{"id":5902,"date":"2019-07-19T18:33:31","date_gmt":"2019-07-19T21:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5902"},"modified":"2019-07-21T14:59:32","modified_gmt":"2019-07-21T17:59:32","slug":"venezuela-a-distopia-apos-duas-decadas-de-chavismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5902","title":{"rendered":"Venezuela . a distopia ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de Chavismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Texto e fotos: Alvaro Andrade \/ Venezuela<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em Caracas, no bairro 23 de Enero, os olhos de Hugo Ch\u00e1vez ainda pairam sobre o povo. O grafite em preto e branco com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">la mirada del comandante<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> est\u00e1 por todos os lados e parece manter a vigil\u00e2ncia sobre o reduto de maior apoio ao chavismo na Venezuela.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A regi\u00e3o, a menos de um quil\u00f4metro do Pal\u00e1cio Miraflores, sede do regime, \u00e9 estrat\u00e9gica, pois ali est\u00e3o concentrados os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">colectivos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, grupos paramilitares criados para operarem como mil\u00edcias de seguran\u00e7a nos bairros e que hoje s\u00e3o um bra\u00e7o civil armado do governo. No topo de um morro, \u00e0 direita da entrada para o mausol\u00e9u 4 de Febrero, onde est\u00e3o os restos mortais do ex-presidente, uma capela religiosa leva seu o nome e sua fotografia est\u00e1 posta em um altar, cercada por velas acesas e outras imagens. \u201cCh\u00e1vez era do povo, por isso \u00e9 t\u00e3o amado\u201d, diz o porteiro do quartel 4F, um simp\u00e1tico caraquenho vestido com a indefect\u00edvel camisa vermelha do PSUV, o partido socialista que comanda a Venezuela.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pelo caminho, parte do legado chavista pode ser notado nos incont\u00e1veis pr\u00e9dios de Misi\u00f3n Vivienda, plano de moradia gratuita que, segundo dados oficiais, j\u00e1 alcan\u00e7ou os 2 milh\u00f5es de im\u00f3veis distribu\u00eddos gratuitamente ao povo. No entanto, basta afastar-se das regi\u00f5es centrais de Caracas para \u00a0perceber que o bolivarianismo ainda ficou distante de muita gente.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5918 aligncenter\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/oficina.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Em Petare, maior favela da Am\u00e9rica Latina, composta por 80 bairros em diferentes morros de Caracas, a insatisfa\u00e7\u00e3o fervilhava em meados de dezembro. Moradores bloquearam a via expressa que fica logo abaixo e foram reprimidos pela Ordem Interna, um grupo militar destinado especificamente a conter manifesta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cNos falta \u00e1gua, nos falta luz. N\u00e3o h\u00e1 comida, nem trabalho. Prometeram um peda\u00e7o de pernil e nem isso chegou&#8221;, reclama um aposentado diante de uma oficina instalada \u00e0s margens de um dos becos da favela<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e territ\u00f3rios controlados, Petare n\u00e3o se difere muito das favelas brasileiras. Casas sem reboco, vielas, escadarias, falta de saneamento e gatos de luz. Mas na capital venezuelana, a fome mata os sorrisos e todos repetem o mesmo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Estamos \u00a0hartos!\u201d, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ou seja,<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">cansados, exaustos, fartos de esperar. &#8220;Esse era um governo que se dizia do povo, mas j\u00e1 nos esqueceu faz tempo&#8221;, diz o mec\u00e2nico que se desdobra para consertar um dos tradicionais ve\u00edculos antigos que, assim como o pa\u00eds consome muito e vive cheio de problemas.<\/span><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n\t<div class=\"wp-playlist wp-video-playlist wp-playlist-light\">\n\t\t<video controls=\"controls\" preload=\"none\" width=\"618\"\n\t\t height=\"348\"\t><\/video>\n\t<div class=\"wp-playlist-next\"><\/div>\n\t<div class=\"wp-playlist-prev\"><\/div>\n\t<noscript>\n\t<ol>\n\t\t<li><a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/VENEZ2.mp4'>Escassez e terra de nadie<\/a><\/li>\t<\/ol>\n\t<\/noscript>\n\t<script type=\"application\/json\" class=\"wp-playlist-script\">{\"type\":\"video\",\"tracklist\":true,\"tracknumbers\":true,\"images\":true,\"artists\":true,\"tracks\":[{\"src\":\"https:\\\/\\\/vos.homolog.arsnova.work\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/07\\\/VENEZ2.mp4\",\"type\":\"video\\\/mp4\",\"title\":\"Escassez e terra de nadie\",\"caption\":\"\",\"description\":\"\",\"meta\":{\"length_formatted\":\"8:01\"},\"dimensions\":{\"original\":{\"width\":1280,\"height\":720},\"resized\":{\"width\":618,\"height\":348}},\"image\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/vos.homolog.arsnova.work\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/video.svg\",\"width\":48,\"height\":64},\"thumb\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/vos.homolog.arsnova.work\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/video.svg\",\"width\":48,\"height\":64}}]}<\/script>\n<\/div>\n\t\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><b>LEI DE TALI\u00c3O<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois retalhos de cal\u00e7a jeans servem como bandagem para conter a hemorragia nas pontas dos bra\u00e7os onde antes havia m\u00e3os; o rosto est\u00e1 empapado de sangue, pois os olhos e a l\u00edngua tamb\u00e9m foram arrancados. Leocer Maiz, um jovem de 19 anos, foi entregue assim, com vida e consciente, no hospital da cidade de El Callao, no sul venezuelano. Ele sofreu as consequ\u00eancias por ter praticado uma s\u00e9rie de roubos na regi\u00e3o controlada pelos <i>pranas<\/i>, m\u00e1fias locais que exploram ouro ilegalmente e que jamais perdem a chance de reafirmar sua autoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A \u00a0mutila\u00e7\u00e3o de Maiz n\u00e3o foi um fato isolado. As m\u00e1fias operam sem piedade na regi\u00e3o conhecida como Arco Minero, a cerca de 250 quil\u00f4metros da fronteira com o Brasil. S\u00e3o cinco povoados \u00e0s margens da rodovia Troncal-10, em uma \u00e1rea que parece esquecida pelo governo venezuelano. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da presen\u00e7a militar em postos de controle a cada 50 quil\u00f4metros, quem realmente manda na regi\u00e3o s\u00e3o os garimpeiros. Las Claritas, um povoado sugestivamente conhecido como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sodoma e Gomorra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 o retrato brutal dos contrastes venezuelanos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00c0s margens das crateras e do barro da estrada que se mistura ao lixo e ao esgoto a c\u00e9u aberto, se espalham vitrines de lojas com fartura digna de \u00e1reas comerciais de grandes cidades.<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Tudo que falta na Venezuela se consegue aqui: rem\u00e9dios, pneus, m\u00e1quinas. Tamb\u00e9m tem drogas e prostitui\u00e7\u00e3o. Onde tem ouro, tem dinheiro, ent\u00e3o essas coisas v\u00eam junto&#8221;, conta Manoel Gonz\u00e1lez, taxista de El Callao j\u00e1 acostumado com a est\u00e9tica decadente da regi\u00e3o. &#8220;Se n\u00e3o incomodar ningu\u00e9m aqui, nada vai te acontecer. Mas nem pensa em filmar ou fotografar&#8221;, adverte. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O sol escaldante aquece o piso \u00famido e o resultado \u00e9 um abafamento sufocante. Al\u00e9m do forte odor de esgoto, do permanente fluxo de motos barulhentas e caminh\u00f5es a poucos cent\u00edmetros da cal\u00e7ada, o semblante de quem est\u00e1 por ali n\u00e3o \u00e9 nada convidativo. Bancas compram e vendem ouro \u00e0 luz do dia; um grande mercado oferece de bananas a animais rec\u00e9m abatidos, passando por analg\u00e9sicos, motosserras e muita bebida alc\u00f3olica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo t\u00e3o in\u00f3spito, o Arco Minero se converteu em uma das \u00faltimas esperan\u00e7as de trabalho dos venezuelanos dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. Alexiis Urquia Rivas, 24 anos, tenta manter-se afastado dos problemas, mas conhece bem os riscos da regi\u00e3o. &#8220;Aqui ainda \u00e9 poss\u00edvel trabalhar e conseguir um pouco mais do que no resto do pa\u00eds. Se encontrar ouro, ganho dinheiro. Muita gente est\u00e1 vindo de outros estados com essa ideia, mas muitas vezes se assustam quando encontram a realidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><b>EXPROPRIA\u00c7\u00d5ES VIRARAM MATO<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A crise se agravou desde a morte de Ch\u00e1vez, em 2013. O sucessor, Nicol\u00e1s Maduro, que n\u00e3o chega \u00e0 sombra do seu carisma, herdou uma crise diplom\u00e1tica permanente, d\u00edvida p\u00fablica em alta e queda brutal no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, o que em parte ajuda a explicar a dimens\u00e3o das dificuldades venezuelanas, al\u00e9m do agravamento dos bloqueios econ\u00f4micos e san\u00e7\u00f5es internacionais. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto Maduro implementa sucessivos planos econ\u00f4micos, concede reajustes salariais para tentar conter a infla\u00e7\u00e3o e usa o bloqueio como justificativa para todos os males, a produ\u00e7\u00e3o interna \u00e9 praticamente nula e o pa\u00eds depende essencialmente de importa\u00e7\u00f5es. A economia pouco diversificada \u00e9 outro fator que agrava a situa\u00e7\u00e3o, levando ao desabastecimento. E quando a demanda \u00e9 maior que a oferta, naturalmente h\u00e1 \u00a0infla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-5902 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford1-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ford2-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_2589-2.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Poucos meios de produ\u00e7\u00e3o tomados pela revolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o organizados e funcionando, especialmente na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. A maioria fica relegada ao abandono, agravando a escassez. Segundo um levantamento do Observat\u00f3rio de Direitos de Propriedade, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1.359 empresas foram expropriadas entre 2005 e 2017, al\u00e9m de mais de 5 milh\u00f5es de hectares de terras, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>A produ\u00e7\u00e3o no campo minguou, as empresas aliment\u00edcias foram fechadas, o bloqueio externo se agravou e os produtos desapareceram das prateleiras.<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Desde ind\u00fastrias de l\u00e1cteos, passando por f\u00e1bricas de cimento ou insumos agr\u00edcolas, a m\u00e3o do Estado chegou a diversos setores da iniciativa privada, mas n\u00e3o deu sequ\u00eancia ao trabalho. As empresas que n\u00e3o foram estatizadas acabaram abandonando o pa\u00eds, gerando desemprego e pulverizando a classe m\u00e9dia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em Valencia, multinacionais como GM, Ford, Crysler e Good Year encerraram opera\u00e7\u00f5es por falta de mat\u00e9ria-prima e deixaram um rastro de mais de 10 mil desempregados na cidade, um polo industrial da regi\u00e3o oriental. Hoje, v\u00ea-se obras inacabadas, apag\u00f5es, racionamento de \u00e1gua e rodovias sem manuten\u00e7\u00e3o; as g\u00f4ndolas dos supermercados j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o vazias, mas os pre\u00e7os seguem completamente distantes do poder aquisitivo representado pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo. &#8220;Nosso hotel tinha ocupa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 80%, hoje estamos em 10 a 15%&#8221;, lamenta o brasileiro Antonio, radicado h\u00e1 40 anos na Venezuela. &#8220;O comunismo n\u00e3o deu certo. Eu, que sou empres\u00e1rio, j\u00e1 tenho dificuldade. Imagina esse povo todo na rua. As pessoas n\u00e3o tem o que comer, mas isso n\u00e3o era assim&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h4><b>A ESPERAN\u00c7A \u00c9 O MADURO DOS OUTROS<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dificilmente faz frio na Venezuela. Naquela noite de come\u00e7o de janeiro, nada no c\u00e9u indicava que iria chover. J\u00e9ferson, um menino de 12 anos, percebe que vou dormir na rua ap\u00f3s o seguran\u00e7a pedir para me retirar do sagu\u00e3o do terminal de Puerto Ordaz, que ser\u00e1 fechado na madrugada. O garoto se aproxima e me convida a dormirmos juntos sob a marquise. Gentilmente estende um dos cobertores e pede para que eu retire os t\u00eanis. &#8220;Mais tarde vai chover, mas assim voc\u00ea sente a brisa fresca e dorme melhor&#8221;. A<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">to cont\u00ednuo, ele toma a outra manta e me cobre com delicadeza. \u201cEst\u00e1s c\u00f4modo?\u201d Quase n\u00e3o consigo responder e me ponho a chorar, emocionado com tamanha do\u00e7ura. Ele senta ao meu lado, me d\u00e1 um abra\u00e7o e diz para eu n\u00e3o ter medo. \u201cAqui estamos seguros\u201d. Logo ele adormece e eu fico acordado a tempo de ver a chuva chegar. \u00c9 minha \u00faltima noite na Venezuela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de dormir J\u00e9ferson me contou que fugiu de casa h\u00e1 5 meses, onde morava com a av\u00f3 ap\u00f3s os pais &#8216;viajarem&#8217; para outro pa\u00eds, que ele n\u00e3o sabe qual. N\u00e3o vai a escola. Sua vida e sua casa s\u00e3o o aeroporto de Puerto Ordaz, no centro-sul. Sobrevive da boa vontade dos funcion\u00e1rios e dos passageiros que n\u00e3o conseguem fugir de tanta simpatia. &#8220;Bom dia, tudo bem? Que fa\u00e7a boa viagem!&#8221;, exclama ele ao amanhecer, distribuindo sorrisos com a cara ainda amassada. O dia come\u00e7a, os avi\u00f5es pousam e decolam e ele logo se dispersa em meio ao rebuli\u00e7o do aeroporto.<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Sigo conversando com os trabalhadores locais e, sabendo que sou brasileiro, fazem uma pergunta recorrente:<\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong><i>E o Bolsonaro, quando chega?<\/i><\/strong><\/h5>\n<p>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-5916\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/muro.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De norte a sul, sufocados pela crise, \u00e9 dif\u00edcil encontrar quem se oponha a algum tipo de interven\u00e7\u00e3o para &#8216;libertar&#8217; o pa\u00eds. A recente escalada diplom\u00e1tica j\u00e1 era vista com muita esperan\u00e7a em meados de janeiro, quando a oposi\u00e7\u00e3o articulava com governos do exterior o isolamento do presidente reeleito, Nicolas Maduro. Assim que ele foi empossado, o presidente da Assembleia Nacional, que teve poderes cassados pela Suprema Corte, autodeclarou-se presidente interino. Juan Guaid\u00f3, um deputado <em>outsider<\/em> oriundo dos protestos de 2014, assumiu o enfrentamento aberto com Maduro e convocou as For\u00e7as Armadas a apoi\u00e1-lo no golpe, mas ficou apenas com parte do apoio popular e estrangeiro. <\/span><\/p>\n<h5><b>O FUTURO<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;As coisas pioraram muito desde que tu partiu. Os pre\u00e7os subiram ainda mais e a pol\u00edcia est\u00e1 mais violenta. Prenderam meu sobrinho simplesmente porque ele tinha mensagens combinando que iria ao protesto do dia 23 de janeiro&#8221;, diz Jose Zerpa, um dos amigos feitos na Venezuela ao longo dos 20 dias de reportagem. Assim como ele, outros relatam sua esperan\u00e7a com as manifesta\u00e7\u00f5es de apoio da comunidade internacional.<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Eu fui \u00e0s ruas, n\u00e3o podemos mais conviver com Maduro e esse regime&#8221;<\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>.<\/strong><\/h5>\n<div id='gallery-2' class='gallery galleryid-5902 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/agua.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/agua-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/agua-300x200.jpg 300w, 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decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/fila.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"Alvaro Andrade\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/imigr-270x180.jpg 270w, 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<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e fotos: Alvaro Andrade \/ Venezuela Em Caracas, no bairro 23 de Enero, os olhos de Hugo Ch\u00e1vez ainda 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