{"id":6009,"date":"2019-06-17T19:08:19","date_gmt":"2019-06-17T22:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6009"},"modified":"2019-06-17T19:08:19","modified_gmt":"2019-06-17T22:08:19","slug":"vazajato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=6009","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o acho nada improv\u00e1vel que daqui a dois anos ainda tenha mat\u00e9rias [da Vazajato] saindo desse arquivo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Igor Natusch e\u00a0Ge\u00f3rgia Santos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A frase \u00e9 do editor adjunto do <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Intercept Brasil<\/a>, Alexandre de Santi. Ele se refere ao arquivo que deu origem ao que agora conhecemos por Vazajato, uma s\u00e9rie de reportagens que\u00a0abalou profundamente a imagem da Lava Jato e, principalmente, dos protagonistas da opera\u00e7\u00e3o. As mat\u00e9rias publicadas em nove de junho mostram, entre outras coisas, a colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitida entre procuradores do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), entre eles Deltan Dallagnol, \u00a0e o ent\u00e3o juiz S\u00e9rgio Moro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">O esc\u00e2ndalo do Vazajato mostrou que a opera\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava corrompida<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As reportagens foram produzidas a partir de um arquivo que continha conversas privadas, grava\u00e7\u00f5es em \u00e1udio, v\u00eddeo, fotos, documentos judiciais e outros \u00edtens envolvendo os procuradores e o\u00a0hoje ministro da Justi\u00e7a do governo de Jair Bolsonaro.\u00a0<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2019\/06\/09\/editorial-chats-telegram-lava-jato-moro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Segundo os editores<\/a>, o \u00fanico papel do ve\u00edculo na obten\u00e7\u00e3o do material foi\u00a0receb\u00ea-lo. Mas a explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediu que in\u00fameras pessoas questionassem a legalidade da publica\u00e7\u00e3o, considerada\u00a0uma invas\u00e3o de privacidade. Nas redes sociais, n\u00e3o foram poucos os perfis que ignoraram o fato de que\u00a0os procuradores da Lava Jato e Moro tenham realizado parte do trabalho em segredo e de forma anti\u00e9tica. Essa tem sido, inclusive, a t\u00f4nica da defesa dos envolvidos: foco na forma, e n\u00e3o no conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao V\u00f3s, o jornalista Alexandre de Santi esclareceu esse e outros pontos a respeito da apura\u00e7\u00e3o dos fatos, tratamento do material e pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es. Ele assinou uma das tr\u00eas mat\u00e9rias publicadas inicialmente e entende que a vastid\u00e3o do material pode exigir um trabalho de anos.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-6009 gallery-columns-2 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?attachment_id=6018'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"150\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/samba-a-dois-1560015172-300x150.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-6018\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/samba-a-dois-1560015172-300x150.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/samba-a-dois-1560015172-768x384.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/samba-a-dois-1560015172.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-6018'>\n\t\t\t\tReprodu\u00e7\u00e3o: The Intercept Brasil\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?attachment_id=6017'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"150\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/deltan-triplex-1560030043-1-300x150.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-6017\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/deltan-triplex-1560030043-1-300x150.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/deltan-triplex-1560030043-1-768x384.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/deltan-triplex-1560030043-1.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-6017'>\n\t\t\t\tReprodu\u00e7\u00e3o: The Intercept Brasil\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s &#8211; Como est\u00e1 sendo o processo de apura\u00e7\u00e3o em cima desse montante de informa\u00e7\u00f5es<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>que voc\u00eas receberam? Estabeleceram uma for\u00e7a-tarefa na equipe, dividiram tarefas? Quanta gente est\u00e1 envolvida no processo?<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi<\/strong> &#8211; N\u00e3o d\u00e1 pra chamar de for\u00e7a-tarefa porque a nossa equipe \u00e9 pequena, ent\u00e3o n\u00e3o tem um monte de gente trabalhando nisso. O que a gente fez foi destacar algumas pessoas para trabalhar mais de perto nisso. Mas n\u00e3o estamos conseguindo gastar muita energia nisso porque houve umas baixas em fun\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, algumas pessoas de f\u00e9rias e coisas assim. Ent\u00e3o, agora, tem umas tr\u00eas ou quatro pessoas trabalhando <em>full time<\/em> nessa opera\u00e7\u00e3o editorial. \u00a0Mas toda a equipe est\u00e1 trabalhando de alguma forma no bastidor, seja em redes sociais ou ajudando nesse per\u00edodo mais intenso com assessoria de imprensa, para organizar entrevistas, esse tipo de coisa. Ent\u00e3o por enquanto \u00e9 isso. Fora\u00a0o Glenn [Greenwald], que \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, digamos assim, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 dentro da nossa hierarquia direta.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h6><strong>V\u00f3s &#8211; E que crit\u00e9rios voc\u00eas est\u00e3o seguindo para selecionar o que \u00e9 importante no material?<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi<\/strong> &#8211; Com rela\u00e7\u00e3o aos crit\u00e9rios, a gente procura coisas que tenham interesse p\u00fablico, obviamente, que tenha a ver com eventos republicanos, digamos assim. Coisas referentes a assuntos estritamente pessoais ou de procedimentos internos do pessoal da Lava Jato, a gente n\u00e3o publica. Eventualmente, podemos dar uma olhada &#8220;mais de lupa&#8221;<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>para ver se tem coisas interessantes, mas n\u00e3o \u00e9 prioridade agora. A prioridade \u00e9 encontrar coisas que tenham a ver com os casos que mudaram a pol\u00edtica do pa\u00eds, encontrar coisas que tenham interesse p\u00fablico forte e que ajudem a revelar como funcionou o processo de decis\u00e3o dessa opera\u00e7\u00e3o e deixar isso pro p\u00fablico julgar. Julgar se essa opera\u00e7\u00e3o, que tem tanta fama, operou dentro da normalidade e se os m\u00e9ritos est\u00e3o dentro de um esp\u00edrito republicano. E \u00e9 essa a nossa miss\u00e3o.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>.<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s &#8211; E quanto \u00e0s quest\u00f5es legais? Tanto na parte da obten\u00e7\u00e3o dos dados quanto, por exemplo, na decis\u00e3o de publicar originalmente sem contraponto.<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi &#8211;<\/strong> Desde que isso come\u00e7ou, semanas atr\u00e1s, at\u00e9 agora, eu me envolvi mais tempo em quest\u00f5es jur\u00eddicas do que em quest\u00f5es jornal\u00edsticas. Tanto com reuni\u00e3o com advogados quanto discuss\u00f5es internas, mesmo sem presen\u00e7a de advogados, para tentar avaliar tanto os nossos riscos quanto as repercuss\u00f5es jur\u00eddicas intr\u00ednsecas ao material. \u00c9 um tema muito importante, muito delicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"padding-left: 150px;\"><strong>Os atores da Lava Jato, depois que a gente publicou, disseram que foi um hacker, a gente n\u00e3o sabe se \u00e9 um hacker ou n\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa preocupa\u00e7\u00e3o primeira era entender at\u00e9 que ponto a gente podia publicar isso. Tanto por se tratar de conversas privadas quanto por terem sido, talvez &#8211; \u00e9 uma hip\u00f3tese, a gente n\u00e3o sabe -, \u201croubadas\u201d, digamos<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>assim. A gente n\u00e3o sabe de onde elas vieram exatamente, ent\u00e3o a gente n\u00e3o tem nem como avaliar mais profundamente. Os atores da Lava Jato, depois que a gente publicou, disseram que foi um hacker, a gente n\u00e3o sabe se \u00e9 um hacker ou n\u00e3o. Em nenhum momento isso se confirmou.Mas a gente tinha essa preocupa\u00e7\u00e3o no n\u00edvel da hip\u00f3tese. &#8220;E se for uma informa\u00e7\u00e3o que foi roubada de algum lugar, isso importa pra n\u00f3s?&#8221; &#8220;Juridicamente, como \u00e9 que fica se for esse o caso?&#8221; Ent\u00e3o trabalhamos com essa e com outras hip\u00f3teses para entender qual era o nosso risco. Primeiro nossos advogados disseram que, independente da origem, esse n\u00e3o era um problema nosso, que n\u00f3s t\u00ednhamos direito de publicar, que jornalismo \u00e9 isso. Desde que a gente n\u00e3o estimulasse a fonte a cometer um crime, e a gente n\u00e3o fez isso em nenhum momento. Depois que isso ficou bem claro, n\u00e3o tivemos preocupa\u00e7\u00f5es em receber os arquivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrada essa quest\u00e3o, do custo jur\u00eddico de entender a origem do material, teve a discuss\u00e3o sobre como a gente faria para falar com os envolvidos antes da publica\u00e7\u00e3o, porque esse \u00e9 o nosso padr\u00e3o jornal\u00edstico. Obviamente \u00e9 a melhor pr\u00e1tica poss\u00edvel, falar com todos os envolvidos antes, mas a gente come\u00e7ou a discutir com os advogados se n\u00f3s estar\u00edamos correndo algum risco de sofrer censura pr\u00e9via. Porque dava tempo de eles se organizarem. S\u00e3o personagens com muitas conex\u00f5es no mundo jur\u00eddico, ent\u00e3o tememos que essas conex\u00f5es fariam com que uma causa de censura pr\u00e9via tivesse muita simpatia dentro do judici\u00e1rio, apesar de n\u00e3o ser a regra. Apesar de no Brasil, em tese, n\u00e3o existir censura pr\u00e9via, a gente viu um caso recente, que foi o caso d\u00b4O Globo, que teve uma mat\u00e9ria que tratava do caso da Marielle censurada previamente pela Justi\u00e7a. Ent\u00e3o tinha um precedente recente. E a gente est\u00e1 na mesma cidade que o Globo, ou seja, podia haver um entendimento jur\u00eddico local que poderia favorecer a tese que de o material merecia censura pr\u00e9via. Ent\u00e3o a gente avaliou que o interesse p\u00fablico era maior e \u00a0decidiu, pela primeira vez, n\u00e3o falar com as fontes.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente podia ouvir os envolvidos, tamb\u00e9m, para entender se o conte\u00fado era verdadeiro, mas a gente j\u00e1 tinha feito essa avalia\u00e7\u00e3o interna de v\u00e1rias formas poss\u00edveis. Checando fatos, datas e os arquivos. Fizemos tamb\u00e9m uma an\u00e1lise t\u00e9cnica no material pra saber se tinha sinais de adultera\u00e7\u00e3o. Enfim, fizemos todo o trabalho poss\u00edvel antes pra saber se era falso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento que a gente concluiu que era um conte\u00fado verdadeiro, a gente concluiu que j\u00e1 era a vers\u00e3o deles. \u00c9 a vers\u00e3o dos bastidores, mas \u00e9 a voz deles. Mesmo sabendo que \u00e9 uma decis\u00e3o dif\u00edcil, in\u00e9dita, n\u00e3o usual e que a gente n\u00e3o pretende seguir para sempre, sentimos que, nesse caso, o p\u00fablico merecia saber e n\u00e3o podia correr o risco da censura pr\u00e9via. Ent\u00e3o fizemos essa aposta editorialmente arriscada. Mas a vers\u00e3o deles foi ouvida pelo p\u00fablico, por outros canais, e agora cabe ao p\u00fablico julgar isso.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s &#8211; Muita gente acaba, por conveni\u00eancia pol\u00edtica ou torcida mesmo, criando uma enorme expectativa em torno de futuras mat\u00e9rias, esperando algum tipo de resultado delas. Isso abre caminho pra que o trabalho jornal\u00edstico do The Intercept Brasil acabe visto como uma esp\u00e9cie de evento ou espet\u00e1culo, que voc\u00eas sejam vistos como antagonistas de S\u00e9rgio Moro.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi &#8211;\u00a0<\/strong>A gente n\u00e3o \u00e9 antagonista do S\u00e9rgio Moro. Eu acho que, nessa situa\u00e7\u00e3o, o antagonista do S\u00e9rgio Moro \u00e9 o pr\u00f3prio S\u00e9rgio Moro, o pr\u00f3prio Deltan Dallagnol, dentro de uma \u00f3tica de que h\u00e1 ali deslizes muito graves. <strong>Isso n\u00e3o \u00e9 cria\u00e7\u00e3o do Intercept, o deslize \u00e9 cria\u00e7\u00e3o deles.<\/strong> A gente simplesmente teve acesso a esses deslizes, e o nosso papel \u00e9 s\u00f3 esse, informar. Colocar os pingos nos is. N\u00e3o s\u00f3 jogar a informa\u00e7\u00e3o crua para as pessoas tentarem entender.<\/p>\n<div id='gallery-2' class='gallery galleryid-6009 gallery-columns-2 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?attachment_id=6021'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"150\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/moro-overlay-222-1560540666-eng-1560544812-300x150.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-2-6021\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/moro-overlay-222-1560540666-eng-1560544812-300x150.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/moro-overlay-222-1560540666-eng-1560544812-768x384.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/moro-overlay-222-1560540666-eng-1560544812.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-2-6021'>\n\t\t\t\tReprodu\u00e7\u00e3o: The Intercept Brasil\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?attachment_id=6020'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"150\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/lula-1560032137-300x150.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-2-6020\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/lula-1560032137-300x150.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/lula-1560032137-768x384.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/lula-1560032137.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-2-6020'>\n\t\t\t\tReprodu\u00e7\u00e3o: The Intercept Brasil\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<h6 style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s &#8211; Como voc\u00eas est\u00e3o lidando com isso? Qual \u00e9 a tua vis\u00e3o, a vis\u00e3o de voc\u00eas, sobre o papel do ve\u00edculo e sobre essas publica\u00e7\u00f5es? Para que elas servem, enfim?<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi &#8211;\u00a0<\/strong>A gente acha que esse material serve pra elucidar o p\u00fablico sobre como transcorreu essa opera\u00e7\u00e3o muito influente, tanto jur\u00eddica quanto politicamente, e em que termos \u00e9ticos, em que bases jur\u00eddicas. Isso transformou o Brasil. \u00c9 bem forte o argumento de que sem Lava Jato a gente teria outro espectro politico na presid\u00eancia, no comando politico do pa\u00eds. As mat\u00e9rias servem para mostrar para o p\u00fablico se houve deslizes \u00e9ticos nesse processo. N\u00f3s acreditamos que o papel do jornalismo \u00e9 ser o fiscal do poder, ent\u00e3o estamos fiscalizando se houve alguma transgress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>N\u00f3s n\u00e3o estamos buscando erros para desmontar a Lava Jato, isso n\u00e3o existe, isso \u00e9 n\u00e3o entender o papel do jornalismo.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s n\u00e3o estamos buscando erros para desmontar a Lava Jato, isso n\u00e3o existe, isso \u00e9 n\u00e3o entender o papel do jornalismo. N\u00f3s estamos fazendo isso porque o p\u00fablico tem direito de julgar e conhecer \u00a0e poder entender se sua pr\u00f3pria expectativa, ou raiva, ou amor pela Lava jato \u00e9 justificado. Se transcorreu do jeito certo, como tinha que correr, como manda a lei. O nosso papel \u00e9 esse, o jornalismo serve para isso, para expor coisas que, \u00e0s vezes, as pessoas n\u00e3o querem que sejam expostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O TIB \u00e9 um ve\u00edculo que procura ter impacto no que faz, ent\u00e3o quando tem que dizer que alguma coisa precisa ser mudada ou que a aquela pessoa cometeu o que \u00e9, objetivamente, um deslize, a gente avisa o leitor. A gente n\u00e3o fica em cima do muro para dizer \u201caqui est\u00e3o os fatos e o leitor que se vire para entender se s\u00e3o legais ou n\u00e3o&#8221;. A gente tenta j\u00e1 cumprir esse caminho, j\u00e1 mostrar se tem alguma situa\u00e7\u00e3o &#8220;esquisita&#8221;. Eu sei que isso causa grande expectativa, principalmente na esquerda, que acha que pode \u201cse vingar\u201d agora da Lava jato, que sem ela n\u00e3o haveria governo Jair Bolsonaro. Mas essa expectativa n\u00e3o \u00e9 criada pela gente. \u00c9 a gente no sentido de que a gente publicou algo que gerou essa expectativa, mas a gente n\u00e3o esperava criar expectativa em ningu\u00e9m, s\u00f3 est\u00e1vamos fazendo nosso trabalho do jeito mais respons\u00e1vel poss\u00edvel. E foi isso que a gente fez.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s &#8211; Um ve\u00edculo de jornalismo di\u00e1rio estaria sob uma enorme press\u00e3o para publicar tudo o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, talvez n\u00e3o tivesse o mesmo tempo que voc\u00eas tiveram para avaliar, bater informa\u00e7\u00f5es etc. Mas o The Intercept Brasil \u00e9 tudo, menos jornalismo di\u00e1rio, e desde o in\u00edcio tem se proposto a atuar fora dessa l\u00f3gica.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi &#8211;\u00a0<\/strong>A coisa que eu mais gostava de trabalhar no Intercept, at\u00e9 agora, era justamente o fato de a gente operar no ritmo de uma revista. A gente opera num ritmo muito mais lento e pode demorar semanas ou meses pra publicar uma mat\u00e9ria, porque a gente vai trabalhando at\u00e9 ficar o que a gente considera como pronta.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>Esse \u00e9 o meu ritmo pessoal, por exemplo, n\u00e3o gosto de fazer <em>hard news<\/em>, nunca gostei, j\u00e1 fiz bastante mas nunca foi a minha praia de verdade, a minha voca\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o uma das coisas que eu gostava no TIB era poder trabalhar com esse tempo, que era muito importante para fazer as coisas bem feitas, tanto do ponto de vista de qualidade da informa\u00e7\u00e3o, de realmente fazer jornalismo investigativo e ir atr\u00e1s das coisas at\u00e9 o final, quanto em termos de preparar a mat\u00e9ria para que ela tenha impacto. &#8220;Empacotar&#8221; de um jeito que a gente consiga mostrar para as pessoas que vale a pena dar aten\u00e7\u00e3o para aquela hist\u00f3ria. Ent\u00e3o foi sempre muito bom ter esse tempo pra poder pensar ilustra\u00e7\u00e3o, diagrama\u00e7\u00e3o, design, pensar em qualidade de texto. Tudo isso e outros gatilhos internos dos textos que a gente acredita que d\u00e1 mais leitura, compartilhamento e furar as bolhas para ir mais longe. Agora a gente n\u00e3o tem esse tempo mais.\u00a0Existe uma expectativa grande de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente tamb\u00e9m sentia que o material era sens\u00edvel a ponto de ser arriscado ficar com ele por muito tempo na m\u00e3o sem publicar nada. Digamos que, em vez de a gente levar semanas, a gente levasse meses para terminar. E que durante esses meses, vazasse a informa\u00e7\u00e3o de que a gente estava trabalhando\u00a0nesse arquivo. \u00a0Isso permitira o nascimento de <em>trocentas<\/em> teorias da conspira\u00e7\u00e3o, todas falsas obviamente. Al\u00e9m disso, a gente sentia que [um eventual vazamento] nos expunha a um risco de a Pol\u00edcia Federal bater no escrit\u00f3rio, na nossa casa, atr\u00e1s desse material para tentar confiscar. Ent\u00e3o era importante andar r\u00e1pido, numa velocidade que a gente n\u00e3o est\u00e1 acostumado. A gente inclusive fez uma coisa que a gente nunca faz, que \u00e9 publicar tr\u00eas mat\u00e9rias grandes ao mesmo tempo. Ent\u00e3o foi bastante pesado esse per\u00edodo em termos de prepara\u00e7\u00e3o do material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s temos uma pol\u00edtica de fazer checagem de informa\u00e7\u00f5es em todas as mat\u00e9rias grandes, ent\u00e3o n\u00e3o tem mat\u00e9ria do Intercept publicada sem um processo de checagem da informa\u00e7\u00e3o. Evidentemente o rep\u00f3rter faz checagem, os editores fazem, mas depois passa por um processo de <em>fact checking<\/em> mesmo. E a gente fez isso em todas as mat\u00e9rias. Teve revis\u00e3o, um monte de gente leu, os advogados leram v\u00e1rias vezes, sabe, ent\u00e3o foi um per\u00edodo bem pesado de prepara\u00e7\u00e3o. E agora, para manter esse n\u00edvel, \u00e9 estrategicamente interessante que a gente aproveite a aten\u00e7\u00e3o das pessoas para seguir publicando, mas n\u00e3o \u00e9 muito nosso ritmo, mesmo. A gente n\u00e3o tem uma equipe muito grande para conseguir andar r\u00e1pido, mas a gente precisa andar r\u00e1pido para acompanhar o interesse do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Mas provavelmente \u00e9 um trabalho de anos. De meses certamente, mas talvez at\u00e9 de anos no sentido da vastid\u00e3o do material. N\u00e3o acho nada improv\u00e1vel que daqui a dois anos ainda tenha mat\u00e9rias saindo desse arquivo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o posso falar sobre estrat\u00e9gia pratica de publica\u00e7\u00e3o, mas posso dizer que a gente est\u00e1 sob uma press\u00e3o nossa, mesmo, de tentar aproveitar a aten\u00e7\u00e3o que as pessoas est\u00e3o dando a esse assunto. N\u00e3o vamos deixar isso para depois, vamos aproveitar. Mas provavelmente \u00e9 um trabalho de anos. De meses certamente, mas talvez at\u00e9 de anos no sentido da vastid\u00e3o do material. N\u00e3o acho nada improv\u00e1vel que daqui a dois anos ainda tenha mat\u00e9rias saindo desse arquivo. Pra voc\u00eas terem uma ideia, o Intercept americano publicou uma mat\u00e9ria nova sobre o arquivo Snowden na semana passada [as primeiras reportagens foram publicadas em 2013]. S\u00e3o arquivos totalmente diferentes, mas s\u00e3o arquivos muito grandes, com muita coisa l\u00e1 dentro, que precisa muito tato e muito cuidado e muita responsabilidade e muita checagem de informa\u00e7\u00f5es e muita compreens\u00e3o de contexto para entender o que significa determinada conversa, determinado trecho, foto, documento. Ent\u00e3o, nesse sentido, \u00e9 um trabalho muito lento. Agora eu gostaria que a gente tivesse uma reda\u00e7\u00e3o com recursos de jornalismo di\u00e1rio, com n\u00famero de editores e de rep\u00f3rteres e toda uma estrutura preparada para conseguir atender a essa demanda agora. mas a gente n\u00e3o tem, ent\u00e3o a gente vai seguir produzindo no ritmo que a gente consegue, at\u00e9 porque a gente jamais correria com a publica\u00e7\u00e3o para correr riscos jur\u00eddicos e at\u00e9 de qualidade do material, ent\u00e3o tem que equilibrar essas duas coisas a partir de agora.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s &#8211; O quanto esse ritmo, de certa forma, pode favorecer voc\u00eas na hora de lidar com um furo de reportagem dessa dimens\u00e3o?<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alexandre de Santi &#8211;<\/strong> Eu acho que a gente criou uma cultura interna, e pelo menos desde que eu cheguei como editor adjunto, acho que foi minha grande miss\u00e3o, de trabalhar arte, fazer bons textos, checar, fazer revis\u00e3o, passar pelos advogados, de cavar mais, de entender melhor, tentar fazer a melhor manchete. Um trabalho completo. E parte do impacto que as tr\u00eas primeiras mat\u00e9rias fizeram \u00e9 devido a isso. A gente fez o nosso dever de casa para que as mat\u00e9rias fossem apresentadas como algo que merecia aten\u00e7\u00e3o da sociedade. Ent\u00e3o esse sentido, nos favoreceu ter essa cultura de um jornalismo mais lento e mais pensado. A gente chegou agora, na hora H, com o que para muitos era um bomba na m\u00e3o, e a gente soube preparar essa bomba para ela explodir direitinho. Isso \u00e9 muito em fun\u00e7\u00e3o do trabalho feito no \u00faltimo ano para que a gente n\u00e3o desperdice mat\u00e9rias assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o adianta fazer uma boa mat\u00e9ria, ter um furo de reportagem ou alguma coisa exclusiva e publicar na hora errada, com a chamada de redes errada, com design que n\u00e3o \u00e9 atrativo, que n\u00e3o responde bem a leitura no celular, por exemplo &#8211; porque 80% das pessoas est\u00e3o lendo no celular. Ent\u00e3o a gente vem trabalhando bastante para cuidar dessas coisas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Para que as mat\u00e9rias tenham chamadas que funcionem bem nas redes sociais, tenham apura\u00e7\u00e3o que sustente os t\u00edtulos que est\u00e3o nas redes sociais, para que n\u00e3o sejam t\u00edtulos apelativos a troco de nada, e que elas tenham artes, design, ilustra\u00e7\u00e3o bem pensados pra que chame aten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o isso tudo foi usado na hora de preparar as primeiras mat\u00e9rias. \u00a0N\u00e3o diria ao m\u00e1ximo porque ainda teve um componente de pressa, pelos motivos que eu falei antes, mas tinha uma inten\u00e7\u00e3o, pelo menos, de a gente usar todo nosso arsenal dispon\u00edvel. Ent\u00e3o sim, de certa forma nos beneficiou, mas agora eu gostaria de ter um navio de guerra um pouquinho maior na minha m\u00e3o.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/podcast\/bendita-sois-vos-s02e01-vazajato\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para ouvir o primeiro epis\u00f3dio da segunda temporada do podcast Bendita Sois V\u00f3s sobre a Vazajato.<\/a><\/p>\n<p><em>Foto: The Intercept Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igor Natusch e\u00a0Ge\u00f3rgia Santos A frase \u00e9 do editor adjunto do The Intercept Brasil, Alexandre de Santi. 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