{"id":5873,"date":"2019-07-17T18:16:03","date_gmt":"2019-07-17T21:16:03","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5873"},"modified":"2019-11-18T12:50:21","modified_gmt":"2019-11-18T15:50:21","slug":"venezuela-da-esperanca-ao-desespero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5873","title":{"rendered":"Venezuela . da esperan\u00e7a ao desespero"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Texto e fotos: Alvaro Andrade \/ Venezuela<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O carro come\u00e7a a falhar quase no topo da colina enquanto o motorista, Hermanito Manuel, chacoalha o volante buscando as \u00faltimas gotas de gasolina do Fiesta 2006 que nos traz desde Santa Elena do Uair\u00e9n, fronteira da Venezuela com o Brasil. Estamos a caminho de Ciudad Bol\u00edvar em uma travessia de 750 quil\u00f4metros entre reservas ind\u00edgenas e \u00e1reas de garimpo ilegal. Ap\u00f3s vencer o pico da subida, o carro vai no embalo at\u00e9 encostarmos no fim de um fila quilom\u00e9trica de onde s\u00f3 seria poss\u00edvel prosseguir se consegu\u00edssemos abastecer. S\u00e3o 7h15 do primeiro dia de uma jornada de mais de 2000 km por terra, atravessando a Venezuela de sul a norte por cinco estados para observar o cotidiano da crise que se transformou no novo foco de tens\u00e3o da geopol\u00edtica mundial. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nessas primeiras horas da manh\u00e3, o clima lembra o de um\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mad Max<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0pac\u00edfico: centenas de ve\u00edculos esperam por gasolina h\u00e1 pelo menos quatro horas no acostamento de uma rodovia em \u00e1rea deserta do planalto venezuelano. O posto, operado por uma comunidade ind\u00edgena, j\u00e1 recebeu combust\u00edvel, mas o reabastecimento n\u00e3o foi retomado porque o gerador el\u00e9trico est\u00e1, supostamente, com problemas.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de uma aparente displic\u00eancia por parte dos donos do estabelecimento, os motoristas riem, fazem piadas, fumam e esperam sem qualquer tra\u00e7o de indigna\u00e7\u00e3o diante da dificuldade para obter gasolina no pa\u00eds com as maiores reservas de petr\u00f3leo do planeta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">&#8220;Neste pa\u00eds s\u00f3 temos o direito de esperar&#8221;, ironiza um motorista na roda de conversa<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6162\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2.jpg 1920w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_2112-2-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>DA BONAN\u00c7A AO CAOS<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As filas, em qualquer lugar e para qualquer coisa, s\u00e3o o retrato de um povo \u00e0 espera da revolu\u00e7\u00e3o prometida, mas que se tornou uma miragem. <\/span>No per\u00edodo em que esteve no poder, Hugo Ch\u00e1vez aprovou e submeteu a referendo uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as profundas nas leis do pa\u00eds, como a possibilidade de reelei\u00e7\u00e3o indefinida, a extens\u00e3o do mandato presidencial para seis anos, o fim do latif\u00fandio, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 8 para 6 horas semanais e abriu caminho para as expropria\u00e7\u00f5es de \u2018empresas improdutivas\u2019. Surfando na abund\u00e2ncia do petr\u00f3leo, respons\u00e1vel por 95% das exporta\u00e7\u00f5es e com cota\u00e7\u00e3o superior a U$$ 100 o barril, o chavismo teve sua fase de ouro, desfrutou de amplo apoio popular e logrou cumprir parte das suas promessas, especialmente aos mais pobres, com a distribui\u00e7\u00e3o de moradias e amplia\u00e7\u00e3o do ensino. Mas tamb\u00e9m perseguiu opositores, aparelhou o Estado e, em nome da defesa da soberania e autodetermina\u00e7\u00e3o, descambou para o autoritarismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Os dias atuais em nada lembram os vigorosos sonhos manifestados na posse de Ch\u00e1vez ,\u00a0em 2 de fevereiro de 1999<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Qualquer atividade cotidiana exige paci\u00eancia e planejamento, pois certamente ser\u00e1 necess\u00e1rio esperar. Em Caracas, filas pelo transporte p\u00fablico somam mais de 200 pessoas ao fim do dia; em Ciudad Bol\u00edvar, quase 100 se escondem do sol sob uma marquise diante de uma ag\u00eancia banc\u00e1ria que permite saques de 1000 bol\u00edvares (U$$ 1,50); em Valencia, h\u00e1 fila para comprar o CLAP, o kit de comida subsidiada vendida pelo governo para tentar aplacar a fome; em Puerto Ordaz, fila para comprar p\u00e3o na padaria que conseguiu farinha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos\u00a0 cinco anos o PIB venezuelano teve uma queda de 37%; segundo a FAO, ag\u00eancia da ONU para alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura, 3,7 milh\u00f5es de venezuelanos estavam desnutridos em 2018; 87% das pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, segundo estudo de uma universidade local; o governo sofre com isolamento internacional e, dentro de casa, est\u00e1 imerso em crise pol\u00edtica e institucional permanente.\u00a0Nicol\u00e1s Maduro, o sucessor, \u00a0carrega nos bra\u00e7os pelo menos 125 mortos em repress\u00e3o de protestos e graves acusa\u00e7\u00f5es de pris\u00f5es ilegais, tortura e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos por entidades como a ONU e a Human Rights Watch<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com uma economia colapsada e infla\u00e7\u00e3o estimada pelo FMI em absurdos 1.000.000.000%, a Venezuela ainda \u00e9 considerada o pa\u00eds mais violento da Am\u00e9rica Latina, com 81,4 mortes para cada 100 mil habitantes. Escassez, infra-estrutura deficiente, apag\u00f5es, falta de dinheiro em esp\u00e9cie, corrup\u00e7\u00e3o e uma crise pol\u00edtica incessante\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 14px; letter-spacing: 0px;\">impulsionam a maior di\u00e1spora de que se tem not\u00edcia no novo continente. Os n\u00fameros oficiais apontam quase tr\u00eas milh\u00f5es de imigrantes, mas quem vive na Venezuela garante que o n\u00famero \u00e9 pelo menos o dobro &#8211; ou mais de 10% dos seus 31 milh\u00f5es de habitantes. Para muitos, chegar ao Brasil significa a chance de recome\u00e7ar.\u00a0<\/span><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n\t<div class=\"wp-playlist wp-video-playlist wp-playlist-light\">\n\t\t<video controls=\"controls\" preload=\"none\" width=\"618\"\n\t\t height=\"348\"\t><\/video>\n\t<div class=\"wp-playlist-next\"><\/div>\n\t<div class=\"wp-playlist-prev\"><\/div>\n\t<noscript>\n\t<ol>\n\t\t<li><a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/venez.mp4'>A vida na fronteira<\/a><\/li>\t<\/ol>\n\t<\/noscript>\n\t<script type=\"application\/json\" class=\"wp-playlist-script\">{\"type\":\"video\",\"tracklist\":true,\"tracknumbers\":true,\"images\":true,\"artists\":true,\"tracks\":[{\"src\":\"https:\\\/\\\/vos.homolog.arsnova.work\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/07\\\/venez.mp4\",\"type\":\"video\\\/mp4\",\"title\":\"A vida na fronteira\",\"caption\":\"\",\"description\":\"\",\"meta\":{\"length_formatted\":\"6:30\"},\"dimensions\":{\"original\":{\"width\":1280,\"height\":720},\"resized\":{\"width\":618,\"height\":348}},\"image\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/vos.homolog.arsnova.work\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/video.svg\",\"width\":48,\"height\":64},\"thumb\":{\"src\":\"https:\\\/\\\/vos.homolog.arsnova.work\\\/wp-includes\\\/images\\\/media\\\/video.svg\",\"width\":48,\"height\":64}}]}<\/script>\n<\/div>\n\t\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><b>SEQUELAS DE CARACAS<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sentado como pode sobre um colch\u00e3o, ainda de cueca ao lado de uma garrafa <em>pet<\/em> cheia de urina, Jes\u00fas Ibarra emite com dificuldade as palavras entrecortadas por longas pausas, at\u00e9 que seu pai entende que ele deseja vestir-se para conceder a entrevista. O estudante de engenharia de 21 anos ficou 45 dias entre a vida e a morte ap\u00f3s cair desacordado no polu\u00eddo rio Guaire, em Caracas, v\u00edtima de uma bomba de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo disparada pela pol\u00edcia, que partiu seu cr\u00e2nio. Ele e o pai imigraram de Caracas de \u00f4nibus at\u00e9 chegarem ao Brasil e, em Roraima, ao abrigo Rondon II, montado pela ONU em parceria com o governo brasileiro para mitigar os efeitos da crise imigrat\u00f3ria de 2018. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 sentado, Jes\u00fas lembra pouca coisa sobre os acontecimentos que acabaram por render cinco cirurgias, enormes cicatrizes na cabe\u00e7a e sequelas na fala e no racioc\u00ednio que levar\u00e1 para o resto da vida. \u201c\u00c9ramos apenas jovens estudantes cansados daquela situa\u00e7\u00e3o. Alguns amigos n\u00e3o tiveram a mesma sorte porque o regime come\u00e7ou a atirar para matar\u201d, conta. Os protestos de 2017 deixaram um rastro de mais de 120 mortos no pa\u00eds. Ainda sem perspectiva, aguarda pacientemente sua vez de partir para algum canto do Brasil. \u201cQuero recome\u00e7ar minha vida\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5924\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus.jpg 2048w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jesus-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00c0 ESPERA DA LISTA<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Faltam poucos dias para a partida dos \u00f4nibus que fazem a interioriza\u00e7\u00e3o dos imigrantes venezuelanos para nove estados brasileiros. No abrigo Rondon II, um dos quatro montados pelas For\u00e7as Armadas do Brasil na capital de Roraima, h\u00e1 muita expectativa. Assim que a lista com os nomes dos 771 passageiros \u00e9 afixada em uma das janelas, logo se instala um misto de euforia e decep\u00e7\u00e3o entre os selecionados e aqueles que v\u00e3o precisar aguardar um pouco mais para seguir viagem. O abrigo \u00e9 um dos seis montados em diferentes pontos da cidade, totalizando 10 mil imigrantes cadastrados segundo balan\u00e7o divulgado em dezembro.<\/span><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-5873 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"Alvaro Andrade\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1950.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo3.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-300x200.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-770x515.jpg 770w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo-110x73.jpg 110w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/abrigo.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVou para a Para\u00edba, n\u00e3o sei onde fica, mas qualquer lugar ser\u00e1 melhor do que onde viemos\u201d, diz uma das imigrantes enquanto chora e abra\u00e7a os familiares ao identificar o nome entre os selecionados.\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A partida deste contingente ajuda n\u00e3o apenas a eles pr\u00f3prios, mas tamb\u00e9m outros compatriotas que ainda aguardam nas ruas de Boa Vista a chance de acessar um dos centros de aten\u00e7\u00e3o. Apesar do esfor\u00e7o das autoridades brasileiras, o local \u00e9 um o\u00e1sis que n\u00e3o d\u00e1 conta de suprir toda a demanda. At\u00e9 passar pela triagem, receber documenta\u00e7\u00e3o e entrar na fila de espera, fam\u00edlias inteiras, com crian\u00e7as e idosos, precisam se sujeitar a dormir debaixo de marquises ou em locais improvisados.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5923 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1.jpg 2048w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/boavista-1-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><b>LAS<i> OITCHENTERAS<\/i><\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em outras \u00e1reas de Boa Vista a sobreviv\u00eancia como imigrante imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es de vida ainda mais duras. As ruas de ch\u00e3o batido e terra vermelha dos arredores do terminal Caimb\u00e9, na zona oeste da capital, s\u00e3o a passarela para meninas e mulheres que tentam caprichar no sorriso e na simpatia &#8211; mesmo de barriga vazia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As <em>\u201coitchenteras\u201d,<\/em> como ficaram conhecidas em fun\u00e7\u00e3o do valor m\u00e9dio dos programas, n\u00e3o escolhem hora para trabalhar. Mesmo sob o abafamento constante da regi\u00e3o tropical, montam em saltos altos e tentam manter a maquiagem no rosto na sua busca por clientes, mesmo \u00e0 luz do dia. \u201cN\u00e3o vou te dizer meu nome porque minha fam\u00edlia n\u00e3o sabe que somos putas\u201d, diz uma das garotas, que sequer tem 18 anos. Ao lado da irm\u00e3, \u00e9 econ\u00f4mica nas palavras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Perguntada sobre as manchas roxas que leva na altura do pesco\u00e7o, responde tentando demonstrar coragem. \u201cMarcas da vida. Aqui \u00e9 muito perigoso, mas \u00e9 a forma que temos de sobreviver.\u201d Em poucos minutos circulando pela \u00e1rea, \u00e9 poss\u00edvel contar mais de 20 mulheres espalhadas pelas esquinas, sentadas debaixo de \u00e1rvores e conversando com motoristas em carros de vidros escuros.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5882\" aria-describedby=\"caption-attachment-5882\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5882 size-full\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888.jpg\" alt=\"Alvaro Andrade\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888.jpg 2048w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-300x200.jpg 300w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-768x512.jpg 768w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-270x180.jpg 270w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-370x247.jpg 370w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1888-110x73.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5882\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres trabalham a luz do dia em Roraima.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O bairro, que j\u00e1 n\u00e3o tem as melhores condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura, sofreu o impacto que acompanhou a prostitui\u00e7\u00e3o. Com a abertura de casas noturnas e bares, o tr\u00e1fico de drogas e a viol\u00eancia vieram juntos. \u201cN\u00e3o vejo a hora de sair daqui. T\u00ednhamos um bairro humilde, mas de respeito. Agora tenho medo de sair de casa\u201d, diz Jussara Rodrigues, aposentada de 72 anos que \u00e9 uma das tantas moradoras da regi\u00e3o que colocou a resid\u00eancia \u00e0 venda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto isso, na Venezuela, a crise pol\u00edtica n\u00e3o d\u00e1 sinais de arrefecimento. A escalada diplom\u00e1tica atingiu n\u00edveis ainda mais elevados quando Nicol\u00e1s Maduro tomou posse para um novo mandato de seis anos &#8211; ap\u00f3s elei\u00e7\u00f5es contestadas por observadores estrangeiros e a oposi\u00e7\u00e3o. Tanto que Juan Guaid\u00f3, um outsider eleito presidente da Assembleia Nacional, autodeclarou-se presidente interino com apoio expl\u00edcito dos EUA. Ele foi prontamente reconhecido por pa\u00edses latino-americanos e europeus, mas reacendeu a tens\u00e3o geopol\u00edtica internacional ao opor China e R\u00fassia aos interesses de Washington no petr\u00f3leo caribenho. Maduro ainda resiste gra\u00e7as ao poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico que concedeu aos militares, com distribui\u00e7\u00e3o de cargos e vistas grossas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Com lealdade comprada e bem paga, n\u00e3o h\u00e1 sinais de que a caserna se alie a oposi\u00e7\u00e3o e aos yanakees, aprofundando a crise para n\u00edveis inimagin\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/reportagens-especiais\/venezuela-a-distopia-apos-duas-decadas-de-chavismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acesse aqui a segunda reportagem da s\u00e9rie. Venezuela . a distopia ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de chavismo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e fotos: Alvaro Andrade \/ Venezuela O carro come\u00e7a a falhar quase no topo da colina enquanto o motorista, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":6165,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[376],"tags":[800,1887,770,1889,797,1147,1886,1888,1727],"class_list":["post-5873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens-especiais","tag-brasil","tag-chavez","tag-direitos-humanos","tag-fronteira","tag-imigracao","tag-imigrantes","tag-maduro","tag-roraima","tag-venezuela"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5873\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6165"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}