{"id":4884,"date":"2018-09-11T14:50:58","date_gmt":"2018-09-11T17:50:58","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4884"},"modified":"2018-09-11T15:24:35","modified_gmt":"2018-09-11T18:24:35","slug":"confira-um-trecho-inedito-da-biografia-de-jupiter-maca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4884","title":{"rendered":"Confira um trecho in\u00e9dito da biografia de J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o costumo falar de lan\u00e7amentos liter\u00e1rios nesse espa\u00e7o, por julgar que outros canais j\u00e1 fazem esse trabalho. Por\u00e9m, na caso da biografia <\/span><a href=\"https:\/\/goo.gl\/vNTpP3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><i>J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3: A Efervescente Vida &amp; Obra<\/i><\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (Plus Editora), assinada pelos jornalistas Cristiano Bastos e Pedro Brandt, tive que abrir uma exce\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiro porque um dos autores, o Cristiano, foi meu colega de faculdade, l\u00e1 na Famecos-PUCRS, onde tivemos aulas junto com figuras como o Carlinhos Carneiro (Bid\u00ea ou Balde e Imp\u00e9rio da L\u00e3) e Chico Bretanha (Groove James e Imp\u00e9rio da L\u00e3), antes mesmo dessa dupla dedicar-se \u00e0 m\u00fasica.<strong> E os dois estavam entre os participantes de um <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/670734033300428\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">baita show<\/a> organizado no Bar Ocidente para um dos eventos de lan\u00e7amento da biografia de J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3.\u00a0\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m contribuiu o fato de que o Cristiano \u00e9 um bi\u00f3grafo muito competente, vide seu trabalho memor\u00e1vel em <a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livros\/alisson-avila-cristiano-bastos-eduardo-muller\/gauleses-irredutiveis-causos-e-atitudes-do-rock-gaucho\/2306422590\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Gauleses Irredut\u00edveis<\/em><\/strong><\/a> (em parceria com Alisson Avila e Eduardo M\u00fcller) e <strong><em><a href=\"https:\/\/www.saraiva.com.br\/julio-reny-historias-de-amor-e-morte-8952750.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julio Reny &#8211; Hist\u00f3rias de Amor e Morte<\/a>\u00a0<\/em><\/strong>(Pr\u00eamio A\u00e7orianos de Literatura, na categoria especial).\u00a0Por fim, mas n\u00e3o menos importante, est\u00e1 o fato do livro sobre esse \u00a0o multifacetado cantor, compositor e multi-instrumentista ser o primeiro lan\u00e7amento da <a href=\"https:\/\/www.impressofacil.com.br\/pagina\/plus-editora\/13\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plus Editora<\/a>, uma iniciativa nova mas que tem entre seus s\u00f3cios, pessoas com muita experi\u00eancia na \u00e1rea cultural, como Roger Lerina e Roque Jacoby.<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Nas conversas que tive online com o Cristiano Bastos para concretizar esse post, fiquei sabendo em primeira m\u00e3o, como se fala no jarg\u00e3o jornal\u00edstico, de uma nova biografia escrita por ele, a ser lan\u00e7ada pela Plus Editora no ano que vem<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O biografado ser\u00e1 <strong>Nelson Gon\u00e7alves<\/strong>, ga\u00facho de Santana do Livramento, que completaria 100 anos em 2019 e o livro ainda n\u00e3o tem t\u00edtulo definitivo mas pode chamar-se <em>Metralha<\/em>\u00a0(com subt\u00edtulo ainda n\u00e3o definido) ou <strong><em>A Vida de Nelson Gon\u00e7alves &#8211; O Cantor do Brasil<\/em><\/strong>. As origens no Rio Grande do Sul de um dos maiores cantores e compositores brasileiros foi investigada pelo jornalista em mat\u00e9ria para a revista Aplauso, que pode ser lida <a href=\"https:\/\/issuu.com\/portfoliodojornalista\/docs\/mat_capa_97\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando \u00e0 biografia de J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3, o livro aborda a trajet\u00f3ria de Fl\u00e1vio Basso (1968-2015), m\u00fasico ga\u00facho que integrou as bandas TNT e Cascavelletes e, em carreira solo, lan\u00e7ou discos com os pseud\u00f4nimos Woody Apple, J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3 e Jupiter Apple. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O material de divulga\u00e7\u00e3o destaca que a obra mostra \u201ca vida dele do nascimento \u00e0 morte, passando por suas vit\u00f3rias (uma irregular, por\u00e9m cultuada carreira de rockstar \u2013 quase incompar\u00e1vel no Brasil) e trag\u00e9dias (alcoolismo, paranoia, a morte precoce de seu \u00fanico filho) com riqueza de detalhes, revela\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, e ainda farto material fotogr\u00e1fico (s\u00e3o, ao todo, quase 70 registro fotogr\u00e1fico, a maior parte raro ou in\u00e9dito).\u201d<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Para ilustrar esse texto, segue um trecho in\u00e9dito da biografia, selecionado pelo Cristiano Bastos e que apresenta\u00a0a persona dylanesca chamada Woody Apple, adotada por Flavio Basso ap\u00f3s o fim dos Cascavelletes e antes dele tornar-se J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3<\/strong><\/h5>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O bi\u00f3grafo sugere que a leitura do texto seja feita ao som de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Saudades do Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, can\u00e7\u00e3o que ilustra essa fase da carreira do m\u00fasico e que tem um car\u00e1ter pol\u00edtico declarado.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/2cwM3qSTMjo\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Woody Apple<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">(&#8230;)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com bastante tempo livre, Fl\u00e1vio Basso passou a compor um novo repert\u00f3rio, que vinha rascunhando desde sua \u00faltima temporada no TNT. Pesquisador da carreira dos Beatles, ele sabia da influ\u00eancia que o cantor americano Bob Dylan tinha exercido em John Lennon, cujo primeiro e mais not\u00f3rio desdobramento \u00e9 a can\u00e7\u00e3o \u201cYou\u2019ve got to hide your love away\u201d, do disco <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Help!<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de 1965. Se Dylan ajudou os Beatles a expandirem sua po\u00e9tica, o quarteto de Liverpool foi uma inspira\u00e7\u00e3o importante para ele eletrificar sua sonoridade, um bate-bola musical no qual ambas as partes sa\u00edram vitoriosas \u2013 e, no caso do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">folk singer<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, uma muta\u00e7\u00e3o que parte de sua plateia assistiu at\u00f4nita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00cdcone do revival da m\u00fasica folk dos Estados Unidos, considerado a voz de sua gera\u00e7\u00e3o por conta de letras que refletiam tanto ang\u00fastias existenciais quanto o estado das coisas em seu pa\u00eds em meados dos anos sessenta, Bob Dylan lan\u00e7ou, em mar\u00e7o de 1965, um \u00e1lbum divisor de \u00e1guas em sua trajet\u00f3ria: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bring It All Back Home<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Depois de quatro LPs essencialmente ac\u00fasticos, o cantor produziu um disco no qual metade das m\u00fasicas \u00e9 apresentada ao viol\u00e3o e a outra metade com acompanhamento de banda el\u00e9trica. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bring It All Back Home<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> causou a revolta dos puristas que viam nele um s\u00edmbolo de rendi\u00e7\u00e3o do cantor ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">stablishment<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, uma trai\u00e7\u00e3o imperdo\u00e1vel. Para pessoas ligadas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o folk, especialmente os mais velhos, as bandas de rock eram um produto alienante feito para o consumo das massas, de m\u00e9rito art\u00edstico question\u00e1vel, direcionado especialmente aos adolescentes. Mais do que o disco propriamente dito, a participa\u00e7\u00e3o de Dylan no Newport Folk Festival, em 25 de julho de 1965, foi um epis\u00f3dio ainda mais emblem\u00e1tico para a pol\u00eamica gerada pela eletrifica\u00e7\u00e3o de sua m\u00fasica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O prestigioso evento dedicado \u00e0 m\u00fasica folk, do qual Bob Dylan participara nos dois anos anteriores, testemunhou a estreia, em cima do palco, do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">singer-songwriter<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com banda el\u00e9trica \u2013 que contava, na ocasi\u00e3o, com dois parceiros importantes nessa nova fase, o organista Al Kooper e o guitarrista Mike Bloomfield. Cabelos desgrenhados, \u00f3culos escuros, guitarra em punho, Dylan escandalizou p\u00fablico e muitos de seus colegas m\u00fasicos com seu set \u2013 parte dele, vale ressaltar, foi mostrado na primeira metade do show, em formato ac\u00fastico, sem grandes estranhamentos. As letras das composi\u00e7\u00f5es mais recentes, para desgosto de muitos de seus antigos f\u00e3s, traziam influ\u00eancia da literatura beat e do surrealismo, ao contr\u00e1rio do pragmatismo realista e cr\u00edtico associado ao folk \u2013 uma m\u00fasica que, em suma, canta as agruras da vida do trabalhador simples, seja um campon\u00eas do interior ou um prolet\u00e1rio na cidade grande. Para piorar, a nova persona art\u00edstica de Robert Allen Zimmerman (nome de batismo do cantor-compositor) ostentava um ar de petul\u00e2ncia, em contrapartida \u00e0 imagem de jovem t\u00edmido e eloquente que o identificava at\u00e9 ent\u00e3o. Mas, ao contr\u00e1rio do que seus detratores previam, essa transforma\u00e7\u00e3o de folkie para rocker \u2013 \u201cJudas\u201d, Dylan foi xingado, logo depois, em apresenta\u00e7\u00e3o na Inglaterra \u2013 alcan\u00e7ou um novo p\u00fablico, ainda maior, e mostrou-se t\u00e3o inspirada e influente quanto a fase voz e viol\u00e3o do artista nascido em Duluth, Minnesota, em 1941.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">E foi essa figura revolucion\u00e1ria que, naquele come\u00e7o de anos noventa, tornou-se a principal refer\u00eancia musical de Fl\u00e1vio Basso. Desempregado, com o casamento em crise e pai de uma crian\u00e7a pequena, o cantor ga\u00facho sentia a necessidade de expurgar suas viv\u00eancias de jovem adulto, tudo aquilo que lhe angustiava nos \u00faltimos anos. O fim dos Cascavelletes significou, simbolicamente, o fim de sua adolesc\u00eancia, a perda da inoc\u00eancia, o t\u00e9rmino de uma festa que, durante alguns anos, parecia n\u00e3o ter fim. Blus\u00e3o de flanela, sapatos batidos, cabelos compridos, viol\u00e3o debaixo do bra\u00e7o e gaita de boca pendurada no pesco\u00e7o: o Fl\u00e1vio daqueles dias levava uma exist\u00eancia um tanto quanto beatnik, com (pouco) dinheiro emprestado de familiares, vivendo um dia ap\u00f3s o outro. O futuro era incerto, a insatisfa\u00e7\u00e3o, uma constante, mas a inspira\u00e7\u00e3o, pelo menos, era garantida. Foi um per\u00edodo f\u00e9rtil, de muito aprendizado. \u201cEu ouvia o [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e1lbum de Bob Dylan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Highway 61 Revisited<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e tentava entender as letras, jogar com aquilo tudo e tamb\u00e9m escrever junto. Eu pensei: poesia \u00e9 isso\u201d, Fl\u00e1vio refletiu em entrevista, 20 anos depois, para a revista digital <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Basti\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Leo Felipe, fundador do bar Garagem Herm\u00e9tica, casa noturna que seria de extrema import\u00e2ncia para Fl\u00e1vio Basso dali a algum tempo, relata em seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A Fant\u00e1stica F\u00e1brica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> uma cena ocorrida na loja Boca do Disco, de propriedade do folcl\u00f3rico e rabugento Get\u00falio Costa: \u201cA tarde j\u00e1 caia e a loja era iluminada apenas por uma lampadinha fraca pendendo de um fio no forro. N\u00e3o havia mais contraluz quando vi o planeta em transforma\u00e7\u00e3o saindo com o [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">disco<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Planet Waves<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> embaixo do bra\u00e7o. Tive um impulso de sugerir pra trocar pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Blood On The Tracks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, mas fiquei frio. In\u00fatil tentar interferir no curso dos astros\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Partindo de audi\u00e7\u00f5es de \u00e1lbuns de Bob Dylan e de outros artistas associados ao folk, Fl\u00e1vio foi, gradualmente, moldando seu novo estilo. Fitas cassetes guardadas por Rachel revelam esse processo. Nelas est\u00e3o rascunhos de m\u00fasicas nas quais o m\u00fasico ainda tateava este novo universo. Especialmente nas letras, ele soa um tanto perdido, cantando tem\u00e1ticas que t\u00eam mais a ver com quem o inspirava do que com suas pr\u00f3prias viv\u00eancias. Nunca muito ligado em pol\u00edtica, Fl\u00e1vio tentou abordar o assunto: \u201cEu digo n\u00e3o ao presidente \/ Eu voto n\u00e3o pra toda pol\u00edtica \/ Eu voto n\u00e3o pra todas as religi\u00f5es \/ Eu s\u00f3 voto sim para a humanidade no topo se autogovernando\u201d, dizia uma das can\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em outra, ele colocava a natureza como uma for\u00e7a redentora: \u201cVem terremoto, vem tremer o ch\u00e3o onde piso, a terra vai me engolir \/ Venha maremoto, venha inundar meu para\u00edso, a \u00e1gua purifica \/ Venha mulher, vem me abra\u00e7ar, rir e chorar, nossos corpos nus igual marionetes no meio da rua, o mundo vai acabar \/ Vem tempestade, venha molhar meus sentimentos, eu quero ser batizado\u201d. A vida <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">on the road <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">tamb\u00e9m foi tema: \u201cEnquanto espero o trem pra me mandar, que saudades, agora eu j\u00e1 estou longe \/ O jeito \u00e9 esquecer voc\u00ea e a cidade, um p\u00e9 no ch\u00e3o, viol\u00e3o nas costas, andando pelo campo, sem chorar e sem encher \/ Sem voltar e sem perder, vou andar por onde quero, mas voltar eu quero mais\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Compositor prol\u00edfico, Fl\u00e1vio Basso logo amadureceu as novas ideias musicais e decidiu gravar um punhado de recentes can\u00e7\u00f5es. Financiado pelo pai, o m\u00fasico reservou hor\u00e1rios noturnos no est\u00fadio da Isaec. L\u00e1, com o aux\u00edlio do t\u00e9cnico de grava\u00e7\u00e3o Edu Coelho, ele deu in\u00edcio \u00e0 aventura solo. Fl\u00e1vio construiu as m\u00fasicas sozinho, cantando e tocando guitarra, viol\u00e3o, baixo, teclados, gaita de boca e bateria. A \u00fanica contribui\u00e7\u00e3o externa foi a participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos de um quarteto de cordas em uma das composi\u00e7\u00f5es. \u201cA capacidade de organiza\u00e7\u00e3o dele era incr\u00edvel. O Fl\u00e1vio chegava no est\u00fadio sabendo o que queria. Isso me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o. As composi\u00e7\u00f5es estavam prontas, bem arranjadas\u201d, lembra Edu. Esse n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o permitiu que uma m\u00fasica fosse registrada a cada visita ao est\u00fadio. \u201cGravamos tudo em uns 10 dias\u201d, detalha o t\u00e9cnico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O resultado dessas sess\u00f5es pode ser considerado o primeiro \u2013 ainda que nunca lan\u00e7ado \u2013 \u00e1lbum solo de Fl\u00e1vio Basso. A influ\u00eancia de Bob Dylan em algumas faixas \u00e9 percept\u00edvel, assim como, novamente, a dos Beatles \u2013 especialmente da fase do come\u00e7o do namoro da banda inglesa com o folk, ou seja, o disco <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Help!<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. E se o amor, em diferentes manifesta\u00e7\u00f5es, foi tema cantado pelo m\u00fasico ga\u00facho ao longo da carreira, ele nunca soou t\u00e3o rom\u00e2ntico quanto ali. Um romantismo, evidentemente, ao estilo do compositor, com certa dose de mal\u00edcia.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto: Acervo R<span style=\"font-weight: 400;\">achel Pires Correa<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o costumo falar de lan\u00e7amentos liter\u00e1rios nesse espa\u00e7o, por julgar que outros canais j\u00e1 fazem esse trabalho. 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