{"id":5581,"date":"2018-12-31T18:16:51","date_gmt":"2018-12-31T20:16:51","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5581"},"modified":"2018-12-31T18:16:51","modified_gmt":"2018-12-31T20:16:51","slug":"2018-em-11-filmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5581","title":{"rendered":"2018 em 11 filmes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A elabora\u00e7\u00e3o de uma lista de melhores filmes do ano \u00e9 sempre um processo que evidencia os crit\u00e9rios de quem a elabora, isto \u00e9, diz menos sobre os filmes do que sobre sua pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o. Ao faz\u00ea-la, o espectador\/o cr\u00edtico se encontra num beco sem sa\u00edda ao expor uma rela\u00e7\u00e3o que \u00e9 absolutamente pessoal. A contradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas aparente, mas concreta. Resta ent\u00e3o costurar uma rela\u00e7\u00e3o entre os filmes, sem a for\u00e7ar, para lhe empregar algum sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Minha elei\u00e7\u00e3o pessoal, tradicionalmente em 11 filmes, o leitor acompanha abaixo com breves coment\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">***<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/o-fator-humano\/critica-trama-fantasma\/\">Trama Fantasma<\/a>, de Paul Thomas Anderson (Estados Unidos)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 melhor dizer logo de cara que <em>Trama Fantasma<\/em> \u00e9 o filme de melhor execu\u00e7\u00e3o que Paul Thomas Anderson j\u00e1 realizou. A confus\u00e3o de valores narrativos e tem\u00e1ticos que antes lhe afetavam, neste filme o enriquecem. Em primeiro lugar, <em>Trama Fantasma<\/em> assume os monstros de sua fic\u00e7\u00e3o ao abra\u00e7ar de vez o realismo em um sentido muito evidente, qual seja, o de capturar e sublinhar certas caracter\u00edsticas do tempo e do espa\u00e7o sem as decora\u00e7\u00f5es narrativas que estavam l\u00e1 em <em>Magn\u00f3lia, Embriagado de Amor, Sangue Negro<\/em> e outros de seus filmes. (texto completo no link)<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"2\">\n<li><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/o-fator-humano\/critica-as-boas-maneiras\/\">As Boas Maneiras<\/a>, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>As Boas Maneiras<\/em>, nova parceria de Juliana Rojas e Marco Dutra, assume a roupagem do filme de fantasia <em>dark<\/em>, repleto de motivos visuais fabulares, de imagina\u00e7\u00f5es que se tornam carne e sangue, de sonhos que s\u00e3o tamb\u00e9m outra coisa, de clara aposta est\u00e9tica em uma estrutura de resgate a partir de v\u00e1rias refer\u00eancias matriciais que percorrem e marcam a hist\u00f3ria das imagens (da pintura, do cinema: da luz). \u00c9 precisamente, paradoxal que seja, por se movimentar entre g\u00eaneros que o filme corrige sua postura narrativa com o contrapeso que um exige do outro, deslocando as sensibilidades do espectador para o interior de seu tecido narrativo. (texto completo no link)<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"3\">\n<li>Antes que Tudo Desapare\u00e7a, de Kiyoshi Kurosawa (Jap\u00e3o)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes do mundo vir a acabar, que \u00e9 o que menos importa, ele deixa seus habitantes em estado de completo aniquilamento emocional. Kurosawa domina em absoluto a arte de perverter as expectativas do espectador. Filme pensado politicamente, como sempre, no limiar entre a identifica\u00e7\u00e3o emocional e a ironia. Provavelmente a cena final mais bela de todo o cinema no ano est\u00e1 aqui.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"4\">\n<li>A C\u00e2mera de Claire, de Hong Sang-soo (Cor\u00e9ia do Sul\/Fran\u00e7a)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 preciso ter humildade para fazer um filme, diz uma personagem. A conversa \u00e9 a mat\u00e9ria-prima eterna de Hong Sang-soo e o que torna seus pequenos filmes em grandes hist\u00f3rias. O encontro, o desencontro. Cada di\u00e1logo \u00e9 uma descoberta n\u00e3o s\u00f3 da trama que vai se descortinando sutilmente, mas da pr\u00f3pria ess\u00eancia de um cinema movido mais pela escuta que pela observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"5\">\n<li>120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo (Fran\u00e7a)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">A for\u00e7a do filme de Robin Campillo n\u00e3o \u00e9 sua sensibilidade narrativa, quest\u00e3o de tratamento do tema. N\u00e3o estamos falando de um filme que deseja partilhar a culpa com o espectador, faz\u00ea-lo simplesmente lamentar a dor do outro. <em>Poderia ter sido diferente<\/em>, como pensamento reativo, n\u00e3o \u00e9 uma possibilidade colocada por Campillo. O problema do HIV que o filme exp\u00f5e n\u00e3o \u00e9 uma disputa sobre a dire\u00e7\u00e3o da luta, mas sobre a canaliza\u00e7\u00e3o da energia. \u00c9 preciso seguir em frente.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"6\">\n<li>Amante por um Dia, de Philippe Garrel (Fran\u00e7a)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Eis que Garrel, mago das rela\u00e7\u00f5es conjugais, homem que filma no ritmo em que a vida acontece, cometeu mais um grande filme cheio de nuances que tornam a compreens\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es narrativas muito incertas. Isso pois ele n\u00e3o faz julgamentos morais. Ele mira o vacilo, a d\u00favida, o processo de tomada de decis\u00e3o, a impostura rom\u00e2ntica e os pensamentos avoados. \u00c9 de sair perplexo ap\u00f3s cada encontro com um de seus filmes.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"7\">\n<li>Uma Temporada na Fran\u00e7a, de Mahamat-Saleh Haroun (Fran\u00e7a\/Chade)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">As filmografias diasp\u00f3ricas dos cineastas africanos, principalmente os residentes na Fran\u00e7a, t\u00eam em Mahamat-Saleh Haroun o seu expoente mais conhecido. N\u00e3o \u00e9 por acaso. Haroun &#8211; com <em>Grigris<\/em> (2013) e agora com este novo filme &#8211; tem a sensibilidade medida pela observa\u00e7\u00e3o cotidiana, com um cinema dedicado aos dilemas contempor\u00e2neos dos imigrantes africanos na Europa.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"8\">\n<li>O Dia Depois, de Hong Sang-soo (Cor\u00e9ia do Sul)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">A ideia de \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d qualitativa na obra de um artista \u00e9 geralmente mal aplicada pela cr\u00edtica de arte, principalmente a contempor\u00e2nea. Ao analisar o cinema de Sang-soo o seu uso deveria ser ainda mais t\u00edmido, quando n\u00e3o simplesmente convidado a se retirar do repert\u00f3rio cr\u00edtico. Pegue um de seus filmes e assista, embaralhe a lista e pegue outro, e assim por diante. A experi\u00eancia ser\u00e1 sempre demolidora e, sem paradoxo aqui, misteriosamente diferenciada. A raz\u00e3o \u00e9 que Sang-soo conhece os seus motivos cinematogr\u00e1ficos como poucos cineastas de nosso tempo \u2013 neste ano, tanto <em>O Dia Depois<\/em> quanto <em>A C\u00e2mera de Claire<\/em> deixam isso bem claro. E isso n\u00e3o o aprisiona, mas o liberta. Quest\u00e3o de crit\u00e9rio e m\u00e9todo.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"9\">\n<li>Em Chamas, de Lee Chang-dong (Cor\u00e9ia do Sul)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez o melhor filme de Chang-dong, <em>Em Chamas<\/em> tem uma paci\u00eancia insuspeita para introduzir o espectador ao mundo de seus personagens, contar de onde eles s\u00e3o, o que fazem, quais suas ambi\u00e7\u00f5es e desejos. \u00c9 o aspecto que mais me encanta no filme, a forma n\u00e3o s\u00f3 de usar a dura\u00e7\u00e3o (prolongando os di\u00e1logos, segurando o corte), mas de express\u00e1-la, fazer sentir o tempo. O seu conte\u00fado transborda por a\u00ed. O objetivo, claro, \u00e9 chamar o espectador para aquele universo, sob o signo da d\u00favida, sem mastigar para ele os desdobramentos. <em>Western<\/em>, o filme seguinte desta lista (assim como <em>Trama Fantasma<\/em>, ali\u00e1s), tamb\u00e9m me remete a esse controle do \u201cpeso do tempo\u201d em cada cena. As for\u00e7as n\u00e3o se dissipam, mas se modificam e explodem. A\u00ed \u00e9 com o espectador.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"10\">\n<li>Western, de Valeska Grisebach (Alemanha)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">A percep\u00e7\u00e3o das modernas rela\u00e7\u00f5es de classe que <em>Western exp\u00f5e<\/em> \u00e9 evidente: s\u00e3o nelas que se identificam as disputas mais \u00e1rduas para a classe trabalhadora. Todavia, n\u00e3o se apresse o espectador, n\u00e3o \u00e9 em Marx que Valeska Grisebach busca a explica\u00e7\u00e3o para os conflitos do filme, que tem como ambi\u00e7\u00e3o colocar em crise o drama muito espec\u00edfico de um grupo de oper\u00e1rios, de v\u00e1rios pa\u00edses, em uma cidade b\u00falgara de interior. O <em>western<\/em> do t\u00edtulo alude ao fato de que, como no faroeste cl\u00e1ssico, algu\u00e9m ou um grupo geralmente chega para impor uma transforma\u00e7\u00e3o, seja a constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia ou para explorar e dominar um peda\u00e7o de terra. Aqui, como l\u00e1, essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 atravessada pela ambiguidade o tempo inteiro no mesmo ritmo, sem cl\u00edmax. N\u00e3o h\u00e1 reden\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"11\">\n<li>Infiltrado na Klan, de Spike Lee (Estados Unidos)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o <em>Infiltrado na Klan<\/em>, Spike Lee n\u00e3o deixa d\u00favidas: partiu para a luta armada. Para desembrulhar o racismo, o humor n\u00e3o se articula como gatilho ret\u00f3rico, mas como regime de compreens\u00e3o do absurdo. \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o do narrador que qualifica o discurso do filme, al\u00e9m de oferecer dificuldades ao ju\u00edzo do \u201cfilme militante\u201d que n\u00e3o enxerga as tens\u00f5es que circulam na sociedade para al\u00e9m do seu espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o e luta \u2013 o que acontece muitas vezes com Ken Loach e Michael Moore, para citar alguns. Um de seus melhores!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A elabora\u00e7\u00e3o de uma lista de melhores filmes do ano \u00e9 sempre um processo que evidencia os crit\u00e9rios de quem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":5582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[1699,1697,1696,1701,1133,1694,1698,1695,1132,1700],"class_list":["post-5581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pedro-henrique-gomes","tag-hong-sang-soo","tag-infiltrado-na-klan","tag-kkk","tag-lee-chang-dong","tag-paul-thomas-anderson","tag-philippe-garrel","tag-robin-campillo","tag-spike-lee","tag-trama-fantasma","tag-western"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5581\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}