{"id":6845,"date":"2019-12-27T21:32:52","date_gmt":"2019-12-28T00:32:52","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6845"},"modified":"2019-12-27T21:32:52","modified_gmt":"2019-12-28T00:32:52","slug":"ansiedade-de-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6845","title":{"rendered":"Ansiedade de ano-novo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse \u00faltimo texto de 2019, resolvi abordar um dos males da nossa p\u00f3s-modernidade, a ansiedade. Ser ansioso \u00e9 cada vez mais comum e democr\u00e1tico, atingindo diferentes faixas et\u00e1rias e classes sociais, sem discriminar ningu\u00e9m. No per\u00edodo de fim de ano e in\u00edcio de um novo ciclo, os ansiosos l\u00e1 est\u00e3o, nervosos com os afazeres a cumprir (depois das brutais compras de Natal vem a ceia de Ano -Novo e, para alguns, f\u00e9rias, o que pressup\u00f5e uma grande organiza\u00e7\u00e3o ou mero nervosismo, dependendo de como a ansiedade atinge cada pessoa). E, junto, vem a press\u00e3o interna e externa para ter metas concretas para 2020: e<\/span><span style=\"font-weight: 400\">magrecer, ter um novo emprego, ser feliz no amor, ser bem-sucedido.\u00a0<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>O ano \u201cem branco\u201d, o porvir, o desconhecido, tamb\u00e9m podem gerar ansiedade.<\/strong> <\/span><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E a necessidade de ser feliz nesse per\u00edodo de festas tamb\u00e9m pode gerar o efeito oposto: melancolia, sentir-se deslocado ou oprimido. Mas como enfrentar tudo isso com o m\u00ednimo de serenidade?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No livro<\/span><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Mentes-Ansiosas-Beatriz-Barbosa-Silva\/dp\/8525065080\"><i><span style=\"font-weight: 400\"> Mentes Ansiosas &#8211; O medo e a ansiedade nossos de cada dia,\u00a0<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-size: 14px;letter-spacing: 0px\">a psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva explica, de forma did\u00e1tica e acess\u00edvel, do que se trata a ansiedade:<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cComo tudo em medicina recebe nomes espec\u00edficos, com direito a sobrenomes,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">foram denominados transtornos de ansiedade\u00a0 quando o medo excessivo e,\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">consequentemente, a sua fiel companheira ansiedade passam a trazer preju\u00edzos\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">expressivos para a vida da pessoa.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Os transtornos de ansiedade possuem diversos espectros que variam em grau, i<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ntensidade e na forma como se apresentam. Podemos perceb\u00ea-los em diversas\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">situa\u00e7\u00f5es, tais como nas lembran\u00e7as que insistem em nos perseguir ap\u00f3s uma\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">experi\u00eancia traum\u00e1tica (morte de um parente muito pr\u00f3ximo, por exemplo); nas\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">fobias ou no medo intenso de falar em p\u00fablico ou participar de eventos sociais; no\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">temor exacerbado de determinados objetos ou animais [&#8230;] Tamb\u00e9m s\u00e3o percept\u00edveis no terror (p\u00e2nico) que surge do \u201cnada\u201d e nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que podemos morrer a qualquer\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">momento; nas preocupa\u00e7\u00f5es excessivas com os fatos mais corriqueiros e triviais;\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">nos pensamentos obsessivos e comportamentos repetitivos, mais conhecidos como\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">manias, entre outros. [&#8230;]\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Em graus variados, quando os transtornos de ansiedade j\u00e1 est\u00e3o instalados,\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">inevitavelmente trar\u00e3o preju\u00edzos significativos para os setores vitais de suas v\u00edtimas\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">(vida social, familiar, profissional, acad\u00eamica etc.). Contudo, somente ap\u00f3s muito\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">tempo de sofrimento, de peregrina\u00e7\u00f5es em v\u00e3o \u2013 entre as mais variadas\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">especialidades m\u00e9dicas e n\u00e3o m\u00e9dicas \u2013, ou quando suas vidas j\u00e1 est\u00e3o reviradas\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">pelo avesso, \u00e9 que os pacientes procuram ajuda especializada.\u201d<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 no livro <a href=\"https:\/\/www.travessa.com.br\/a-terapeuta-um-romance-sobre-a-ansiedade\/artigo\/eb30ed74-e597-487b-9df7-58d08fd7a60b\"><em>A Terapeuta &#8211; Um Romance sobre a Ansiedade<\/em><\/a>, o escritor espanhol Gaspar Hern\u00e1ndez\u00a0 aborda, em um enredo ficcional, a rela\u00e7\u00e3o de um ator de teatro atormentado por um estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e sua psic\u00f3loga, que o ajuda a manter-se em cena e a tentar lidar com a sensa\u00e7\u00e3o crescente de ansiedade.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Interessante \u00e9 perceber que o protagonista no in\u00edcio repele a ideia de fazer terapia, considerando-a como algo desnecess\u00e1rio em sua vida:<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o tinha sofrido dano algum, n\u00e3o precisava de ajuda psicol\u00f3gica, nunca tinha precisado:\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">suas feridas ps\u00edquicas, t\u00edpicas de um homem normal e corrente, eram\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">exteriorizadas no palco. Al\u00e9m disso, ir a um psic\u00f3logo teria significado se\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">analisar, e ele n\u00e3o queria olhar para o pr\u00f3prio umbigo: mais interessantes eram\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">os outros. Nunca antes na hist\u00f3ria tinha dado tanta import\u00e2ncia ao eu: aquilo que\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">gosto, meus amigos, o que penso, o que sinto. No palco precisa se desprender do\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ego. Se n\u00e3o, estaria\u00a0 interpretando a si mesmo.\u201d<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Uma crise de ansiedade, no entanto, faz o personagem dar-se conta que precisa de ajuda especializada:<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEstava sofrendo um ataque do cora\u00e7\u00e3o? Estava morrendo? Nunca tinha\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">experimentado nada parecido. A sensa\u00e7\u00e3o era de irrealidade. A vis\u00e3o do que\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">tinha a seu redor \u2013 os pedestres, as barracas de flores, as bancas \u2013, tudo se\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">desvanecia numa\u00a0 aquarela molhada. N\u00e3o se lembrava de quantos minutos havia ficado sentado no ch\u00e3o, no meio da multid\u00e3o. Quando viu que tinha for\u00e7as para se levantar, foi at\u00e9 uma cabine para ligar para a psic\u00f3loga, apesar de ser verdade que, enquanto ligava, estava\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">pensando que deveria ir ao pronto-socorro, que aquilo n\u00e3o tinha sido nada de\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">psicol\u00f3gico.\u201d<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Buscar ajuda de um psic\u00f3logo, como fez o personagem do romance <em>A Terapeuta<\/em>, pode ser um bom caminho para quem identificar-se com eventuais sintomas descritos nesse texto. Na Internet, existem diversos testes para analisar o grau individual de ansiedade mas nenhum quiz substituir\u00e1 o aux\u00edlio especializado. <strong>Comece 2020 investindo em autocuidado, algo fundamental nesses tempos t\u00e3o dif\u00edceis que estamos vivendo.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Imagem: Ansiedade, de Edvard Munch, de 1894<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse \u00faltimo texto de 2019, resolvi abordar um dos males da nossa p\u00f3s-modernidade, a ansiedade. 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