{"id":6596,"date":"2019-11-17T21:10:26","date_gmt":"2019-11-18T00:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6596"},"modified":"2019-11-17T21:12:29","modified_gmt":"2019-11-18T00:12:29","slug":"casagrande-e-o-matambre-recheado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6596","title":{"rendered":"Casagrande e o matambre recheado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Marco Aur\u00e9lio Souza \u00e9 um amigo que eu fiz na vida e no futebol. Nos dois nascemos em Canoas. N\u00f3s dois frequentamos o col\u00e9gio La Salle. N\u00f3s dois tivemos aulas com o professor Norberto Neselo que, por sinal, foi tamb\u00e9m professor dos nossos pais. N\u00f3s dois nos formamos em jornalismo. N\u00f3s dois trabalhamos na RBS por muitos anos. Eu acabei sendo desligado. E ele foi para Santa Catarina e, de l\u00e1, para a S\u00e3o Paulo onde trabalha na Globo e na Sportv. E, depois de muito tempo, resolvemos montar um curso de jornalismo esportivo. Eu cuidando da parte de r\u00e1dio e, ele, da de TV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi num 20 de setembro, ou melhor, num 21 de setembro, em meio a um feriad\u00e3o aqui em Porto Alegre, que ministramos o <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/cursos\/jornalismoesportivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">curso no V\u00f3s<\/a>, mas devido a compromissos posteriores \u2013 ele tinha uma festa de anivers\u00e1rio e eu, uma transmiss\u00e3o \u2013 n\u00e3o conseguimos nos reunir para fazer aquela resenha de avalia\u00e7\u00e3o. Isso ficou para o final de semana seguinte, quando ele voltaria a Porto Alegre para o jogo entre Inter e Palmeiras. Dias antes, ele avisou. &#8220;Reserva um dia pra gente. Vou tentar levar o Casagrande e o Cl\u00e9ber (Machado) junto.&#8221;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">E avisou:<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">&#8220;O Casa \u00e9 muito engra\u00e7ado. Vale a noite.&#8221;<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">.<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por falar em engra\u00e7ado, a tal noite j\u00e1 come\u00e7ou errada. A reserva feita antecipadamente numa parrilla da rua S\u00e3o Manoel, que fica em um bairro nobre da capital ga\u00facha, n\u00e3o foi confirmada. Quando cheguei, o Marco Aur\u00e9lio, acompanhado do Casagrande e da rep\u00f3rter Gabriela Ribeiro,\u00a0 j\u00e1 estava buscando um Uber para ir para outro lugar. Ofereci meu modesto Kwid para o deslocamento. O problema \u00e9 que o Casagrande, com aquele tamanh\u00e3o todo, resolveu ir no banco de tr\u00e1s. Imagina o desconforto dele espremido e o meu com aqueles dois joelhos pressionando o banco do motorista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolvemos ir ao Barranquinho, o irm\u00e3o mais novo da churrascaria Barranco, uma das mais tradicionais de Porto Alegre. L\u00e1 n\u00e3o tem erro. E o Cl\u00e9ber Machado j\u00e1 conhecia a casa. Nos sentamos e o Marco fez o pedido. A Gabriela, que n\u00e3o come carne vermelha, preferiu um frango. Os demais escolheram as especialidades que a casa oferece. Entre elas,\u00a0 o \u00a0matambre recheado. O matambre, geralmente, n\u00e3o \u00e9 uma del\u00edcia. Mas o de l\u00e1 \u00e9 muito bem feito. \u00c9 macio, bem temperado e um excelente aperitivo. <strong>O Casagrande ficou curioso com o prato. Perguntou o que era, como se faz, \u00a0mas n\u00e3o experimentou.<\/strong> Preferiu as polentinhas e o frango da colega.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>O Cas\u00e3o n\u00e3o encarou o matambre, mas sempre foi um cara corajoso [&#8230;] por ter posicionamento e atitude. Por fugir da marca\u00e7\u00e3o que a aliena\u00e7\u00e3o exerce sobre quase a totalidade dos jogadores do futebol. <\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_6597\" aria-describedby=\"caption-attachment-6597\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/casagrande_socrates_e_a_democracia_corinthiana119103.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6597\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/casagrande_socrates_e_a_democracia_corinthiana119103.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/casagrande_socrates_e_a_democracia_corinthiana119103.jpg 600w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/casagrande_socrates_e_a_democracia_corinthiana119103-300x184.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6597\" class=\"wp-caption-text\">Casagrande e a democracia corinthiana. Foto: reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cas\u00e3o n\u00e3o encarou o matambre, mas sempre foi um cara corajoso. N\u00e3o s\u00f3 por escancarar a sua situa\u00e7\u00e3o de dependente qu\u00edmico e por ter conseguido dar a volta por cima. Mas, para mim, principalmente por ter posicionamento e atitude. Por fugir da marca\u00e7\u00e3o que a aliena\u00e7\u00e3o exerce sobre quase a totalidade dos jogadores do futebol. Por carregar uma bandeira pol\u00edtica e aproveitar o enorme carisma e a lideran\u00e7a do Doutor S\u00f3crates para consolidar, l\u00e1 nos anos 1980, a Democracia Corinthiana.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 80, eu ainda era um adolescente \u201ctarado\u201d por futebol e que come\u00e7ava a despertar para a vida pol\u00edtica. Estava ainda no que se chamava \u201csegundo grau\u201d do col\u00e9gio La Salle. Acompanhava o enfraquecimento do governo militar, os chiliques do General Newton Cruz batendo com um bast\u00e3o nos cap\u00f4s dos autom\u00f3veis dos manifestantes em Bras\u00edlia, as voltas de Brizola e Gabeira, o fim do ex\u00edlio e a chamada abertura lenta e gradual. Ap\u00f3s o golpe miliar, a \u00a0democracia come\u00e7ava a ser reestabelecida e a ideia de elei\u00e7\u00f5es diretas come\u00e7ava a crescer at\u00e9 tomar as ruas como o movimento das \u201cDiretas J\u00e1\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O futebol sempre foi um mundo \u00e0 parte. Jogador de futebol tem comportamento de diva. N\u00e3o se envolve em nada. Tudo fica para ser resolvido pelos dirigentes e assessores. Mas no Corinthians entre 1982 e 1984, a situa\u00e7\u00e3o era diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>A Democracia Corinthiana<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intelig\u00eancia de S\u00f3crates, considerado pelo jornal ingl\u00eas The Guardian um dos seis atletas mais inteligentes da hist\u00f3ria, a milit\u00e2ncia de Wladimir e a rebeldia do jovem Casagrande casaram perfeitamente e formaram o n\u00facleo do movimento batizado pelo publicit\u00e1trio Washington Olivetto, vice-presidente de marketing do clube na \u00e9poca, como Democracia Corinthiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o aval e participa\u00e7\u00e3o do jovem vice-presidente de futebol, o soci\u00f3logo Ad\u00edlson Monteiro Alves, e com permiss\u00e3o do t\u00e9cnico M\u00e1rio Travaglini, o movimento cresceu e tomou conta do clube. Envolveu outros nomes como Eduardo Amorim e o uruguaio Daniel Gonz\u00e1lez e mexeu com a estrutura do futebol brasileiro. Dirigentes, imprensa, jogadores dos outros clubes e boa parte do p\u00fablico n\u00e3o via aquilo com bons olhos. Para um pa\u00eds acostumado com a censura e a ditadura militar, era pura transgress\u00e3o. At\u00e9 poderia ser, mas era tamb\u00e9m um ensaio para o novo Brasil que muitos e muitos sonhavam.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Era um exemplo de autogest\u00e3o que propunha mais liberdade e maior participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es administrativas do clube<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A temporada de 1981 do Corinthians havia sido terr\u00edvel. O time terminou em vig\u00e9simo-sexto no Brasileiro e em oitavo no Paulista. E como os estaduais serviam como ranking para as vagas do Brasileir\u00e3o do ano seguinte, o time acabou tendo que disputar a S\u00e9rie B. Mas com a chegada de Casagrande e o fortalecimento da \u201cDemocracia Corinthiana\u201d, o ano seguinte foi de muito sucesso. O time chegou \u00e0s semifinais do Brasileiro e ao t\u00edtulo do Paulist\u00e3o. S\u00f3crates e Casagrande tornaram-se uma dupla dentro e fora de campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casagrande falou de toda sua admira\u00e7\u00e3o por S\u00f3crates, que era um exemplo, um \u00eddolo e um amigo. Essa harmonia s\u00f3 foi quebrada quando a dire\u00e7\u00e3o do clube, em 1983, resolveu trazer o goleiro Emerson Le\u00e3o. A contrata\u00e7\u00e3o foi colocada em vota\u00e7\u00e3o. S\u00f3crates, ao lado da maioria, aprovou o refor\u00e7o. Casagrande, que preferia apostar no at\u00e9 ent\u00e3o titular Solito, disse n\u00e3o e acabou sendo voto vencido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre uma polentinha e outra, Cas\u00e3o contou o epis\u00f3dio das chuteiras brancas.<\/strong> Uma moda que o jovem centroavante introduziu no futebol brasileiro habituado a ver somente chuteiras pretas. Ali\u00e1s, n\u00e3o foi Casagrande quem descobriu aquele material. Na verdade, foi trazido por Daniel Gonz\u00e1lez, que ganhou de presente de um amigo durante as f\u00e9rias nos Estados Unidos. Era uma chuteria desenvolvida para gramados sint\u00e9ticos. Tinha travas baixas, mas nada que atrapalhasse o rendimento do atacante corinthiano nos gramados naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Logo na chegada, Le\u00e3o e Casagrande se encontraram e o goleiro disse:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Moleque, deixa eu ver essas chuteiras.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Le\u00e3o com uma cara debochada analisoua novidade e concluiu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Bacana esse material. Quero ver se ela sabe fazer gol.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Casagrande recolheu as chuteiras e pediu para ver as luvas de Le\u00e3o e deu o troco.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Muito boas. Quero ver se elas sabem defender.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essas personalidades antag\u00f4nicas, os dois conviveram apenas um temporada no clube. E apesar de discordar da maneira como as coisas eram decididas, Le\u00e3o foi extremamente competente e decisivo na conquista do t\u00edtulo estadual de 1983. Principalmente nas semifinais contra o Palmeiras, quando, por acaso, algu\u00e9m do grupo descobriu que o goleiro j\u00e1 estava acertado para jogar no rival no ano seguinte. Casagrande, que fazia uma patrulha constante, chamou S\u00f3crates e os outros l\u00edderes do grupo para colocar Le\u00e3o contra a parede. Afinal, que hist\u00f3ria \u00e9 essa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Le\u00e3o confirmou que estava acertado com o Palmeiras. Cas\u00e3o, n\u00e3o exatamente com essas palavras, fez uma cobran\u00e7a dura: ou voc\u00ea defende tudo, ou a gente vai tirar o teu couro. Com duas grandes atua\u00e7\u00f5es do goleiro, o Corinthians empatou o primeiro jogo em 1 x 1 e venceu o segundo por 1x 0, passando para a final contra o S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Le\u00e3o, a hierarquia no futebol tem o presidente, o t\u00e9cnico e a torcida como o mais importante. Desdenhando da maneira como as coisas eram decididas no Parque S\u00e3o Jorge, o goleiro dizia que a \u201cDemocracia Corinthiana\u201d era uma \u201cdemocracia de tr\u00eas\u201d. Ou seja, tudo era decidido para que S\u00f3crates, Casagrande e Waldimir se sentissem \u00e0 vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa postura convencional e personalista de Le\u00e3o serviu de contra-ponto ao movimento e tamb\u00e9m para dar apoio\u00a0 \u00e0queles que n\u00e3o faziam muita quest\u00e3o de participar da \u201cDemocracia\u201d. Zenon, outra estrela daquele time, foi um dos jogadores que tinha uma sintonia muito maior com a postura do goleiro. E durante a passagem de Emerson Le\u00e3o, a \u201cDemocracia Corinthiana\u201d teve uma certa oposi\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Mas esse mesmo Le\u00e3o, mostrou uma outra face que surpreendeu Casagrande. Em 2005, quando o atacante vivia uma crise gerada pela depend\u00eancia quimica e precisou de interna\u00e7\u00e3o, o ex-goleiro foi o \u00fanico colega a visit\u00e1-lo.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">&#8211; Ela ia ao hospital quase todos os dias. E quando n\u00e3o aparecia, mandava recado e perguntava como eu estava \u2013 recorda Casagrande<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Le\u00e3o, nesse momento complicado, foi parceiro. Uma parceria que Casagrande viveu quase sempre com S\u00f3crates. <strong>Com o Doutor, Cas\u00e3o engrossou o coro pelas \u201cDiretas J\u00e1\u201d, movimento que tomou conta das ruas e cidades do Brasil.<\/strong> Entre 1983 e 1984 foram 32 mega-com\u00edcios nas grandes cidades do pa\u00eds. Ao lado dos principais pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o, como Tancredo Neves, Ulysses Guimar\u00e3es, Lula, M\u00e1rio Covas e Leonel Brizola, a dupla corinthiana refor\u00e7ava o palanque que tinha Osmar Santos como locutor oficial e a presen\u00e7a de um time de artistas de peso como Chico Buarque, Beth Carvalho, Martinho da Vila e M\u00e1rio Lago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz das ruas foi transformada numa emenda encaminhada pelo deputado federal mato-grossense Dante de Oliveira. O texto que decidiria a volta das elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente de rep\u00fablica foi para vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara no dia 25 de abril de 1984. Apesar de toda mobiliza\u00e7\u00e3o popular, n\u00e3o passou. E o governo fez de tudo para garantir que a Emenda Dante Oliveira n\u00e3o fosse aprovada. Alegando uma pane no sistema de abastecimento, a energia foi cortada, o Congresso foi cercado por tropas armadas e os deputados governistas esvaziaram a sess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valorizad\u00edssimo pela participa\u00e7\u00e3o na Copa do Mundo de 1982 na Espanha, S\u00f3crates estava de sa\u00edda do Corinthians. Mas, ainda numa \u00faltima tentativa de mobilizar a torcida e o p\u00fablico, ele condicionou a sua perman\u00eancia \u00e0 volta das elei\u00e7\u00f5es diretas. Como a emenda foi rejeitada, ele seguiu o seu destino e transferiu-se em 1984 para defender a Fiorentina, na It\u00e1lia. Sem S\u00f3crates, a \u201cDemocracia Corinthiana\u201d deixou de existir. Ainda mais ap\u00f3s a sa\u00edda de Casagrande que, em 1986, tamb\u00e9m se transferiu para a Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Marco Aur\u00e9lio tinha raz\u00e3o. A noite valeu a pena. Para ser completa, s\u00f3 faltou o Casagrande experimentar o matambre recheado.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foto capa: Jos\u00e9 Pinto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Marco Aur\u00e9lio Souza \u00e9 um amigo que eu fiz na vida e no futebol. Nos dois nascemos em Canoas. 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