{"id":5628,"date":"2019-01-11T16:32:44","date_gmt":"2019-01-11T18:32:44","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5628"},"modified":"2019-01-14T13:38:19","modified_gmt":"2019-01-14T15:38:19","slug":"mulheres-tambem-sabem-sabia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5628","title":{"rendered":"Mulheres tamb\u00e9m sabem, sabia?"},"content":{"rendered":"<p>Como as mulheres est\u00e3o presentes na m\u00eddia? Foi para ter uma resposta para essa pergunta que comecei uma pesquisa em busca de trabalhos que retratem como a mulher aparece na imprensa. Trabalho com produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de not\u00edcias h\u00e1 quase 10 anos (eita!) e foi somente nos \u00faltimos dois que comecei a questionar a presen\u00e7a de mulheres como<strong> FONTE de informa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A preval\u00eancia masculina nas agendas jornal\u00edsticas nem precisa de pesquisa para ser comprovada. Voc\u00ea, amigo jornalista, fa\u00e7a um teste. Pense em uma fonte para falar sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro nas rela\u00e7\u00f5es internacionais do governo, por exemplo. Se o primeiro nome que veio a sua mente foi um nome feminino, parab\u00e9ns! \u00c9 de gente como voc\u00ea que a difus\u00e3o de conhecimento precisa.<\/p>\n<p>As mulheres <strong>s\u00e3o maioria<\/strong> em todos os n\u00edveis de ensino e nas bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e mestrado do CNPq. Olhando os dados do pr\u00f3prio CNPq e do Inep percebi que as mulheres representam 57% do p\u00fablico nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, 55% dos cursos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, 52% dos programas de mestrado e 50% no doutorado. A curva come\u00e7a a inverter quando o caminho tra\u00e7ado \u00e9 a doc\u00eancia.<\/p>\n<p>Apesar de serem minoria durante todo o caminho acad\u00eamico, os homens chegam \u00e0 doc\u00eancia universit\u00e1ria e t\u00eam o reconhecimento \u00e0 pesquisa em menos tempo. Eles lideram 53% dos grupos de pesquisa. Cinquenta e quatro por cento dos professores universit\u00e1rios s\u00e3o homens e 64% das bolsas de produtividade em pesquisa s\u00e3o destinadas aos homens.<\/p>\n<p>Em 2018 eles chegaram ao topo da vida acad\u00eamica aos 50 anos. Elas, aos 55. E a maternidade \u00e9 apontada como uma das causas do \u201catraso\u201d. H\u00e1 uns dois anos, produzindo uma reportagem para retratar o n\u00famero cada vez maior de mulheres que n\u00e3o queriam ter filhos no Brasil, conversei com a presidente da ONG Artemis, <strong>Raquel Marques. <\/strong>Se quiser ouvir a reportagem, ela est\u00e1 <a href=\"https:\/\/cbn.globoradio.globo.com\/editorias\/pais\/2016\/07\/16\/NUMERO-DE-MULHERES-QUE-DECIDEM-NAO-TER-FILHOS-ATINGE-O-MAIOR-INDICE-DOS-ULTIMOS-DEZ-AN.htm\">aqui\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Depois de uma longa conversa sobre os fatores que levam as mulheres e quererem menos filhos, ela me fez refletir sobre algo que, apesar de \u00f3bvio, ainda n\u00e3o tinha aparecido no meu racioc\u00ednio. Raquel disse que, normalmente,<strong> o \u00e1pice profissional das mulheres coincide com o limite biol\u00f3gico para gerar filhos<\/strong>. \u00c9 que muitas de n\u00f3s, aos 40 anos, estamos com a seguinte pergunta em mente: \u201cser a teta das gal\u00e1xias na minha \u00e1rea ou desacelerar e ter um filho?\u201d<\/p>\n<p>Se a resposta for a primeira, voc\u00ea vai ser julgada como insens\u00edvel e irrespons\u00e1vel. A Previd\u00eancia precisa de seus \u00fateros, meninas! Se voc\u00ea escolher a segunda op\u00e7\u00e3o, prepare-se. Quando voc\u00ea voltar ao trabalho, precisar\u00e1 concorrer com o seu colega que, na mesma idade que voc\u00ea, n\u00e3o ter\u00e1 que \u201cdeixar o trabalho\u201d eventualmente para cuidar da cria. Ah, sim&#8230;mesmo que ele seja pai.<\/p>\n<p>\u00c9 por esse motivo que muitas mulheres s\u00e3o \u201cesquecidas\u201d em suas \u00e1reas de trabalho. A ideia de conhecimento foi social e culturalmente ligada ao g\u00eanero masculino.\u00a0 \u00c9 por isso que as agendas jornal\u00edsticas (onde est\u00e3o as fontes para qualquer assunto) s\u00e3o<strong> predominantemente masculinas.<\/strong> Tem d\u00favida? Ent\u00e3o olha s\u00f3 esse estudo feito pelo <strong>Global Media Monitoring Project<\/strong> (GMMP), em 2015. O Grupo de Monitoramento Global da M\u00eddia (ufa!) analisou <strong>22.136<\/strong> relatos transmitidos jornalistas de <strong>2.030<\/strong> ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o em <strong>114 pa\u00edses<\/strong>. \u00c9 o estudo mundial desse tipo mais recente. O resultado:<\/p>\n<ul>\n<li>somente <strong>24% das mat\u00e9rias<\/strong> de r\u00e1dio, TV ou jornal de 2015 contaram com mulheres como fontes;<\/li>\n<li>quando o assunto foi<strong> pol\u00edtica ou economia<\/strong>, as mulheres representaram apenas <strong>16%<\/strong> das fontes;<\/li>\n<li>apenas<strong> 35%<\/strong> das notas informativas ou programas di\u00e1rios de televis\u00e3o <strong>retrataram mulheres<\/strong> em 2015;<\/li>\n<li>a sele\u00e7\u00e3o das fontes para o jornalismo em 2015 se concentrou nos homens. O estudo mostra que a escolha \u00e9 inclinada \u00e0 masculinidade ao selecionar personagens e fontes para opini\u00e3o <strong>\u201cespecializada\u201d<\/strong> e <strong>\u201ctestemunhos comuns\u201d;<\/strong><\/li>\n<li>as mulheres mostram suas opini\u00f5es em tr\u00eas casos: como <strong>m\u00e3es\/donas de casa<\/strong> (13%), quando s\u00e3o apenas<strong> moradoras de uma localidade<\/strong> (22%) ou quando s\u00e3o descritas como<strong> estudantes<\/strong> (17%);<\/li>\n<li>somente <strong>4%<\/strong> das mat\u00e9rias produzidas em 2015 questionaram os <strong>estere\u00f3tipos de g\u00eanero;<\/strong><\/li>\n<li>a propor\u00e7\u00e3o de mulheres noticiando fatos ficou muito abaixo da paridade nas editorias de pol\u00edtica e economia. Somente <strong>31%<\/strong> das not\u00edcias que abordam pol\u00edtica e<strong> 39%<\/strong> das que falam de economia foram produzidas por mulheres;<\/li>\n<li>nos notici\u00e1rios de televis\u00e3o, as mulheres predominam <strong>quando jovens<\/strong> e, conforme a idade aumenta, elas s\u00e3o substitu\u00eddas por homens. Na faixa dos 65 anos, as mulheres desaparecem totalmente da ancoragem e da reportagem. Os homens continuam.<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela1_GMMP.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5629\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela1_GMMP.jpg\" alt=\"\" width=\"732\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela1_GMMP.jpg 732w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela1_GMMP-300x137.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 732px) 100vw, 732px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela2_GMMP.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5630\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela2_GMMP.jpg\" alt=\"\" width=\"739\" height=\"652\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela2_GMMP.jpg 739w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela2_GMMP-300x265.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 739px) 100vw, 739px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela3_GMMP.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5631\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela3_GMMP.jpg\" alt=\"\" width=\"702\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela3_GMMP.jpg 702w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/tabela3_GMMP-300x118.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O estudo, como podem imaginar, \u00e9 bem mais complexo e proporciona uma s\u00e9rie de outros cruzamentos. Se voc\u00ea ficou curioso pode clicar <a href=\"http:\/\/whomakesthenews.org\/gmmp\/gmmp-reports\/gmmp-2015-reports\">nesse link<\/a> e ver o levantamento na \u00edntegra. O original \u00e9 em ingl\u00eas, mas existe uma vers\u00e3o em espanhol tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Para contribuir com a discuss\u00e3o, deixo aqui um site que tenho usado muito como refer\u00eancia quando estou buscando uma fonte para falar de determinado assunto. \u00c9 uma lista organizada por\u00a0cientistas sociais, comunicadoras, historiadoras e fil\u00f3sofas para mostrar que <strong><a href=\"https:\/\/www.mulherestambemsabem.com\/\">#MulheresTamb\u00e9mSabem<\/a>.<\/strong> O banco de dados \u00e9 super acess\u00edvel e colaborativo. Ele cont\u00e9m o nome\u00a0\u00a0de professoras, pesquisadoras e profissionais especialistas em uma variedade de \u00e1reas das Ci\u00eancias Sociais, Sociais Aplicadas e Humanidades.<\/p>\n<p><em><strong>Mulheres Tamb\u00e9m Sabem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mulherestambemsabem.com\/\">https:\/\/www.mulherestambemsabem.com<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como as mulheres est\u00e3o presentes na m\u00eddia? 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