{"id":5667,"date":"2019-01-23T00:32:57","date_gmt":"2019-01-23T02:32:57","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5667"},"modified":"2019-01-23T15:27:48","modified_gmt":"2019-01-23T17:27:48","slug":"oscar-2019-todos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5667","title":{"rendered":"Oscar 2019 . &#8220;todos homens&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Que a desigualdade de g\u00eanero est\u00e1 presente na pol\u00edtica, na economia e no mercado de trabalho, voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 cansada de saber. Mas j\u00e1 parou para pensar como ela se manifesta nas artes? Na mais popular delas, o<strong> cinema<\/strong>, as mulheres ainda est\u00e3o longe de conquistar um espa\u00e7o igualit\u00e1rio em cargos de dire\u00e7\u00e3o, por exemplo. No <strong>Oscar 2019<\/strong>, que teve os seus indicados revelados para todo o mundo nesta ter\u00e7a-feira (22),<strong> NENHUMA mulher<\/strong> foi indicada \u00e0 estatueta de melhor dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o roteiro n\u00e3o \u00e9 novo. Nos 91 anos de exist\u00eancia da premia\u00e7\u00e3o, apenas<strong> CINCO mulheres<\/strong> foram indicadas ao pr\u00eamio. <strong>Apenas UMA ganhou.<\/strong> Quer mais? Das cinco diretoras indicadas, nenhuma \u00e9 negra ou latino-americana. S\u00f3 queria deixar registrado aqui que o nosso amigo word sublinhou a palavra DIRETORAS por considerar pouco usual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018, na entrega do Globo de Ouro, ainda na esteira das manifesta\u00e7\u00f5es do movimento #MeToo, a fala da atriz Natalie Portman ao anunciar os indicados a melhor diretor deixou bastante claro o que acontece na ind\u00fastria do cinema. Natalie frisou que os indicados eram<strong> \u201ctodos homens\u201d.<\/strong> A frase causou desconforto na plateia e acendeu a esperan\u00e7a de que ta\u00a0 \u00a0vez o reconhecimento ao trabalho das mulheres pudesse ter vez no Oscar daquele ano ou, quem sabe, no ano seguinte (mais conhecido como agora).<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Pois n\u00e3o foi o que aconteceu<\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Em 2019, assim como em 2009 (#10yearchallenge) temos novamente um total de ZERO diretoras indicadas<\/strong><\/h5>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O cen\u00e1rio \u00e9 bastante cinzento para as mulheres na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. \u00c9 o que mostra um estudo da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos. A pesquisa analisou uma base de dados de <strong>1.100 filmes populares produzidos de 2007 a 2017<\/strong>. Dos 1.223 diretores envolvidos nesses projetos, apenas<strong> 4% s\u00e3o mulheres<\/strong>. S\u00e3o 43 diretoras em mais de MIL produ\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse per\u00edodo, a maior porcentagem de diretoras mulheres foi registrada em 2008 (8%) e a menor em 2013 e 2014 (1,9%). A pesquisa descobriu que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade de oportunidades para as diretoras. A maioria delas trabalha em apenas um filme: 84%. Entre os homens, esse n\u00famero \u00e9 muito menor: 55%.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/figura1_cinema.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5674\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/figura1_cinema.jpg\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/figura1_cinema.jpg 728w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/figura1_cinema-300x170.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um das autoras da pesquisa, Katherine Pieper, escreveu: &#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 tentando ter uma fam\u00edlia ou trilhar um caminho em Hollywood, ter uma oportunidade a cada d\u00e9cada n\u00e3o vai adiantar&#8221;. Katherine foi uma das cinco autoras da pesquisa <a href=\"http:\/\/assets.uscannenberg.org\/docs\/inequality-in-1100-popular-films.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Desigualdade em 1100 filmes populares: Examinando Retratos de G\u00eanero, Ra\u00e7a \/ Etnia, LGBT e Defici\u00eancia de 2007 a 2017<\/strong>,<\/a> publicada em julho do ano passado. O trabalho completo voc\u00ea pode acessar a\u00ed em cima, mas destacamos alguns pontos:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nos 100 maiores filmes de 2017, h\u00e1 4.554 personagens com fala. S\u00f3 31% eram mulheres. A propor\u00e7\u00e3o na tela \u00e9: 2,15 homens para cada mulher;<\/li>\n<li>Apenas 4, dos 100 filmes mais populares de 2017, foram dirigidos por uma mulher n\u00e3o-branca;<\/li>\n<li>Apenas cinco dos 100 filmes mais populares de 2017 tinham mulheres com 45 anos ou mais entre os protagonistas. Quando falamos de homens, esse n\u00famero salta para 30;<\/li>\n<li>Somente UM dos 100 filmes mais populares de 2017 tinha uma mulher negra com mais de 45 anos ocupando um papel de protagonista;<\/li>\n<li>Nos filmes de a\u00e7\u00e3o\/aventura menos de um quarto (24,5%) de todos os pap\u00e9is com fala foram preenchidos por mulheres;<br \/>\nApenas 30,7% de todos os personagens de filmes de anima\u00e7\u00e3o foram compostos por mulheres\/meninas em 2017;<\/li>\n<li>Com\u00e9dia foi o g\u00eanero mais amig\u00e1vel para as mulheres em 2017. Naquele ano, 42,9% de todos os pap\u00e9is foram preenchidos por algu\u00e9m do g\u00eanero feminino;<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses n\u00fameros se refletem em toda a ind\u00fastria do cinema, de acordo com pesquisa feita pelo Centro de Estudos sobre a &#8220;Mulher na Televis\u00e3o e no Cinema&#8221;, da Universidade de San Diego, tamb\u00e9m nos Estados Unidos. Em<strong> 2016, as mulheres representaram apenas 17% de todos os diretores, roteiristas, produtores, editores e cineastas<\/strong> nos 250 filmes americanos de maior sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo, chamado <a href=\"https:\/\/www.latimes.com\/entertainment\/movies\/moviesnow\/la-et-mn-celluloid-ceiling-study-women-20170112-story.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cNovo estudo revela menos mulheres trabalhando nos bastidores de Hollywood\u201d<\/a> foi publicado em janeiro de 2017 e pode ser acessado na \u00edntegra a\u00ed em cima. Ali\u00e1s, o Centro de Estudos sobre Mulher na Televis\u00e3o e no Cinema de San Diego tem estat\u00edsticas bem legais e recentes sobre a presen\u00e7a feminina na m\u00eddia. Fica a dica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o falarmos somente de n\u00fameros e de estat\u00edsticas negativas, trago pra voc\u00eas um pouco mais da <strong>hist\u00f3ria das \u00fanicas mulheres que foram indicadas ao Oscar de melhor dire\u00e7\u00e3o<\/strong> em NOVENTA E UM ANOS de premia\u00e7\u00e3o. E voc\u00ea querida leitora\/leitor poderia justificar toda essa minha trabalheira e ver hoje um filme dirigido por uma mulher. Que tal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lina Wertm\u00fcller, por Pasqualino Sete Belezas (1975)<\/strong><br \/>\nQuarenta e oito edi\u00e7\u00f5es do Oscar se passaram at\u00e9 que a primeira mulher fosse indicada ao pr\u00eamio de dire\u00e7\u00e3o, em 1977. Coube \u00e0 diretora italiana Lina Wertm\u00fcller entrar para a hist\u00f3ria da premia\u00e7\u00e3o com seu Pasqualino Sete Belezas, que mistura drama e humor para contar a hist\u00f3ria de um desertor italiano que \u00e9 capturado por soldados alem\u00e3es durante a Segunda Guerra (1939-1945). O vencedor daquele ano foi John G. Avildsen, por Rocky: Um Lutador. Lina nunca mais foi indicada. E olha que ela dirigiu outros cinco filmes depois desse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jane Campion, por O Piano (1993)<\/strong><br \/>\nMais 17 anos se passaram at\u00e9 que outra mulher Mesmo depois de Wertm\u00fcller quebrar o tabu, ainda se passaram 17 anos at\u00e9 que uma segunda mulher fosse indicada ao Oscar de dire\u00e7\u00e3o. No caso, a neozelandesa Jane Campion, que disputou em 1994 com O Piano, a hist\u00f3ria de uma mulher muda que nos anos 1850 \u00e9 enviada \u00e0 Nova Zel\u00e2ndia para um casamento arranjado. Campion n\u00e3o ganhou o trof\u00e9u de dire\u00e7\u00e3o, que ficou para Steven Spielberg, por A Lista de Schindler. Jane Campion dirigiu outros cinco filmes depois, mas nunca mais foi indicada \u00e0 premia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros (2003)<\/strong><br \/>\nDez anos depois de Campion, em 2004, a americana Sofia Coppola tornou-se a terceira mulher a concorrer ao Oscar de dire\u00e7\u00e3o. Ela foi indicada por seu segundo longa-metragem, Encontros e Desencontros, estrelado por Bill Murray e Scarlett Johansson. No filme, dois americanos solit\u00e1rios e entediados \u2013 um homem de meia-idade e uma jovem mulher \u2013 veem seus caminhos se cruzarem durante uma viagem a T\u00f3quio. Coppola n\u00e3o ganhou o Oscar de dire\u00e7\u00e3o, que ficou para Peter Jackson, por O Senhor dos An\u00e9is: O Retorno do Rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror (2008)<\/strong><br \/>\nFoi apenas em 2010, na 82\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Oscar, que o pr\u00eamio de dire\u00e7\u00e3o finalmente foi entregue a uma mulher.Kathryn Bigelow fez hist\u00f3ria com Guerra ao Terror, que tornou-se O PRIMEIRO E \u00daNICO longa-metragem dirigido por mulher a ganhar a estatueta de melhor filme. Guerra ao Terror acompanha tr\u00eas soldados americanos que t\u00eam a miss\u00e3o de desarmar bombas durante a Guerra do Iraque. Na categoria de dire\u00e7\u00e3o, Bigelow, que \u00e9 americana e tem 66 anos, concorreu com James Cameron, por Avatar; Lee Daniels, por Preciosa; Jason Reitman, por Amor Sem Escalas; e Quentin Tarantino, por Bastardos Ingl\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Greta Gerwig, por Lady Bird: A Hora de Voar (2017)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o demorou muito para ficar claro que a igualdade de g\u00eanero no cinema ainda est\u00e1 longe de ser alcan\u00e7ada. Depois da festa de Kathryn Bigelow, uma nova mulher s\u00f3 foi indicada ao Oscar oito anos depois. A americana Greta Gerwig concorreu com Lady Bird: A Hora de Voar. O filme narra um ano na vida de uma adolescente que, como a pr\u00f3pria diretora, cresceu em Sacramento, na Calif\u00f3rnia. O trof\u00e9u ficou com Guillermo del Toro (A Forma da \u00c1gua), que ganhou o trof\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que a desigualdade de g\u00eanero est\u00e1 presente na pol\u00edtica, na economia e no mercado de trabalho, voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 cansada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":5677,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1660],"tags":[151,1741,1742,303,1740],"class_list":["post-5667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-do-seu-genero","tag-cinema","tag-diretoras","tag-filmes","tag-mulheres","tag-oscar-2019"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5667\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}