{"id":7045,"date":"2020-03-06T11:25:26","date_gmt":"2020-03-06T14:25:26","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7045"},"modified":"2020-03-06T11:25:26","modified_gmt":"2020-03-06T14:25:26","slug":"feminismo-para-que-ou-quem-lava-louca-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=7045","title":{"rendered":"Feminismo para qu\u00ea? (Ou quem lava lou\u00e7a em casa)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong><em>Esse \u00e9 o primeiro de quatro textos com sugest\u00f5es de leituras e provoca\u00e7\u00f5es a respeito da necessidade do feminismo nos dias atuais. Na estreia dessa s\u00e9rie, sera abordada a divis\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas entre homens e mulheres.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Com o avan\u00e7o do conservadorismo nos \u00faltimos anos no Brasil, cada vez mais se menospreza a import\u00e2ncia do movimento feminista para que as mulheres tenham adquirido mais direitos enquanto cidad\u00e3s, al\u00e9m de terem obtido independ\u00eancia e autonomia nas rela\u00e7\u00f5es sociais e tamb\u00e9m no ambiente dom\u00e9stico. Ao ler cada vez mais coment\u00e1rios femininos dizendo que \u201cn\u00e3o precisam de feminismo para nada\u201d, \u201cfeministas s\u00e3o mal-amadas&#8221; ou &#8220;feminazis com sovacos peludos\u201d, considero necess\u00e1rio fazer um r\u00e1pido resgate do quanto comportamentos hoje vistos como naturais foram conquistas adquiridas por meio da luta de mulheres que foram, no seu tempo, chamadas de radicais ou loucas. <\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong>Direito ao voto.\u00a0Usar cal\u00e7as compridas. Andar de bicicleta. Viajar desacompanhada. <\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong>Morar sozinha. Ter autonomia sobre o pr\u00f3prio corpo, mesmo dentro do casamento. <\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center\"><strong>Direito ao div\u00f3rcio.\u00a0<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Todos esses exemplos j\u00e1 foram, em algum momento, considerados inadequados ou proibidos para mulheres ocidentais. Uma das precursoras da segunda onda do movimento feminista, Betty Friedan, lan\u00e7ou em 1963 o livro <\/span><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/m%C3%ADstica-feminina-Betty-Friedan\/dp\/B0006WA3JA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400\">A M\u00edstica Feminina<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. A ativista entrevistou norte-americanas que seguiam os preceitos sociais vigentes nos anos 1940 e 1950, sendo em sua esmagadora maioria donas-de-casa, atormentadas por n\u00e3o terem uma vida pr\u00f3pria e dedicarem-se apenas a suas fam\u00edlias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No final da obra, Betty Friedan questiona:<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><strong>&#8220;Quem sabe o que ser\u00e1 a mulher quando finalmente livre para ser ela mesma? Quem sabe\u00a0qual a contribui\u00e7\u00e3o da sua intelig\u00eancia quando esta puder ser alimentada sem sacrif\u00edcio do\u00a0amor? Quem sabe das possibilida<\/strong>des do amor quando o homem e a mulher compartilharem n\u00e3o s\u00f3 dos filhos, do lar, de um jardim, da concretiza\u00e7\u00e3o de seu papel biol\u00f3gico, mas tamb\u00e9m das\u00a0 responsabilidades e paix\u00f5es do trabalho que constr\u00f3i o futuro humano e traz o pleno conhecimento da personalidade? Mal foi iniciada a busca da mulher pela pr\u00f3pria identidade. Mas est\u00e1 pr\u00f3ximo o tempo em que as vozes da m\u00edstica feminina n\u00e3o poder\u00e3o abafar a voz \u00edntima que a impele ao seu pleno desabrochar.\u201d<\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O leitor mais c\u00e9tico pode argumentar que o livro de Betty Friedan est\u00e1 ultrapassado, que em pleno s\u00e9culo 21 n\u00e3o precisamos de feminismo para nada, j\u00e1 que agora as mulheres est\u00e3o em p\u00e9 de igualdade com os homens. Mas ser\u00e1 mesmo? Se pegarmos o singelo item divis\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas, poucas mulheres est\u00e3o livres da sobrecarga de tomar para si essa atividade (n\u00e3o remunerada e invis\u00edvel) e precisar conciliar esse trabalho com seus empregos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><a href=\"http:\/\/www.editorazouk.com.br\/pd-6c071b-o-homem-infelizmente-tem-que-acabar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400\">O homem infelizmente tem que acabar<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, da escritora ga\u00facha Clara Corleone, lan\u00e7ado no final de 2019, ela cita como as mulheres &#8211; mesmo as mais \u201cfodonas\u201d- seguem em geral sendo as cuidadoras das rela\u00e7\u00f5es, da casa e da fam\u00edlia:<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><strong>\u201cN\u00e3o h\u00e1 fator biol\u00f3gico que justifique as mulheres estarem sempre pensando na administra\u00e7\u00e3o da casa e os homens, n\u00e3o. \u00c9 completamente cultural. A mulher \u00e9 educada para cuidar &#8211; cuidar do lar, cuidar do corpo, cuidar do marido, cuidar dos filhos, cuidar dos relacionamentos. Por isso a mulher normalmente tem a sa\u00fade melhor que o homem, por exemplo, e por isso a mulher tende a ser mais delicada nas rela\u00e7\u00f5es. [&#8230;] Mulheres trabalham muito com esse conceito de cuidado, por mais agressivas\/ da p\u00e1 virada, esse neg\u00f3cio de cuidado gruda na gente. Normalmente somos n\u00f3s que deixamos o emprego quando algu\u00e9m da fam\u00edlia fica doente. Isso diz muito sobre a forma como somos educadas.\u201d<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, espero que a mulherada ativista siga protestando por esse e outros motivos (fim viol\u00eancia contra a mulher e feminic\u00eddios, direito ao aborto, igualdade salarial&#8230;). Mudan\u00e7as s\u00f3 acontecem quando pessoas saem de suas zonas de conforto e questionam os padr\u00f5es vigentes. E isso n\u00e3o tem a ver com esquerda ou direita. Os famosos esquerdomachos est\u00e3o a\u00ed para provar isso. Eles querem que os prolet\u00e1rios de todo mundo se unam por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, desde que, em casa, a esposa siga lavando a lou\u00e7a, cuidando de suas roupas e sendo a respons\u00e1vel pela faxina. Aos meus leitores de esquerda do sexo masculino, alerto que repensar pequenas atitudes \u00e9 a verdadeira revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0s mulheres cis e trans, desejo um 8 de mar\u00e7o de muita luta e de conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do feminismo na nossa sociedade.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\"><strong>\u201cSer feminista continua sendo defender a maioria silenciosa das mulheres, ajud\u00e1-las a libertarem-se e adquirir seus direitos.\u201d &#8211; Isabel Allende, escritora chilena<\/strong><\/h4>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Imagem: Achim Thiemermann\/Pixabay<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 o primeiro de quatro textos com sugest\u00f5es de leituras e provoca\u00e7\u00f5es a respeito da necessidade do feminismo nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":7046,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1773,316,2160,284,322],"class_list":["post-7045","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-8-de-marco","tag-dia-internacional-da-mulher","tag-divisao-de-tarefas-domesticas","tag-feminismo","tag-machismo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7045\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7046"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}