{"id":8193,"date":"2021-06-12T16:25:47","date_gmt":"2021-06-12T19:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8193"},"modified":"2021-06-12T16:25:47","modified_gmt":"2021-06-12T19:25:47","slug":"dia-dos-namorados-prova-de-amor-ou-consumismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=8193","title":{"rendered":"Dia dos Namorados: prova de amor ou consumismo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O Dia dos Namorados como data comercial \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria de grande sucesso, desde 1949. Naquele ano, o <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/almanaque\/historia-a-origem-do-dia-dos-namorados.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pai<\/a> do governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o D\u00f3ria, foi o respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento de uma campanha para aumentar as vendas em junho. Ent\u00e3o, produziu <\/span><span style=\"font-weight: 400\">o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">slogan <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com beijos que se prova o amor\u201d. Pelo jeito, era um publicit\u00e1rio que entendia mesmo de estrat\u00e9gias de consumo, j\u00e1 que at\u00e9 hoje, em pleno 2021 da pandemia, a comemora\u00e7\u00e3o segue firme e forte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Agora, sejamos justos. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em termos um dia especial para celebrar todas as formas de amar. Particularmente, acho louv\u00e1vel quando as marcas fazem campanhas que buscam combater preconceitos, mostrando, por exemplo, casais LGBTs. negros\u00a0 e interraciais.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><strong>Dia dos Namorados \u00e9 um problema?<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, a l\u00f3gica capitalista embutida por tr\u00e1s da celebra\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 conscientemente percebida pelo p\u00fablico. Afinal, somos bombardeados, por todos os lados, com an\u00fancios que visam incentivar o consumo acima de tudo. Al\u00e9m disso, \u00e0s vezes a falta de um presente considerado adequado pode gerar brigas. Provavelmente, porque a publicidade massiva contribui para uma expectativa grande em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de amor. Ganhou um anel de brilhantes? Amor eterno. O parceiro n\u00e3o lembrou nem da data? Relacionamento falido.<\/span><\/p>\n<h6>Mentes consumistas<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, a verdade \u00e9 que rela\u00e7\u00f5es amorosas s\u00e3o muito mais complexas do que uma mera troca de presentes. Por isso, \u00e9 perverso vincular amor a consumo, mas esta \u00e9 a ess\u00eancia da sociedade capitalista na qual vivemos.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Quem tiver interesse em buscar uma vis\u00e3o mais cr\u00edtica sobre o assunto, sugiro a leitura da obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mentes Consumistas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, escrito pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A autora destaca a dualidade entre <\/span><i style=\"font-size: 14px;letter-spacing: 0px\">ser<\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i style=\"font-size: 14px;letter-spacing: 0px\">ter<\/i><span style=\"font-weight: 400\">:<\/span><i style=\"font-size: 14px;letter-spacing: 0px\">\u00a0<\/i><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Na sociedade consumista, o modo ser de existir \u00e9 desestimulado de todas as maneiras, pois ser n\u00e3o demanda consumo nem a obten\u00e7\u00e3o de lucro. Uma pessoa satisfeita com sua apar\u00eancia, com seu of\u00edcio, com seus afetos e seus valores \u00e9ticos n\u00e3o necessita consumir (de forma abusiva e\/ou compulsiva) cosm\u00e9ticos, cirurgias pl\u00e1sticas, [&#8230;]\u00a0 Numa sociedade como a nossa, aprendemos, desde muito cedo, a paix\u00e3o pelo ter; a competitividade que faz do colega um inimigo em potencial; o ego\u00edsmo que leva ao querer ter de forma exclusivista; a n\u00e3o partilhar; a n\u00e3o se importar&#8230; Enfim, a ser quase nada, mas com uma \u201cembalagem\u201d de ser humano am\u00e1vel, equilibrado, sorridente e muito produtivo. Viver essa dualidade constante entre o ser e o ter, mesmo que de forma inconsciente, contraria o pr\u00f3prio c\u00f3digo gen\u00e9tico da esp\u00e9cie humana, pois, como seres sociais, somos totalmente dependentes das nossas rela\u00e7\u00f5es interpessoais para nos desenvolvermos como indiv\u00edduos e como esp\u00e9cie.\u201d<\/span><\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify\">Partilhar momentos e afetos<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sendo assim, considero que o mais importante \u00e9 celebrar o Dia dos Namorados (e todos os outros dias do ano) partilhando afeto e momentos especiais com a parceria de vida. Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser especialista em finan\u00e7as para dizer que, caso o or\u00e7amento dom\u00e9stico esteja apertado, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de endividar-se para impressionar ou agradar o c\u00f4njuge. No entanto, se tem um dinheiro dispon\u00edvel para isso, pense onde comprar. Optar pelo com\u00e9rcio local e por pequenos empreendedores \u00e9 uma forma consciente de consumo, hoje e sempre. Al\u00e9m disso, se puder distribuir afeto para mais gente, existem diversas iniciativas ajudando a quem precisa nesse triste momento de crise econ\u00f4mica e sanit\u00e1ria no pa\u00eds.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 porque,\u00a0 como garante Ana Beatriz Barbosa Silva, a solidariedade \u00e9 inerente aos seres humanos, basta nos desprendermos dos valores capitalistas (e consumistas):<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201c[&#8230;] a cultura do ter, dominante em nossa sociedade consumista, influencia de maneira intensa e persuasiva nossa intelig\u00eancia para que sejamos capazes de \u201ctapear\u201d a nossa natureza solid\u00e1ria, a fim de nos tornarmos pe\u00e7as eficientes em manter o sistema econ\u00f4mico vigente em pleno funcionamento. Com nossa intelig\u00eancia \u201centorpecida\u201d, vamos quase que roboticamente nos tornando consumidores contumazes, insaci\u00e1veis e com sentimento constante de ansiedade e insatisfa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/em><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para quem busca op\u00e7\u00f5es de consumo consciente e com vi\u00e9s antifascista ainda para\u00a0o Dia dos Namorados e em outras datas, uma boa sugest\u00e3o \u00e9 a p\u00e1gina <\/span><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/EsquerdaCompraDaEsquerda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Esquerda Compra da Esquerda<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Surgido em 2020, o grupo privado de vendas no Facebook j\u00e1 conta com mais de 164 mil membros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><em>Imagem: Wichai Bopatay\/Pixabay<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia dos Namorados como data comercial \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria de grande sucesso, desde 1949. 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