{"id":749,"date":"2017-02-16T10:04:17","date_gmt":"2017-02-16T12:04:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=749"},"modified":"2017-09-14T12:54:08","modified_gmt":"2017-09-14T15:54:08","slug":"apoie-as-drags-locais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=749","title":{"rendered":"Apoie as drags locais, elas s\u00e3o fabulosas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O meu primeiro contato com a cultura drag foi uma decorr\u00eancia de um dos meus primeiros contatos com o entretenimento LGBT em geral. Com a ideia \u2013 revolucion\u00e1ria para um guri de 18 anos rec\u00e9m-feitos \u2013 de que existiam espa\u00e7os onde eu poderia ser mais livre, mais leve e mais feliz. Ser mais eu, afinal. Era o ver\u00e3o de 2006 e eu estava rec\u00e9m come\u00e7ando a frequentar as festas LGBTs em Porto Alegre. Ali\u00e1s, naquela \u00e9poca ainda se usava o termo \u201cGLS\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma breve pausa: n\u00e3o posso deixar de solicitar um minuto de sil\u00eancio ao constatar que 2006 j\u00e1 \u00e9 considerado \u201cnaquela \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o foi na Capital que tive minha primeira experi\u00eancia com a cultura drag. Foi no litoral. Em Tramanda\u00ed havia a \u00fanica casa noturna LGBT de todo o Litoral Norte ga\u00facho. Era o saudoso Sunga\u2019s Bar. Um cub\u00edculo que milagrosamente (certamente pelos poderes de Cher) abrigava uma pista de dan\u00e7a, um palco, um bar, um arremedo de p\u00e1tio externo, uma sala com exibi\u00e7\u00e3o de filmes pornogr\u00e1ficos e, claro, um dark room.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi no Sunga\u2019s Bar que vi a primeira apresenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma drag queen. At\u00e9 hoje nunca vou esquecer a performance memor\u00e1vel da Castanha, que dublou <a href=\"https:\/\/youtu.be\/mRt17QWWVM4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cVai Wilson, vai\u201d<\/a> com maestria. Castanha, para quem n\u00e3o sabe, \u00e9 uma personagem hist\u00f3rica da cena transformista. Inclusive h\u00e1 um <a href=\"https:\/\/youtu.be\/El7iLi_ZD5M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">longa-metragem que leva seu nome<\/a>\u00a0e um pouco de sua arte, dirigido pelo ga\u00facho Davi Pretto.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A gente costuma crescer achando que n\u00e3o existem outros LGBTs no mundo&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A performance de Castanha me marcou. Eu ainda estava desbravando um mundo novo para mim: o de festas e ambientes de sociabilidade onde eu podia sair livremente com meus amigos, flertar, beber, dan\u00e7ar e absorver todo tipo de refer\u00eancia cultural que a heteronormatividade sempre manteve\u00a0bem distante. A gente costuma crescer achando que n\u00e3o existem outros LGBTs no mundo. Que somos os \u00fanicos e, portanto, que deve ter alguma coisa errada conosco. At\u00e9 que um dia eu descobri que somos muitos. Que somos incrivelmente diversos e criativos. E isso me fortaleceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ru Paul&#8217;s Drag Race<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, a cultura drag parece ter ganhado um novo impulso. Uma nova onda de visibilidade se espalhou a partir do surgimento do seriado RuPaul\u2019s Drag Race, um reality show dirigido pela maior celebridade drag dos Estados Unidos, Ru Paul. Ou mama Ru, como costumam dizer suas filhas \u2013 e elas s\u00e3o muitas. De 2009 para c\u00e1, foram oito temporadas, al\u00e9m de duas s\u00e9ries especiais onde competiam apenas ex-participantes. A nona temporada j\u00e1 est\u00e1 saindo do forno, deve estrear em julho deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao todo, mais de 100 drags j\u00e1 passaram pela competi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que muitas delas redefiniram ou consolidaram completamente suas carreiras a partir da exposi\u00e7\u00e3o obtida no reality show. Com pr\u00eamios milion\u00e1rios e patrocinadores de peso (grandes marcas de cosm\u00e9ticos, de perucas, de vestidos, acess\u00f3rios e joias), RuPaul\u2019s Drag Race se converteu em uma verdadeira ind\u00fastria de entretenimento drag, com proje\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou um f\u00e3 da cultura drag e vi absolutamente todas as temporadas de RuPaul. Gritei diante das tretas. Vibrei quando minhas preferidas ganharam. Odiei a Phi-Phi O\u2019Hara um milh\u00e3o de vezes. E sei na ponta da l\u00edngua muitos bord\u00f5es. Mas nada disso me impede de refletir sobre os\u00a0limites deste tipo de exposi\u00e7\u00e3o, a utilidade de seus discursos e a necessidade de construirmos narrativas pr\u00f3prias e independentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Drags locais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a arte drag est\u00e1 sendo revigorada e reinventada por jovens talentos que deixam qualquer um de queixo ca\u00eddo. Em Porto Alegre, especificamente, me alegra muito ver uma cena drag criativa e rebelde. Ver que existem trocas e di\u00e1logos entre as refer\u00eancias e as que est\u00e3o come\u00e7ando agora. Ver que j\u00e1 existem fam\u00edlias se consolidando, como a maravilhosa <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/queensarahvika?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sarah Vika<\/a> e sua filha <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/VitzQueen?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vitz Vika<\/a>. Ver que as mais distintas inspira\u00e7\u00f5es e est\u00e9ticas moldam a arte de nomes como <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CHARLENEVOLUNTAIRE?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Charlene Voluntaire<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/DragCassandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cassandra Calabou\u00e7o<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/bellezboo?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Belle Z<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rebecarebu\/?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rebeca Rebu<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/eva.w.king.9?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eva King<\/a>, Sayuri, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/theayoqueen?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ayo<\/a> e tantas outras. \u00c9 at\u00e9 uma injusti\u00e7a eu me atrever a citar nomes aqui, pois certamente estou \u2013 por esquecimento ou por ainda n\u00e3o conhecer \u2013 deixando de mencionar muitos talentos. Temos, inclusive, um drag king: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/dragkingbrazil?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Le\u00f3n Rojas<\/a>, que questiona os padr\u00f5es de masculinidade atrav\u00e9s de sua arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rebeldia sempre fez parte da cultura drag. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a revolta de Stonewall foi protagonizada por drag queens e travestis. Em agosto de 2016, em uma apresenta\u00e7\u00e3o no Vitraux \u2013 uma das casas noturnas LGBTs mais antigas de Porto Alegre \u2013 a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/almanegrotreal\/?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alma Negrot<\/a> transformou sua performance em um grito de luta contra a viol\u00eancia policial. Outra drag ergueu um cartaz com os dizeres \u201cFora Temer\u201d e incendiou o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversas festas t\u00eam surgido com a ideia de promover a cultura drag. Muitas delas trazem drags famosas, ex-participantes de RuPaul\u2019s Drag Race, o que costuma atrair um p\u00fablico consider\u00e1vel. \u00c9 uma estrat\u00e9gia inteligente, se aliada com o devido espa\u00e7o para apresenta\u00e7\u00f5es das drags locais \u2013 o que me parece estar ocorrendo na maioria dos casos. N\u00f3s precisamos apoiar cada vez mais as drags das nossas cidades. Elas s\u00e3o fabulosas. Inclusive se voc\u00ea \u00e9 f\u00e3 de alguma, aproveite este espa\u00e7o para comentar e divulgar seu trabalho. A nossa diversidade \u00e9 o que nos fortalece!<\/p>\n<p><em>Cr\u00e9dito da foto: Fernanda Piccolo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meu primeiro contato com a cultura drag foi uma decorr\u00eancia de um dos meus primeiros contatos com o entretenimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":754,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[236,234,134,130,237,235,11,34],"class_list":["post-749","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-samir-oliveira","tag-drag-queen","tag-drags","tag-igualmente","tag-lgbt","tag-ru-pauls-drag-race","tag-samir-oliveira","tag-vos","tag-vos-social"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/749\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}