{"id":643,"date":"2017-02-10T15:21:10","date_gmt":"2017-02-10T17:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=643"},"modified":"2017-02-10T15:30:33","modified_gmt":"2017-02-10T17:30:33","slug":"critica-o-que-esta-por-vir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=643","title":{"rendered":"Cr\u00edtica &#8211; O que est\u00e1 por vir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 sens\u00edvel o grau de essencialidade que o cinema de Mia Hansen-Love vai assumindo. E n\u00e3o estamos pensando aqui na ideia de progressividade da obra, inclusive pois seu filme anterior, <em>\u00c9den<\/em> (2014), \u00e9 talvez o seu mais estridente &#8211; e por isso o seu pior. Pensamos na capacidade argumentativa de sua <em>mise en sc\u00e8ne. O que est\u00e1 por vir<\/em> acerta, com um golpe mais certeiro do que o desferido em seus filmes anteriores, o desenlace de sua trama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto seus outros filmes (<em>Adeus, Primeiro Amor<\/em>) parecem deixar os acontecimentos contarem a si mesmos de uma forma muito pouco org\u00e2nica, aqui se apresenta mais s\u00f3brio. Os exageros de ret\u00f3rica travados pelos seus personagens, que volta e meia insistem em infantilizar a sua eleg\u00e2ncia, n\u00e3o lhe tiram l\u00e1 tanta for\u00e7a, pois o filme vence a polariza\u00e7\u00e3o. Suas personagens est\u00e3o sempre debatendo, argumentando, e a cineasta muito habilmente evita a ades\u00e3o a um corpo pronto de ideias. Seu filme \u00e9 pol\u00edtico, evidentemente, mas o \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o de seu arranjo narrativo e n\u00e3o em virtude de qualquer conte\u00fado ou discurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma sinopse bastante simples diria que uma professora de filosofia, interpretada por Isabelle Huppert (seguramente a mais poderosa de todas as atrizes em atividade), passa por uma s\u00e9rie de crises \u00edntimas, familiares, profissionais e intelectuais. Ela tenta seguir em frente confrontando cada uma com maturidade, embora com certo desnorteamento diante das situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela prefere, como boa fil\u00f3sofa, o confronto \u00e9tico e est\u00e9tico ao pol\u00edtico, isto \u00e9, abre caminho para que a imagem <em>confesse<\/em> <em>o seu sentido<\/em> de acordo com as circunst\u00e2ncias dadas. Isso fica mais evidente nas cenas em que os estudantes discutem os motivos de uma interrup\u00e7\u00e3o das aulas para fortalecer um grupo de protesto contra aquilo que parece ser a reforma da previd\u00eancia francesa (que fora iniciada pelo \u201cconservador\u201d Sarkozy e depois chancelada, com modifica\u00e7\u00f5es, pelo \u201csocialista\u201d Hollande). H\u00e1 quem queira protestar e h\u00e1 quem queira estudar. Discute-se a democracia (que \u00e9 a vontade da maioria, diz um estudante) e logo depois temos a professora dando uma aula sobre o Contrato Social de Rousseau. Ela tem um ex-aluno anarquista que escreveu um livro sobre a <em>M\u00ednima Moralia<\/em> de Adorno. Seu marido, tamb\u00e9m professor, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um conservador de alta estirpe, embebido em receios e pondera\u00e7\u00f5es &#8211; ele \u00e9 um formalista: n\u00e3o existe forma que n\u00e3o expresse a sua ideologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para esta amarra\u00e7\u00e3o, a pergunta: \u00e9 poss\u00edvel se colocar no lugar do outro? Quest\u00e3o elementar para a rela\u00e7\u00e3o espectador-filme, a interroga\u00e7\u00e3o que aparece logo no in\u00edcio demanda esse esfor\u00e7o de ambos. Em meio aos infort\u00fanios que v\u00e3o se impondo para a professora (aquilo que iria lhes salvar, isto \u00e9, a revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o veio a galope, deixando em seu lugar a melancolia e certa desola\u00e7\u00e3o; a perda de sua m\u00e3e, o marido que a deixou, a editora que sempre a publicou passa a negar os seus projetos e a alterar outros para torn\u00e1-los mais comerciais), resta ent\u00e3o desemba\u00e7ar a vista para seguir em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Confira o<em> trailer d<\/em>o filme<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><em>O que est\u00e1 por vir<\/em> (<em>L\u2019avenir<\/em>) de Mia Hansen-Love, Fran\u00e7a, 2016. Com Isabelle Huppert, Andr\u00e9 Marcon, Roman Kolinka.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sens\u00edvel o grau de essencialidade que o cinema de Mia Hansen-Love vai assumindo. 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