{"id":6739,"date":"2019-12-10T17:23:28","date_gmt":"2019-12-10T20:23:28","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6739"},"modified":"2019-12-11T10:44:07","modified_gmt":"2019-12-11T13:44:07","slug":"violencia-patrimonial-educacao-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6739","title":{"rendered":"\u201cEle disse que me mataria, que eu era uma vagabunda e interesseira&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Fl\u00e1via Cunha e Ge\u00f3rgia Santos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos Estados Unidos, 99% dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica incluem o que se conhece por viol\u00eancia patrimonial, que ocorre quando o parceiro utiliza o dinheiro para controlar a mulher. No Brasil n\u00e3o h\u00e1 dados compilados sobre o crime previsto na Lei Maria da Penha, mas a transforma\u00e7\u00e3o do papel da mulher na sociedade mostra que a educa\u00e7\u00e3o financeira pode ser um passo importante para a supera\u00e7\u00e3o de um relacionamento abusivo e usada como pr\u00e1tica de combate \u00e0 viol\u00eancia patrimonial<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/capa-mat\u00e9ria-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6761\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/capa-mat\u00e9ria-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/capa-mat\u00e9ria-2.jpg 1200w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/capa-mat\u00e9ria-2-300x150.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/capa-mat\u00e9ria-2-768x384.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/capa-mat\u00e9ria-2-1024x512.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela sempre sonhou com aquele apartamento. N\u00e3o que ela tivesse passado dificuldades na inf\u00e2ncia, mas aquele im\u00f3vel era a proje\u00e7\u00e3o de uma vida confort\u00e1vel para a fam\u00edlia que ela havia constru\u00eddo. Era lindo. Grande. Tinha 137 m\u00b2, tr\u00eas quartos, dois banheiros, sala ampla e churrasqueira. Isso sem falar no condom\u00ednio com piscina, sal\u00e3o de festas, playground, espa\u00e7o <em>kids<\/em>, sal\u00e3o de jogos e quadras esportivas. O sonho de sempre da administradora Maria* custava aproximadamente R$ 1 milh\u00e3o. O dinheiro n\u00e3o seria um problema. A fam\u00edlia havia atingido um patamar financeiro est\u00e1vel j\u00e1 que o marido era um profissional da \u00e1rea da sa\u00fade com rendimentos <a href=\"https:\/\/epocanegocios.globo.com\/Brasil\/noticia\/2019\/10\/renda-media-de-mais-da-metade-dos-brasileiros-e-inferior-um-salario-minimo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">muito acima da m\u00e9dia nacional de todos os trabalhadores ocupados<\/a>, que em 2019 est\u00e1 RS2.234. Mas o pre\u00e7o que ela pagaria seria infinitamente mais alto que o valor monet\u00e1rio. O apartamento t\u00e3o desejado viraria palco de brigas e discuss\u00f5es frequentes \u2013 muitas delas presenciadas pelas duas filhas pequenas do casal. O apartamento dos sonhos abrigaria, ent\u00e3o, um casamento recheado de trai\u00e7\u00f5es, abuso psicol\u00f3gico, humilha\u00e7\u00f5es. Um casamento em que o dinheiro desempenhava um papel central de controle.<\/p>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: right;\">\u201cEle disse que me mataria, que eu era uma vagabunda e interesseira, que tinha planejado a separa\u00e7\u00e3o para ficar com o dinheiro dele. Ele que me traiu e eu que estava errada\u201d, recorda Maria<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: right;\">.<\/h5>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2017, o casamento de 12 anos acabou ap\u00f3s uma violenta discuss\u00e3o dentro das depend\u00eancias do edif\u00edcio de alto padr\u00e3o. \u201cEle disse que me mataria, que eu era uma vagabunda e interesseira, que tinha planejado a separa\u00e7\u00e3o para ficar com o dinheiro dele. Ele que me traiu e eu que estava errada\u201d, recorda Maria. Na imin\u00eancia de uma agress\u00e3o f\u00edsica, um dos seguran\u00e7as do pr\u00e9dio interferiu e evitou que algo pior acontecesse. A pol\u00edcia chegou a ser chamada ao local e o agora ex-marido devolveu as chaves, contrariado. Saiu fazendo xingamentos. Maria n\u00e3o via assim \u00e0 \u00e9poca, mas ela era v\u00edtima de um relacionamento abusivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_6759\" aria-describedby=\"caption-attachment-6759\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/SINAIS-DE-RELA\u00c7\u00c3O-ABUSIVA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6759 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/SINAIS-DE-RELA\u00c7\u00c3O-ABUSIVA.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/SINAIS-DE-RELA\u00c7\u00c3O-ABUSIVA.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/SINAIS-DE-RELA\u00c7\u00c3O-ABUSIVA-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/SINAIS-DE-RELA\u00c7\u00c3O-ABUSIVA-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/SINAIS-DE-RELA\u00c7\u00c3O-ABUSIVA-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6759\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Daniela Zanetti, psic\u00f3loga, especialista em terapia de casal e fam\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estopim para o final do relacionamento foi uma mistura entre trai\u00e7\u00e3o e descaso como pai. \u201cEu tinha visto no celular dele muitas mensagens marcando encontros com diversas mulheres, algumas falando de mim de uma forma nada respeitosa. Ali foi a gota d\u00b4\u00e1gua. Ele rec\u00e9m havia voltado de uma viagem e mal tinha entrado em contato conosco, apesar de a nossa filha mais velha ter ficado hospitalizada durante uma semana. Depois, descobri que ele estava com outra mulher no Rio de Janeiro, enquanto eu estava aqui cuidando da fam\u00edlia\u201d. Ela tamb\u00e9m recorda que o marido n\u00e3o agia como se fossem realmente um casal, em que os bens seriam divididos. \u201cDizia que eu n\u00e3o teria direito a nada. Sempre teve esse tipo de chantagem psicol\u00f3gica para tentar evitar a separa\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Daniela Zanetti, especialista em terapia de casal e fam\u00edlia, explica que a chantagem emocional e a manipula\u00e7\u00e3o podem fazer com que muitas mulheres tenham d\u00favidas se est\u00e3o realmente em um relacionamento abusivo. \u201c\u00c9 preciso estar atento aos sinais, principalmente o controle e o ci\u00fame excessivos, camuflados de amor e cuidado\u201d, enfatiza. Ela destaca que a tecnologia pode ser usada como uma forma t\u00f3xica de fiscaliza\u00e7\u00e3o constante, por meio de aplicativos com GPS que monitoram os passos da parceira. \u201cO ideal \u00e9 n\u00e3o dar espa\u00e7o para esse tipo de comportamento, j\u00e1 que um relacionamento saud\u00e1vel pressup\u00f5e confian\u00e7a\u201d, aconselha Daniela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>VIOL\u00caNCIA PATRIMONIAL<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de Maria, mais do que estar em um relacionamento abusivo, ela ainda sofria com a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ela n\u00e3o sofreu nenhum tipo de agress\u00e3o f\u00edsica ou sexual, mas ela foi v\u00edtima de outros tipos de viol\u00eancia: psicol\u00f3gica, moral e patrimonial. Segundo a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2004-2006\/2006\/Lei\/L11340.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei Maria da Penha<\/a>, a primeira \u00e9 entendida como qualquer conduta que cause dano emocional e que tenha por objetivo, entre outras coisas, controlar a v\u00edtima mediante amea\u00e7a, constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, insultos e ridiculariza\u00e7\u00e3o. Enquanto a viol\u00eancia moral diz respeito \u00e0s a\u00e7\u00f5es que configurem cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria. J\u00e1 a viol\u00eancia patrimonial, segundo o texto, \u00e9 \u201cqualquer conduta que configure reten\u00e7\u00e3o, subtra\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoas, bens, valores e direitos ou recursos econ\u00f4micos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria percebe que o dinheiro sempre desempenhou um papel central no relacionamento com o ex-marido. Ele nunca quis, espontaneamente, proporcionar uma vida confort\u00e1vel para as pr\u00f3prias filhas, por exemplo. Ele reclamava de cada gasto. Roupas infantis, brinquedos e mensalidades escolares eram tratados como uma explora\u00e7\u00e3o por parte de uma mulher gananciosa e pouco confi\u00e1vel. Por outro lado, entendia que sua \u00fanica responsabilidade era a financeira, tanto que era um pai ausente emocionalmente e pouco disposto a se envolver nos cuidados com as filhas e nas tarefas dom\u00e9sticas. \u201cSe chegava em casa e a janta n\u00e3o estava pronta, me humilhava na frente das crian\u00e7as\u201d, recorda. Quando ela descobria trai\u00e7\u00f5es, a rea\u00e7\u00e3o do marido era sempre a mesma: dizer que n\u00e3o era importante, que ficaria tudo bem e convid\u00e1-la para ir a um shopping para comprar um presente ou dizer que faria uma transfer\u00eancia banc\u00e1ria generosa. \u201cPara ele, o dinheiro comprava tudo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Daniela Zanetti explica que, em casos como o de Maria, tamb\u00e9m \u00e9 comum o homem sugerir que a mulher largue o emprego ou tenha uma atividade profissional com menos carga hor\u00e1ria do que o usual, fazendo com que a remunera\u00e7\u00e3o da parceira seja a menor dentro do relacionamento. \u201c\u00c9 uma forma de o controle se estabelecer. Em um primeiro momento, o discurso \u00e9 de cuidado e preocupa\u00e7\u00e3o, para que a mulher tenha mais tempo livre para se dedicar para a fam\u00edlia, por exemplo.\u201d De acordo com a especialista, o abusador espera essa nova din\u00e2mica se estabelecer para, ent\u00e3o, reclamar da falta de dinheiro e do fato de ser o principal provedor da casa. \u201c\u00c9 um discurso ambivalente, que oscila entre momentos de agressividade e demonstra\u00e7\u00f5es de afeto, desestabilizando a parceira.\u201d Em relacionamentos t\u00f3xicos, despesas familiares s\u00e3o tratadas como uma forma da mulher \u201cse aproveitar\u201d do marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil ainda carece de dados no que tange \u00e0 viol\u00eancia patrimonial. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre o n\u00famero de casos no pa\u00eds. O <a href=\"https:\/\/dossies.agenciapatriciagalvao.org.br\/violencia-em-dados\/violencia-patrimonial-atinge-mais-mulheres-no-rj\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dossi\u00ea Mulher 2018 (ISP\/RJ)<\/a>, do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, \u00e9 o que temos de mais concreto. O documento indica as mulheres foram as maiores v\u00edtimas do crime no Estado do Rio de Janeiro em 2017. O principal tipo foi o dano, que aparece em 50,4% dos casos, seguido da viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio (41,8%) e da supress\u00e3o de documentos, 7,8%. Al\u00e9m disso, o texto mostra que 43,3% dos casos ocorreram na casa da v\u00edtima, por namorados, maridos ou ex-companheiros. Se forem somados os pais, padrastos, parentes e conhecidos, o n\u00famero chega a 59,9%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A funda\u00e7\u00e3o americana <a href=\"https:\/\/www.purplepurse.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Purple Purse<\/a>, que se dedica a quebrar o ciclo de viol\u00eancia por meio do empoderamento financeiro indica que, nos Estados Unidos, 99% dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica envolvem abuso financeiro. \u201cAcontece todos os dias e n\u00e3o discrimina. Afeta todas as classes, ra\u00e7as e comunidades. E homens s\u00e3o v\u00edtimas tamb\u00e9m.\u201d Para testar a solidariedade dos americanos, a organiza\u00e7\u00e3o produziu um v\u00eddeo em que uma mulher esquece uma bolsa roxa (<em>purple purse<\/em> em ingl\u00eas) em um t\u00e1xi. Assim que um novo passageiro entra no ve\u00edculo, o telefone celular est\u00e1 dentro da bolsa come\u00e7a a receber mensagens amea\u00e7adoras, supostamente do parceiro. Em seguida, a mulher liga para pr\u00f3prio aparelho em busca de seus pertences.\u00a0O v\u00eddeo abaixo mostra alguns dos casos em que as pessoas se preocuparam com o bem-estar da dona da bolsa roxa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q3pUlXtNgU4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Purple Purse recomenda ficar alerta aos primeiros sinais. Como qualquer viol\u00eancia dom\u00e9stica, a viol\u00eancia patrimonial come\u00e7a com um padr\u00e3o abusivo de comportamento, usado para controlar e intimidar a parceira. \u00c9 uma conduta que come\u00e7a de forma sutil, progride com o tempo. Al\u00e9m da chantagem emocional e das a\u00e7\u00f5es listadas pela psic\u00f3loga Daniela Zanetti, a organiza\u00e7\u00e3o ainda indica que h\u00e1 outras maneiras pelas quais o companheiro pode tentar assumir o controle dos recursos financeiros da mulher. As principais delas s\u00e3o: restringir os gastos di\u00e1rios; desviar recursos da esposa; impedir o acesso \u00e0s contas banc\u00e1rias; sabotar a educa\u00e7\u00e3o e o emprego da parceira; excluir a mulher do planejamento financeiro; e criar d\u00edvidas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6757\" aria-describedby=\"caption-attachment-6757\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COMO-ACONTECE-VIOL-PATR.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6757 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COMO-ACONTECE-VIOL-PATR.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COMO-ACONTECE-VIOL-PATR.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COMO-ACONTECE-VIOL-PATR-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COMO-ACONTECE-VIOL-PATR-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/COMO-ACONTECE-VIOL-PATR-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6757\" class=\"wp-caption-text\">Fontes: Daniela Zanetti, psic\u00f3loga, especialista em terapia de casal e fam\u00edlia \/ Lei Maria da Penha<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem olha a situa\u00e7\u00e3o de fora, pode parecer imposs\u00edvel que uma mulher n\u00e3o se afaste de algu\u00e9m que a agrida diariamente. Que a fa\u00e7a sofrer. Que a humilhe e insulte constantemente. Mas a viol\u00eancia patrimonial paralisa. N\u00e3o bastassem chantagens emocionais e as constantes amea\u00e7as, a supress\u00e3o de documentos e a limita\u00e7\u00e3o de acesso aos recursos financeiros do casal deixam a mulher isolada e sem ter a quem recorrer. No website da funda\u00e7\u00e3o Purple Purse, os visitantes s\u00e3o convidados a assumir o papel da v\u00edtima em uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica durante uma experi\u00eancia de realidade virtual chamada Trapped &#8211; Descubra por que v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o podem sair de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s decidimos fazer o teste. Assim que a experi\u00eancia come\u00e7a o visitante assume o papel de uma mulher de 33 anos que \u00e9 dona de casa, tem filhos e \u00e9 casada desde o final da faculdade. Nos \u00faltimos anos, o estresse do trabalho, segundo o texto, transformou o temperamento do parceiro de ciumento para controlador at\u00e9 que chegou ao ponto da agress\u00e3o f\u00edsica. Ela j\u00e1 n\u00e3o se sente mais segura na pr\u00f3pria casa. Neste momento, a pessoa pode escolher entre sair ou permanecer. N\u00f3s clicamos no bot\u00e3o que indicava a sa\u00edda e prontamente surgiu a d\u00favida: para onde voc\u00ea vai? Uma das op\u00e7\u00f5es era fam\u00edlia, e foi a que n\u00f3s escolhemos. Em seguida, surgiu o seguinte texto: 65% das americanas n\u00e3o acreditam que sua fam\u00edlia saberia se elas estivessem em um relacionamento financeiramente abusivo.\u00a0A experi\u00eancia continua e \u00e9 aterrorizante.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Voc\u00ea pode ver como funciona <a href=\"https:\/\/www.purplepurse.com\/the-issue\/wdyjl.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> \u2013 apenas tenha cuidado, pois pode ativar gatilhos<\/h5>\n<figure id=\"attachment_6747\" aria-describedby=\"caption-attachment-6747\" style=\"width: 1116px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Captura-de-Tela-2019-12-10-\u00e0s-15.26.31-e1576020563979.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6747 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Captura-de-Tela-2019-12-10-\u00e0s-15.26.31-e1576020563979.png\" alt=\"\" width=\"1116\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Captura-de-Tela-2019-12-10-\u00e0s-15.26.31-e1576020563979.png 1116w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Captura-de-Tela-2019-12-10-\u00e0s-15.26.31-e1576020563979-300x136.png 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Captura-de-Tela-2019-12-10-\u00e0s-15.26.31-e1576020563979-768x349.png 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Captura-de-Tela-2019-12-10-\u00e0s-15.26.31-e1576020563979-1024x465.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1116px) 100vw, 1116px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6747\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs pessoas acham que voc\u00ea pode simplesmente sair; que voc\u00ea pode simplesmente se levantar e ir. N\u00e3o \u00e9 sempre assim\u201d, diz Susan, em um dos depoimentos dispon\u00edveis no site. \u201cN\u00f3s ficamos juntos por dois anos e eu levei dois anos para me afastar dele. N\u00e3o era claro para mim o qu\u00e3o profundo havia sido o abuso financeiro\u201d, completou Krista. Mas para Ana a viol\u00eancia era muito clara. Ela j\u00e1 havia apanhado do namorado incont\u00e1veis vezes quando decidiu terminar a rela\u00e7\u00e3o. Mas ele n\u00e3o aceitou. Al\u00e9m de espanc\u00e1-la, recusava-se a sair do im\u00f3vel que ela tinha comprado sozinha, com muito esfor\u00e7o. S\u00f3 o fez quando ela decidiu chamar a pol\u00edcia, mais de um ano depois. Ainda assim, ele espreitava a casa \u00e0 noite na tentativa de intimid\u00e1-la. Foram anos at\u00e9 que ela p\u00f4de sentar na sacada sem medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria tamb\u00e9m tinha receio de romper com aquele relacionamento, apesar das infidelidades e da aus\u00eancia de demonstra\u00e7\u00e3o de afeto para ela e as crian\u00e7as. Ela tinha medo de n\u00e3o conseguir manter o padr\u00e3o de vida e de prejudicar financeira e emocionalmente as filhas. E essa \u00e9, de fato, uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es das mulheres que sofrem com a viol\u00eancia patrimonial, elas tem medo de n\u00e3o conseguir pagar as contas, receiam passar por dificuldades extremas e sofrem com a possibilidade de n\u00e3o poder sustentar os pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sa\u00edda de um relacionamento abusivo n\u00e3o \u00e9 simples nem r\u00e1pida. Algumas mulheres n\u00e3o tem a quem recorrer, est\u00e3o alienadas dos amigos e familiares e sem acesso a recursos financeiros. H\u00e1 mulheres que n\u00e3o tem para onde ir. H\u00e1 mulheres sem emprego, cuja \u00fanica fonte de renda era o marido. Mesmo assim, a psic\u00f3loga Daniela Zanetti insiste que \u00e9 preciso procurar ajuda profissional, antes de qualquer coisa. Se a mulher tiver condi\u00e7\u00f5es financeiras, deve procurar um terapeuta. No caso de mulheres vulner\u00e1veis, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar ajuda de uma assistente social, que far\u00e1 o encaminhamento adequado. \u201cO psic\u00f3logo dar\u00e1 o apoio necess\u00e1rio para a mulher come\u00e7ar a reagir \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o\u201d, garante Daniela Zanetti. A profissional explica que cada paciente tem suas particularidades, tanto no tempo para se dar conta dos danos provocados por uma rela\u00e7\u00e3o t\u00f3xica quanto para recuperar a autoestima e independ\u00eancia emocional. \u201cDepois desse fortalecimento \u00e9 que podemos trabalhar, durante a terapia, em quest\u00f5es mais pr\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_6756\" aria-describedby=\"caption-attachment-6756\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CAMINHOS-PARA-SAIR.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6756 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CAMINHOS-PARA-SAIR.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CAMINHOS-PARA-SAIR.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CAMINHOS-PARA-SAIR-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CAMINHOS-PARA-SAIR-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CAMINHOS-PARA-SAIR-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6756\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Daniela Zanetti, psic\u00f3loga, especialista em terapia de casal e fam\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga ressalta que o principal nesse momento de fragilidade \u00e9 a mulher n\u00e3o ter vergonha de suas atitudes e decis\u00f5es, caso tenha se afastado de amigos e familiares em fun\u00e7\u00e3o de um casamento que revelou-se abusivo. \u201cTer uma rede de apoio \u00e9 fundamental para essas mulheres\u201d. Passado o in\u00edcio desse processo de cura, a funda\u00e7\u00e3o Purple Purse ainda orienta que a mulher procure informa\u00e7\u00f5es sobre educa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>EDUCA\u00c7\u00c3O FINANCEIRA<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a educa\u00e7\u00e3o financeira pode ser o passo definitivo para encerrar um ciclo de viol\u00eancia patrimonial que tem uma raiz profunda na sociedade patriarcal em que as mulheres n\u00e3o s\u00e3o educadas para lidar com o dinheiro. E \u00e9 muito mais que planejamento. Consiste numa s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es que tem por objetivo diminuir despesas, aumentar ganhos e, eventualmente, investir e acumular recursos. Ou seja, \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas que minimizam os riscos no que diz respeito \u00e0 situa\u00e7\u00e3o financeira com escolhas conscientes e planejadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com isso em mente, a educadora financeira Leila Ghiorzi e a advogada Gabriela Souza pensaram a oficina \u201cDinheiro tamb\u00e9m empodera: como o autocuidado financeiro pode proteger as mulheres da viol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d, em Porto Alegre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s vivemos em uma sociedade muito machista e patriarcal e isso faz com que tenha, sim, uma bagagem diferente com rela\u00e7\u00e3o aos gastos\u201d,\u00a0 disse Leila. Ao homem, cabe o fardo de ser o respons\u00e1vel pelo sustento de uma fam\u00edlia, \u00e0 mulher, cabe o fardo de ser submissa e dependente financeiramente.\u00a0\u201cIsso \u00e9 constru\u00eddo socialmente. A quest\u00e3o de o homem ter que arcar com tudo vem de uma \u00e9poca em que a mulher n\u00e3o podia trabalhar e do mito que a mulher \u00e9 interesseira. Essa \u00e9 uma heran\u00e7a de quando a \u00fanica forma de ascens\u00e3o social da mulher era casar com um homem rico. Era a \u00fanica forma, porque n\u00e3o podia sair da casa dos pais sem casar, n\u00e3o podia trabalhar, ent\u00e3o era \u00fanica a op\u00e7\u00e3o. Mesmo que isso significasse passar por certas humilha\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias pra manter o casamento\u201d, explicou. E, como vimos anteriormente, \u00e9 fato que muitas rela\u00e7\u00f5es ainda se sustentam porque, se o casal se separar, a mulher n\u00e3o tem como se sustentar financeiramente.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa que as mulheres gastem mais, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias que comprovem esse fantasia sustentada por muitos mach\u00f5es. Por outro lado, as mulheres pedem mais ajuda. E essa \u00e9 uma porta importante para conectar a educa\u00e7\u00e3o financeira \u00e0 quebra do ciclo da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leila conta que j\u00e1 atendeu diversas mulheres que procuraram ajuda para organizar a vida financeira e que n\u00e3o percebiam que estavam sendo v\u00edtimas de viol\u00eancia patrimonial. E as situa\u00e7\u00f5es eram as mais variadas, inclusive casos em que a mulher ganhava mais dinheiro mas era o companheiro quem gerenciava os recursos da casa \u2013 e n\u00e3o por uma op\u00e7\u00e3o dela. Na oficina, essa porta fica ainda mais aberta, pois \u00e9 um espa\u00e7o seguro de compartilhamento. \u201cAcontece muito de algu\u00e9m ouvir uma hist\u00f3ria e dizer: \u201cAh, eu j\u00e1 passei por isso e n\u00e3o tinha me dado conta que era viol\u00eancia.\u201d Por isso a funda\u00e7\u00e3o Purple Purse recomenda que, ap\u00f3s a ajuda psicol\u00f3gica, a educa\u00e7\u00e3o financeira seja o primeiro passo para se livrar de uma rela\u00e7\u00e3o abusiva e da viol\u00eancia patrimonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 um processo simples. Leila diz que n\u00e3o h\u00e1 um modelo estanque a ser seguido por todas as mulheres, at\u00e9 porque a viol\u00eancia patrimonial ocorre com mulheres de todas as classes, mas h\u00e1 alguns passos que por onde se pode come\u00e7ar. Primeiro a pessoa precisa procurar orienta\u00e7\u00f5es sobre como reorganizar as finan\u00e7as, fazer um mapeamento da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o e um levantamento dos danos. Se houver muitas d\u00edvidas, Leila sugere que se procure a Central de Media\u00e7\u00e3o de superendividamentos, na Justi\u00e7a Estadual. Depois disso, \u00e9 poss\u00edvel tomar medidas mais simples. \u201c\u00c9 importante que a pessoa entenda que o dinheiro \u00e9 limitado. N\u00e3o d\u00e1 pra fazer tudo. Ent\u00e3o, tem que direcionar para aquilo que faz sentido. Por exemplo, n\u00e3o tem porque pagar tarifa banc\u00e1ria quando h\u00e1 bancos digitais com contas gratuitas\u201d, explica Leila. Ent\u00e3o, a primeira recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar um banco que n\u00e3o cobre tarifas para a manuten\u00e7\u00e3o da conta. Al\u00e9m disso, seguindo uma recomenda\u00e7\u00e3o da Purple Purse, \u00e9 importante que essa conta seja individual, para que nenhuma outra pessoa tenha acesso. A seguir, \u00e9 recomendado que fa\u00e7a um pente fino nas contas fixas. \u201cLiga para as operadores, tenta reduzir as contas de internet, TV, celular, v\u00ea o que \u00e9 preciso manter e o que n\u00e3o \u00e9. O segredo \u00e9 identificar as \u00e1reas em que n\u00e3o faz sentido gastar\u201d, explica Leila. Por fim, conforme as finan\u00e7as forem se reorganizando, \u00e9 importante guardar dinheiro para uma reserva de emerg\u00eancia. \u201cO ideal \u00e9 que se tenha, pelo menos, o suficiente para viver por tr\u00eas meses\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6760\" aria-describedby=\"caption-attachment-6760\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/primeiros-passos-finan\u00e7as-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6760 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/primeiros-passos-finan\u00e7as-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/primeiros-passos-finan\u00e7as-1.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/primeiros-passos-finan\u00e7as-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/primeiros-passos-finan\u00e7as-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/primeiros-passos-finan\u00e7as-1-370x370.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6760\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Leila Ghiorzi, educadora financeira \/ Purple Purse Foundation<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o \u00e9, obviamente, a solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas. Especialmente em um pa\u00eds como o Brasil, em que muitas mulheres, al\u00e9m da viol\u00eancia, s\u00e3o acossadas pela desigualdade e pelo racismo, que tamb\u00e9m s\u00e3o formas de viol\u00eancia. Especialmente em um pa\u00eds em que o machismo ainda est\u00e1 entranhado nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Mas a ideia de entender a educa\u00e7\u00e3o e a inclus\u00e3o financeiras como ponto de partida para a transforma\u00e7\u00e3o pode ser potente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Maria \u00e9 um exemplo disso. \u201cEu posso estar mais apertada financeiramente por ter assumido mais despesas, mas estou muito mais feliz e tranquila. E as minhas filhas tamb\u00e9m. Consegui reduzir o que era sup\u00e9rfluo sem prejudic\u00e1-las.\u201d Passados dois anos da separa\u00e7\u00e3o, o apartamento dos sonhos \u00e9 alvo de uma disputa extrajudicial e a pens\u00e3o aliment\u00edcia das filhas ainda n\u00e3o foi acertada. \u201cTodo m\u00eas, eu preciso negociar os valores a serem pagos. Percebo que \u00e9 uma forma de tentar manter o antigo controle e poder, mas isso n\u00e3o me afeta mais. Espero conseguir passar o im\u00f3vel para o nome das minhas filhas. Ele j\u00e1 comprou outro apartamento, ent\u00e3o lugar para morar n\u00e3o \u00e9 um problema para ele.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela tamb\u00e9m conseguiu se recuperar emocionalmente. Pouco depois da separa\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou um novo relacionamento. Um namoro em que o dinheiro n\u00e3o \u00e9 o mais importante e em que as demonstra\u00e7\u00f5es de afeto e cuidado para ela e as filhas fazem parte do dia a dia. Olhando para tr\u00e1s, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de al\u00edvio. \u201cA gente n\u00e3o sabe como pode terminar uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o doentia, com uma pessoa que acha que pode comprar tudo, que considera o dinheiro mais importante do que o afeto.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>* Os nomes e profiss\u00e3o foram trocados a pedido das entrevistadas.<\/em><\/p>\n<p><em>Foto de capa: Montagem \/ Ge\u00f3rgia Santos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1via Cunha e Ge\u00f3rgia Santos Nos Estados Unidos, 99% dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica incluem o que se conhece [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6742,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[376],"tags":[2054,2056,2055,414,2053],"class_list":["post-6739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens-especiais","tag-abuso-financeiro","tag-autocuidado","tag-educacao-financeira","tag-violencia-domestica","tag-violencia-patrimonial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6739\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6742"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}