{"id":6782,"date":"2019-12-13T15:38:07","date_gmt":"2019-12-13T18:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6782"},"modified":"2019-12-13T15:38:07","modified_gmt":"2019-12-13T18:38:07","slug":"pagu-10-vezes-transgressora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6782","title":{"rendered":"Pagu: 10 vezes transgressora"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 quase 60 anos, em 12 de dezembro de 1962, Patr\u00edcia Galv\u00e3o, a Pagu, partia desse plano. Por\u00e9m, seu legado permanece, tanto suas obras liter\u00e1rias como pela sua trajet\u00f3ria marcada por posturas arrojadas e corajosas. Destacarei 10 momentos em que essa escritora, nascida em 1910, demonstrou a grandiosidade de sua personalidade, que a levou a ser pioneira em diversas \u00e1reas.<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Estilo \u00e0 frente do seu tempo &#8211;\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">No auge de seus 20 anos, Patr\u00edcia Galv\u00e3o chamava a aten\u00e7\u00e3o pelas roupa ousadas, maquiagem acentuada e cabelo arrepiado. Ela era apenas uma estudante nessa \u00e9poca, mas j\u00e1 destacava-se das mulheres de sua gera\u00e7\u00e3o por usar minissaia e roupas com transpar\u00eancias. Al\u00e9m disso, fumava e falava palavr\u00f5es. Foi nessa \u00e9poca que ganhou o apelido de Pagu, por um equ\u00edvoco do poeta modernista Raul Bopp, que achava que seu sobrenome era Goulart. <\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><strong>Abandona a imagem de musa do modernismo e torna-se ativista pol\u00edtica &#8211;\u00a0<\/strong>Muito jovem, Pagu torna-se uma protegida dos modernistas Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Virou uma esp\u00e9cie de musa inspiradora do movimento modernista. At\u00e9 que Oswald separa-se de Tarsila para ficar com Pagu, um esc\u00e2ndalo na tradicional sociedade paulistana. Por\u00e9m, ao inv\u00e9s de acomodar-se na situa\u00e7\u00e3o de mulher casada com um escritor famoso, ela encontra no ativismo pol\u00edtico um ideal de vida e acaba levando Oswald a tamb\u00e9m interessar-se pelo comunismo<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Viveu um relacionamento aberto com Oswald de Andrad<\/strong>e &#8211;\u00a0<\/span>O casamento com Oswald, que durou at\u00e9 1935, \u00e9 marcado pela sinceridade completa, em que a infidelidade \u00e9 tolerada. Por\u00e9m, quando Pagu engravida do primeiro filho, precisa lidar com os relatos de Oswald sobre as rela\u00e7\u00f5es com outras mulheres. Ela revela seu sofrimento a respeito da situa\u00e7\u00e3o no livro <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/patricia-galvao\/paixao-pagu\/3108336762\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i style=\"font-size: 14px; letter-spacing: 0px;\">Paix\u00e3o Pagu <\/i><i style=\"font-size: 14px; letter-spacing: 0px;\">(A autobiografia precoce de Patricia Galv\u00e3o) <\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, um romance epistolar dirigido a seu segundo marido, o escritor Geraldo Ferraz.\u00a0\u00a0<\/span>Casou-se com Ferraz em 1941 e ficou com ele at\u00e9 sua morte, em uma rela\u00e7\u00e3o marcada pela cumplicidade e confian\u00e7a. Juntos, escreveram, em 1945, o romance<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Famosa-Revista-Patricia-Galv%C3%A3o-ebook\/dp\/B00EHZVRWY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <i style=\"font-size: 14px; letter-spacing: 0px;\">A Famosa Revista<\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, uma cr\u00edtica ao Partido Comunista, com o qual ambos haviam rompido.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Vira oper\u00e1ria por convic\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas &#8211;\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">As ideias marxistas tornam-se uma convic\u00e7\u00e3o t\u00e3o profunda em Pagu, que ela resolve abandonar a \u00e1rea liter\u00e1ria e tornar-se uma prolet\u00e1ria no sentido estrito da palavra. Entre outros empregos, foi oper\u00e1ria em duas f\u00e1bricas<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 considerada a primeira presa pol\u00edtica do Brasil republicano &#8211;\u00a0<\/strong>Sua pris\u00e3o ocorreu em 1931, durante um com\u00edcio com trabalhadores na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Antes de sua pris\u00e3o, amparou nos bra\u00e7os o estivador negro Herculano de Souza, morto devido \u00e0 repress\u00e3o policial. Esse incidente \u00e9 citado por Rita Lee na letra da m\u00fasica \u201cPagu\u201d, no verso \u201cSou Pagu indignada no palanque\u201d.\u00a0 Ao longo de sua vida, Pagu foi presa 23 vezes devido \u00e0s suas liga\u00e7\u00f5es com o comunismo<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Publicou o primeiro romance prolet\u00e1rio brasileiro &#8211;\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de sua experi\u00eancia como oper\u00e1ria, Pagu escreve <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Parque-Industrial-Patricia-Galv%C3%A3o-ebook\/dp\/B00DNC02U0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Parque Industrial<\/em><\/a>, publicado sob o pseud\u00f4nimo de Mara Lobo. O romance n\u00e3o agradou o Partido Comunista, que o considerou \u201cpornogr\u00e1fico e feminista&#8221;.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 considerada a primeira mulher cartunista do pa\u00eds &#8211;\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Na d\u00e9cada de 1930, publicou no jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Homem do Povo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Oswald de Andrade, as tirinhas <em>Malakabe\u00e7a, Fanika e Kabeluda<\/em>. Ela criava os desenhos e os argumentos, de conte\u00fado subversivo e feminista.\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 jornalista em plena d\u00e9cada de 1940 &#8211;\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Pagu sobreviveu durante grande parte de sua vida como jornalista, tendo dedicado-se de forma mais sistem\u00e1tica a publica\u00e7\u00f5es na imprensa a partir da d\u00e9cada de 1940. Vale lembrar que, nessa \u00e9poca, a maior parte das mulheres era dona de casa e poucas dedicavam-se a profiss\u00f5es dominadas por homens, como era o jornalismo nesse per\u00edodo. Sua obra jornal\u00edstica est\u00e1 sendo estudada na Universidade de Yale e deve ser publicada em formato de livro, conforme informa\u00e7\u00f5es divulgadas em seu <a href=\"http:\/\/www.pagu.com.br\/blog\/pagu-jornalista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site oficial<\/a>.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeira escritora brasileira a publicar literatura policial\u00a0 &#8211;\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Sob o pseud\u00f4nimo de King Shelter, publicou contos policiais na d\u00e9cada de 1940. Outra \u00e1rea predominantemente masculina que Pagu adentrou sem pudores. Seus contos policiais, publicados originalmente na revista <em>Detective<\/em>, foram reunidos e lan\u00e7ados, em 1998, no livro <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Safra-Macabra-Patr%C3%ADcia-Galvao\/dp\/8503006332\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Safra Macabra<\/em><\/a>.<\/span><\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi candidata a deputada na d\u00e9cada de 1950 &#8211;\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda mantendo seu ativismo pol\u00edtico mas fora do Partido Comunista, Pagu tenta ser deputada pelo Partido Socialista Brasileiro. N\u00e3o foi eleita, mas demonstra mais uma vez sua postura feminista, j\u00e1 que em pleno s\u00e9culo 21 ainda s\u00e3o poucas as mulheres na pol\u00edtica. No Congresso Nacional do s\u00e9culo 21 aproximadamente 10% do total de eleitos s\u00e3o mulheres,<\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m dos livros citados, usei como refer\u00eancia para balizar esse texto a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/www.posvernaculas.letras.ufrj.br\/images\/Posvernaculas\/3-mestrado\/dissertacoes\/2014\/22-HolandaSP.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Um Caminho \u00e0 Liberdade: O Legado de Pagu<\/strong><\/a>,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> de Sarah Pinto de Holanda,\u00a0 do Programa de P\u00f3sgradua\u00e7\u00e3o em Letras Vern\u00e1culas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de 2014.\u00a0\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>Algumas homenagens a Pagu:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=13720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Pagu Vida e Obra<\/em><\/a>, livro organizado por Augusto de Campos\u00a0<a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6785\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra-300x232.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra-300x232.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra-768x595.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra-1024x793.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra-370x285.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/pagu_vida_e_obra.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Eternamente Pagu<\/strong>, de 1988, longa-metragem dirigido por Norma Bengell<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Pagu<\/strong>, m\u00fasica de Rita Lee<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Imagens: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Internet<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase 60 anos, em 12 de dezembro de 1962, Patr\u00edcia Galv\u00e3o, a Pagu, partia desse plano. 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