{"id":618,"date":"2017-02-09T14:43:09","date_gmt":"2017-02-09T16:43:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=618"},"modified":"2017-02-09T15:29:50","modified_gmt":"2017-02-09T17:29:50","slug":"o-otimismo-como-um-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=618","title":{"rendered":"O otimismo como um direito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 2017 come\u00e7ou de forma tenebrosa para a popula\u00e7\u00e3o LGBT. Tivemos a morte a facadas do jovem Itaberli Lozano, da cidade de Cravinhos, no interior de S\u00e3o Paulo. Com apenas 17 anos e uma vida inteira pela frente, foi assassinado pela m\u00e3e e pelo padrasto por ser gay. O enfermeiro Marcelo Correia foi atingido na cabe\u00e7a com uma barra de concreto na cidade de Prado, na Bahia. O vendedor Divino Aparecido foi espancado em Uberl\u00e2ndia. Est\u00e1 no hospital, em coma induzido. Um grupo de <em>drag queens<\/em> foi barrado na entrada de um shopping na Zona Leste de S\u00e3o Paulo. O casal J\u00fanior Santos e Maycon Aguiar recebeu uma carta com insultos homof\u00f3bicos e racistas de vizinhos no condom\u00ednio onde moram, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses s\u00e3o apenas alguns casos. S\u00e3o apenas os que saem no notici\u00e1rio. Certamente existem muitos outros. Neste momento, uma menina l\u00e9sbica est\u00e1 sendo expulsa de casa. Uma travesti est\u00e1 apanhando nas ruas. Um homem transexual est\u00e1 sendo desrespeitado no sistema de sa\u00fade. As estat\u00edsticas s\u00e3o muito generosas com a popula\u00e7\u00e3o LGBT porque a subnotifica\u00e7\u00e3o das agress\u00f5es que sofremos todos os dias \u00e9 a regra geral. A realidade \u00e9 muito pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00f3s viemos de muito longe. Viemos da rebeli\u00e3o de Stonewall, onde enfrentamos o autoritarismo da pol\u00edcia com nossos corpos. Ao longo de muitas d\u00e9cadas, conseguimos sair da marginalidade para o orgulho. Sem nunca perder a rebeldia necess\u00e1ria a todas e todos que est\u00e3o acostumados a observar a vida pelas beiradas. Viemos de uma longa tradi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia individual e coletiva. E n\u00e3o vamos abaixar a cabe\u00e7a, ainda que este ano comece com tantas not\u00edcias ruins. Com tantas vidas golpeadas pelo preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Beth\u00e2nia diz em uma can\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o mexe comigo, que eu n\u00e3o ando s\u00f3\u201d. N\u00f3s n\u00e3o andamos s\u00f3s. As multid\u00f5es que saem \u00e0s ruas nas paradas LGBTs de todo o pa\u00eds e do mundo inteiro comprovam isso. A juventude e as novas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o a prova viva de que a discrimina\u00e7\u00e3o est\u00e1 condenada ao ostracismo. Nossas vidas, linguagens e afetos constroem verdadeiras fissuras em um sistema marcado pela opress\u00e3o. De fenda em fenda, abrimos um rombo. Quando aqueles que propagam o \u00f3dio menos perceberem, estar\u00e3o em um abismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo em que vivemos, qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de otimismo pode ser facilmente confundida como um ato de loucura. Como uma demonstra\u00e7\u00e3o de ingenuidade. O poeta uruguaio Mario Benedetti certa vez escreveu que precisamos defender a alegria como um direito. Acredito que tamb\u00e9m devemos ter direito ao otimismo. Podem dizer que vivo fora da realidade. Esfreguem todas as piores not\u00edcias na minha cara. Falem-me de conjuntura, me xinguem de imaturo. N\u00e3o importa. Eu ainda acordo todos os dias pensando na frase da escritora indiana Arundhati Roy: \u201cUm outro mundo n\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel, como ela [sim, \u00e9 uma outra munda] est\u00e1 a caminho. Em um dia tranquilo, eu consigo ouvir sua respira\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><em>Cr\u00e9dito da foto: Fernanda Piccolo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2017 come\u00e7ou de forma tenebrosa para a popula\u00e7\u00e3o LGBT. 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