{"id":7843,"date":"2021-02-21T13:14:50","date_gmt":"2021-02-21T16:14:50","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7843"},"modified":"2021-02-21T13:14:50","modified_gmt":"2021-02-21T16:14:50","slug":"a-literatura-e-cidade-invisivel-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7843","title":{"rendered":"Como a Literatura pode ajudar a entender Cidade Invis\u00edvel (Parte 1)"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Aten\u00e7\u00e3o: O texto cont\u00e9m spoilers da s\u00e9rie Cidade Invis\u00edvel<\/span><\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Cidade Invis\u00edvel<\/em>, da Netflix, \u00e9 um <a href=\"https:\/\/www.legiaojovem.com.br\/cidade-invisivel-e-sucesso-internacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sucesso<\/a> no Brasil e em outros 60 pa\u00edses. Mas tamb\u00e9m gerou controv\u00e9rsia ao n\u00e3o dar destaque aos povos origin\u00e1rios no roteiro, elenco e equipe de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0O fato gerou cr\u00edticas\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/colunas\/fefito\/2021\/02\/18\/cidade-invisivel-da-netflix-e-alvo-de-criticas-por-ativistas-indigenas.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lideran\u00e7as e ativistas ind\u00edgenas.<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A releitura do folclore brasileiro realmente d\u00e1 poucas explica\u00e7\u00f5es sobre a origem de personagens como Saci, Iara, Curupira e Boto. Mas a Literatura pode ser um bom caminho para compreender melhor as lendas e mitos citados na s\u00e9rie e ir al\u00e9m no assunto.<\/span><\/p>\n<h6><strong>Oportunidades perdidas<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7845 alignleft\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cidade_invisivel2-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>E havia possibilidades no roteiro para mais explica\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico a respeito do tema. Um exemplo disso s\u00e3o as cenas de Luna com o livro de folclore, que poderiam ter sido usadas como uma forma de detalhar as lendas do Saci e do Curupira. Ao inv\u00e9s disso, houve a op\u00e7\u00e3o por um lugar-comum de mostrar a conhecida hist\u00f3ria da armadilha para prender o Saci. Al\u00e9m disso, o livro usado como elemento cenogr\u00e1fico tamb\u00e9m mostra desenhos de um saci negro, sem nenhum tipo de esclarecimento a respeito. Por\u00e9m, vale lembrar que essa \u00e9 a vers\u00e3o mais consagrada do personagem, em fun\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00f5es como a do S\u00edtio do Picapau Amarelo. Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 qualquer men\u00e7\u00e3o no roteiro de que a lenda do Saci foi criada pelos guaranis, no Sul do Brasil. Incorporando, depois, elementos da cultura africana. Essa origem \u00e9 consenso entre os pesquisadores, como podemos ver <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/folclore\/saci-perere.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><strong>Origens pouco conhecidas<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7846 alignleft\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cidade_invisivel3.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>J\u00e1 o Curupira \u00e9 um dos mitos mais antigos do Brasil, tendo relatos escritos a respeito de sua hist\u00f3ria desde 1560. Sua origem \u00e9, indiscutivelmente, ind\u00edgena. Assim como a Iara e o Boto, que s\u00e3o lendas criadas por tribos da Amaz\u00f4nia. Como esses personagens em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cidade Invis\u00edvel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foram parar no Rio de Janeiro? Pelo menos at\u00e9 agora, n\u00e3o sabemos.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas tamb\u00e9m h\u00e1 cr\u00edticas injustas. Como ao fato de a Cuca n\u00e3o ser caracterizada como um jacar\u00e9. Essa confus\u00e3o \u00e9 gerada pelas adapta\u00e7\u00f5es televisivas do S\u00edtio do Picapau Amarelo. Por\u00e9m, de acordo com o <\/span><a href=\"https:\/\/livrariacirkula.com.br\/dicionario-do-folclore-brasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Dicion\u00e1rio do Folclore Brasileiro<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, de Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, a descri\u00e7\u00e3o f\u00edsica da cuca n\u00e3o \u00e9 um consenso dentro das origens ib\u00e9ricas da lenda. Conforme a publica\u00e7\u00e3o, ela seria uma vers\u00e3o feminina do bicho-pap\u00e3o. Al\u00e9m disso, suas hist\u00f3rias variam de acordo com a regi\u00e3o brasileira. Em Pernambuco, \u00e9 descrita como uma mulher velha e feia, uma esp\u00e9cie de feiticeira. O que parece un\u00e2nime \u00e9 que dificilmente a Cuca seria uma mulher linda e sedutora como Alessandra Negrini, mas a atua\u00e7\u00e3o (e beleza) da atriz compensam sua escolha no elenco.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\">Tutu Maramb\u00e1<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Com essas ressalvas, estou longe de dizer que n\u00e3o houve pesquisa na produ\u00e7\u00e3o de Carlos Saldanha (criador de sucessos de anima\u00e7\u00e3o como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Era do Gelo e Rio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) e para o roteiro assinado\u00a0 por Carolina Munhoz e Raphael Draccon. Tanto \u00e9 que a s\u00e9rie traz \u00e0 tona as lendas de Tutu Maramb\u00e1 e Corpo-Seco, personagens pouco conhecidos do grande p\u00fablico. Eles s\u00e3o mencionados no\u00a0<em>Dicion\u00e1rio do Folclore Brasileiro<\/em>, uma das publica\u00e7\u00f5es mais consagradas no pa\u00eds sobre o tema, que teve a primeira edi\u00e7\u00e3o em 1954. Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo aponta que Tutu <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 um assombrador de crian\u00e7as, uma esp\u00e9cie de bicho pap\u00e3o citado em cantigas e acalantos infantis, como a Cuca. De acordo com Cascudo, \u201ch\u00e1 v\u00e1rios tutus espantosos, tutu-zambeta, tutu-maramb\u00e1, tutu-do-mato.\u201d Sua transforma\u00e7\u00e3o em porco do mato tem origem no folclore da Bahia.\u00a0<\/span><\/p>\n<h6><strong>Corpo Seco<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 o vil\u00e3o Corpo Seco \u00e9 \u201cum <\/span><span style=\"font-weight: 400\">homem que passou pela vida semeando malef\u00edcios [&#8230;]\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ao morrer, nem Deus nem o Diabo o quiseram, e a pr\u00f3pria terra o repeliu enojada de sua carne, e um dia, [&#8230;] da tumba se levantou [&#8230;.] vagando e assombrando os viventes na calada da noite.\u201d \u00c9 um mito de origem europeia, a partir da cren\u00e7a de que cad\u00e1veres de seres humanos amaldi\u00e7oados n\u00e3o seriam desfeitos pela terra. Por isso, o corpo ficaria seco. Como s\u00e3o almas penadas, vagam pelo mundo, atormentando os vivos. Sendo assim, ainda \u00e9 um mist\u00e9rio porque o Corpo Seco da s\u00e9rie \u00e9 um perseguidor de seres m\u00edticos, ao inv\u00e9s de ser um inimigo dos seres humanos.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\">M\u00e9rito ineg\u00e1vel<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Os produtores da s\u00e9rie ainda n\u00e3o se pronunciaram sobre as cr\u00edticas \u00e0 falta de representatividade ind\u00edgena . Tor\u00e7o para que a segunda temporada de <em>Cidade Invis\u00edvel<\/em> traga mais elementos que expliquem as origens das lendas brasileiras. De qualquer forma, h\u00e1 o m\u00e9rito indiscut\u00edvel de despertar o interesse geral sobre o assunto. E, para mostrar que os mitos e lendas brasileiros v\u00e3o muito al\u00e9m do apresentado na s\u00e9rie, na semana que vem trarei algumas sugest\u00f5es de leitura. Selecionei livros de autoria ind\u00edgena ou de pesquisadores que tiveram contato direto com tribos ind\u00edgenas. Aguardem!<\/span><\/p>\n<p><em>Imagens: Netflix\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o: O texto cont\u00e9m spoilers da s\u00e9rie Cidade Invis\u00edvel Cidade Invis\u00edvel, da Netflix, \u00e9 um sucesso no Brasil e em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7847,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[2455,542,2458,2456,2459,2457],"class_list":["post-7843","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-cidade-invisivel","tag-critica","tag-dicionario-de-folclore-brasileiro","tag-folclore-brasileiro","tag-luis-da-camara-cascudo","tag-mitos-e-lendas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7843\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}