{"id":4230,"date":"2018-04-26T11:18:04","date_gmt":"2018-04-26T14:18:04","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4230"},"modified":"2018-04-27T11:29:16","modified_gmt":"2018-04-27T14:29:16","slug":"raja-gemini-drag-comecou-como-uma-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=4230","title":{"rendered":"Raja Gemini: \u201cDrag come\u00e7ou como uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Raja Gemini \u00e9 o nome art\u00edstico de Sutan Amrull. \u00c9 a personagem criada por esta fabulosa drag queen que venceu a terceira edi\u00e7\u00e3o do reality show <strong>RuPaul\u2019s Drag Race<\/strong>, uma das maiores atra\u00e7\u00f5es de entretenimento LGBT atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira temporada da s\u00e9rie foi ao ar em 2011 e muita gente que hoje acompanha o programa pode nem t\u00ea-la visto. Em novembro de 2014, Raja esteve em Porto Alegre pela primeira vez, participando da segunda edi\u00e7\u00e3o da festa <strong>XTRAVAGANZA DRAG PARTY<\/strong>. Se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, foi a primeira visita de uma vencedora de RuPaul\u2019s Drag Race \u00e0 cidade.\u00a0<strong>Naquela ocasi\u00e3o, tive a oportunidade de conversar com Raja durante mais de uma hora. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrevista viria a ser publicada no site Nada Errado, de Minas Gerais. O site acabou saindo fora do ar e a entrevista infelizmente se perdeu, junto com as maravilhosas fotos feitas pelos queridos Felipe Matzembacher e Marcio Reolon. Hoje em dia o Nada Errado sobrevive no Medium, mas o registro do vibrante papo que tive com a Raja n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Por isso fa\u00e7o este resgate e deixo aqui a \u00edntegra da entrevista. <\/strong><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>Raja e a cultura drag ainda t\u00eam muito a nos ensinar!<\/strong><\/h5>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea come\u00e7ou a se montar?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu comecei a me montar aos tr\u00eas anos de idade. Eu vestia as roupas e j\u00f3ias da minha m\u00e3e. Foi nessa idade que eu comecei a experimentar. Mas eu comecei a levar isso mais a s\u00e9rio na adolesc\u00eancia, a sair nos clubes em drag a partir dos 16 anos. Eu cresci num lar religioso, ent\u00e3o isso fazia parte da minha rebeli\u00e3o, sair com meus amigos, ir para as festas. Essa era a minha primeira inten\u00e7\u00e3o. Foi quando eu fiz 18 anos que decidi que drag era algo que eu realmente queria fazer. A maior parte do in\u00edcio da minha vida adulta foi bastante queer, focada em g\u00eanero, em drag, em me transformar em uma linda mulher. Mas agora n\u00e3o \u00e9 mais apenas sobre isso. N\u00e3o \u00e9 uma rebeli\u00e3o, \u00e9 mais sobre a forma como eu me relaciono e me identifico comigo mesmo.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Era uma batalha, era muito complicado para mim me expressar na minha fam\u00edlia. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a sua rela\u00e7\u00e3o com os pais?<\/strong><br \/>\nRaja: Era muito dif\u00edcil para eles entenderem. Eu nunca realmente sa\u00ed do arm\u00e1rio para eles. Eu comecei a me montar muito cedo, ent\u00e3o eles sempre souberam. Meu pai foi mu\u00e7ulmano durante 50 anos, depois ele se converteu ao cristianismo &#8211; o que \u00e9 proibido &#8211; e se tornou um pastor. Ent\u00e3o sempre teve esse aspecto religioso presente na minha fam\u00edlia. Era uma batalha, era muito complicado para mim me expressar na minha fam\u00edlia. Eu sempre tive muitos medos at\u00e9 ir para a faculdade, que foi quando comecei a me sentir mais \u00e0 vontade, j\u00e1 vivendo fora da casa dos meus pais. Mas com o tempo foi ficando mais f\u00e1cil para mim me expressar junto \u00e0 minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando tu come\u00e7ou a trabalhar como maquiador profissional?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu comecei a fazer drag e a trabalhar como maqueador no mesmo per\u00edodo. Eu queria ser maqueador porque eu tamb\u00e9m queria saber me maquear bem. Eu tinha uns 20 anos quando eu comecei as duas carreiras de uma forma mais profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a decis\u00e3o de tentar participar de drag race?<\/strong><br \/>\nRaja: Foi uma decis\u00e3o dif\u00edcil para mim, porque eu j\u00e1 tinha uma carreira estabelecida. Eu sabia que o seriado estava se tornando popular, mas eu n\u00e3o sabia se isso iria realmente ser algo arriscado para minha carreira como maquiador. Eu pensava que as pessoas poderiam zombar de mim por estar participando de um reality show, como se eu n\u00e3o estivesse me levando a s\u00e9rio. Eu pensei muito sobre isso e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que eu estava muito confiante tamb\u00e9m com meu trabalho como drag queen, ent\u00e3o simplesmente me candidatei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi a tua primeira tentativa?<\/strong><br \/>\nRaja: Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que sorte!<\/strong><br \/>\nRaja: Eu acho que as vezes as coisas apenas acontecem. Acho que quando fui escolhido para o seriado, isso demonstrou que a televis\u00e3o estava pronta para algo diferente. Eu fiquei muito temeroso, porque eu era diferente. Eu achava que n\u00e3o fosse durar muito tempo, que eu n\u00e3o fosse ganhar. Eu achava que n\u00e3o iria durar nem meia temporada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando tu entrou no seriado, tua carreira como maquiador era mais s\u00f3lida do que a tua carreira como drag?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu era freenlancer, ent\u00e3o \u00e0s vezes eu tinha muito trabalho e \u00e0s vezes n\u00e3o tinha nada. Se eu n\u00e3o conseguia me sustentar como maquiador, eu sempre tinha a op\u00e7\u00e3o de trabalhar como drag queen e vice-versa. Eu acho que tudo aconteceu quando tinha que acontecer, porque quando fui selecionado para drag race eu j\u00e1 estava pensando que eu tinha que me dedicar com muita seriedade a uma coisa ou outra. Eu j\u00e1 estava com 37 anos, eu tinha que levar isso a s\u00e9rio e crescer profissionalmente. Eu pensava que talvez pudesse me dedicar somente \u00e0 maquiagem, mas foi a\u00ed que Drag Race aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que essa experiencia significou na tua vida?<\/strong><br \/>\nRaja: Meus pais puderam ver o que eu fazia. Isso significou tudo para mim. Um ano depois de eu ganhar, meu pai faleceu. Antes disso ele p\u00f4de me ver como eu era. Eu lembro de sentir tanto medo de me expressar na frente dele. Eu sempre pensei: como vou explicar para ele que me visto com essas roupas engra\u00e7adas e fa\u00e7o shows nas boates? Ele nunca iria entender. E quando eu participei de Drag Race, meu pai p\u00f4de me ver fazendo algo que eu realmente gosto de fazer, que eu tenho orgulho de fazer. Para mim, fazer drag e participar daquela competi\u00e7\u00e3o era minha pr\u00f3pria vers\u00e3o de ser atl\u00e9tico, de ser forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de tudo, ele acabou te apoiando?<\/strong><br \/>\nRaja: Ele amou. Ele muito feliz e muito orgulhoso de mim. Isso foi o mais importante de tudo, juntamente com as amizades que eu fiz l\u00e1. Sou muito pr\u00f3ximo da Manilla. Essa s\u00e9rie mudou minha vida de muitas formas. Olhe onde eu estou agora: no Brasil! Antes de participar da s\u00e9rie, fazer drag era apenas um fen\u00f4meno local para mim, eu trabalhava em Los Angeles, em Hollywood, agora tenho viajado muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u00faltimo epis\u00f3dio, Ru disse que voc\u00ea \u00e9 uma pessoa bem introvertida. Voc\u00ea ainda se considera assim?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu acredito em Astrologia, eu acho que tem uma parte de mim que \u00e9, sim, bastante t\u00edmida. Nem sempre eu sei como me expressar em determinadas situa\u00e7\u00f5es. Eu gosto de passar algum tempo sozinho, \u00e9 assim que a minha mente funciona, eu acho que isso \u00e9 algo poderoso. Ent\u00e3o eu posso, sim, ser um introvertido, mas eu tamb\u00e9m posso ficar num palco, em frente a centenas de pessoas, e me jogar em dire\u00e7\u00e3o a elas.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote><p><strong>No processo de estar em Drag Race, de poder competir e interagir com as outras participantes, me deixou muito mais seguro, porque comecei a perceber a for\u00e7a que eu tinha. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tamb\u00e9m no \u00faltimo epis\u00f3dio, quando Ru pediu para voc\u00ea listar suas qualidades e defeitos, voc\u00ea disse que pela primeira vez estava se enxergando como uma pessoa bela.<\/strong><br \/>\nRaja: Eu acho que por um bom tempo eu usei drag como uma armadura para esconder qualquer inseguran\u00e7a que eu pudesse ter. No processo de estar em Drag Race, de poder competir e interagir com as outras participantes, me deixou muito mais seguro, porque comecei a perceber a for\u00e7a que eu tinha. Eu tamb\u00e9m finalmente percebi que, a essa altura, fazer drag j\u00e1 n\u00e3o era algo separado da minha vida. J\u00e1 n\u00e3o havia mais um Sutan e uma\u00a0Raja: eram os dois num s\u00f3. Estar no programa me ajudou a perceber isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E fale um pouco sobre o estilo da\u00a0Raja. Ela mudou muito com o tempo? Ainda brinca com as quest\u00f5es de g\u00eanero?<\/strong><br \/>\nRaja: At\u00e9 onde me lembro, nunca haviam considerado que eu adotava um estilo mais genderfuck at\u00e9 eu ter ingressado no programa. Na maior parte do tempo, eu sempre fui considerada linda e feminina, nunca haviam dito que eu fazia um estilo genderfuck. Eu acho que algo foi despertado em mim, nesse sentido, enquanto eu estava no programa. Mas, em geral, meu estilo n\u00e3o \u00e9 tanto sobre g\u00eanero quanto \u00e9 sobre criar uma ideia. Eu adoro ideias que s\u00e3o multiculturais, porque eu viajo muito e gosto de coletar influ\u00eancias de diferentes partes do mundo. Eu fa\u00e7o drag n\u00e3o porque quero me tornar uma mulher, mas porque quero expressar esse lado feminido. Eu fa\u00e7o drag porque eu amo as roupas, mais do que eu gosto da transforma\u00e7\u00e3o. S\u00f3 porque \u00e9 um vestido, n\u00e3o significa que um homem n\u00e3o possa us\u00e1-lo. Se voc\u00ea fica \u00f3timo em um vestido, voc\u00ea deveria usar esse vestido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea viveu na Indon\u00e9sia dos 3 aos 10 anos. Como esse per\u00edodo influenciou na sua vida e na sua arte?<\/strong><br \/>\nRaja: Influenciou tudo. Eu passei minha inf\u00e2ncia como um garotinho em B\u00e1li, totalmente envolvido naquela cultura, naquela espiritualidade, naquelas praias maravilhosas. Isso foi muito marcante para mim. Quando eu voltei para os Estados Unidos, j\u00e1 no in\u00edcio dos anos 1980, a primeira coisa que eu vi na televis\u00e3o foi Boy George. N\u00f3s sequer t\u00ednhamos televis\u00e3o na Indon\u00e9sia. Quando voltei para os Estados Unidos, comecei a absorver todas essas refer\u00eancias, assitir aos cl\u00e1ssicos de Hollywood, como uma esponja. Acho que crescer nesses lugares t\u00e3o diferentes significou muito na minha vida, eu dou mais valor \u00e0s coisas, porque cresci numa \u00e1rea muito pobre, ent\u00e3o meu olhar sobre as coisas \u00e9 bem diferente da maioria dos americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de ganhar, voc\u00ea disse que queria falar com as crian\u00e7as, inspirar os meninos, dizer a eles que \u00e9 tudo bem ser uma pessoa que n\u00e3o se enquadra.<\/strong><br \/>\nRaja: Eu tenho feito tantas coisas desde ent\u00e3o, eu vou dar palestras em universidades, em organiza\u00e7\u00f5es LGBTs. Eu acho que meu di\u00e1logo com as novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 exatamente uma conversa direta, mas ocorre pela forma como eu vivo a minha vida. Eu nunca conversei com meus \u00eddolos e meus her\u00f3is, eles nunca conversaram diretamente comigo. Mas eu assistia eles. Eu via Madonna, eu via RuPaul, eu via todos eles fazendo o que eles faziam e vivendo suas vidas de forma aut\u00eantica. E hoje n\u00f3s temos as redes sociais, as pessoas v\u00eam de todos os lugares entrar em contato pelo Instagram, pelo Twitter e pelo Facebook. Isso \u00e9 maravilhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas pessoas mais jovens costumam te escrever e-mails, te contar sobre suas vidas?<\/strong><br \/>\nRaja: Milhares de e-mails. Eu n\u00e3o consigo ler todos e acho que n\u00e3o tenho que ler todos. Muitas mensagens s\u00e3o parecidas. Eu estava no aeroporto aqui e dois garotos estavam me esperando. Duas ador\u00e1veis rainhas. \u00c9 dessa forma que eu sei que estou fazendo a diferen\u00e7a, que, de alguma forma, sou um modelo para os mais jovens.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Eu n\u00e3o conseguia entender porque as pessoas n\u00e3o gostavam de mim, eu nunca tive uma m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o. Foi algo que me machucou muito, ver algumas pessoas sendo t\u00e3o cru\u00e9is. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m disse que, com a vit\u00f3ria, passou a ter muitos haters. Isso ainda continua ocorrendo?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu era muito novo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s redes sociais. Eu mal tinha uma conta no Twitter. Eu n\u00e3o conseguia entender porque as pessoas n\u00e3o gostavam de mim, eu nunca tive uma m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o. Foi algo que me machucou muito, ver algumas pessoas sendo t\u00e3o cru\u00e9is. Mas eu percebi que isso faz parte da nossa cultura. Eu tenho uma \u00f3tima amiga, a Dita Von Teese, n\u00f3s nos conhecemos h\u00e1 quase 20 anos, e eu perguntei a ela como ela lida com isso? Ela disse: \u201cRaja, se voc\u00ea ignorar eles, eles n\u00e3o existem\u201d. Foi uma grande li\u00e7\u00e3o para mim. Se eu n\u00e3o os vejo, eles n\u00e3o podem me machucar. Ent\u00e3o j\u00e1 fazem tr\u00eas anos desde a vit\u00f3ria e eu at\u00e9 que tenho gostado dos meus haters, porque quando eu leio o que eles escrevem ou ou\u00e7o o que eles dizem, eu percebo que s\u00e3o besteiras, que eles t\u00eam muito medo daquilo que desconhecem e eu entendo isso. Eu acho que com o tempo eles v\u00e3o acabar entendendo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o muito m\u00e1s umas com as outras no programa, isso \u00e9 verdade ou \u00e9 edi\u00e7\u00e3o pelo show?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu acho que \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o e os produtores sabem como escolher diferentes pessoas para que haja esses tensionamentos. Eu n\u00e3o acho que a s\u00e9rie faria tanto sucesso se todo mundo simplesmente se abra\u00e7asse, se amasse e dissesse como s\u00e3o lindos. Eu ficaria entediado vendo isso. Quando eu assisto um programa de televis\u00e3o, eu quero ver tens\u00e3o, drama. E Drag Race tem isso. Ainda que n\u00f3s nos montemos, n\u00f3s ainda somos basicamente garotos. Esse \u00e9 o nosso esporte, \u00e9 o nosso futebol. E muitos de n\u00f3s nos tornamos verdadeiros amigos, trabalhamos em muitos lugares juntos. E s\u00e3o tantas drag queens, existe muita sororidade, somos uma comunidade e, inclusive, uma ind\u00fastria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como uma vencedora, voc\u00ea tem sido convidada a participar de eventos para arrecadar fundos a causas sociais e do movimento LGBT?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu apoio muitas causas, mas eu acho que deveria participar mais, dedicar mais tempo a isso. \u00c9 algo que eu quero fazer mais, at\u00e9 pela posi\u00e7\u00e3o que eu ocupo. N\u00e3o \u00e9 algo que eu acho que fa\u00e7a o bastante, tanto quanto deveria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Raja\u00a0tamb\u00e9m est\u00e1 investindo na m\u00fasica, j\u00e1 lan\u00e7ou tr\u00eas singles. O que podemos esperar daqui por diante?<\/strong><br \/>\nRaja: Eu nunca me considerei um m\u00fasico ou um popstar. Eu estou aprendendo muito, eu sempre amei a m\u00fasica e agora consigo me expressar nesse sentido. Minhas influ\u00eancias s\u00e3o multiculturais, estou tendo muitas ideias. Eu tenho um apre\u00e7o muito grande pela cultura oriental, pela mitologia, pela espiritualidade e pela iconografia, gosto de brincar com esses elementos. Eu n\u00e3o sei exatamente onde isso vai parar, mas vou continuar me expressando de v\u00e1rias formas e a m\u00fasica certamente ser\u00e1 uma delas. Eu sei que n\u00e3o sou Adore DeLano, que tem um talento incr\u00edvel, e n\u00e3o sou Courtney Act. Elas t\u00eam seus pontos fortes, ver tanta rainhas poderosas me fez perceber tamb\u00e9m onde est\u00e1 a minha for\u00e7a, que est\u00e1 no fato de eu conseguir me expressar visualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi seu tour pelo Brasil?<\/strong><br \/>\nRaja: Maravilhoso. Eu nunca pensei que fosse voltar ao Brasil. Eu vim para c\u00e1 h\u00e1 muitos anos, quando estava trabalhando em America\u2019s Next Top Model, antes de Drag Race. Fiquei em S\u00e3o Paulo, mas estava trabalhando muito e acabei n\u00e3o fazendo muito turismo. E agora visitei tr\u00eas cidades diferentes: Recife, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre &#8211; que \u00e9 como S\u00e3o Paulo, s\u00f3 que mais tranquila e aconchegante. E o churrasco! Meu Deus! A primeira coisa que eu fiz quando cheguei foi comer um churrasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que refer\u00eancias do Brasil voc\u00ea mais lembra?<\/strong><br \/>\nRaja: Em palavras, eu sei dizer \u201cativo\u201d, \u201cpassivo\u201d e \u201cvers\u00e1til\u201d, que eu prefiro chamar de Versache. Na minha primeira visita ao Brasil, eu me perguntava: como ser\u00e1 que \u00e9 esse pa\u00eds? Eu imaginava um pa\u00eds com muita natureza preservada e eu achava que todo mundo era sexy no Brasil, at\u00e9 mesmo av\u00f3s e av\u00f4s, como se todo mundo natural e culturalmente tivesse muito sex appeal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ficou surpreso com a for\u00e7a da cultura Drag aqui?<\/strong><br \/>\nRaja: Estou chocado. Os coment\u00e1rios e as mensagens de brasileiros vieram desde muito cedo para mim. Eu nem sabia como voc\u00eas nos assistiam, se Drag Race passava na televis\u00e3o. Isso \u00e9 maravilhoso. \u00c9 incr\u00edvel estar aqui, estou chocado, ver as pessoas t\u00e3o entusiasmadas com meu trabalho me fez recarregar as energias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi dizer que voc\u00ea gostou muito da Capirinha.<\/strong><br \/>\nRaja: Eu j\u00e1 tinha tomado caipirinhas antes. Eu acho que \u00e9 uma bebida bastante adequada para mim, \u00e9 uma experi\u00eancia muito forte, que mistura o sabor c\u00edtrico do lim\u00e3o com o doce do a\u00e7\u00facar. Eu amo caipirinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea diria para quem est\u00e1 come\u00e7ando a se montar?<\/strong><br \/>\nRaja: Encontrem-se. Sejam criativos. N\u00e3o copiem ningu\u00e9m. Tenham suas inspira\u00e7\u00f5es, seus modelos, mas n\u00e3o copiem. Porque drag come\u00e7ou como uma revolu\u00e7\u00e3o, e \u00e9 algo que deve ser sempre tratado desta forma um pouco revolucion\u00e1ria, pol\u00edtica e espiritual. Outro conselho importante \u00e9: divirtam-se, sempre! Se eu n\u00e3o me divertisse, n\u00e3o estaria fazendo nada do que fa\u00e7o, de forma alguma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raja Gemini \u00e9 o nome art\u00edstico de Sutan Amrull. \u00c9 a personagem criada por esta fabulosa drag queen que venceu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":4231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[800,236,1239,130,1237,1238,1240,237],"class_list":["post-4230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-samir-oliveira","tag-brasil","tag-drag-queen","tag-drag-race","tag-lgbt","tag-raja","tag-raja-gemini","tag-ru-paul","tag-ru-pauls-drag-race"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4230\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}