{"id":5808,"date":"2019-04-01T15:28:33","date_gmt":"2019-04-01T18:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5808"},"modified":"2019-04-04T10:49:32","modified_gmt":"2019-04-04T13:49:32","slug":"o-dia-da-mentira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5808","title":{"rendered":"O dia da mentira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Muito se falou das comemora\u00e7\u00f5es do 31 de mar\u00e7o. A tal celebra\u00e7\u00e3o do golpe militar que culminou com uma ditadura que amorda\u00e7ou, torturou e matou o Brasil ao longo de 21 anos. A quest\u00e3o \u00e9 que enquanto militares e golpistas celebram a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; em 31 de mar\u00e7o, os fatos mostram que o golpe de 1964 ocorreu em 1\u00ba de abril. Sim, no Dia da Mentira &#8211; ou dos bobos, como queiram.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo que culmina com o golpe de Estado come\u00e7ou quando as tropas comandadas pelo General Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho partiram de Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 31 de mar\u00e7o. No momento em que se iniciou o deslocamento, o presidente Jo\u00e3o Goulart estava no Rio de Janeiro, onde permaneceu at\u00e9 o dia seguinte. O marco da queda de Jango \u00e9 quando ele deixa Bras\u00edlia, na noite de primeiro de abril de 1964. Ele chegou a Porto Alegre no dia dois quando, na mesma madrugada, o presidente da C\u00e2mara e golpista, deputado Ranieri Mazzilli, era empossado presidente. <a href=\"https:\/\/blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br\/2015\/03\/30\/por-que-a-data-do-golpe-de-estado-e-1o-de-abril-de-1964-e-nao-31-de-marco\/?cmpid=copiaecola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqui<\/a>, o jornalista M\u00e1rio Magalh\u00e3es detalha a cronologia dos acontecimentos.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">O fato de o golpe ter se concretizado no Dia da Mentira n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, \u00e9 simb\u00f3lico<\/h4>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 55 anos h\u00e1 narrativas diferentes em disputa sobre o per\u00edodo da Ditadura. Inclusive narrativas mentirosas, como a de que os militares livraram o Brasil de uma ditadura comunista; de que toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira era a favor do regime; de que apenas criminosos eram torturados (como se isso fosse aceit\u00e1vel); e por a\u00ed vai. <strong>Isso acontece, em parte, em fun\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o equivocada de n\u00e3o punir golpistas, torturadores e assassinos no per\u00edodo da transi\u00e7\u00e3o para a democracia.<\/strong> \u00a0Recentemente, por\u00e9m, o argumento de que &#8220;no tempo dos militares era melhor&#8221; ganhou for\u00e7a e solidificou-se no imagin\u00e1rio popular com a ret\u00f3rica do agora presidente Jair Bolsonaro. E o resultado disso \u00e9 uma confus\u00e3o que assola os incautos e refor\u00e7a uma histeria coletiva que enxerga comunismo em tudo o que se move na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Algumas mentiras da ditadura<\/h3>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>1. \u201cA ditadura no Brasil foi branda\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convencionou-se chamar a Ditadura Militar brasileira de \u201cditabranda\u201d porque, segundo as pessoas que se apoiam nesse termo, foi um regime menos cruel e sanguin\u00e1rio que outras ditaduras latino-americanas, como as institu\u00eddas na Argentina e Chile, por exemplo. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/opiniao\/fz1702200901.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O termo foi utilizado, inclusive, em editorial do jornal Folha de S\u00e3o Paulo, em 17 de fevereiro de 2009.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ignora-se, por\u00e9m, o fato de que os direitos fundamentais do ser humano eram constantemente violados no Brasil. Tortura era a regra e assassinatos de presos pol\u00edtico &#8211; e crian\u00e7as &#8211; eram frequentes nos \u201cpor\u00f5es\u201d dos departamentos de \u201ccorre\u00e7\u00e3o\u201d. Em <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/em-memorando-diretor-da-cia-diz-que-geisel-autorizou-execucao-de-opositores-durante-ditadura.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">documento secreto de 1974 revelado no ano passado<\/a>, o ent\u00e3o diretor da CIA, William Egan Colby, escreveu que o general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979, n\u00e3o apenas sabia como autorizou execu\u00e7\u00f5es de opositores durante a ditadura.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio final da <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2014\/12\/consulte-integra-do-relatorio-final-da-comissao-nacional-da-verdade.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comiss\u00e3o da Verdade<\/a> indica que o regime \u00e9 respons\u00e1vel pela morte ou desaparecimento de, pelo menos, 434 pessoas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/podcast\/ouca-sobre-nos-tortura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OU\u00c7A<\/a> o primeiro epis\u00f3dio do podcast Sobre N\u00f3s, que traz relatos reais de v\u00edtimas de tortura durante a ditadura militar no Brasil.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>2. \u201cA educa\u00e7\u00e3o era melhor\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos pelo fato de que os militares tinham controle sobre informa\u00e7\u00f5es e ideologia, o que empobrecia e distorcia o curr\u00edculo das disciplinas de humanas. Tanto que Filosofia e Sociologia foram substitu\u00eddas por Educa\u00e7\u00e3o, Moral e C\u00edvica e por OSPB (Organiza\u00e7\u00e3o Social e Pol\u00edtica Brasileira).<\/p>\n<p><img class=\"alignleft\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo o <a href=\"http:\/\/portal.inep.gov.br\/documents\/186968\/485745\/Mapa+do+analfabetismo+no+Brasil\/a53ac9ee-c0c0-4727-b216-035c65c45e1b?version=1.3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mapa do Analfabetismo no Brasil<\/a>, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o Mobral foi um &#8220;retumbante fracasso&#8221;. O Movimento Brasileiro para Alfabetiza\u00e7\u00e3o era a resposta do regime militar ao m\u00e9todo de Paulo Freire, que era considerado\u00a0subversivo apesar de, j\u00e1 naquele momento, ter reconhecimento internacional e ajudado a erradicar o analfabetismo em outros pa\u00edses com seu m\u00e9todo. Mas o contra-ataque n\u00e3o trouxe resultados positivos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o ao ensino superior os n\u00fameros da democracia s\u00e3o superiores. Entre 1980 e 2016, a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu 1,7 vezes. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/brasilemdados\/photos\/a.2244401525795610\/2247421155493647\/?type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No mesmo per\u00edodo, o n\u00famero de matr\u00edculas cresceu 4,75 vezes.<\/a><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>3. \u201cA sa\u00fade funcionava\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais nada, o acesso \u00e0 sa\u00fade era restrito, n\u00e3o era universal como \u00e9 hoje. O Inamps (Instituto Nacional de Assist\u00eancia M\u00e9dica da Previd\u00eancia Social) era respons\u00e1vel pelo atendimento p\u00fablico, mas era exclusivo a quem tinha carteira de trabalho assinada. Em 1976, os hospitais privados eram respons\u00e1veis por quase 98% das interna\u00e7\u00f5es &#8211; lembrando que planos de sa\u00fade n\u00e3o existiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O saneamento b\u00e1sico, fundamental quando o assunto \u00e9 sa\u00fade, tamb\u00e9m era um problema. \u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/brasilemdados\/photos\/?ref=page_internal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o percentual de lares com acesso \u00e0 agua pot\u00e1vel n\u00e3o chegava a 60%, agora, esse n\u00famero est\u00e1 perto de 100%.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>4. \u201cN\u00e3o havia corrup\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel auferir corrup\u00e7\u00e3o sem transpar\u00eancia. E tudo o que a ditadura militar n\u00e3o tinha era transpar\u00eancia. N\u00e3o havia conselhos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, a sociedade civil organizada n\u00e3o tinha acesso ao fluxo de recursos do governo federal e, depois da dissolu\u00e7\u00e3o do Congresso, as contas p\u00fablicas n\u00e3o eram sequer analisadas. Obras imensas como Itaipu, Transamaz\u00f4nica e a Ferrovia do A\u00e7o foram executadas sem fiscaliza\u00e7\u00e3o ou controle de gastos, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coletivo Brasil em Dados e o <a href=\"https:\/\/www.transparencia.org.br\/blog\/como-a-democracia-fortaleceu-o-combate-a-corrupcao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Transpar\u00eancia Brasil<\/a> mostram como combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o evoluiu durante a democracia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"spotlight aligncenter\" src=\"https:\/\/scontent.fpfb4-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/44924180_2252560924979670_7181428143478013952_n.png?_nc_cat=109&amp;_nc_oc=AQlqdk4ZpkoP4uLqJTXYo9NQBZ_C7PRFc8QScgEnOB_-YjtV1U0Y1dMHwB4dADA95dM&amp;_nc_ht=scontent.fpfb4-1.fna&amp;oh=18b60998f2bf74495176ca552c1e6d67&amp;oe=5D083682\" alt=\"Nenhuma descri\u00e7\u00e3o de foto dispon\u00edvel.\" aria-busy=\"false\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>.<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>5. \u201cOs militares evitaram que o Brasil virasse Cuba\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Goulart tinha, para os golpistas, todos os atributos para ser um comunista. Quando era vice, liderou uma miss\u00e3o econ\u00f4mica e parlamentar \u00e0 China, \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e outros pa\u00edses do oriente &#8211; <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/postsrascunho\/2011\/05\/jango-pediu-que-sua-viagem-a-china-fosse-autorizada-por-escrito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">miss\u00e3o apoiada pelo ent\u00e3o presidente, J\u00e2nio Quadros, que entendia que a aproxima\u00e7\u00e3o traria benef\u00edcios econ\u00f4micos aos brasileiros.<\/a> Durante a viagem, por\u00e9m, o presidente renunciou e Jango precisou retornar ao Brasil. Ele s\u00f3 assumiria a cadeira, por\u00e9m, ap\u00f3s o Movimento da Legalidade entrar em cena e garantir o que era seu de direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo de Jo\u00e3o Goulart era constitucional e seguia o protocolo. Mas a quest\u00e3o fundamental \u00e9 que ele sequer era marxista. Populista, provavelmente. Comunista, n\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2014\/04\/1434494-entrevista-inedita-de-jango-expoe-sua-opiniao-sobre-o-golpe-militar-de-1964.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ele inclusive rejeitou a express\u00e3o em entrevista in\u00e9dita divulgada pela Folha em 2014.<\/a>\u00a0\u201cAs pessoas na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o s\u00e3o inclinadas ao comunismo. Justi\u00e7a social n\u00e3o \u00e9 algo marxista ou comunista\u201d, disse. O jornal encontrou, na Universidade do Texas, a entrevista feita\u00a0pelo historiador americano John W. Foster Dulles (1913-2008)\u00a0em 15 de novembro de 1967 em Montevid\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1964, o Brasil estava sob efeito da narrativa norteamericana do\u00a0per\u00edodo da Guerra Fria, em que se confundia justi\u00e7a social com comunismo &#8211; soa familiar? Ele defendia reformas de base, justi\u00e7a e bem-estar social. Aos ouvidos de um mundo polarizado e paran\u00f3ico, isso era papo de comunista. Tamb\u00e9m por isso, Jango creditou\u00a0sua queda \u00e0 influencia de Lyndon Johnson, presidente dos EUA \u00e0 \u00e9poca. A participa\u00e7\u00e3o americana no golpe, sabe-se, n\u00e3o foi direta, mas a ret\u00f3rica interessava aos americanos.\u00a0<span style=\"font-size: 14px; letter-spacing: 0px;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1, no Brasil, um sentimento contra o povo dos EUA. [\u2026] O pa\u00eds \u00e0s vezes sente que h\u00e1 um excesso de interfer\u00eancia dos EUA, que falam muito em democracia, mas deveriam permitir a democracia\u201d, disse Jango.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">6. \u201cA popula\u00e7\u00e3o queria a ditadura\u201d<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/camaranoticias\/noticias\/POLITICA\/464707-JANGO-TINHA-70-DE-APROVACAO-AS-VESPERAS-DO-GOLPE-DE-64,-APONTA-PESQUISA.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisas feitas pelo Ibope <\/a>em 31 de mar\u00e7o, mostram que Jango tinha amplo apoio popular. Em S\u00e3o Paulo capital, a aprova\u00e7\u00e3o chegava a 70%. A pesquisa n\u00e3o foi revelada \u00e0 \u00e9poca, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, durante 25 anos, a escolha do presidente do pa\u00eds n\u00e3o estava submetida \u00e0 vontade popular, afinal, n\u00e3o era uma democracia.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0Ou seja, a vontade popular era o que menos importava.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>7. \u201cO Brasil cresceu\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que houve um per\u00edodo de crescimento acelerado entre 1968 e 1973. Tempo conhecido por Milagre Econ\u00f4mico, em que o Brasil cresceu acima de 10% ao ano. Mas os pesquisadores do coletivo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/brasilemdados\/\">Brasil em Dados<\/a> mostram que o per\u00edodo Militar aumentou a desigualdade e a concentra\u00e7\u00e3o de renda. Quem era rico ficou mais rico, e quem era pobre ficou mais pobre.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 pouco tempo, dizia-se que o Milagre Econ\u00f4mico havia dado oportunidades aos mais produtivos e qualificados. Ou seja, se a desigualdade aumentou durante a ditadura, era uma esp\u00e9cie de consequ\u00eancia da meritocracia. Mas os dados (cf. Souza, 2018) mostram que a desigualdade durante a Ditadura Militar aumentou justamente no per\u00edodo de austeridade (1964-1967) e n\u00e3o durante o crescimento econ\u00f4mico acelerado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"spotlight aligncenter\" src=\"https:\/\/scontent.fpfb4-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/44052452_2245456399023456_3332345175119757312_n.png?_nc_cat=1&amp;_nc_oc=AQmAJ1XGWyp2OcDoHjGdLAY08qqXzLXSsXBKww3nZCIoiLpW2U3iUNXPACia74ioQUI&amp;_nc_ht=scontent.fpfb4-1.fna&amp;oh=39c1a8e59b86e1271b9f87ab51b3548e&amp;oe=5D505861\" alt=\"Nenhuma descri\u00e7\u00e3o de foto dispon\u00edvel.\" width=\"683\" height=\"683\" aria-busy=\"true\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem correla\u00e7\u00e3o, portanto, com a pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que chegou a 50%; com as reformas fiscal e tribut\u00e1ria; com as mudan\u00e7as no direito do trabalho; com a repress\u00e3o aos sindicatos e aos trabalhadores; e com os incentivos fiscais dados \u00e0s empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem falar no principal legado do regime: o aumento da d\u00edvida externa<b>.<\/b>\u00a0Em 1984, o Brasil devia o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Mais da metade do que arrecadava.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>8. \u201cS\u00f3 morreram vagabundos\u201d<\/b><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos 434 mortos e desaparecidos pelas m\u00e3os do regime, h\u00e1 o genoc\u00eddio de povos ind\u00edgenas<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>durante a constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica. Segundo o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade,\u00a0<b>8 mil \u00edndios morreram entre 1971 e 1985<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m devemos lembrar que muitas das v\u00edtimas da ditadura n\u00e3o faziam parte da guerrilha ou da luta armada.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rubens_Paiva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rubens Paiva<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vladimir_Herzog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vladimir Herzog\u00a0<\/a>s\u00e3o dois casos emblem\u00e1ticos. Relatos de outras v\u00edtimas ainda d\u00e3o conta do sequestro e tortura de crian\u00e7as, por exemplo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/podcast\/bendita-sois-vos-5-como-lidar-com-as-fake-news\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OU\u00c7A<\/a> o epis\u00f3dio 5 do podcast Bendita Sois V\u00f3s, em que conversamos com\u00a0o soci\u00f3logo <strong>Rog\u00e9rio Barbosa, do coletivo Brasil Em Dados,<\/strong> que mostra, por meio de uma s\u00e9rie de indicadores, as melhores que a democracia trouxe para o Brasil.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foto de capa original: Arquivo \/ Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se falou das comemora\u00e7\u00f5es do 31 de mar\u00e7o. A tal celebra\u00e7\u00e3o do golpe militar que culminou com uma ditadura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[1802,1804,595,651,1797,1279,1805,1803,228,1547],"class_list":["post-5808","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-georgia-santos","tag-ditaduranuncamais","tag-1-de-abril","tag-democracia","tag-ditadura","tag-ditadura-nunca-mais","tag-golpe","tag-golpe-de-64","tag-mentira","tag-politica","tag-tortura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5808\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}