{"id":7282,"date":"2020-07-10T18:21:29","date_gmt":"2020-07-10T21:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7282"},"modified":"2020-07-10T18:21:29","modified_gmt":"2020-07-10T21:21:29","slug":"pessoas-lgbtqia-e-a-violencia-na-quarentena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7282","title":{"rendered":"Pessoas LGBTQIA+ e a viol\u00eancia na quarentena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>ALERTA: ESSE TEXTO ABORDA A VIOL\u00caNCIA CONTRA PESSOAS LGBTQIA+. A INTEN\u00c7\u00c3O \u00c9 DENUNCIAR ESSE CEN\u00c1RIO INACEIT\u00c1VEL E CONTRIBUIR PARA QUE A SITUA\u00c7\u00c3O ATUAL SEJA MODIFICADA. POR\u00c9M, PODE PROVOCAR GATILHOS EM QUEM J\u00c1 PASSOU POR ESSE TIPO DE SITUA\u00c7\u00c3O.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><strong>QUANDO O LAR N\u00c3O \u00c9 SEGURO<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O\u00a0 senso comum costuma nos fazer associar o conceito de lar a um ambiente seguro e confort\u00e1vel, um espa\u00e7o onde podemos nos refugiar da vida l\u00e1 fora e, no momento atual, nos protegermos do perigo da prolifera\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus. Mas n\u00e3o \u00e9 para todo mundo que \u00e9 assim. O distanciamento social de amigos e a conviv\u00eancia intensa com familiares podem ser dolorosos para pessoas LGBTQIA+. <a href=\"https:\/\/bityli.com\/ZaWzq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisas recentes apontam<\/a> aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica provocada pela homofobia e transfobia no Brasil nos \u00faltimos meses. Um cen\u00e1rio de vulnerabilidade, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 novidade para essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, oprimida pela heteronormatividade e pelo machismo. Para quem quer entender melhor essas exist\u00eancias, sugiro a leitura do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Contos Transantropol\u00f3gicos, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">da escritora, professora e fil\u00f3sofa <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/voos-literarios\/atena-de-beauvoir-existencia-resistencia-e-visibilidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Atena Beauvoir<\/a>.<\/span><\/p>\n<h6><strong>TRANSI\u00c7\u00c3O DE G\u00caNERO<\/strong><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atena denuncia em sua obra uma dura realidade, como no conto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uma verdade de mulher, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">no qual \u00e9 exposta, de forma contundente, a repulsa paterna \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero do filho:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201cOlga come\u00e7ou sua transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, do socialmente masculino morto para o feminino vivo, do garoto que nunca era para a garota que sempre se fazia ser a si mesma. Ela estava radiante. J\u00e1 havia terminado o ensino m\u00e9dio e completava 18 anos naquele s\u00e1bado. Resolveu, portanto, divulgar para toda fam\u00edlia que seu nome real era Olga e que sempre sentiu em si, a garota que sempre esteve presente em seu ser. [&#8230;]<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">E no primeiro minuto de sua presen\u00e7a, Olga recebe um soco da vida. Ou melhor de seu pr\u00f3prio pai. Ningu\u00e9m imaginaria que aquele soco iria mudar o rumo inteiro da fam\u00edlia. Olga foi levada prontamente para o hospital por um casal de primos. Sua m\u00e3e chorava em casa tentando acalmar o pai que guardava seus pertences em uma mala. Gritava que aquele traveco n\u00e3o era seu ?lho. Que n\u00e3o viveria sob o mesmo teto que um veado endemoneado que fazia-o passar vergonha na ?rma. A m\u00e3e de Olga pedia perd\u00e3o, como todo o peso e a culpa da maternidade produzindo um ser defeituoso, ela se empunha a responsabilidade por tal desvio de car\u00e1ter do primog\u00eanito. N\u00e3o houve retorno. O soco rachou profundamente as estruturas da fam\u00edlia. O s\u00edmbolo da viol\u00eancia produzia um ar ressoante de guerra instaurada. A face da aniversariante tamb\u00e9m foi rachada. O soco imortalizou na alma de Olga, que sua embarca\u00e7\u00e3o existencial havia partido do porto.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<h6><strong>EMPATIA E RESPEITO<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No posf\u00e1cio da obra, Atena explica que escreveu o livro pensando nas pessoas cisg\u00eaneras, que precisam conhecer outras realidades para, assim, desenvolverem mais empatia e respeito \u00e0s diferen\u00e7as:<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 um livro escrito para pessoas trans. Essas sabem sobre tudo o que est\u00e1 escrito. N\u00e3o sabem no sentido do texto posto, mas do contexto exposto. Esse livro \u00e9 para pessoas cis. Essas desconhecem o universo ontol\u00f3gico da exist\u00eancia inexistente. Sempre s\u00e3o o que s\u00e3o, pois nasceram assim: exist\u00eancias dadas. E as aceitaram. Onde quer que se diga \u2013 Eu sou trans \u2013 ser\u00e1 entendido como uma inexist\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o da nova exist\u00eancia. E as estruturas hist\u00f3ricas sempre trar\u00e3o ao nosso redor o esfor\u00e7o de nos fazer sentir que devemos viver o que n\u00e3o vive e nunca viveu em n\u00f3s. Enquanto escrevo esse posf\u00e1cio, lembro do in\u00edcio da minha transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e o quanto foi angustiante. Sangrei at\u00e9 esvaziar o conte\u00fado de uma exist\u00eancia. Agora gero meu pr\u00f3prio sangue para dar forma e for\u00e7a ao novo corpo existente. S\u00f3 existe liberdade na existencialidade do ser.&#8221;<\/span><\/em><\/h6>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O livro <em>Contos Antropol\u00f3gicos<\/em> pode ser adquirido direto com <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/atenabeauvoiroveda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a autora<\/a>.<\/span><\/p>\n<h6><strong>M\u00c3ES PELA DIVERSIDADE<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m da leitura, recomendo que voc\u00eas sigam nas redes sociais o projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/maespeladiversidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00e3es pela Diversidade<\/a>, um coletivo criado em S\u00e3o Paulo, em 2014. Assim o grupo se apresenta, em uma postagem recente:<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">\u201c [&#8230;] fruto de um encontro espont\u00e2neo de m\u00e3es e pais de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais de todo o Brasil, preocupados com o avan\u00e7o do fundamentalismo religioso, a inseguran\u00e7a jur\u00eddica, o preconceito e a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+. Al\u00e9m disso, o grupo luta pelos direitos civis de seus filhos e filhas.<\/span><\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><em><span style=\"font-weight: 400\">A princ\u00edpio, funcionou como um grupo informal de encontro, mas, com o crescimento e necessidades crescentes de controle e compromissos, o grupo passou a adquirir identidade jur\u00eddica. Trata-se de um movimento pol\u00edtico suprapartid\u00e1rio que tem por objetivo trabalhar em prol dos direitos civis de nossos filhos.\u201d<\/span><\/em><\/h6>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Imagem: Chickenonline\/ Pixabay<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALERTA: ESSE TEXTO ABORDA A VIOL\u00caNCIA CONTRA PESSOAS LGBTQIA+. 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