{"id":4320,"date":"2018-05-20T23:22:37","date_gmt":"2018-05-21T02:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4320"},"modified":"2018-05-21T01:40:58","modified_gmt":"2018-05-21T04:40:58","slug":"pl-do-veneno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4320","title":{"rendered":"4 coisas que voc\u00ea precisa saber sobre o PL do Veneno"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\">Faz um exerc\u00edcio comigo. Imagina encher duas garrafas e meia com veneno. Falo dessas garrafas de 2L, garrafas PET de refrigerante. Agora imagina beber esses 5L de veneno.\u00a0Imposs\u00edvel, n\u00e9? Qualquer ser humano morreria. Mas e se fosse beber aos pouquinhos? Um golinho por dia? N\u00e3o?<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Lamento informar, mas todos os brasileiros fazem isso.<\/h5>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados\u00a0 <a href=\"http:\/\/www2.inca.gov.br\/wps\/wcm\/connect\/inca\/portal\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA)\u00a0<\/a>mostram que os brasileiros consomem 5L de agrot\u00f3xicos por ano. Isso porque o Brasil \u00e9 l\u00edder mundial no uso de pesticidas desde 2008. Aqui, \u00e9 permitido o uso de determinadas subst\u00e2ncias que s\u00e3o proibidas em pa\u00edses desenvolvidos, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, h\u00e1 quem queira flexibilizar o uso de agrot\u00f3xicos e fazer com que pare\u00e7a algo bom.\u00a0No <a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=46249\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site<\/a> da C\u00e2mara dos Deputados, o PL 6299\/02 \u00e9 apresentado como um projeto de lei que regula <em><strong>Defensivos Fitossanit\u00e1rios<\/strong>.\u00a0<\/em>Chique, n\u00e9. Em propagandas redes sociais afora, h\u00e1 quem chame de <strong><em>Defensivos Agr\u00edcolas<\/em><\/strong>. Bonito.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>O nome \u00e9 bonito, mas ainda estamos falando de agrot\u00f3xicos<\/strong><\/h3>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de lei em quest\u00e3o \u00e9 o famoso<strong><em> PL do Veneno<\/em><\/strong>. Nome apropriado ao teor do texto que <strong>revoga a lei que controla o uso de agrot\u00f3xicos e flexibiliza o registro, controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o desses produto no Brasil<\/strong>. Na gaveta h\u00e1 anos, a ideia volta com toda for\u00e7a. Foi reativada uma Comiss\u00e3o Especial na C\u00e2mara dos Deputados para acelerar a vota\u00e7\u00e3o e a bancada ruralista n\u00e3o est\u00e1 para brincadeira. A saber, o autor do projeto \u00e9 Blairo Maggi,\u00a0ministro da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento do governo Michel Temer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m est\u00e3o em an\u00e1lise outras 17 propostas, entre elas o PL 3200\/15, que substitui o nome <strong>AGROT\u00d3XICO<\/strong> por defensivos fitossanit\u00e1rios e produtos de controle ambiental. \u00a0No Twitter, o perfil <em>@LeiDoAlimento<\/em> advoga pelo que chama de <em>Lei do Alimento Mais Seguro<\/em>. H\u00e1 uma p\u00e1gina tamb\u00e9m, em que se garante que a nova legisla\u00e7\u00e3o far\u00e1 com que os alimentos cheguem \u00e0 mesa com mais seguran\u00e7a para todos. Afirma-se que o texto do projeto prev\u00ea a prote\u00e7\u00e3o dos consumidores e do meio ambiente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0478.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4323 size-medium\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0478-286x300.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sou ing\u00eanua sobre a necessidade do uso de agrot\u00f3xicos em produ\u00e7\u00f5es de grande escala. O problema \u00e9 que ao inv\u00e9s de caminharmos na dire\u00e7\u00e3o de uma alimenta\u00e7\u00e3o cada vez mais limpa, corremos para abra\u00e7ar uma subst\u00e2ncia que est\u00e1 nos matando.<\/h5>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ideia de que agrot\u00f3xicos fazem mal \u00e0 sa\u00fade \u00e9 amplamente aceita e comprovada,<\/strong> tanto que o consumo de alimentos org\u00e2nicos aumenta no Brasil e no mundo. Mesmo assim, parlamentares colocam interesses econ\u00f4micos acima da sa\u00fade de gera\u00e7\u00f5es de brasileiros, afinal, agrot\u00f3xico n\u00e3o se tira com \u00e1gua.\u00a0Por\u00e9m, entre o <em>PL do Veneno<\/em> e a <em>Lei do Alimento Mais Seguro<\/em>, fica dif\u00edcil saber do que se trata o projeto e de que forma ele pode afetar nossa vida de fato. Por isso, vamos listas algumas quest\u00f5es importantes.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3><strong>1 Mudan\u00e7a de Nome<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto prev\u00ea a mudan\u00e7a do nome <em>agrot\u00f3xicos<\/em> para <em>defensivos fitossanit\u00e1rios.<\/em>\u00a0Al\u00e9m disso, altera o nome <em>pesticida<\/em> para <em>enfermidade end\u00eamica que mata<\/em>. O relator do projeto, Luiz Nishimori (PR-PR) disse \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2018-05\/camara-debate-projeto-que-simplifica-lei-de-controle-dos-agrotoxicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"3\" data-v9y=\"1\">Ag\u00eancia Brasil<\/a> \u00a0que o termo agrot\u00f3xico \u00e9 depreciativo e que n\u00e3o \u00e9 usado em outros pa\u00edses.<\/p>\n<div id=\"entry_paragraph_4\" class=\"entry-body--paragraph-ad\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"ad_spot \">Quem se op\u00f5e ao projeto afirma que o risco de mudar o nome est\u00e1 no fato de que as pessoas podem ser enganadas com uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a que a palavra <em>defensivos<\/em> pode oferecer. \u00a0Tanto que entidades como o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA), a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (ANVISA), o\u00a0<span style=\"letter-spacing: 0px;\">Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e<\/span><span style=\"letter-spacing: 0px;\">\u00a0o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) publicaram notas em que demonstram grande preocupa\u00e7\u00e3o com a aprova\u00e7\u00e3o do projeto.\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A Anvisa <a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/noticias?p_p_id=101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU&amp;p_p_col_id=column-2&amp;p_p_col_pos=1&amp;p_p_col_count=2&amp;_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_groupId=219201&amp;_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_urlTitle=agrotoxicos-anvisa-e-contraria-ao-pl-6299-02-&amp;_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&amp;_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_assetEntryId=4395766&amp;_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_type=content\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"5\" data-v9y=\"1\">informou<\/a>\u00a0que a proposta n\u00e3o contribui com a disponibilidade de alimentos mais seguros. Portanto,\u00a0&#8220;n\u00e3o atendendo, dessa forma, a quem deveria ser o foco da legisla\u00e7\u00e3o: a popula\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;. J\u00e1 o MPF\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/pgr\/noticias-pgr\/pl-que-flexibiliza-registro-de-agrotoxicos-afetara-saude-e-meio-ambiente-afirma-mpf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"6\" data-v9y=\"1\">afirmou que a proposta \u00e9 inconstitucional<\/a>.<\/div>\n<div>.<\/div>\n<h3><strong>2 Controle de Registro<\/strong><\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px; letter-spacing: 0px;\">A proposta exclui os <\/span><span style=\"letter-spacing: 0px;\">minist\u00e9rios da Sa\u00fade e o do Meio Ambiente do processo de an\u00e1lise e registro dos produtos sob o argumento de que demora de tr\u00eas a oito anos, o que faz com a tecnologia fique defasada. Isso significa que as atribui\u00e7\u00f5es ficam sob\u00a0<\/span>responsabilidade exclusiva do\u00a0<span style=\"letter-spacing: 0px;\">Minist\u00e9rio da Agricultura &#8211; eu mencionei que \u00a0autor do projeto \u00e9 o atual ministro da Agricultura?<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, o registro s\u00f3 \u00e9 concedido depois de \u00a0passar tamb\u00e9m pelo Ibama e Anvisa, que analisam os poss\u00edveis danos para o meio ambiente e sa\u00fade. Ou seja, se apenas o Minist\u00e9rio da Agricultura analisar o produto, n\u00e3o h\u00e1 garantias de que seja seguro para o ambiente e para a sa\u00fade das pessoas que v\u00e3o ingerir a subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente h\u00e1 um problema com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morosidade do poder p\u00fablico brasileiro, mas a sa\u00fade das pessoas precisa ser prioridade.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3>3 Flexibiliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px; color: #616161; letter-spacing: 0px;\">Hoje, a Lei dos Agrot\u00f3xicos pro\u00edbe o registro de pesticidas \u00a0<\/span><strong>mutag\u00eanicos<\/strong><span style=\"font-size: 14px; color: #616161; letter-spacing: 0px;\">, <\/span><strong>carcinog\u00eanicos<\/strong> <span style=\"font-size: 14px; color: #616161; letter-spacing: 0px;\">e\u00a0<\/span><strong>teratog\u00eanicos<\/strong><span style=\"font-size: 14px; color: #616161; letter-spacing: 0px;\">. Ou seja, \u00e9 proibido utilizar qual subst\u00e2ncia que cause c\u00e2ncer, que prejudique o desenvolvimento do feto, que gere muta\u00e7\u00f5es ou danos ao aparelhos reprodutor, al\u00e9m de danos ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p>A nova proposta torna o conceito mais gen\u00e9rico, o que flexibiliza o uso de subst\u00e2ncias altamente perigosas.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3>4 Registro tempor\u00e1rio<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto advoga que se depois de 12 meses o parecer de um produto n\u00e3o for concedido, pode haver um registro tempor\u00e1rio de um pesticida desde que ele tenha sido usado em, ao menos, tr\u00eas pa\u00edses. Basicamente, se as autoridades brasileiras n\u00e3o autorizarem o uso de uma subst\u00e2ncia, os agricultores podem usar mesmo assim, desde que tenha sido utilizado em outros lugares.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.abrasco.org.br\/site\/publicacoes\/24127\/24127\/\" rel=\"nofollow\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"1\" data-v9y=\"1\">Dados<\/a> da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) mostram que quatro mil pessoas por ano sofrem com intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos &#8211; isso s\u00f3 em 2017. Sem contar os in\u00fameros danos a longo prazo que essas subst\u00e2ncias podem causar ao organismo humano e ao meio ambiente. Apesar disso, nossos parlamentares pretendem flexibilizar o uso de veneno na nossa comida. Tudo para atender ao lobby de gigantes do setor agroqu\u00edmico <span style=\"letter-spacing: 0px;\">como Bayer, Monsanto, Syngenta, Bunge, entre outras. Tudo para atender \u00e0s demandas de\u00a0<\/span>muralistas<span style=\"letter-spacing: 0px;\">\u00a0fichados por\u00a0crimes ambientais e acusa\u00e7\u00f5es de\u00a0<\/span>trabalho<span style=\"letter-spacing: 0px;\">\u00a0an\u00e1logo ao escravo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz um exerc\u00edcio comigo. Imagina encher duas garrafas e meia com veneno. 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