{"id":8691,"date":"2022-07-13T01:04:53","date_gmt":"2022-07-13T04:04:53","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8691"},"modified":"2022-11-16T17:55:53","modified_gmt":"2022-11-16T20:55:53","slug":"por-uma-vacina-contra-a-desinformacao-mentiras-e-falta-de-engajamento-ameacam-vacinacao-infantil-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8691","title":{"rendered":"Por uma vacina contra a desinforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><\/h4>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Mentiras e falta de engajamento amea\u00e7am vacina\u00e7\u00e3o infantil no pa\u00eds<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p><em>Por Fl\u00e1via Cunha, Ge\u00f3rgia Santos e T\u00e9rcio Saccol (\u00daltima atualiza\u00e7\u00e3o em 15\/11\/22)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagine uma crian\u00e7a com fortes dores de cabe\u00e7a, fadiga persistente, dores nas articula\u00e7\u00f5es, problemas respirat\u00f3rios de toda a sorte, erup\u00e7\u00f5es na pele e palpita\u00e7\u00f5es card\u00edacas. \u00c9 desesperador. Trata-se de um quadro consistente com os sintomas do que se chama de Covid longa. Cientistas da University College de Londres (UCL), no Reino Unido, foram os primeiros a oferecer uma defini\u00e7\u00e3o padronizada para esta condi\u00e7\u00e3o. Segundo ele, \u00e9 um conjunto de sintomas que prejudicam o bem-estar f\u00edsico, mental ou social das crian\u00e7as e persistem por pelo menos 12 semanas ap\u00f3s o primeiro teste positivo para covid-19. Algo bastante diferente de um resfriado leve ou gripezinha. E este nem \u00e9 o pior cen\u00e1rio, afinal, a doen\u00e7a pode matar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo dados do grupo Observa Inf\u00e2ncia, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Covid-19 matou duas crian\u00e7as com menos de cinco anos por dia no pa\u00eds. Ao todo, 599 crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria faleceram pela Covid-19 em 2020. E em 2021, quando a letalidade aumentou em toda a popula\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de v\u00edtimas infantis saltou para 840. Isso sem contabilizar os dados deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPerder uma s\u00f3 crian\u00e7a para uma doen\u00e7a que tem vacina, \u00e9 uma imensa trag\u00e9dia\u201d, desabafa Akira Homma, assessor cient\u00edfico s\u00eanior de Bio-Manguinhos\/Fiocruz. E por essa l\u00f3gica, sens\u00edvel e precisa, o Brasil testemunha imensas trag\u00e9dias todos os dias, porque j\u00e1 h\u00e1 imunizantes dispon\u00edveis e, mesmo assim, muitos pais se recusam a vacinar seus filhos. E o problema \u00e9 ainda maior do que se imagina, porque n\u00e3o \u00e9 apenas a vacina contra a Covid que vem caindo de popularidade. A cobertura vacinal para doen\u00e7as j\u00e1 erradicadas cai de maneira expressiva h\u00e1 alguns anos. Os motivos s\u00e3o m\u00faltiplos, mas, de acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem, a desinforma\u00e7\u00e3o encabe\u00e7a a lista.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA Anvisa, lamentavelmente, aprovou a vacina para crian\u00e7as entre 5 e 11 anos de idade. A minha opini\u00e3o que eu quero dar para voc\u00ea aqui: a minha filha de 11 anos n\u00e3o ser\u00e1 vacinada. E voc\u00ea vai vacinar teu filho? Contra algo que o jovem, por si s\u00f3, uma vez pegando o v\u00edrus, a possibilidade dele morrer \u00e9 quase zero? O que que t\u00e1 por tr\u00e1s disso? Qual \u00e9 o interesse da Anvisa por tr\u00e1s disso da\u00ed? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina, \u00e9 pela sua vida?\u201d <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Jair Bolsonaro, 2022<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que o debate sobre a vacina\u00e7\u00e3o infantil contra a Covid come\u00e7ou, o governo federal manifestou ressalvas e cr\u00edticas ao imunizante para crian\u00e7as. Mesmo seis meses depois da imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de 5 a 11 anos contra a Covid ter sido aprovada pela ANVISA, quase 40% deste p\u00fablico n\u00e3o tomou sequer a primeira dose. Isso de acordo com os dados do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio daSa\u00fade. \u201cQuando uma autoridade tamb\u00e9m fala sobre o problema de vacina\u00e7\u00e3o, quando uma autoridade da Rep\u00fablica fala que quem se vacinar vai virar crocodilo, tem uma popula\u00e7\u00e3o que segue a lideran\u00e7a. \u00c9 um preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica enorme\u201d, ressalta Akira Homma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es e membro do Comit\u00ea de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Juarez Cunha, analisa que esses discursos institucionais e o acirramento da polariza\u00e7\u00e3o contribuem para diminuir a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o nos imunizantes. \u201cA polariza\u00e7\u00e3o acabou gerando uma desconfian\u00e7a na ci\u00eancia. Isso nunca tinha sido visto. Tanto que assim, a cobertura vacinal de primeira dose contra a Covid no Brasil n\u00e3o chega a 65%. Quantos n\u00e3o internaram? Em quantos n\u00e3o foi feito o diagn\u00f3stico? O nosso n\u00famero de \u00f3bitos em crian\u00e7as e adolescente \u00e9 15 vezes maior, por Covid, do que as crian\u00e7as americanas. Uma doen\u00e7a que j\u00e1 \u00e9 considerada imunopreven\u00edvel para formas graves\u201d, diz.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">E mesmo que a vacina contra a Covid tenha gerado um debate mais vis\u00edvel, principalmente por causa das mais de 671 mil vidas perdidas, o fen\u00f4meno \u00e9 bem mais amplo.<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 v\u00e1rios elementos que contribuem para aumentar o poder da desinforma\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do emissor, e um deles \u00e9 a velocidade com que podemos trocar mensagens sem qualquer filtro, turbinando o acesso \u00e0s vers\u00f5es dos fatos e n\u00e3o aos fatos. \u00c9 poss\u00edvel que voc\u00ea tenha encontrado mais desinforma\u00e7\u00e3o especificamente sobre vacina\u00e7\u00e3o infantil do que sobre pr\u00f3pria vacina\u00e7\u00e3o em geral. A publicit\u00e1ria Clarissa Barreto, de 43 anos deparou com muitas mentiras nas redes sociais. Mas a m\u00e3e do Rafael, que tem oito anos, se assustou mais com o que ouviu pessoalmente. \u201cEu acho que na primeira vez que eu ouvi falar que algu\u00e9m era anti-vacina, o meu filho tinha a mesma idade do filho dessa pessoa e ela n\u00e3o era \u201canti\u201d todas as vacinas, ela era contra algumas vacinas espec\u00edficas, porque rolava uma <em>Fake News<\/em> de que causava autismo, enfim. E eu n\u00e3o sabia que ela era anti-vacina e ela me pediu uma indica\u00e7\u00e3o de pediatra. Eu passei para minha pediatra e da\u00ed a minha pediatra atendeu ela e no final a pessoa disse que n\u00e3o queria vacinar o filho com algumas vacinas. Eu lembro que a minha pediatra disse que deveria existir o nome de \u201cfilic\u00eddio\u201d para isso. Porque tu n\u00e3o querer vacinar o teu filho \u00e9 tu expor o teu filho \u00e0 morte\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois o termo filic\u00eddio existe e se refere justamente ao pai ou m\u00e3e que mata o pr\u00f3prio filho ou ao ato em si. Mas pode parecer uma express\u00e3o forte demais para quem n\u00e3o percebe a gravidade do problema. Certamente soa como injusta aos pais que s\u00e3o levados a crer que est\u00e3o protegendo os seus filhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reportagem conversou com alguns pais e m\u00e3es que n\u00e3o quiseram vacinar os pr\u00f3prios filhos em off, por isso eles n\u00e3o ser\u00e3o identificados, mas a resposta mais comum \u00e9 que os filhos n\u00e3o ser\u00e3o cobaias de imunizantes experimentais, embora n\u00e3o seja o caso da vacina contra a Covid, que j\u00e1 passou dessa fase e foi aprovada pelos \u00f3rg\u00e3os competentes. Outro argumento \u00e9 uma esp\u00e9cie de pesagem de pr\u00f3s e contras. Esses pais entendem que os riscos da vacina\u00e7\u00e3o s\u00e3o maiores que os riscos da doen\u00e7a, ignorando o fato de que milhares de crian\u00e7as j\u00e1 morreram em fun\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus e nenhuma faleceu em decorr\u00eancia da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso espec\u00edfico da Covid, na avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico Fabrizio Mota, que atua como supervisor m\u00e9dico do Controle de Infec\u00e7\u00e3o e Infectologia Pedi\u00e1trica da Santa Casa de Porto Alegre, h\u00e1 um erro estrat\u00e9gico na comunica\u00e7\u00e3o. \u201cAcho que na pediatria, o primeiro aspecto \u00e9 que foi feito uma an\u00e1lise incorreta do impacto da doen\u00e7a nas crian\u00e7as. Sempre, desde o in\u00edcio da pandemia, olhava-se os n\u00fameros das crian\u00e7as proporcionalmente a dos adultos e idosos. E a gente n\u00e3o pode fazer isso, \u00e9 um erro de an\u00e1lise muito grave. E todos n\u00f3s fizemos. A gente deveria olhar a mortalidade infantil pela Covid n\u00e3o comparando com idoso, mas sim mortalidade infantil causada pelo v\u00edrus da influenza, pelo adenov\u00edrus, pelos outros v\u00edrus respirat\u00f3rios ou outras doen\u00e7as infecciosas em pediatria. E quando a gente olha esses n\u00fameros, eu comparei os n\u00fameros da Covid em crian\u00e7as abaixo de 5 anos no ano passado, 2021, com a m\u00e9dia de \u00f3bitos que a gente tinha por influenza e eu vi que a gente tinha em m\u00e9dia tr\u00eas a cinco \u00f3bitos anuais no Estado do Rio Grande do Sul, abaixo de cinco anos. E quando a gente olha a Covid em 2021, a gente teve em torno de 14 \u00f3bitos nessa faixa et\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E essa amea\u00e7a, esse senso de que a doen\u00e7a pode efetivamente afetar a nossa vida \u00e9 algo importante para nos manter mobilizados. Se por um lado a Covid se manteve como uma pauta ativa nos notici\u00e1rios, outras doen\u00e7as ficaram um pouco de lado. Al\u00e9m disso, tem o valor investido na comunica\u00e7\u00e3o. Um dado levantado pelo site Rep\u00f3rter Brasil junto ao governo mostrou que em 2021 o governo gastou 52% a menos nas campanhas da gripe e multivacina\u00e7\u00e3o do que no ano anterior. \u201cAs campanhas de vacina\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido apoiadas por campanhas de informa\u00e7\u00e3o que sejam suficientemente agressivas. Eu n\u00e3o sei se a palavra agressiva \u00e9 muito forte, mas suficientemente fortes e espec\u00edficas a convencer a popula\u00e7\u00e3o para se vacinar\u201d, diz o Dr. Akira Homma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tem mais.\u00a0Const\u00e2ncia \u00e9 uma vari\u00e1vel enorme para a efetividade dessas campanhas, como lembra Patr\u00edcia Blanco, Presidente do Instituto Palavra Aberta, que busca promover educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e acesso a informa\u00e7\u00e3o. Segundo ela, novos pais, com novas vis\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, surgem a cada momento. Ou seja, as conquistas de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o simplesmente dadas. \u201cComunica\u00e7\u00e3o \u00e9 const\u00e2ncia\u201d, pontua Patr\u00edcia, indicando que quando o assunto \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico, n\u00e3o se pode considerar que o problema est\u00e1 resolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo dia nascem novas pessoas, todo dia a gente tem novas gera\u00e7\u00f5es de pais de m\u00e3es que chegam e que come\u00e7am a se questionar. E a gente baixou a guarda no momento em que n\u00e3o poderia baixar, porque a gente via crescer o n\u00famero de movimentos anti-vacina\u201d, explicou. Baixou-se a guarda a partir de uma ideia de que a popula\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 tinha uma cultura vacinal apropriada, prop\u00edcia para receber esse processo de vacina\u00e7\u00e3o, que aceitava a vacina\u00e7\u00e3o como sendo mandat\u00f3ria, mas era uma ilus\u00e3o. Segundo o Dr. Akira Homma, a cobertura vacinal vem caindo no Brasil h\u00e1 anos. \u201cA queda da vacina\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava acontecendo h\u00e1 uns cinco anos. A pandemia s\u00f3 acentuou essa queda.\u201d Ou seja, a Covid n\u00e3o \u00e9 o nascedouro dessa queda dos dados, \u00e9 s\u00f3 mais um contexto modificador.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8934\" aria-describedby=\"caption-attachment-8934\" style=\"width: 722px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/coberturas-vacinais-historica.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8934 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/coberturas-vacinais-historica.png\" alt=\"\" width=\"722\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/coberturas-vacinais-historica.png 722w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/coberturas-vacinais-historica-300x180.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 722px) 100vw, 722px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8934\" class=\"wp-caption-text\"><em>O movimento de desinforma\u00e7\u00e3o acentua uma queda j\u00e1 verificada nos \u00faltimos anos nos \u00edndices vacinais entre crian\u00e7as<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Juarez Cunha, que atua na Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul e na Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es explica alguns fatores que s\u00e3o fundamentais para consolidar esse contexto. S\u00e3o chamados de os tr\u00eas C\u00eas: Complac\u00eancia, Conveni\u00eancia e Confian\u00e7a<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<strong>Complac\u00eancia<\/strong> se refere \u00e0s doen\u00e7as que as pessoas n\u00e3o conhecem, n\u00e3o viram, justamente porque foram vacinadas e da\u00ed elas acham que n\u00e3o precisam se vacinar ou vacinar seus filhos. Ent\u00e3o esse \u00e9 um exemplo da p\u00f3lio e do sarampo, que acabou voltando pelas baixas coberturas vacinais. <strong>Conveni\u00eancia<\/strong> \u00e9 mais relacionado com a estrutura f\u00edsica da nossa rede, dos nossos quase 40 mil postos de vacina\u00e7\u00e3o, salas de vacina\u00e7\u00e3o que a gente chama no Brasil. Estrutura f\u00edsica, hor\u00e1rio de atendimento e Recursos Humanos. Ent\u00e3o, a gente teve uma desvaloriza\u00e7\u00e3o dos nossos profissionais da rede. A pandemia deu uma segurada nisso porque a tend\u00eancia \u00e9 que com certeza seria mais desvalorizada e mais sucateado, o nosso SUS e o nosso PNI. E a <strong>Confian\u00e7a<\/strong> passa muito pelo produto. Ent\u00e3o tu tem que ter confian\u00e7a na efic\u00e1cia e na seguran\u00e7a. E tu tem que saber explicar isso. Agora, a confian\u00e7a, no meu ponto de vista, dos tr\u00eas c\u00eas, \u00e9 o que mais se abalou com tudo isso. Porque, infelizmente, de 2019 para c\u00e1, n\u00e3o interessa mais a posi\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Ou tu \u00e9 a favor ou tu \u00e9 contra, dependendo do que que tu acredita em termos pol\u00edticos, em termos de polariza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Henrique Rafael \u00e9 analista de comunica\u00e7\u00e3o do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP Ribeir\u00e3o Preto. Ele coordena a Uni\u00e3o Pr\u00f3-Vacina, que \u00e9 um grupo que articula governos, \u00f3rg\u00e3os da sociedade civil e institutos para pensar atividades justamente para combater a desinforma\u00e7\u00e3o sobre vacinas. Embora o grupo tenha sido criado em 2019, as an\u00e1lises sobre grupos que espalhavam desinforma\u00e7\u00e3o sobre a vacina se potencializaram mais durante a pandemia. Jo\u00e3o Henrique nos lembra que h\u00e1 diferentes eixos que nortearam esse grupo e sustentaram o alcance dessas mensagens, alcan\u00e7ando pais e educadores e afetando as vacinas para crian\u00e7as. O Facebook e os grupos foram o principal <em>locus<\/em> de desinforma\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de polo de monitoramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO primeiro eixo a gente chamou de ideol\u00f3gico, que foi fomentado com esse novo movimento anti-vacina ingl\u00eas, que \u00e9 a quest\u00e3o de associar a vacina com autismo, de vacinas com doen\u00e7a. Ent\u00e3o tem um grupo de pessoas na internet que acreditam e eles n\u00e3o se importam com evid\u00eancia, eles t\u00eam para eles que a verdade \u00e9 essa. E a\u00ed voc\u00ea tem todo um leque de eixos de informa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que a vacina \u00e9 um agente para diminuir popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o voc\u00ea come\u00e7a a misturar outras narrativas e desinforma\u00e7\u00e3o conspiracionista. Ou at\u00e9 a parte mais pr\u00e1tica, que \u00e9 aquela das Big Pharmas que querem lucrar, ent\u00e3o a vacina deixaria as pessoas doente para depois vender. Mas s\u00e3o pessoas que o interesse delas \u00e9 esse, elas foram convencidas e come\u00e7am a entrar numa espiral e cada vez mais consumir nesse tipo de conte\u00fado e v\u00e3o refor\u00e7ando as suas cren\u00e7as e querem convencer os outros, como se fossem salvadores. S\u00f3 eles conhecem essa grande verdade. Eles precisam libertar. Algo quase religioso e fundamentalista.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nem tudo \u00e9 paix\u00e3o ideol\u00f3gica. H\u00e1 tamb\u00e9m um eixo comercial. \u201cS\u00e3o aqueles sites e aquele pessoal que sabe que o jogo da internet \u00e9 baseado em clique. Ent\u00e3o se tem pessoas que consomem conte\u00fado anti-vacina, eu fabrico. O cara entra no meu site, clica e eu vendo an\u00fancios. Eu ganho com an\u00fancios. Ent\u00e3o junto com o eixo ideol\u00f3gico vem esse eixo muito forte comercial em sites como Natural News, coisas assim. Onde voc\u00ea j\u00e1 tem as vers\u00f5es americanas e o pessoal estava tentando emplacar no Brasil\u201d, explica Jo\u00e3o Henrique.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o eixo ideol\u00f3gico \u00e9 o principal motivador de consumo, pelo menos. \u00c9 evidente que o aspecto \u201cpol\u00edtico\u201d passou a guiar o debate sobre os ditos efeitos da vacina, primeiro entre adultos e depois para crian\u00e7as. \u201cA pandemia foi politizada. A ci\u00eancia acabou sendo politizada nesse sentido de voc\u00ea ter lados\u201d, disse ele. \u201cA gente ficou muito preocupado, porque se as plataformas n\u00e3o tomassem nenhuma medida, se nada ocorresse, na hora que as vacinas estivessem prontas, a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre ela seria muito ruim.\u201d E foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse cen\u00e1rio investigado pela Uni\u00e3o Pr\u00f3-Vacina sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o, sobretudo diante da extin\u00e7\u00e3o de grupos e v\u00eddeos considerados inadequados ou propagadores de mentiras por plataformas de redes sociais. Isso mais recentemente. S\u00f3 que o estrago feito, ainda tem eco. Um estudo de 2019 da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es e da Avaaz mostrou que dois em cada tr\u00eas brasileiros acreditam em pelo menos uma afirma\u00e7\u00e3o imprecisa sobre vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_8933\" aria-describedby=\"caption-attachment-8933\" style=\"width: 477px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Captura-de-Tela-2022-11-16-as-16.38.48.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8933 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Captura-de-Tela-2022-11-16-as-16.38.48.png\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Captura-de-Tela-2022-11-16-as-16.38.48.png 477w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Captura-de-Tela-2022-11-16-as-16.38.48-218x300.png 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-8933\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pesquisa Avaaz \/SBim mostra que mais de dois ter\u00e7os dos adultos j\u00e1 acreditaram em alguma desinforma\u00e7\u00e3o sobre a vacina<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Quando falamos de vacina\u00e7\u00e3o infantil, a ressalva cresce ainda mais, j\u00e1 que os apelos emocionais buscam sensibilizar pais e respons\u00e1veis semeando d\u00favidas e conspira\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos pais que conversou com a reportagem, mas pediu para n\u00e3o ser identificado se refere justamente a esse apelo emocional. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele passou a consumir conte\u00fado online que lan\u00e7a d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a da vacina. \u201cEssa vacina \u00e9 experimental e os riscos s\u00e3o muito grandes, eu n\u00e3o sei o que pode acontecer com ela no futuro. Eu ali coisas que falam at\u00e9 em infertilidade\u201d. A filha dele j\u00e1 contraiu o novo coronav\u00edrus pelo menos duas vezes e apresenta alguns sintomas de Covid longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O historiador Jo\u00e3o de Los Santos, de 46 anos, \u00e9 pai da Bibiana, de seis, e n\u00e3o entende quem aposta com a vida dos filhos dessa maneira. \u201cInfelizmente, o que eu vejo \u00e9 que muitas pessoas, mesmo pessoas de classe m\u00e9dia, como eu, com acesso a todos os recursos, duvidam. E eu tive inclusive o relato de uma m\u00e3e de um ex-colega da minha filha que estava na d\u00favida se o filho ia ser vacinado ou n\u00e3o. Isso que minha filha j\u00e1 estava prestes a tomar a segunda dose. Isso acaba me espantando muito, porque a gente chegou num n\u00edvel de ignor\u00e2ncia que est\u00e1 botando a nossa sa\u00fade em risco\u201d, desabafa. E isso \u00e9 verdade n\u00e3o apenas para a Covid, mas para uma s\u00e9rie de outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso \u00e9 muito ruim para a popula\u00e7\u00e3o porque aumenta a popula\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel e aumenta a possibilidade de ter de volta outras doen\u00e7as imunopreven\u00edveis. Muitas delas causam mortes, causam mortes de crian\u00e7as. Quando n\u00e3o causa morte, causa sequelas. Causa dor, causa sofrimento, causa custo. Ent\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s estamos vivendo, de baixa cobertura vacinal que a gente tem que trabalhar, toda sociedade tem que ser trabalhada pra reverter\u201d, explica o Dr. Akira Homma. Para se ter uma ideia, no ano passado s\u00f3 60% das crian\u00e7as foram vacinadas contra a Hepatite B, T\u00e9tano, Difteria e Coqueluche. Contra o Sarampo, Caxumba e Rub\u00e9ola o \u00edndice foi menor que 75%. E a meta, nesses casos, \u00e9 de mais de 90%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Dr. Akira Homma, al\u00e9m da desinforma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 outro elemento para essa baixa. \u201cA vacina\u00e7\u00e3o vem caindo de popularidade, ou de import\u00e2ncia no contexto da vida brasileira porque o povo n\u00e3o v\u00ea mais doen\u00e7a\u201d, diz. O m\u00e9dico infectologista Pedi\u00e1trico Fabrizio Mota, que tamb\u00e9m \u00e9 membro da Sociedade Rio-Grandenses de Infectologia e da Sociedade de Pediatria do Rio Grande Do Sul concorda. \u201cA gente que vive hoje nos anos 2020 n\u00e3o conviveu com var\u00edola, com surtos absurdos de meningite no final da d\u00e9cadas de 70, a gente n\u00e3o conviveu com poliomielite causando sequelas nas pessoas, a gente n\u00e3o conviveu com sarampo causando \u00f3bito em crian\u00e7as. Quem hoje tem seus 30, 40 anos e preza de uma boa sa\u00fade \u00e9 porque j\u00e1 pegou um calend\u00e1rio vacinal extenso. E quem nasce hoje, o calend\u00e1rio que \u00e9 feito nos postos de sa\u00fade \u00e9 extremamente privilegiado. Ent\u00e3o essa falsa impress\u00e3o de que n\u00e3o existe o risco porque a gente v\u00ea poucos casos come\u00e7a a fazer com que as pessoas procurem menos a vacina\u00e7\u00e3o, porque elas n\u00e3o t\u00eam risco.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mas h\u00e1 risco. O fato \u00e9 que os ant\u00edgenos bacterianos, virais que causam doen\u00e7as continuam circulando. \u201cEnt\u00e3o voc\u00ea deixa de vacinar e est\u00e1 criando popula\u00e7\u00e3o desprotegida. E n\u00f3s estamos sob amea\u00e7a da volta de doen\u00e7as imunopreven\u00edveis\u201d, alerta o Dr. Akira Homma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O infectopediatria Fabrizio Mota, traz uma perspectiva importante para come\u00e7ar a mudar o cen\u00e1rio. \u201cToda vez que algo come\u00e7a, as pessoas vem: n\u00e3o \u00e9 para entrar em P\u00e2nico. Mas eu acho que j\u00e1 desmobiliza. Como n\u00e3o entrar em p\u00e2nico? N\u00f3s temos que ter um certo p\u00e2nico porque vai fazer a gente prestar aten\u00e7\u00e3o, para nos organizarmos para suspeitar rapidamente de um caso. Os hospitais j\u00e1 tem que ter um fluxo. N\u00e3o pode esperar chegar o primeiro caso suspeito para algu\u00e9m ligar \u00e0s 10:00 da noite para um infectologista. Eu acho que essa falta de p\u00e2nico, essa falta de medo de sarampo, por exemplo, a gente tem 70% de cobertura vacinal. \u00c9 um piscar de olhos pra gente ter um grande surto no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es e membro do Comit\u00ea De Infectologia Da Sociedade De Pediatria, Juarez Cunha concorda que sim, a comunica\u00e7\u00e3o precisa melhorar, mas a polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 um risco perene. \u201cA perspectiva, a curto e m\u00e9dio prazo, \u00e9 de um alerta muito importante. O Brasil atualmente \u00e9 considerado um dos pa\u00edses de alt\u00edssimo risco para retorno de p\u00f3lio. E n\u00f3s estamos com um risco muito elevado porque as nossas coberturas vacinais est\u00e3o baixas. Ent\u00e3o, apesar dos esfor\u00e7os que a gente t\u00e1 fazendo, a gente t\u00e1 em reuni\u00f5es quase que permanentes com o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, sociedades cient\u00edficas, Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, todo mundo t\u00e1 discutindo isso porque a gente precisa reverter. N\u00f3s temos um projeto agora junto com Fiocruz que \u00e9 a reconquista das coberturas vacinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patricia Blanco, que preside o Instituto Palavra Aberta, lembra que nas campanhas e a\u00e7\u00f5es, a organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem adotado estrat\u00e9gias para driblar essa vis\u00e3o polarizada, que por vezes promove a desinforma\u00e7\u00e3o contra a vacina infantil antes mesmo da an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es existentes. \u201c\u00c9 um desafio, porque na sociedade polarizada, colocar r\u00f3tulos \u00e9 para voc\u00ea inibir o debate. Ent\u00e3o quando voc\u00ea rotula determinadas institui\u00e7\u00f5es como sendo o direito de esquerda ou comunista ou conservadora ou capitalista, voc\u00ea acaba inibindo o debate. E o que a gente tenta \u00e9 trazer a discuss\u00e3o para fora do ambiente partidarizado. Os fatos s\u00e3o deixados de lado por cren\u00e7as e ideologias. E o que a gente tem que trazer \u00e9 o seguinte, olha vamos analisar a quest\u00e3o factual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das campanhas institucionais, no entanto, \u00e9 refor\u00e7ada a import\u00e2ncia de estimular a comunica\u00e7\u00e3o sobre o assunto n\u00e3o apenas por especialistas, mas influenciadores, artistas e comunicadores que sejam capazes de combater desinforma\u00e7\u00e3o. Isso porque parte dos jovens n\u00e3o consome mais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais, tampouco se interessa por meios convencionais de conscientiza\u00e7\u00e3o. Quem fez esse exemplo foi uma associa\u00e7\u00e3o chamada M\u00e3es E Pais Pela Democracia, que vinha percebendo, entre outras coisas, o avan\u00e7o do discurso anti-ci\u00eancia e o risco para as crian\u00e7as. Aline Kerber, que integra o grupo, lembra inclusive de um movimento de desinforma\u00e7\u00e3o em uma cidade da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre. \u201cEm Novo Hamburgo, tinha carro andando com com Fake News, dizendo que a vacina era experimental e que os filhos seriam cobaias, que n\u00e3o deixassem fazer. Ent\u00e3o a gente explicita a problem\u00e1tica. E, sinceramente, nunca vi algo t\u00e3o contundente, que tenha dado t\u00e3o \u201ccerto\u201d, com tantos danos causados, como foi a quest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o infantil da Covid.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aline acrescenta que muitas escolas ficaram temerosas de enfrentar a desinforma\u00e7\u00e3o, isso por conta da polariza\u00e7\u00e3o. \u201cMuitas escolas foram censuradas, muitos professores censurados por n\u00e3o poder tratar do tema da vacina\u00e7\u00e3o, porque virou uma pauta ideol\u00f3gica\u201d, conta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato \u00e9 que a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e a prote\u00e7\u00e3o conferida pela vacina \u00e9 de valor inestim\u00e1vel e n\u00f3s n\u00e3o podemos abrir m\u00e3o dessa prote\u00e7\u00e3o. Doen\u00e7as como rub\u00e9ola, var\u00edola, poliomielite e sarampo foram eliminadas h\u00e1 anos, mas a volta dessas doen\u00e7as tem um potencial muito grande por causa da popula\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel que recusa vacina. E o grupo \u201cM\u00e3es e pais pela Democracia\u201d mostrou que d\u00e1 para fazer mais de onde estamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/anchor.fm\/vos-social\/embed\/episodes\/Por-uma-vacina-contra-a-desinformao-e1km44s\" width=\"400px\" height=\"102px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\">Produ\u00e7\u00e3o: Ge\u00f3rgia Santos, Flavia Cunha e T\u00e9rcio Saccol<br \/>\nRoteiro e apresenta\u00e7\u00e3o: T\u00e9rcio Saccol<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: T\u00e9rcio Saccol<br \/>\nTrilha sonora original: Gustavo Finkler<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mentiras e falta de engajamento amea\u00e7am vacina\u00e7\u00e3o infantil no pa\u00eds . 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