{"id":7931,"date":"2021-03-28T15:25:18","date_gmt":"2021-03-28T18:25:18","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7931"},"modified":"2021-03-29T11:42:48","modified_gmt":"2021-03-29T14:42:48","slug":"geracao-de-1968-protesto-contra-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7931","title":{"rendered":"E se a gera\u00e7\u00e3o de 1968 for \u00e0s ruas protestar contra Bolsonaro?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>&#8220;Os jovens ter\u00e3o que ficar em casa e torcer pelos av\u00f3s<\/strong><span style=\"font-weight: 400\"><strong> &#8220;<\/strong>. Assim o jornalista Jos\u00e9 Trajano define a ideia, surgida nas redes sociais, de que a gera\u00e7\u00e3o de 1968 v\u00e1 \u00e0s ruas protestar contra o governo Bolsonaro. A refer\u00eancia et\u00e1ria se deve ao fato de que as poss\u00edveis manifesta\u00e7\u00f5es ocorreriam ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o em massa dos idosos no Brasil. Confira a entrevista completa <a href=\"https:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/2021-03-27\/ato-de-idosos-contra-bolsonaro-ganha-forca-na-internet-e-apoio-de-jose-trajano.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.\u00a0<\/span><\/p>\n<h6>Protesto contra os desmandos bolsonaristas<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A possibilidade de protestos promovidos por quem lutou contra a ditadura militar me parece um sopro de esperan\u00e7a. Al\u00e9m disso, seria muito simb\u00f3lico que os atos contra a condu\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel e criminosa da pandemia pelo governo federal fossem promovidos pela faixa et\u00e1ria acima de 60 anos.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\">Valoriza\u00e7\u00e3o dos idosos<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Primeiro, por demonstrar o quanto o preconceito et\u00e1rio precisa ser combatido. Muitos jovens, mesmo sendo progressistas, esquecem ou desvalorizam as lutas promovidas pela gera\u00e7\u00e3o de 1968. N\u00e3o apenas pelo que fizeram no passado, mas tamb\u00e9m por isso, os idosos de hoje devem ser tratados com dignidade.\u00a0 E essa deve ser uma pauta priorit\u00e1ria da esquerda brasileira, hoje e sempre<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 14px;letter-spacing: 0px\">Elimina\u00e7\u00e3o dos &#8220;menos aptos&#8221;<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo, porque h\u00e1 um discurso eugenista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 velhice desde que a pandemia come\u00e7ou no Brasil. Um dos argumentos escrotos \u00e9 de que os idosos deveriam estar fora do grupo priorit\u00e1rio de vacina\u00e7\u00e3o. O motivo? N\u00e3o serem mais produtivos do ponto de vista econ\u00f4mico. Para agravar essa situa\u00e7\u00e3o, diante do colapso do sistema de sa\u00fade brasileiro, h\u00e1 uma nova persegui\u00e7\u00e3o aos mais velhos. Existem lideran\u00e7as pol\u00edticas da extrema-direita defendendo que idosos n\u00e3o recebam tratamento m\u00e9dico. Por esse entendimento insano, a prioridade de atendimento seria apenas a vida dos mais jovens e &#8220;aptos&#8221;. A justificativa velada \u00e9, novamente, de que aposentados seriam um fardo para a sociedade. O que, sabemos, est\u00e1 longe de ser verdade. Na atualidade, muitas fam\u00edlias est\u00e3o sendo sustentadas por pens\u00f5es e aposentadorias, ap\u00f3s a escalada do desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho dos \u00faltimos anos.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\">Protestos observando protocolos<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sendo assim, h\u00e1 motivos de sobra para que a combativa gera\u00e7\u00e3o de 1968 retorne ao seu papel de protagonismo pol\u00edtico. Claro, desde que haja toda a seguran\u00e7a para evitar novas contamina\u00e7\u00f5es pelo coronav\u00edrus. A ressalva j\u00e1 foi feita pelo pr\u00f3prio Trajano, em suas <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ultrajano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">redes sociais<\/a>:\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cQuanto a ideia de sair \u00e0s ruas depois de 20 dias ap\u00f3s ter recebido a segunda dose, usando m\u00e1scaras e tentando observar o m\u00e1ximo de distanciamento social poss\u00edvel, s\u00f3 o faremos se cientistas derem sinal verde. Caso contr\u00e1rio, esperaremos para por o bloco na rua e gritar GENOCIDA!\u201d<\/span> <\/em><\/p>\n<h6><strong>Desinforma\u00e7\u00e3o e preconceito et\u00e1rio<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o da not\u00edcia sobre uma poss\u00edvel manifesta\u00e7\u00e3o promovida pela gera\u00e7\u00e3o de 1968, uma onda de desinforma\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a circular. Houve o entendimento, equivocado, que a refer\u00eancia seria \u00e0s pessoas nascidas naquele ano, que estariam sendo chamadas de &#8220;velhas&#8221; (Novamente, observamos o preconceito et\u00e1rio, mesmo entre esquerdistas).\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"> Por isso, considero necess\u00e1rio recomendar algumas leituras para a compreens\u00e3o de\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">um ano t\u00e3o importante historicamente. 1968 pode, inclusive, servir de inspira\u00e7\u00e3o para o sombrio momento atual.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=28000534\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>1968: O ano que n\u00e3o acabou<\/em>, de Zuenir Ventura<\/strong><\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A obra \u00e9 uma refer\u00eancia no Brasil sobre o assunto e teve uma edi\u00e7\u00e3o especial em 2018. No pref\u00e1cio dessa nova edi\u00e7\u00e3o, o autor comenta:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cApesar da resist\u00eancia do atraso, o Brasil \u00e9, inegavelmente, melhor do que era em 1968. As mudan\u00e7as de costumes e comportamentos foram tantas \u2014 e produzidas ao mesmo tempo \u2014 que est\u00e3o sendo responsabilizadas pela atual onda de conservadorismo que grassa aqui e no mundo, ou seja, tenta-se culpar o avan\u00e7o dos anos 1960 pelo retrocesso dos anos 2000.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Zuenir Ventura tamb\u00e9m destaca o quanto a falta de viv\u00eancia e conhecimento contribui para que a o regime militar brasileiro seja exaltado na atualidade:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201c[&#8230;] h\u00e1 entre os que n\u00e3o viveram os tempos de ditadura militar a falsa impress\u00e3o de que, gra\u00e7as \u00e0 ordem armada, n\u00e3o existia corrup\u00e7\u00e3o como a que se verifica atualmente no pa\u00eds. Um epis\u00f3dio apenas para desfazer esse engano: em 1968, o governo chegou a instalar uma Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00f5es para confiscar os bens adquiridos de maneira il\u00edcita por militares e agregados. Como se n\u00e3o fosse suficiente, em 1970 o Coordenador da Oban (bra\u00e7o clandestino da repress\u00e3o) prop\u00f4s ao Comando do II Ex\u00e9rcito uma Oban espec\u00edfica contra a corrup\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o era percebida pela sociedade porque uma implac\u00e1vel censura impedia que a imprensa noticiasse.\u201d\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/grupoautentica.com.br\/vestigio\/livros\/1968-quando-a-terra-tremeu\/1580\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>1968: Quando a Terra Tremeu, de Roberto Sander<\/strong><\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Sinopse<\/strong>: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">1968 \u00e9 um ano-chave para a hist\u00f3ria mundial e brasileira, repleto de epis\u00f3dios emblem\u00e1ticos, como o Maio Franc\u00eas e a Primavera de Praga, na Europa, e a Passeata dos Cem Mil e a imposi\u00e7\u00e3o do temido AI-5, num Brasil subjugado pelo regime militar. A abordagem do jornalista Roberto Sander neste livro, contudo, n\u00e3o se limita aos acontecimentos pol\u00edticos que t\u00e3o profundamente marcaram o per\u00edodo. [&#8230;] <\/span><span style=\"font-weight: 400\">m <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">1968 \u2013 Quando a Terra tremeu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Roberto Sander explora hist\u00f3rias saborosas e surpreendentes sobre ci\u00eancia, moda, comportamento, esporte e cultura em geral, daquele que foi um ano ainda mais complexo, assombroso e sedutor do que se sabe.<\/span><\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=4101480\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><i>1968: Eles s\u00f3 queriam mudar o mundo<\/i>, de Regina Zappa e Ernesto Soto<\/strong><\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sinopse: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Um verdadeiro almanaque ilustrado da gera\u00e7\u00e3o que disse n\u00e3o ao conformismo Do movimento estudantil \u00e0s trincheiras do Vietn\u00e3, das comunidades hippies \u00e0s passeatas pelos direitos civis, esse livro narra os principais eventos pol\u00edticos e culturais e as mudan\u00e7as de comportamento da \u00e9poca, no Brasil e no mundo. Organizado m\u00eas a m\u00eas, traz hist\u00f3rias saborosas, personagens emblem\u00e1ticos, as m\u00fasicas mais tocadas, os filmes que deram o que falar naquele ano, al\u00e9m de depoimentos e entrevistas com personalidades que viveram intensamente o momento. E mais: moda, Beatles, feminismo, astrologia, arte, teatro, pol\u00edtica, entre outros temas, em textos assinados por especialistas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><em>Imagem:\u00a0 Twitter\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os jovens ter\u00e3o que ficar em casa e torcer pelos av\u00f3s &#8220;. 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