{"id":4862,"date":"2018-09-07T14:40:22","date_gmt":"2018-09-07T17:40:22","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4862"},"modified":"2018-09-07T20:00:05","modified_gmt":"2018-09-07T23:00:05","slug":"morte-e-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4862","title":{"rendered":"Morte e vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Meu filho maior (sete anos) come\u00e7ou a sentir medo da morte. Da pr\u00f3pria morte. Ouviu algo no notici\u00e1rio do r\u00e1dio do carro e ficou impressionado.\u00a0<strong>Foi uma das poucas vezes em que me senti t\u00e3o incapacitada para orient\u00e1-lo.<\/strong> S\u00f3 consigui abra\u00e7ar e dizer que \u00e9 assim, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mortes precoces sempre rondaram minha fam\u00edlia. Eu cresci com esse medo. Minha m\u00e3e era refugiada de guerra. Fam\u00edlia dissipada, um tio morto em terras distantes, outro ficou por l\u00e1 enquanto a fam\u00edlia fugiu para sobreviver. Um outro tipo de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, sete de setembro, \u00e9 a data de nascimento da minha m\u00e3e. <strong>Antes de ter filho, meu maior medo era o da morte dela.<\/strong> Perdi o meu pai aos 17 anos &#8211; ele tinha 47. Quase a minha idade agora. \u00c9 assustador pensar que daqui tr\u00eas anos terei vivido mais que meu pai. J\u00e1 tenho mais tempo de vida sem pai do que com ele.\u00a0Haja terapia. E nem com terapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAnivers\u00e1rio da minha m\u00e3e sem ela. Pelo quinto ano. O pai nos dava a sensa\u00e7\u00e3o de estrutura. Quando ele se foi, a casa se desorganizou. Tivemos que reaprender tudo.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Quando a m\u00e3e se foi, o cora\u00e7\u00e3o se desorganizou<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">E de um jeito&#8230;<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">N\u00e3o tem mais aquela sopinha no dia de gripe. N\u00e3o tem mais aquele abra\u00e7o nos dias em que se est\u00e1 pequeno demais pro tamanho do mundo. N\u00e3o tem n\u00e3o mais aquele olhar dizendo que tudo vai dar certo<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<br \/>\nEnt\u00e3o meu filho, hoje n\u00e3o consigo conversar contigo sobre a morte. Vou tentar te falar do amor que fica. Da panqueca que aprendi a fazer. Das risadas e brincadeiras que minha m\u00e3e me ensinou. Da for\u00e7a para viver em dias n\u00e3o t\u00e3o bons. A morte vai vir. N\u00e3o quero pensar nisso. (Haja terapia). Quero ser tua m\u00e3e o maior tempo que eu puder. Quero que tua vida seja boa, pra te fazer tu sorrir ao lembrar quando n\u00e3o estiver mais aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*<em>\u00a0Sobre a ilustra\u00e7\u00e3o, pedi ao Benjamin que desenhasse sobre o medo que tem sentido. Ele n\u00e3o quis. Insisti um pouco, dizendo que se ele desenhasse, poder\u00edamos olhar pro medo juntos. Ele n\u00e3o quis. Disse que queria desenhar uma coisa feliz. Que assim sej<\/em>a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu filho maior (sete anos) come\u00e7ou a sentir medo da morte. Da pr\u00f3pria morte. Ouviu algo no notici\u00e1rio do r\u00e1dio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":4863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[751,298,1153],"class_list":["post-4862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-raquel-grabauska","tag-luto","tag-pais-e-filhos","tag-vida"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4862\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}