{"id":7393,"date":"2020-08-30T19:50:09","date_gmt":"2020-08-30T22:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7393"},"modified":"2021-04-15T15:31:54","modified_gmt":"2021-04-15T18:31:54","slug":"epidemia-de-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7393","title":{"rendered":"Epidemia de ansiedade . Pesquisa indica que 81% dos brasileiros est\u00e3o mais ansiosos desde o in\u00edcio da pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMrs Dalloway disse que ela mesma iria comprar as flores.\u201d O romance de Virg\u00ednia Woolf que leva o nome da protagonista e foi publicado originalmente em 1925 come\u00e7a assim. Uma rotina parecida com a da nossa Clarissa*, acostumada a comprar as flores &#8211; ou a assumir o comando das coisas enquanto lida com a ansiedade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>.<\/em><\/p>\n<p><em>Por Fl\u00e1via Cunha \u00a0e Ge\u00f3rgia Santos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia transcorria tranquilamente, exceto pelo peso de mais uma responsabilidade. Pela primeira vez desde o in\u00edcio da pandemia de coronav\u00edrus, ela precisaria participar de uma reuni\u00e3o presencial. A ideia n\u00e3o era confort\u00e1vel por uma s\u00e9rie de motivos, mas talvez o principal fosse o medo de se expor ao v\u00edrus. Ela temia n\u00e3o apenas ficar doente, mas principalmente infectar algu\u00e9m da fam\u00edlia. Afinal, Clarissa divide a casa com outros tr\u00eas e ajuda a cuidar dos pais idosos e, tamb\u00e9m por isso, convive bastante com eles e com as irm\u00e3s. Ela n\u00e3o sa\u00eda de casa h\u00e1 meses, mas mesmo assim era obrigada a dividir o espa\u00e7o, pelo menos, com essas pessoas. Naquele momento, era quase impercept\u00edvel, mas ela sentia que uma esp\u00e9cie de afli\u00e7\u00e3o estava tomando conta do corpo e da mente de uma forma que ela sentira poucas vezes antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Rosas, pensou, sarcasticamente. Bobagens, minha cara, Pois em verdade quando se tem de beber comer e deitar, tanto nos bons como nos mais dias, a vida n\u00e3o tem nada a ver com rosas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Mrs Dalloway &#8211; Virginia Woolf<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela lembrava de duas ocasi\u00f5es em que algo parecido aconteceu. Mas n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o \u00e0quela lembran\u00e7a, afinal, em ambos os casos ela estava em viagem e esse deveria ser o motivo dos desconfortos passados. Nada a ver com o acontecia agora, ela acreditava. O que acontecia agora parecia, de alguma forma, mais potente, mais intenso. Nem por isso cogitou faltar ao compromisso. Em vez disso, decidiu ligar para a filha e espairecer.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><em>.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>\u201cOi, tudo bem?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Tudo e por a\u00ed?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>N\u00e3o sei, tenho que ir a uma reuni\u00e3o amanh\u00e3, mas n\u00e3o queria.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Ent\u00e3o n\u00e3o vai, tem mil justificativas pra n\u00e3o participar de uma reuni\u00e3o a essas alturas. ?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Eu preciso ir, mas acho que fico com medo de me expor.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>\u00c9 normal sentir medo, eu tamb\u00e9m teria. Mas se tu n\u00e3o tem como faltar, \u00e9 s\u00f3 se proteger bastante. Usa m\u00e1scara, leva \u00e1lcool gel e fica longe das pessoas. O lugar \u00e9 grande?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Sim, \u00e9 bastante espa\u00e7oso e tem uma mesa grande, n\u00f3s podemos nos sentar e ficar longe uns dos outros, eu acho.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>E \u00e9 bem ventilado?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Tem uma janela.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Fica perto da janela, ent\u00e3o, j\u00e1 ajuda.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Mas t\u00e1 muito frio, guria.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Aguenta, oras. (risos) T\u00e1, n\u00e3o precisa ficar NA janela, mas fica perto. Vai ter muita gente?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Acho que n\u00e3o, umas cinco ou seis pessoas. ?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Ah, ent\u00e3o fica tranquila. Toma esses cuidados e tentem n\u00e3o ficar mil anos conversando. Faz tudo rapidinho.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Pera a\u00ed que a campainha t\u00e1 tocando, j\u00e1 te ligo.\u201d<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><em>.<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o de afli\u00e7\u00e3o e de ang\u00fastia que Clarissa estava sentindo era uma manifesta\u00e7\u00e3o de ansiedade. Algo bastante comum na popula\u00e7\u00e3o em geral, especialmente durante uma pandemia, em que o medo de se infectar ou de ser respons\u00e1vel pela contamina\u00e7\u00e3o de outras pessoas pode ser sufocante. Mas al\u00e9m do medo, h\u00e1 outras dois fatores de estresse: a sobrecarga com quest\u00f5es de casa e da fam\u00edlia e o isolamento em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tanto \u00e9 assim que Clarissa n\u00e3o est\u00e1 sozinha. <\/strong><strong>Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o\u00a0Brasil vive uma epidemia tamb\u00e9m de ansiedade. \u00c9 o pa\u00eds com a maior taxa de\u00a0pessoas\u00a0com transtornos de\u00a0ansiedade\u00a0no mundo. O levantamento indica que 9,3% dos brasileiros t\u00eam algum tipo de transtorno nesse sentido, o que corresponde a mais de 18 milh\u00f5es de pessoas. E o problema se agravou agora.\u00a0<\/strong><strong>Pesquisa do Datafolha\/C6 Bank realizada em julho deste ano com mais de 1500 entrevistados mostra que 81% dos brasileiros se sentiram mais estressados ou ansiosos com os cuidados com a fam\u00edlia e a casa desde o in\u00edcio da pandemia de coronav\u00edrus, em mar\u00e7o. Al\u00e9m disso, 68% afirmam que as exig\u00eancias e obriga\u00e7\u00f5es dentro do ambiente familiar tamb\u00e9m aumentaram, especialmente para as mulheres.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa ainda mostra que 43% dos entrevistados se sentem solit\u00e1rios e que esse sentimento de isolamento e solid\u00e3o \u00e9 mais intenso entre os moradores do interior. O n\u00famero chega a 46% ante 39% dos residentes nas regi\u00f5es metropolitanas. Al\u00e9m disso, os integrantes das classes D\/E (defini\u00e7\u00f5es pr\u00e9-estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)) tamb\u00e9m relatam sentir mais os efeitos da solid\u00e3o. O percentual chega a 51% dos entrevistados. Tamb\u00e9m nesse caso os efeitos parecem ter um peso extra sobre as mulheres, que tendem a sentir mais os efeitos do isolamento social uma vez que os relatos de aumento nas exig\u00eancias e obriga\u00e7\u00f5es na fam\u00edlia, o sentimento de isolamento e o uso de medicamentos para a ansiedade s\u00e3o mais frequentemente citados do que entre os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0quela altura, Clarissa ainda n\u00e3o fazia parte dos 19% de mulheres que responderam precisar de rem\u00e9dio para controlar a ansiedade, mas, como ela ficaria sabendo em seguida, esse dia n\u00e3o demoraria a chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem estava \u00e0 porta de Clarissa era um dos colegas que participariam do encontro no dia seguinte. Ele queria discutir algumas coisas antes da reuni\u00e3o. A simples presen\u00e7a daquela pessoa \u00e0 porta foi suficiente para despertar um medo que ela jamais havia sentido. Era um pavor paralisante que come\u00e7ava no peito e era irradiado para as extremidades do corpo. Ela n\u00e3o convidou o amigo para entrar, mas conforme se afastava dele, ele se aproximava. E a cada passo, o p\u00e2nico aumentava. Ela tratou de encerrar a conversa o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e, assim, achou que ficaria mais tranquila, mas n\u00e3o foi o que aconteceu. O medo aumentou e uma sensa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia tomou conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Horr\u00edvel, pensava, adivinhar mover-se nela aquele monstro brutal! ouvir ramos estralejando e sentir aqueles cascos nas profundezas dessa floresta cheia de folhas, a alma; nunca estar inteiramente alegre, nem inteiramente segura, pois a qualquer momento o animal podia estar movendo-se; \u00f3dio que, especialmente depois da sua doen\u00e7a, fazia-lhe sentir um doloroso arrepio na espinha; causava-lhe uma dor f\u00edsica, todo o prazer da beleza, da amizade, do bem-estar, de sentir-se amada, de tornar a casa deliciosamente acolhedora, tudo vacilava e pendia, como se na verdade houvesse um monstro a roer as ra\u00edzes, como se toda a pan\u00f3plia do contentamento n\u00e3o fosse mais que amor pr\u00f3prio! e aquele \u00f3dio!\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Mrs Dalloway &#8211; Virginia Woolf<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela come\u00e7ou a limpar o ch\u00e3o que ele havia pisado com \u00e1gua sanit\u00e1ria. Em seguida, usou \u00e1lcool 70% para higienizar ma\u00e7aneta, porta, tudo o que via pela frente. Mas nada parecia funcionar, o c\u00e9rebro simplesmente n\u00e3o entendia os sinais que ela queria enviar. Ent\u00e3o, a respira\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ficar mais intensa, mais r\u00e1pida, da mesma forma que as batidas do cora\u00e7\u00e3o. Ele pulsava de maneira fren\u00e9tica e ela ficou assustada. Isso era novo. Pensamentos horr\u00edveis invadiram sua mente e ela achou que poderia morrer ali, naquele momento. Ofegante, resolveu ligar para a filha novamente.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><em>.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Oi.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Oi, t\u00e1 tudo bem? Tu t\u00e1 ofegante.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>N\u00e3o, eu n\u00e3o sei o que aconteceu. O Pedro* veio aqui e de repente eu fiquei tomada de medo.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>M\u00e3e\u2026<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Eu acho que nem ouvi o que ele falou e n\u00e3o sei se eu articulei as palavras direito.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>M\u00e3e\u2026<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Comecei a limpar tudo, limpei onde ele pisou, acho que ajuda, n\u00e9?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Sim, mas\u2026<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>E agora eu n\u00e3o sei, eu t\u00f4 ofegante, meu cora\u00e7\u00e3o t\u00e1 batendo r\u00e1pido.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>M\u00e3e, tu t\u00e1 tendo uma crise de ansiedade.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Ser\u00e1?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Sim, teu cora\u00e7\u00e3o t\u00e1 batendo mais forte?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Sim.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>T\u00e1 ofegante, como se n\u00e3o conseguisse respirar direito?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Sim.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>T\u00e1 com medo?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>T\u00f4, t\u00f4 tremendo.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>T\u00e1 achando que vai morrer agora?<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: left;\"><em>Sim.<\/em><\/h6>\n<h6><em>Tu t\u00e1 tendo uma crise de ansiedade. Senta em uma cadeira e apoia os p\u00e9s firmes no ch\u00e3o e respira fundo. Isso vai passar. Tenta respirar de forma bem lenta e calma e focar teus pensamentos na respira\u00e7\u00e3o. Inspira em quatro, prende quatro e solta em quatro. faz isso algumas vezes. Depois, faz um ch\u00e1 de camomila. E fica conversando comigo. Pode deixar no viva-voz. Amanh\u00e3 a gente fala com teu m\u00e9dico.<\/em><\/h6>\n<p><em>*O nome foi modificado a pedido da entrevistada<\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><em>.<\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao 61 anos, pela primeira vez na vida, a advogada estava conhecendo uma crise de ansiedade.<\/strong> <strong>A manifesta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m chamada de ataque de p\u00e2nico, ocorre de forma abrupta no momento em que os sintomas de ansiedade alcan\u00e7am um pico e\u00a0 sobrecarregam o indiv\u00edduo.<\/strong> Quando as sensa\u00e7\u00f5es de medo dominam a mente, elas ativam gatilhos que geram uma esp\u00e9cie de curto-circuito que provoca extrema inseguran\u00e7a e descontrole. O organismo libera, ent\u00e3o, noradrenalina\u00a0e\u00a0adrenalina, que s\u00e3o subst\u00e2ncias respons\u00e1veis, al\u00e9m de outros processos, pelas manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que duram alguns minutos em alta intensidade. A noradrenalina \u00e9 um horm\u00f4nio e neurotransmissor cuja principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 preparar o corpo para uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, tanto que \u00e9 conhecida como uma subst\u00e2ncia de luta ou fuga. J\u00e1 a adrenalina, um horm\u00f4nio secretado pelas gl\u00e2ndulas suprarrenais,\u00a0 \u00e9 liberada em casos de estresse extremos e age como um mecanismo de defesa para uma a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Por isso s\u00e3o liberados em momentos de p\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o psiquiatra \u00c9rico Moura, a crise de ansiedade \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica como um todo. Assim como aconteceu com a Clarissa, \u00e9 poss\u00edvel notar sintomas cardiovasculares, auton\u00f4micos e psicol\u00f3gicos. \u201cS\u00e3o sintomas muito desconfort\u00e1veis. Normalmente a pessoa tem uma sensa\u00e7\u00e3o de que ela vai morrer agora, que ela n\u00e3o vai suportar, vai cair, desmaiar, ter um infarto, um AVC, ent\u00e3o d\u00e1 um medo de morrer. E com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s repercuss\u00f5es f\u00edsicas, a pessoa normalmente tem uma taquicardia, o cora\u00e7\u00e3o acelera, d\u00e1 palpita\u00e7\u00f5es, aquela sensa\u00e7\u00e3o de que o cora\u00e7\u00e3o vai sair pela boca, d\u00e1 um n\u00f3 na garganta. Algumas pessoas descrevem como uma bola na garganta, que sobe e desce. E tem as repercuss\u00f5es de suar, tremer, pode dar, \u00e0s vezes, diarreia, tontura e a pessoa se sente mal ao ponto de precisar deitar porque a press\u00e3o baixou. E s\u00e3o sintomas que come\u00e7am r\u00e1pido. Ela pode passar o dia ansiosa, mas uma crise de p\u00e2nico acontece abruptamente. De uma hora pra outra esse gatilho dispara\u201d, disse. Foi o que aconteceu com Clarissa, de uma hora para outra, o gatilho disparou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o m\u00e9dico, se o paciente conhece uma crise de ansiedade, se j\u00e1 passou por uma, \u00e9 relativamente mais f\u00e1cil lidar com ela, porque j\u00e1 est\u00e1 acostumado com os sintomas e reconhece a manifesta\u00e7\u00e3o. Mas quem nunca teve uma crise de ansiedade, sofre ainda mais.\u00a0 Para \u00c9rico Moura, s\u00e3o as pessoas que mais sofrem. \u201cElas, de fato, acham que est\u00e3o tendo um infarto, um AVC, ou, agora, que est\u00e3o com coronav\u00edrus. E a\u00ed \u00e9 mais complicado porque ainda n\u00e3o tem conhecimento de si, n\u00e3o sabe que \u00e9 portador de um transtorno mental de ansiedade. Por isso, se estiver sozinho, \u00e9 importante tentar se acalmar e ligar para algu\u00e9m. Pra um familiar, amigo ou pra um canal de atendimento solid\u00e1rio em sa\u00fade mental.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Clarissa, mesmo sem saber, agiu de forma adequada e ligou para a filha, que, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, recomendou um exerc\u00edcio de respira\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 medica\u00e7\u00f5es que podem ser usadas apenas em crises de ansiedade e s\u00e3o prescritas por m\u00e9dicos. Mas se \u00e9 a primeira vez que acontece, h\u00e1 medidas comportamentais que podem ser adotadas, como ir para um lugar silencioso, mais escuro, sem est\u00edmulos visuais e sonoros e procurar puxar o ar lentamente pelo nariz e soltar lentamente pela boca. Durante uma crise de ansiedade, como o cora\u00e7\u00e3o acelera, a respira\u00e7\u00e3o acelera junto para compensar a resposta cardiovascular. E quando a gente acelera a respira\u00e7\u00e3o, a gente acumula g\u00e1s carb\u00f4nico e d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o muito ruim de mal estar que pode causar at\u00e9 desmaio. Ent\u00e3o, \u00e9 importante respirar lentamente. Algumas pessoas usam at\u00e9 um canudinho porque ajuda mecanicamente a puxar o ar mais devagar e soltar mais calmamente\u201d, explicou o psiquiatra.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-ansiedade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7979 aligncenter\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-ansiedade.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-ansiedade.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-ansiedade-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-ansiedade-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-ansiedade-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentir ansiedade neste e em outros momentos \u00e9 absolutamente normal, segundo o psiquiatra \u00c9rico Moura. \u00c9 preciso estar atento, por\u00e9m, aos efeitos que isso causa na rotina. Ou seja, quando a ansiedade come\u00e7a a atrapalhar a rotina e impacta a sa\u00fade ou causa preju\u00edzos sociais e profissionais, \u00e9 necess\u00e1rio procurar um m\u00e9dico psiquiatra, porque a pessoa pode estar lidando com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), depress\u00e3o ou S\u00edndrome do P\u00e2nico, cuja incid\u00eancia, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), \u00e9 estimada em 1,5% a 3,5% da popula\u00e7\u00e3o. Novamente, acomete mais mulheres do que homens, na propor\u00e7\u00e3o de 2 para 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>.<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>SINAIS<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psiquiatra \u00c9rico Moura recomenda prestar aten\u00e7\u00e3o aos detalhes, porque toda mudan\u00e7a de funcionamento do organismo, especialmente o padr\u00e3o de sono e apetite. \u201cEu gosto de dar aten\u00e7\u00e3o especial ao sono, ele funciona como um term\u00f4metro do humor. Quando a gente est\u00e1 deprimido, normalmente tem altera\u00e7\u00e3o no sono. Ou dorme pouco, ou dorme muito. E quando a gente est\u00e1 ansioso, geralmente dorme pouco ou tem dificuldade para come\u00e7ar a dormir, ent\u00e3o tem que estar atento a isso. Se ficar dois ou tr\u00eas dias com o sono alterado, \u00e9 bom procurar o m\u00e9dico ou o servi\u00e7o de sa\u00fade para saber o que fazer\u201d, orientou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Bem, pensava Clarissa pelas tr\u00eas horas da madrugada, lendo o bar\u00e3o Marbot pois n\u00e3o conseguia dormir, isso demonstra que ela tem cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Mrs Dalloway &#8211; Virginia Woolf<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-sono.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7980\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-sono.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-sono.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-sono-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-sono-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-sono-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passada a crise de ansiedade, Clarissa foi capaz de perceber que h\u00e1 alguns dias havia algo errado. Ela n\u00e3o dormia bem h\u00e1 mais de uma semana e comia pouco. Sem notar, havia emagrecido bastante. Era o sinal de que ela realmente precisava de ajuda m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Mesmo o sabor (Rezia gostava de sorvetes, chocolates, coisas doces) n\u00e3o tinha gosto para ele. Pousava a x\u00edcara na mesinha de m\u00e1rmore. Olhava as pessoas l\u00e1 fora; pareciam felizes, reunindo-se no meio da rua, gritando, rindo, discutindo por nada. Mas n\u00e3o conseguia saborear, n\u00e3o conseguia sentir.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Mrs Dalloway &#8211; Virginia Woolf<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o psiquiatra \u00c9rico Moura, esse \u00e9 o caminho a seguir. Inclusive quando a pessoa perceber que se sente atrapalhada para realizar as atividades de rotina\u00a0 e at\u00e9 mesmo a higiene pessoal. \u201cTem um canal online que a Associa\u00e7\u00e3o de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e outras entidades criaram pra receber essa demanda. \u00c9 um coletivo de sociedades de psicologia, psiquiatria e psican\u00e1lise em que volunt\u00e1rios se disponibilizaram para atender essa demanda durante a pandemia e eu sou um desses profissionais. A gente ouve as queixas e d\u00e1 o melhor encaminhamento poss\u00edvel\u201d, diz. Para atendimento online, basta preencher <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/1SSxTdYJAWtKDs5uBlyLoGNUIK_uCIvCU-i4mFpbm7aU\/viewform?edit_requested=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este formul\u00e1rio<\/a> e aguardar o contato. No Rio grande do Sul, ainda \u00e9 poss\u00edvel contatar o servi\u00e7o pelo telefone (51)\u00a0 32243340, das 9h \u00e0s 18h. O servi\u00e7o \u00e9 oferecido pela Associa\u00e7\u00e3o de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Sociedade Brasileira de Psican\u00e1lise de Porto Alegre, Centro de Estudos de Psiquiatria Integrada, Centro de Estudos de Atendimento e Pesquisa da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia, Instituto de Ensino e Pesquisa em Psicoterapia, ITIPOA e Centro de Estudos Lu\u00eds Guedes.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP) tamb\u00e9m produziu o <a href=\"https:\/\/portalarquivos2.saude.gov.br\/images\/pdf\/2020\/May\/29\/Manual-Sa--de-Mental-e-COVID-19.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manual Sa\u00fade Mental e Covid-19<\/a>, que traz sugest\u00f5es de como reduzir o impacto negativo do isolamento social e da quarentena na sa\u00fade mental.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>.<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>HIST\u00d3RICO DE ANSIEDADE E DEPRESS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso foi uma novidade para Clarissa, que sempre se viu como uma pessoa pr\u00e1tica e racional. N\u00e3o estar no controle da situa\u00e7\u00e3o foi uma novidade e ainda \u00e9 dif\u00edcil de aceitar que ela esteja sofrendo com depress\u00e3o e TAG. Mesmo assim, ela est\u00e1 em tratamento, medicada e engajada em sess\u00f5es de psicoterapia. E, assim como ela, h\u00e1 muitas pessoas que descobriram esses sentimentos agora, durante a pandemia do novo coronav\u00edrus. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 milh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 tinham hist\u00f3rico de ansiedade e depress\u00e3o e agora precisam lidar com um novo problema global. Al\u00e9m de ser o pa\u00eds mais ansioso do mundo,\u00a0dados da OMS ainda indicam que o\u00a0Brasil\u00a0\u00e9 o quinto em casos de depress\u00e3o, que atinge\u00a0 5,8% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E essas pessoas, apesar de relativamente acostumadas ao problema, precisam de aten\u00e7\u00e3o redobrada neste per\u00edodo. O psiquiatra \u00c9rico Moura ressalta que a pessoa que j\u00e1 foi diagnosticada deve manter as orienta\u00e7\u00f5es recebidas pelo m\u00e9dico e manter o uso da medica\u00e7\u00e3o, se for o caso. \u201cSe estiver sem uso de medica\u00e7\u00e3o, apenas fazendo psicoterapia, pode tentar manter o atendimento online. \u00c9 muito importante manter as suas rotinas, as atividades di\u00e1rias.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade mental do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre, institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica ligada \u00e0 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, realizaram uma pesquisa durante a pandemia. O estudo <strong><em>O impacto do distanciamento social nos ritmos biol\u00f3gicos e na sa\u00fade mental: um estudo da efetividade de interven\u00e7\u00f5es em ritmos biol\u00f3gicos e sono\u00a0<\/em><\/strong>foi feito \u00e0 dist\u00e2ncia, com volunt\u00e1rios selecionados pelas redes sociais. A jornalista do V\u00f3s Fl\u00e1via Cunha foi uma das escolhidas e,\u00a0 seguir, compartilha um pouco da rotina de monitoramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada participante recebeu um <em>act\u00edgrafo<\/em>, um equipamento para monitorar ciclos de atividade e descanso. O aparelho, semelhante na apar\u00eancia a um rel\u00f3gio de pulso, devia ser usado ao longo dos cerca de 40 dias de estudo. A outra parte da pesquisa era o preenchimento di\u00e1rio de um question\u00e1rio online, com quest\u00f5es relacionadas ao sono, energia e concentra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m havia perguntas sobre a frequ\u00eancia de h\u00e1bitos, como assistir notici\u00e1rios, praticar exerc\u00edcios f\u00edsicos e fazer atividades de lazer.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>UM DIA RUIM<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAcordei meio zonza depois de uma madrugada de ins\u00f4nia e ansiedade. Os pensamentos negativos foram se acumulando, enquanto as horas se passavam e o sono n\u00e3o vinha. Me imaginei contaminada. Como conseguiria atendimento sem plano de sa\u00fade? De que forma daria conta dos projetos que assumi? E aquele livro que estou produzindo, ser\u00e1 lan\u00e7ado se eu ficar doente? E o evento online l\u00e1 em novembro? O que aconteceria? O cora\u00e7\u00e3o foi apertando, enquanto eu pensava nas contas que ficariam atrasadas se eu n\u00e3o pudesse trabalhar devido ao Covid. Mesmo estando confinada, h\u00e1 tantos meses, corro risco porque meu marido segue trabalhando e convivendo com v\u00e1rias pessoas. Sai de casa de m\u00e1scara, tranquilo e sem pensar na possibilidade de ser mais um na longa lista de casos da doen\u00e7a. Gostaria de ser assim, de n\u00e3o me preocupar\u2026 Porque agora estaria dormindo, como ele. Depois de poucas horas de sono, acordo e preencho o formul\u00e1rio da pesquisa. Nada muito bom para relatar.\u201d\u00a0 &#8211;\u00a0<\/em><em>Fl\u00e1via Cunha<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo de se infectar, segundo o m\u00e9dico psiquiatra \u00c9rico Moura, \u00e9 normal. Isso n\u00e3o significa que seja f\u00e1cil lidar com ele. \u201cEu acho que tem duas estrat\u00e9gias, uma individual e outra social ou familiar. Do ponto de vista individual, a gente tem que parar pra pensar no que est\u00e1 acontecendo. Existem muitos sentimentos. Neste momento, o medo \u00e9 um sentimento predominante, seja o medo de ficar doente, de se contaminar, de contaminar as pessoas que a gente ama ou as pessoas que est\u00e3o ao nosso redor. E o medo de todos, o medo da morte. Ao identificar o que nos d\u00e1 medo e gera ang\u00fastia ou apatia, ajuda bastante procurar canais pra resolver isso.\u201d Ele explica que \u00e9 importante n\u00e3o sufocar esse sentimento. Ou seja, \u00e9 fundamental procurar resolver com algum profissional ou conversar com as pessoas que est\u00e3o \u00e0 nossa volta. \u201c\u00c9 importante falar sobre as coisas. O t\u00e9dio, o vazio, a ang\u00fastia, o que a gente tem que fazer, o que deixou de fazer, o que a gente vai perder em termos de ganhos financeiros, de oportunidades. Porque as pessoas que est\u00e3o ao nosso redor est\u00e3o sentindo coisas parecidas, perdendo coisas. Ent\u00e3o pensar sobre isso \u00e9 fundamental.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-DICAS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7981 aligncenter\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-DICAS.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-DICAS.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-DICAS-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-DICAS-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-DICAS-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psiquiatra \u00c9rico Moura alerta, ainda, que \u00e9 importante estar bem informado e procurar usar as fontes mais confi\u00e1veis do jornalismo. Mas sem exageros. \u201cExiste uma m\u00fasica do <a href=\"https:\/\/www.letras.mus.br\/jorge-drexler\/data-data\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge Drexler<\/a> que diz \u201cData, data, data, data, data, data, data \/ C\u00f3mo se bebe de una catarata\u201d. Ou seja, com essa quantidade de dados que a gente recebe, como beber dessa cachoeira. Eu acho que \u00e9 como uma dieta, a gente n\u00e3o pode comer muito, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode n\u00e3o comer nada. Ent\u00e3o eu acho que a qualidade da nossa comida, da nossa informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental para que a gente possa fazer uma digest\u00e3o boa. Se a comida for muito pesada, vai demandar uma digest\u00e3o mais longa. Ent\u00e3o, nesse momento, o ideal \u00e9 &#8220;comer&#8221; a informa\u00e7\u00e3o aos poucos. Ficar se &#8220;embebedando&#8221; de uma informa\u00e7\u00e3o t\u00f3xica, n\u00e3o ajuda, s\u00f3 aumenta a ansiedade. A gente tem que saber o que est\u00e1 acontecendo no mundo, ao redor da gente, mas o mais importante \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>UM DIA BOM<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c\u00c9 poss\u00edvel ser feliz durante uma pandemia? Me questiono, enquanto vibro com uma conquista profissional alcan\u00e7ada no privil\u00e9gio do home office classe m\u00e9dia. Cheia de energia e foco, meus dedos percorrem com agilidade o teclado do notebook, terminando mais um texto antes do dia do prazo final. Me levanto da cadeira sorrindo e vou tomar uma \u00e1gua. Decido me exercitar em casa ao som de uma boa m\u00fasica. Quase uma hora de atividade f\u00edsica, enquanto meus pensamentos percorrem as tarefas que preciso executar durante a semana. Penso nos milhares de mortos pelo coronav\u00edrus e meu entusiasmo diminui um pouco. Olho o celular, confiro as mensagens. Dou risada de um meme engra\u00e7ado, com um pouco de remorso. O preenchimento do formul\u00e1rio acusar\u00e1 minha boa energia nesse dia e n\u00e3o sei se fico feliz ou triste com isso. A alegria na quarentena \u00e9 um pouco envergonhada.&#8221;\u00a0 &#8211; Fl\u00e1via Cunha<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-bons-habitos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7982 aligncenter\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-bons-habitos.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-bons-habitos.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-bons-habitos-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-bons-habitos-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Card-bons-habitos-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo sentimento \u00e9 v\u00e1lido. No livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, existe um abismo entre quem os personagens s\u00e3o, o que cada um sente na intimidade e o que parecem ser.\u00a0Septimus, por exemplo, carrega um trauma vivido na Primeira Guerra e n\u00e3o consegue falar dessa dor; Lucrezia, esposa de Septimus, n\u00e3o entende o marido e sofre com o fato de que a vida \u00e9 diferente do que ela esperava; Peter lamenta um amor n\u00e3o correspondido; Richard tem dificuldade de expressar o que pensa. Na vida fora dos livros, decerto, n\u00e3o \u00e9 diferente. E em um momento como esse, o ajuste \u00e9 ainda mais dif\u00edcil e delicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 um momento em que a gente precisa se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as, que s\u00e3o constantes. Cada dia uma nova disposi\u00e7\u00e3o, cada dia um novo decreto, uma nova trag\u00e9dia, uma nova esperan\u00e7a. Isso demanda calma e paci\u00eancia. Mas ningu\u00e9m precisa suportar isso sozinho. Milhares de pessoas est\u00e3o enfrentando problemas como ansiedade e depress\u00e3o e isso \u00e9 absolutamente normal. Segundo o psiquiatra \u00c9rico Moura, o caminho est\u00e1 sendo constru\u00eddo dia a dia, ele n\u00e3o est\u00e1 pronto. \u201cLidar com a impot\u00eancia, com a nossa fragilidade, \u00e9 dif\u00edcil. \u00c9 dif\u00edcil pensar que um v\u00edrus pode causar esse caos na sociedade. Ent\u00e3o tem, sim, muitas coisas pra gente refletir. Mas podemos tamb\u00e9m aproveitar para pensar em construir uma sociedade mais democr\u00e1tica, mais igualit\u00e1ria, mais justa, em que as diferen\u00e7as n\u00e3o sejam t\u00e3o grandes de oportunidades, tratamento m\u00e9dico, de condi\u00e7\u00f5es, de uma vida saud\u00e1vel, produtiva e de uma vida social gratificante e rica do contato humano.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0Assim, num dia de ver\u00e3o, as ondas se juntam, balan\u00e7am e tombam; e o mundo inteiro parece dizer: \u201cIsso \u00e9 tudo\u201d, cada vez mais forte, at\u00e9 que o cora\u00e7\u00e3o, no corpo estendido sob o sol da praia, tamb\u00e9m diz: \u201cIsso \u00e9 tudo\u201d. \u201cN\u00e3o mais temas\u201d, diz o cora\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o mais temas\u201d, diz o cora\u00e7\u00e3o, confiando a sua carga a algum mar que suspira coletivamente por todas as dores, e recome\u00e7a, ergue-se, tomba. E o corpo sozinho ouve a abelha que passa; a onda se quebra; o c\u00e3o, l\u00e1 ao longe, ladrando, ladrando\u2026\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Mrs Dalloway &#8211; Virginia Woolf<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>.<\/em><\/p>\n<p><em>*A identidade foi preservada a pedido da entrevistada<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMrs Dalloway disse que ela mesma iria comprar as flores.\u201d O romance de Virg\u00ednia Woolf que leva o nome da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":7983,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[376],"tags":[1860,2158,2188,2317,2316,2156,2165,590,1485,2318,2319],"class_list":["post-7393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens-especiais","tag-ansiedade","tag-coronavirus","tag-covid","tag-crise-de-ansiedade","tag-depressao","tag-epidemia","tag-pandemia","tag-saude","tag-saude-mental","tag-sindrome-do-panico","tag-transtorno-de-ansiedade-generalizado"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7393\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}