font-weight: 400\">escamoteadas, e dific\u00edlimas de acusar que talvez n\u00e3o sejam necessariamente intencionais nem conscientes. \u00c0s vezes as mulheres tamb\u00e9m incorrem nelas. Nada disso torna a coisa menos nociva. Na lida cotidiana, isso significa ver um homem instintivamente se voltar para uma mulher para ditar algo numa reuni\u00e3o, ou v\u00ea-la ser confundida com a auxiliar de escrit\u00f3rio quando na verdade \u00e9 a chefe.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788555340802\/mulheres-na-luta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Mulheres na Luta<\/i><\/a> &#8211;<\/strong><i><span style=\"font-weight: 400\"><strong> 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade<\/strong>, <\/span><\/i>de <span style=\"font-weight: 400\">Marta Breen e Jenny Jordahl<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Uma HQ com a trajet\u00f3ria de diversas mulheres importantes para o movimento feminista. O panorama destaca batalhas hist\u00f3ricas, como a participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e a luta das mulheres contra a escravid\u00e3o. A edi\u00e7\u00e3o da editora Seguinte traz um posf\u00e1cio sobre o feminismo no Brasil, que enriquece ainda mais este livro, de origem norueguesa.<\/span><\/p>\n<h3><i><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Mulheres no jornalismo &#8211; pr\u00e1ticas profissionais e emancipa\u00e7\u00e3o social,<\/strong>\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">organiza\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Marli dos Santos e Ana Carolina Rocha Pess\u00f4a Temer\u00a0<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Este livro em formato digital da Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero est\u00e1 dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/casperlibero.edu.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Mulheres-no-Jornalismo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gratuitamente<\/a> aos interessados em se aprofundar nas especificidades de g\u00eanero de quem exerce a profiss\u00e3o de jornalista.<\/span><\/p>\n<h3>Confira um trecho:<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cComo em outros segmentos do mundo do trabalho, o jornalismo est\u00e1 imerso no contexto da sociedade patriarcal, que desde seu surgimento se mantem \u00e0 custa de um discurso baseado na quest\u00e3o econ\u00f4mica, o qual sustenta o poder familiar e pol\u00edtico dos homens. Embora as conquistas femininas no mundo do trabalho se justificaram em grande parte pelas necessidades de sobreviv\u00eancia e pelas mudan\u00e7as nas institui\u00e7\u00f5es seculares, como a fam\u00edlia, ainda hoje as mulheres sofrem com rela\u00e7\u00f5es tensas no trabalho e discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, conforme apontam pesquisas da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) [&#8230;].\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<h3><i><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/n%C3%A3o-sou-uma-mulher-feminismo\/dp\/8501117404\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>E eu n\u00e3o sou uma mulher<\/strong><\/a>, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">d<\/span><span style=\"font-weight: 400\">e<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Bell Hooks<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Um dos grandes m\u00e9ritos deste cl\u00e1ssico feminista \u00e9 demonstrar como a luta a favor do voto feminino nos Estados Unidos exclu\u00eda mulheres negras e pobres.\u00a0 Nesse sentido, considero a obra fundamental dentro do contexto eleitoral brasileiro atual. Levando em conta, por exemplo, o debate presidencial mencionado neste texto, somente com candidatos brancos e apenas duas pessoas sendo do sexo feminino. O racismo, inclusive, n\u00e3o foi um tema abordado ao longo deste debate, que tamb\u00e9m teve a aus\u00eancia de jornalistas negros como apresentadores ou fazendo questionamentos.<\/span><\/p>\n<p><em>Imagem: Band TV\/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":5,"featured_media":8764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1913],"class_list":["post-8762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-misoginia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8762\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}