{"id":5458,"date":"2018-12-12T11:18:10","date_gmt":"2018-12-12T13:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5458"},"modified":"2018-12-12T11:18:38","modified_gmt":"2018-12-12T13:18:38","slug":"prefeitas-sao-poucas-e-governam-municipios-menores-e-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=5458","title":{"rendered":"Prefeitas s\u00e3o poucas e governam munic\u00edpios menores e mais pobres"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil foi o <strong>primeiro pa\u00eds<\/strong> latino-americano a eleger uma mulher para comandar uma prefeitura: <strong>Alzira Soriano<\/strong>, na cidade de Lages, no interior do Rio Grande do Norte em 1928. Hoje, 90 anos depois, as mulheres ainda t\u00eam pouca representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com<strong> mais anos de estudo<\/strong> do que os prefeitos homens,<strong> experi\u00eancia acumulada<\/strong> na trajet\u00f3ria pol\u00edtica e com o desafio de superar grandes dificuldades em <strong>munic\u00edpios pequenos<\/strong> e sem recursos. Esse \u00e9 o perfil da maioria das prefeitas eleitas no Brasil em 2016. \u00c9 o que mostra uma pesquisa recente do <strong>Instituto Alzira<\/strong>s, uma ONG que discute a representa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica, ao qual o V\u00f3s teve acesso.<\/p>\n<p>Antes de falar dos resultados do estudo, que tal conhecermos um pouco sobre as eleitas no Brasil em 2016?<\/p>\n<p>Naquele ano foram eleitas <strong>649 prefeitas<\/strong> nos munic\u00edpios brasileiros. O n\u00famero acendeu um alerta, pois representou uma <strong>queda de 3%<\/strong> na compara\u00e7\u00e3o com as elei\u00e7\u00f5es de 2012. Mais ainda&#8230; dos 5.568 munic\u00edpios brasileiros, <strong>68% sequer<\/strong> tiveram candidatas mulheres ao poder executivo local.<\/p>\n<p>Atualmente, menos de 12 em cada 100 munic\u00edpios s\u00e3o governados por uma mulher. Esse n\u00famero coloca o pa\u00eds abaixo da m\u00e9dia de prefeitas eleitas em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, Caribe e Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Nesses pa\u00edses, a m\u00e9dia \u00e9 de 13,4%, segundo \u00edndice medido pelo Observat\u00f3rio de Igualdade de G\u00eanero da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, a CEPAL.<\/p>\n<p>No Brasil a regi\u00e3o com o maior n\u00famero de prefeitas \u00e9 o <strong>Nordeste<\/strong> do pa\u00eds, onde 16% dos munic\u00edpios s\u00e3o comandados por mulheres: s\u00e3o 288 prefeitas. As regi\u00f5es Sul e Sudeste s\u00e3o aquelas com a menor propor\u00e7\u00e3o de Prefeitas em exerc\u00edcio, somente 7% e 9%, respectivamente. Se o recorte for feito a partir da ra\u00e7a, descobrimos que apenas <strong>3% dos munic\u00edpios brasileiros s\u00e3o geridos por negras.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/prefeitas_vos.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5461\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/prefeitas_vos.png\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"618\" srcset=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/prefeitas_vos.png 596w, https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/prefeitas_vos-289x300.png 289w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O estudo do Instituto Alziras mostra um dado interessante. Apesar de terem sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o apenas <strong>7% da popula\u00e7\u00e3o<\/strong>, a maioria das prefeitas foi eleita em munic\u00edpios com at\u00e9 50 mil habitantes. Apenas <strong>uma capital brasileira<\/strong> \u00e9 governada por uma mulher eleita diretamente ao cargo de Prefeita, Boa Vista (RR).<\/p>\n<p>Mesmo administrando munic\u00edpios menores e com menos recursos p\u00fablicos, as prefeitas tem <strong>maior n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o<\/strong> do que os prefeitos. Enquanto 50% dos prefeitos homens eleitos em 2012 t\u00eam ensino superior, 71% das prefeitas t\u00eam essa forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, quatro em cada 10 prefeitas t\u00eam p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de maior ensino formal do que os homens, as prefeitas, em sua imensa maioria (88%) j\u00e1 atuavam em causas pol\u00edticas antes de serem eleitas. Trinta e dois por cento delas j\u00e1 tinham sido prefeitas e outros 30% vice-prefeitas. Os \u00edndices mostram o que j\u00e1 falamos no come\u00e7o desse texto: as prefeitas mulheres t\u00eam mais anos de estudo do que os prefeitos homens e experi\u00eancia acumulada na trajet\u00f3ria pol\u00edtica. Isso, no entanto, n\u00e3o garante a elas grandes or\u00e7amentos e cidades estruturadas. O estudo coordenado pelo Instituto Alziras mostra que essas mulheres, gestoras p\u00fablicas, ainda sofrem com os problemas que a maioria das mulheres sofre.<\/p>\n<p>Esta parte do texto at\u00e9 merece um formato diferente. Elaboramos uma lista para voc\u00ea conseguir ver com mais clareza o que estamos falando.<\/p>\n<p>53% das prefeitas j\u00e1 sofreu ass\u00e9dio ou viol\u00eancia pol\u00edtica pelo simples fato de ser mulher;<br \/>\n30% das prefeitas j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio e viol\u00eancias simb\u00f3licas no espa\u00e7o pol\u00edtico;<br \/>\n24% das prefeitas sofre com falta de espa\u00e7o na m\u00eddia, em compara\u00e7\u00e3o com os pol\u00edticos homens<br \/>\n23% das gestoras municipais diz que teve seu trabalho ou suas falas desmerecidos pelo fato de serem mulheres;<br \/>\n22% das prefeitas diz sofrer com sobrecarga de trabalho dom\u00e9stico, dificultando a participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica;<\/p>\n<p>Sobre esse \u00faltimo t\u00f3pico, a divis\u00e3o desigual do trabalho dom\u00e9stico afeta diretamente as possibilidades de participa\u00e7\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica. Para se ter uma ideia, metade das prefeitas entrevistadas pelas pesquisadoras afirmam ser as principais respons\u00e1veis pelas compras de mercado em suas casas. Al\u00e9m disso, uma em cada cinco prefeitas destaca o trabalho dom\u00e9stico dentre as principais dificuldades enfrentadas em sua carreira pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de leis e incentivo<\/p>\n<p>O Instituto Alziras afirma que a presen\u00e7a de mulheres no meio pol\u00edtico \u00e9 importante para incorporar diferentes perspectivas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, da\u00ed a import\u00e2ncia de se incentivar a maior participa\u00e7\u00e3o de diferentes perfis. O estudo citou como exemplo desse reflexo as prefeitas que mencionaram ter entre suas prioridades a\u00e7\u00f5es voltadas <strong>\u00e0 sa\u00fade da mulher e de gestantes e ao atendimento de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. <\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa, no entanto, pondera que ainda \u00e9 preciso mais transpar\u00eancia e mais empenho dos partidos para assegurar condi\u00e7\u00f5es efetivas de competi\u00e7\u00e3o \u00e0s candidatas. Al\u00e9m de mais recursos, o instituto apontou uma poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre o \u00eaxito eleitoral e a participa\u00e7\u00e3o anterior das eleitas em cargos de confian\u00e7a no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Quer conhecer o estudo todo? Clica nesse link <a href=\"http:\/\/prefeitas.institutoalziras.org.br\/\">aqui\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil foi o primeiro pa\u00eds latino-americano a eleger uma mulher para comandar uma prefeitura: Alzira Soriano, na cidade de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":5463,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1660],"tags":[],"class_list":["post-5458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-do-seu-genero"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5458\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5463"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}