{"id":8547,"date":"2022-02-22T15:09:09","date_gmt":"2022-02-22T18:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8547"},"modified":"2022-02-22T15:10:44","modified_gmt":"2022-02-22T18:10:44","slug":"racismo-a-brasileira-a-negacao-em-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8547","title":{"rendered":"Racismo \u00e0 brasileira, a nega\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/voos-literarios\/vidas-negras-importam\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">racismo<\/a> no Brasil existe e neg\u00e1-lo \u00e9 um desservi\u00e7o a todas as pessoas interessadas em uma sociedade democr\u00e1tica e menos desigual. Por\u00e9m, na grande imprensa o debate falacioso sobre liberdade de express\u00e3o parece ser mais importante do que a luta antirracista. Nesse sentido, um dos casos mais recentes \u00e9 o artigo sobre <a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/folha-de-sao-paulo-publica-artigo-racista-e-antidemocratico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">racismo reverso<\/a> publicado na Folha de S\u00e3o Paulo em janeiro deste ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Contudo, este \u00e9 apenas um dos muitos epis\u00f3dios em que a grande m\u00eddia parece mais preocupada em ter uma vis\u00e3o supostamente plural do que em combater preconceitos.<\/span><\/p>\n<h4>Desigualdade tamb\u00e9m no jornalismo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Neste cen\u00e1rio, uma <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/brasil\/so-20-dos-jornalistas-sao-negros-nas-redacoes-brasileiras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisa<\/a> divulgada em novembro de 2021 revelou que apenas 20% dos jornalistas brasileiros atuando em grandes reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o negros. Portanto, n\u00e3o \u00e9 de se espantar que muitas pautas sobre racismo sejam abordadas de forma equivocada ou superficial. Para piorar esta conjuntura j\u00e1 desigual, h\u00e1 menos jornalistas negros ocupando cargos com poder de decis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h4>Assassino, sim. Racista, n\u00e3o!<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A este panorama preocupante, se soma a cobertura de assassinatos de pessoas negras em que o vi\u00e9s do racismo como motiva\u00e7\u00e3o para os crimes \u00e9 relativizado. Um dos exemplos mais evidentes foi no brutal homic\u00eddio do refugiado congol\u00eas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Mo\u00efse Kabamgabe. Enquanto a imprensa internacional tratou o crime abertamente como racismo e xenofobia, a grande m\u00eddia brasileira foi menos enf\u00e1tica na <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2022\/02\/21\/mp-denuncia-pela-morte-de-moise-kabagambe.ghtm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abordagem.<\/a> Por isso, os assassinos, homens brancos, s\u00e3o respeitosamente mencionados como suspeitos de um crime ainda sem raz\u00f5es evidentes. Um destes homens, inclusive, divulgou um v\u00eddeo negando que a motiva\u00e7\u00e3o do crime tenha sido racista e n\u00e3o ter existido a inten\u00e7\u00e3o de matar. (Nestas condi\u00e7\u00f5es, tudo bem espancar algu\u00e9m at\u00e9 a morte, ser\u00e1?)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aparentemente, pessoas brancas podem at\u00e9 admitir que s\u00e3o assassinas, mas n\u00e3o querem ser chamadas de racistas em hip\u00f3tese nenhuma.&nbsp;<\/span><\/p>\n<h4>A outra garota negra<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por uma triste coincid\u00eancia, o primeiro romance ficcional que li em 2022 tem como enredo a falta de representatividade negra em fun\u00e7\u00f5es de comando &#8211; no caso do livro, no mercado editorial. Tamb\u00e9m trata sobre a dificuldade de pessoas brancas reconhecerem preconceitos raciais.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Na obra <\/span><a href=\"https:\/\/www.intrinseca.com.br\/livro\/1102\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400\">A outra garota negra<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Zakiya Dalila, a protagonista, Nella, ocupa h\u00e1 anos o cargo de assistente em uma grande editora de Nova York. Dentre seus sonhos, est\u00e1 o de ser a respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o de livros com tem\u00e1tica antirracista e ter outra colega negra no trabalho. Quando \u201ca outra garota\u201d do t\u00edtulo do livro finalmente \u00e9 contratada, Nella se sente confort\u00e1vel para confidenciar a dificuldade em apontar racismo no texto de um autor famoso, cliente da editora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u2014 Mas isso \u00e9 o que me chateia, porque n\u00e3o posso critic\u00e1-lo por isso.&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u2014 Por que n\u00e3o?&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u2014 Porque ele vai pensar que o estou chamando de racista. Voc\u00ea sabe como os brancos ficam quando acham que est\u00e3o sendo chamados de racistas.\u201d&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<h4>Mercado editorial brasileiro \u00e9 branco&nbsp;<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A realidade do mercado editorial norte-americano, criticada na obra com conhecimento de causa, j\u00e1 que a autora trabalhou durante anos nesta \u00e1rea, n\u00e3o \u00e9 diferente da conjuntura brasileira. Aqui, os propriet\u00e1rios das grandes editoras s\u00e3o, em sua maioria, homens, brancos e com idade avan\u00e7ada. Isso traz como uma das consequ\u00eancias o baixo percentual de autores negros com livros publicados. Em 2014, por exemplo, apenas 2,5% dos escritores com obras lan\u00e7adas no Brasil n\u00e3o eram brancos. Dentre os personagens retratados em romances brasileiros no ano mencionado, apenas 6.9% eram negros e 4,5% protagonistas dos enredos ficcionais. Confira mais dados <a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2020\/06\/08\/a-falta-de-diversidade-no-mercado-editorial-brasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.&nbsp;<\/span><\/p>\n<h4>Ser antirracista \u00e9 uma necessidade<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sendo assim, percebemos o quanto ainda precisamos avan\u00e7ar nas pr\u00e1ticas antirracistas, tanto no mercado editorial quanto jornal\u00edstico. Como mulher branca que atua nas duas \u00e1reas, procuro sempre enfatizar, para outros brancos, os privil\u00e9gios invis\u00edveis que temos, em uma sociedade que insiste em um discurso vazio e falso de democracia racial.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Procurar ser antirracista \u00e9 um exerc\u00edcio di\u00e1rio de humildade, vergonha e solidariedade. Al\u00e9m disso, destaco a import\u00e2ncia de n\u00e3o nos enxergarmos como brancos salvadores, mas conscientes de que nosso apoio \u00e0 essa luta \u00e9 fundamental. Afinal, silenciar diante do racismo \u00e9 ser conivente com agress\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&nbsp;<em>Imagem: Facebook\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":5,"featured_media":8548,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[2642,2641,289],"class_list":["post-8547","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-a-outra-garota-negra","tag-imprensa-brasileira","tag-racismo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8547"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8547\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}