{"id":7226,"date":"2020-06-06T16:54:49","date_gmt":"2020-06-06T19:54:49","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7226"},"modified":"2020-06-06T16:54:49","modified_gmt":"2020-06-06T19:54:49","slug":"uma-reflexao-sobre-antifa-o-manual-antifascista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7226","title":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o sobre Antifa &#8211; O Manual Antifascista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">As manifesta\u00e7\u00f5es a favor da democracia no Brasil trouxeram \u00e0 tona o conceito do antifascismo. As bandeirinhas antifas tomaram conta das redes sociais e logo houve um movimento de parte da esquerda para criticar a troca de cores ou questionar se determinadas pessoas s\u00e3o mesmo antifascistas. Percebendo a minha falta de conhecimento te\u00f3rico a respeito do assunto, fui pesquisar a literatura dispon\u00edvel a respeito. E o livro <em><a href=\"https:\/\/autonomialiteraria.com.br\/loja\/teoria-politica\/antifa-o-manual-antifascista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Antifa &#8211; O Manual Antifascista<\/a>,<\/em>\u00a0lan\u00e7ado no Brasil em 2019 pela editora Autonomia Liter\u00e1ria, me pareceu a obra ideal para quem quer obter informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e descomplicadas sobre um tema t\u00e3o atual. O autor \u00e9 Mark Bray, um\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">historiador que foca suas pesquisas na \u00e1rea de direitos humanos, terrorismo e radicalismo pol\u00edtico na Europa Moderna e um dos organizadores do movimento Occupy Wall Street.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>EM BUSCA DE RESPOSTAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">De cara, j\u00e1 obtive resposta para a minha principal d\u00favida: o que nos torna antifascistas? De acordo com o autor, basta sermos contr\u00e1rios a ideais fascistas, como nacionalismo, supremacia branca e misoginia. Sendo assim, fica f\u00e1cil flagrarmos os antifas de fachada. Quem relativiza o racismo e n\u00e3o enxerga o racismo estrutural, est\u00e1 fora. Os defensores do machismo como vitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres, tamb\u00e9m. Xen\u00f3fobos, idem.<\/span><\/p>\n<p><strong>E O SIMBOLISMO DA BANDEIRA?<\/strong><\/p>\n<p>Com a palavra, Mark Bray:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Alguns grupos antifas s\u00e3o mais marxistas, enquanto <em>outr<\/em>os s\u00e3o mais anarquistas e antiautorit\u00e1rios. Nos EUA, a maioria tem sido anarquista ou antiautorit\u00e1rio desde o surgimento da antifa moderna sob o nome de AntiRacist Action (A\u00e7\u00e3o Antirracista, ou ARA) no final dos anos oitenta. At\u00e9 certo ponto, a predomin\u00e2ncia de uma fac\u00e7\u00e3o sobre a outra pode ser percebida pelo logotipo na bandeira do grupo: se a bandeira vermelha est\u00e1 na frente do preto ou vice-versa (ou se ambas as bandeiras s\u00e3o pretas). Em outros casos, uma das duas bandeiras pode ser substitu\u00edda pela bandeira de um movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional ou uma bandeira negra pode ser emparelhada com uma bandeira roxa, para representar a antifa feminista, ou uma bandeira rosa para a antifa queer etc. Apesar de tais diferen\u00e7as, os antifas que entrevistei concordaram que essas distin\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas costumam ser inclu\u00eddas em um acordo estrat\u00e9gico mais abrangente sobre como combater o inimigo comum.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>REALIDADE BRASILEIRA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o brasileira da obra, escrito pelos pesquisadores Ac\u00e1cio Augusto e Matheus Marestoni, h\u00e1 o alerta de que o livro foi escrito refletindo a realidade norte-americana e europeia, a partir de 71 entrevistas feitas com integrantes do movimento antifascista. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que o assunto \u00e9 pertinente para os brasileiros:<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNo Brasil, por exemplo, muito tem se debatido nos \u00faltimos meses sobre Jair Bolsonaro ser ou n\u00e3o fascista. Todavia, a denomina\u00e7\u00e3o \u00e9 a que menos importa, pois sabemos que, no limite, o fascismo \u00e9 a \u00faltima raz\u00e3o de qualquer pol\u00edtica de Estado. Al\u00e9m disso, no caso do rec\u00e9m-eleito presidente do Brasil, ele apenas expressa e vocaliza quest\u00f5es comuns que caracter\u00edsticas pr\u00f3prias da sociedade brasileira m\u00e9dia: a misoginia, o racismo tropical e o nacionalismo rid\u00edculo submisso \u00e0 influ\u00eancia dos EUA nos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Ent\u00e3o, Bolsonaro \u00e9 um fascista e o bolsonarismo \u00e9 uma vers\u00e3o tropical da alt-right planet\u00e1ria.\u201d\u00a0\u00a0<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>ANTIFASCISMO COTIDIANO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Seguindo na leitura de<em> Antifa &#8211; O Manual Antifascista<\/em>, no cap\u00edtulo 6 podemos ter dicas pr\u00e1ticas de como combater o fascismo tropical, principalmente em tempos de pandemia, quando muitos t\u00eam receio de sair \u00e0s ruas. Outra d\u00favida sanada \u00e9 sobre a obrigatoriedade do enfrentamento f\u00edsico com fascistas:<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA grande maioria das t\u00e1ticas antifascistas n\u00e3o envolve nenhuma viol\u00eancia f\u00edsica. Os\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">antifascistas realizam pesquisas sobre a extrema-direita on-line, pessoalmente e, \u00e0s vezes, por meio de infiltra\u00e7\u00e3o;\u00a0 empurram os meios culturais para repudi\u00e1-los, pressionam chefes para demiti-los e exigem que casas noturnas cancelem shows, confer\u00eancias e reuni\u00f5es;\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">eles organizam eventos educacionais, grupos de leitura, de treinamento, torneios esportivos para arrecada\u00e7\u00e3o de fundos; eles escrevem artigos, folhetos e jornais, pregam cartazes e fazem v\u00eddeos; eles apoiam refugiados e imigrantes, defendem os direitos reprodutivos e enfrentam de forma constante a brutalidade policial.\u00a0<\/span><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify\"><b>Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que alguns deles quebram a cara de nazistas e n\u00e3o se desculpam por isso.\u201d\u00a0<\/b><\/h6>\n<p>O tema do antifascismo tamb\u00e9m foi abordado em um<a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/podcasts\/bsv-especial-coronavirus-13-sobre-protesto-violencia-e-quem-pode-ter-a-carteirinha-de-antifa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> epis\u00f3dio especial<\/a> do podcast Bendita Sois V\u00f3s.<\/p>\n<p><em>Imagem: Editora Autonomia Liter\u00e1ria<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As manifesta\u00e7\u00f5es a favor da democracia no Brasil trouxeram \u00e0 tona o conceito do antifascismo. 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