{"id":6897,"date":"2020-01-11T11:18:15","date_gmt":"2020-01-11T14:18:15","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6897"},"modified":"2020-01-11T11:18:15","modified_gmt":"2020-01-11T14:18:15","slug":"crise-no-oriente-medio-5-indicacoes-de-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6897","title":{"rendered":"Crise no Oriente M\u00e9dio: 5 indica\u00e7\u00f5es de leitura"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cOs livros hoje em dia, como regra, \u00e9 um amontoado&#8230; Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo.\u201d<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Bolsonaro, Jair, em janeiro de 2020.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A frase do excelent\u00edssimo presidente da Rep\u00fablica refere-se a <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/bolsonaro-livros-didaticos_br_5e0fa122e4b0b2520d216630\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livros did\u00e1ticos<\/a> distribu\u00eddos em escolas p\u00fablicas. Por\u00e9m, essa declara\u00e7\u00e3o acaba podendo ser aplicada de forma mais abrangente no que se refere a a\u00e7\u00f5es do atual governo, com evidentes demonstra\u00e7\u00f5es de falta de apre\u00e7o \u00e0 Cultura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Bolsonaro deveria ler mais para, por exemplo, ampliar seu parco vocabul\u00e1rio. O mesmo pode se dizer a respeito do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Abraham Weintraub, que volta e meia assassina a norma culta e escreve com erros de ortografia (o \u00faltimo foi \u201cimprecionante), o que pode (e deve) ser perdoado em pessoas com menos escolaridade mas que n\u00e3o pode ser considerado normal em algu\u00e9m em um cargo como esse.<\/span><\/p>\n<h4>Dia do Leitor<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 7 de janeiro, comemora-se no Brasil o Dia do Leitor, esse ser incompreendido por Bolsonaro, que gosta de livros \u201ccom muita coisa escrita\u201d e considera a leitura uma atividade l\u00fadica.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, nem sempre podemos nos refugiar no terreno prazeroso da fic\u00e7\u00e3o. Pois 2020 come\u00e7ou com um conflito entre Estados Unidos e Ir\u00e3, uma tens\u00e3o que deixa o mundo inteiro em alerta. Para os leitores que dedicam seu tempo a informar-se atrav\u00e9s da imprensa, nem sempre h\u00e1 um relato mais aprofundado sobre o que ocorre no Oriente M\u00e9dio e sua rela\u00e7\u00e3o com o governo norte-americano. (No Jornal da Globo, a apresentadora chegou a comentar que seria interessante explicar para os telespectadores detalhes sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana de 1979 \u201cpor\u00e9m n\u00e3o havia tempo para isso\u201d).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por essa raz\u00e3o, fiz uma sele\u00e7\u00e3o de 5 livros para tentar entender melhor um tema t\u00e3o complexo:<\/span><\/p>\n<h5><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/x%C3%A1-dos-x%C3%A1s-Ryszard-Kapuscinski\/dp\/8535920188\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O X\u00e1 dos X\u00e1s &#8211; Ryszard Kapuscinki<\/strong><\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px; text-align: justify; letter-spacing: 0px;\">Sinopse: Nos anos 1950, com o repentino aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, o Ir\u00e3 embarcou em um extraordin\u00e1rio processo de moderniza\u00e7\u00e3o. Foram importados armamentos, carros, avi\u00f5es, tudo o que para o x\u00e1 era sin\u00f4nimo de desenvolvimento. Em 1979, no entanto, seu projeto de \u201cGrande Civiliza\u00e7\u00e3o\u201d ruiu: sob o impacto de manifesta\u00e7\u00f5es populares e a press\u00e3o dos religiosos xiitas, o reinado desp\u00f3tico de Mohammed Reza Pahlevi chegou ao fim. Para narrar o processo de ascens\u00e3o e queda do \u00faltimo x\u00e1 do Ir\u00e3, Kapu&#8217;sci&#8217;nski lan\u00e7a m\u00e3o de uma t\u00e9cnica mista, em que entram narrativa hist\u00f3rica, cr\u00f4nica jornal\u00edstica e escrita de fic\u00e7\u00e3o. Sem entrevistar representantes do novo governo ou adentrar o pal\u00e1cio onde viveu o x\u00e1, o autor busca no homem comum o significado profundo da cultura, da religiosidade e da revolu\u00e7\u00e3o iraniana. Nesta brilhante cobertura, o jornalista-escritor p\u00f5e em pr\u00e1tica sua convic\u00e7\u00e3o de que \u201ctodos os livros sobre as revolu\u00e7\u00f5es [&#8230;] deveriam come\u00e7ar com um cap\u00edtulo com tons psicol\u00f3gicos, em que se descrevesse o momento em que um homem sofrido e apavorado repentinamente derrota o terror; o instante em que ele deixa de sentir medo\u201d.<\/span><\/p>\n<h5><a href=\"https:\/\/www.martinsfontespaulista.com.br\/a-crise-do-isla-107939.aspx\/p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>A Crise no Isl\u00e3 &#8211; Bernard Lewis<\/strong><\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinopse:\u00a0\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Bernard Lewis examina as ra\u00edzes hist\u00f3ricas do ressentimento que uma parcela dos adeptos do islamismo nutre com rela\u00e7\u00e3o ao que qualifica como &#8220;mundo infiel&#8221;. Partindo da funda\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o mu\u00e7ulmana pelo profeta Maom\u00e9, o autor tra\u00e7a, de maneira cr\u00edtica, uma linha do tempo que percorre a era dos califas, o Imp\u00e9rio Otomano, a amea\u00e7a representada pelos cruzados, a domina\u00e7\u00e3o colonial europeia e a intensifica\u00e7\u00e3o dos conflitos entre Oriente e Ocidente nos \u00faltimos tempos. Em texto sucinto, Lewis concentra-se em particular nos acontecimentos do s\u00e9culo XX que est\u00e3o na origem dos violentos confrontos atuais: a forma\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, a Guerra Fria, a Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana, a Guerra do Golfo e o 11 de setembro. A crise do Isl\u00e3 interpreta a ascens\u00e3o da doutrina wahhabi (fundada no s\u00e9culo XVII e que prega o retorno ao isl\u00e3 &#8220;puro&#8221; e &#8220;aut\u00eantico&#8221; de Maom\u00e9) como forma de deturpar e manipular o comportamento religioso tradicional na regi\u00e3o. O espelho do fundamentalismo radical n\u00e3o \u00e9 necessariamente a sociedade ocidental, diz o autor, mas todos aqueles que se abrem para o estilo de vida moderno e as tradi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Como pol\u00edtica e religi\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis no islamismo, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que jovens mu\u00e7ulmanos se mostrem t\u00e3o ansiosos por cumprir a obriga\u00e7\u00e3o da jihad (ou &#8220;guerra santa&#8221;) e se submetam at\u00e9 ao suic\u00eddio em nome da fidelidade ao passado.\u00a0 &#8220;Admiravelmente sucinto. Fornece uma vis\u00e3o ampla, em meio a tanto imediatismo e eruditismo confuso. Lewis nos prestou a todos, mu\u00e7ulmanos e n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos um servi\u00e7o inestim\u00e1vel.&#8221; The New York Times Book Review &#8220;Uma contribui\u00e7\u00e3o oportuna e provocadora ao atual debate sobre as tens\u00f5es entre os mundos ocidental e isl\u00e2mico.&#8221; Business Week&#8221;Inestim\u00e1vel.\u00a0 Repleto de insights hist\u00f3ricos excepcionais, presum\u00edveis em um dos principais estudiosos do islamismo.&#8221;\u00a0 The Wall Street Journal<\/span><\/p>\n<h5><a href=\"http:\/\/editoraunesp.com.br\/catalogo\/9788571398269,a-revolucao-iraniana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana &#8211; Osvaldo Coggiola<\/strong><\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em uma regi\u00e3o conturbada desde tempos imemoriais, o Ir\u00e3 da segunda metade do s\u00e9culo XX honra a tradi\u00e7\u00e3o e abriga situa\u00e7\u00e3o explosiva: uma monarquia, autointitulada herdeira dos vetustos imperadores persas, debate-se, espremida entre a autocracia, a corrup\u00e7\u00e3o e os anseios modernizadores. Completando o quadro dram\u00e1tico, a presen\u00e7a crescente do fundamentalismo isl\u00e2mico e a n\u00e3o disfar\u00e7ada interven\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias ocidentais \u2013 sempre obcecadas pelas enormes reservas petrol\u00edferas do pa\u00eds \u2013 acarretam a tens\u00e3o geopol\u00edtica prenunciadora de t\u00edpicos cen\u00e1rios contempor\u00e2neos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A &#8220;revolu\u00e7\u00e3o dos aiatol\u00e1s&#8221; \u00e9, assim, exemplar. Mais do que conflito localizado, \u00e9 fruto das vari\u00e1veis definidoras de nossa \u00e9poca e exp\u00f5e os perigos e os desafios que enfrentamos.<\/span><\/p>\n<h5><a href=\"https:\/\/www.travessa.com.br\/o-enigma-da-revolta-entrevistas-ineditas-sobre-a-revolucao-iraniana\/artigo\/7b5d4b43-69c4-4c9e-aa27-5ba4a65c32b7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O Enigma da Revolta: Entrevistas In\u00e9ditas sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana &#8211; Michel Focault<\/strong><\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinopse:\u00a0\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Caso voc\u00ea esteja em d\u00favida se j\u00e1 leu essas entrevistas de Michel Foucault a respeito da revolu\u00e7\u00e3o iraniana, podemos reassegurar: a resposta \u00e9 n\u00e3o. Elas n\u00e3o foram inclu\u00eddas nos Ditos e Escritos, pois apareceram s\u00f3 em 2013, em \u00e1rabe, e em 2018, parcialmente, numa revista francesa. Assim, s\u00e3o conversas em tudo in\u00e9ditas. Tiveram que esperar mais de tr\u00eas d\u00e9cadas para se tornarem acess\u00edveis ao p\u00fablico em geral. Seu interesse \u00e9 duplo. Por um lado, depois de toda a celeuma provocada pelas \u201creportagens de ideias\u201d escritas por Foucault por ocasi\u00e3o de suas duas viagens ao Ir\u00e3, em 1978, o fil\u00f3sofo esclarece o sentido de seu interesse pela subleva\u00e7\u00e3o iraniana, desfazendo mal-entendidos, desinforma\u00e7\u00f5es e malevol\u00eancias (de que ele teria apoiado a implanta\u00e7\u00e3o da teocracia!). Por outro lado, nelas esclarece sua concep\u00e7\u00e3o de revolta, sublinhando que expor-se \u00e0 morte \u00e9 um gesto irredut\u00edvel a qualquer explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Ademais, fala sobre o que entende por \u201cespiritualidade pol\u00edtica\u201d, dando \u00e0 express\u00e3o um sentido particular, mais vinculado \u00e0 experi\u00eancia da modifica\u00e7\u00e3o de si (\u201ctornar-se outro do que se \u00e9\u201d) do que \u00e0 institui\u00e7\u00e3o religiosa. Portanto, mais aparentada a Bataille, Blanchot e Ernst Bloch do que \u00e0 vis\u00e3o de um aiatol\u00e1. Nessas conversas tocantes, temos acesso \u00e0s ideias de Foucault na \u00e9poca sobre a natureza da resist\u00eancia, do poder, da vontade, da religi\u00e3o, da experi\u00eancia, do sujeito, sobre Sartre, os \u201cnovos fil\u00f3sofos\u201d &#8211; de golpe, \u00e9 todo um panorama mental que se descortina, de uma riqueza e atualidade extraordin\u00e1rias. De quebra, um belo ensaio de Christian Laval fecha este livro instigante, organizado por Lorena Balbino.<\/span><\/p>\n<h5><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=12593\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Persep\u00f3lis &#8211; Marjane Satrapi<\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinopse:\u00a0 Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o v\u00e9u isl\u00e2mico, numa sala de aula s\u00f3 de meninas. Nascida numa fam\u00edlia moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o que lan\u00e7ou o Ir\u00e3 nas trevas do regime xiita &#8211; apenas mais um cap\u00edtulo nos muitos s\u00e9culos de opress\u00e3o do povo persa.<br \/>\nVinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consci\u00eancia pol\u00edtica \u00e0 flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que s\u00f3 na Fran\u00e7a vendeu mais de 400 mil exemplares.<br \/>\nEm\u00a0<em>Pers\u00e9polis<\/em>, o pop encontra o \u00e9pico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama &#8211; e o Ir\u00e3 parece muito mais pr\u00f3ximo do que poder\u00edamos suspeitar.<\/p>\n<div class=\"detalhe_video\"><em>Imagem:\u00a0 Pavel Kar\u00e1sek\/Pixabay<\/em><\/div>\n<h5><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs livros hoje em dia, como regra, \u00e9 um amontoado&#8230; Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo.\u201d Bolsonaro, Jair, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6898,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[2092,2093,2088,635,2089,2091,2090,2094],"class_list":["post-6897","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-a-crise-no-isla","tag-a-revolucao-iraniana","tag-crise-no-oriente-medio","tag-estados-unidos","tag-ira","tag-o-enigma-da-revolta","tag-o-xa-dos-xas","tag-persepolis"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6897\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}