{"id":3963,"date":"2018-03-26T20:19:32","date_gmt":"2018-03-26T23:19:32","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3963"},"modified":"2018-03-26T20:26:35","modified_gmt":"2018-03-26T23:26:35","slug":"7-visoes-literarias-sobre-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3963","title":{"rendered":"7 vis\u00f5es liter\u00e1rias sobre Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Porto Alegre completa 246 anos hoje \u00a0e eu fico buscando motivos internos para celebrar. \u00c9 a cidade onde nasci, em que vivo h\u00e1 40 anos e aqui constru\u00ed a minha hist\u00f3ria, o que inclui gostar muito dos artistas locais, entre eles os escritores. <strong>Mas a capital do Rio Grande do Sul anda sendo maltratada, com ruas sujas, matagal alto por todos os lados, a popula\u00e7\u00e3o de rua aumentando cada vez mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu, como sempre que a realidade me atormenta, recorro \u00e0 Literatura. Descobri muitos textos em que a cidade \u00e9 citada, ent\u00e3o, esse \u00e9 o presente que dou a voc\u00eas e a mim.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Porto Alegre pelos olhos de escritores talentosos, de diferentes \u00e9pocas. Vamos torcer para que a cidade tenha dias melhores, em breve<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0.<\/em><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A zona Sul da cidade<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNingu\u00e9m est\u00e1 nesta parte da cidade num dia de semana a esta hora da tarde, exceto os caras nos barcos, uns bem pr\u00f3ximos, ao redor do clube de velas, outros um pouco mais longe, mas nunca muitos, at\u00e9 porque o lago n\u00e3o \u00e9 a 10 coisa mais linda do mundo. Quero dizer, todos n\u00f3s gostar\u00edamos que ele fosse ao menos um pouco mais azul. Lagos costumam ser azuis, n\u00e3o marrons, e as pessoas adoram o azul, \u00e9 a cor favorita da maioria delas, isso tudo por causa do c\u00e9u e da \u00e1gua (certamente n\u00e3o dessa), o que eu tamb\u00e9m vi num document\u00e1rio, que \u00e9 o que fa\u00e7o perto da hora de dormir. De qualquer maneira, est\u00e1 abrindo, o bar em que j\u00e1 estive um milh\u00e3o de vezes, sentado conversando enquanto esmigalhava r\u00f3tulos ou tentava rosas de guardanapo, na rua de p\u00e9 com um copo descart\u00e1vel de vinho, ou ent\u00e3o jogando sinuca no sal\u00e3o dos fundos, que podemos dizer que \u00e9 uma parte constru\u00edda literalmente dentro d\u2019\u00e1gua, o que tem deixado a prefeitura puta da vida h\u00e1 uns vinte anos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Carol Bensimon, Sinuca embaixo d\u2019\u00e1gua. <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/trechos\/12837.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Leia um trecho aqui.<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0O Parque Farroupilha, um dos mais frequentados pelos porto-alegrenses<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPassava agora pelo cal\u00e7ad\u00e3o de areia da Reden\u00e7\u00e3o, pela Avenida Jo\u00e3o Pessoa, o parque ensolarado, os p\u00e1ssaros voando em bando, carros a passarem em alta velocidade, crian\u00e7as que iam para o col\u00e9gio, grandes nuvens que desenhavam formas estranhas no c\u00e9u azul transl\u00facido. [&#8230;] Passou pela Faculdade de Direito, onde passara bons anos de sua vida, as recorda\u00e7\u00f5es se atropelavam, estugou o passo, precisava vencer o passado que n\u00e3o lhe interessava mais. Passou pela frente do velho casar\u00e3o da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, pelas casas iguais do quarteir\u00e3o, pela Igreja da Concei\u00e7\u00e3o, os velhos port\u00f5es de ferro trabalhado, os gradis cheios de arabescos, cruzou a Rua Santo Ant\u00f4nio e foi quando diminuiu o passo [&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Josu\u00e9 Guimar\u00e3es, Camilo Mort\u00e1gua. O romance se passo no ano de 1964, marcado pelo Golpe Militar.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0.<\/em><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O Gua\u00edba, com todo seu esplendor<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFui at\u00e9 a minha pra\u00e7a, na volta do Gas\u00f4metro, e \u00e9 s\u00f3 l\u00e1 que encontro c\u00e9u e rio \u00e0 vontade, azuis, imensos, quase fundidos um com o outro. O c\u00e9u e o rio vistos daqui da cidade s\u00e3o \u00e1varos, mostram pedacinhos pequenos, perdidos no meio dos edif\u00edcios. Parecem ter vergonha de se mostrar. L\u00e1, n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Caio Fernando Abreu, Limite Branco. Primeiro romance do autor e um dos poucos em que Porto Alegre aparece claramente como o cen\u00e1rio de um enredo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO rio est\u00e1 tranquilo e o horizonte \u00e9 de um verde t\u00eanue e aguado que vai se diluindo num azul desbotado. As montanhas ao longe s\u00e3o uma pincelada fraca de violeta. A superf\u00edcie da \u00e1gua est\u00e1 toda crivada de estrelinhas de prata e ouro. Longe aparece o casario de Pedras, na encosta dum morro. Mais perto o Morro do Sabi\u00e1 avan\u00e7a sobre o rio. O c\u00e9u \u00e9 t\u00e3o azul, t\u00e3o puro e luminoso, que Noel simplesmente n\u00e3o acredita que seja um c\u00e9u de verdade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Erico Verissimo, Caminhos Cruzados. A obra do escritor inclui romances urbanos bem interessantes, como Noite e Clarissa, mesmo tendo ficado conhecido pela trilogia &#8220;O Tempo e O Vento&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O centro de Porto Alegre<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEncontrei esse cachorro quase morto de fome na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, numa madrugada de outono fria pra cacete, quando voltava de um bar. Era um vira-lata que deixara de ser filhote fazia pouco tempo, preto com dezenas de manchas brancas. Na esquina havia uma ca\u00e7amba de entulho da\u00a0prefeitura. Vasculhei o lixo ali dentro e encontrei uma tira comprida de pl\u00e1stico. Improvisei uma coleira ao redor do pesco\u00e7o do cachorro e o arrastei at\u00e9 o meu pr\u00e9dio, no alto da Duque.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Daniel Galera, At\u00e9 o dia em que o C\u00e3o Morreu, que inspirou o filme C\u00e3o Sem Dono<\/strong><\/em><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A Porto Alegre do s\u00e9culo XIX, que j\u00e1 tinha problemas de transporte p\u00fablico<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 dias que \u00e9 uma vergonha, os bondes levam horas e horas nos desvios. Ainda h\u00e1 pouco tempo, num passeio que eu fiz com o Ramalho, levamos duas horas e quarenta e cinco minutos do Parthenon \u00e0 pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega. O bonde descarrilou tr\u00eas vezes, esperou um quarto de hora em tr\u00eas desvios, as bestas rebentavam as correias de espa\u00e7o a espa\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Paulino de Azurenha, M\u00e1rio Totta e Souza Lobo, Estrychinina. R<\/em>omance de 1897 que narra a hist\u00f3ria de amor imposs\u00edvel entre Chiquita, uma prostituta, e Neco, um rapaz de \u201cboa fam\u00edlia\u201d. Em meio a esse impasse, o casal vaga pela cidade e o leitor consegue identificar casar\u00f5es antigos da rua Riachuelo, a Rua da Praia, com seu com\u00e9rcio pulsante, e festividades realizadas na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega e no Menino Deus.<\/strong><\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Um poema sobre Porto Alegre, por um poeta apaixonado pela cidade<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Mapa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olho o mapa da cidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como quem examinasse<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A anatomia de um corpo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(E nem que fosse o meu corpo!)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinto uma dor infinita<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das ruas de Porto Alegre<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde jamais passarei&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tanta esquina esquisita,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanta nuan\u00e7a de paredes,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tanta mo\u00e7a bonita<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas ruas que n\u00e3o andei<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(E h\u00e1 uma rua encantada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que nem em sonhos sonhei&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mario Quintana, \u00a0<em>Apontamentos de Hist\u00f3ria Sobrenatural. P<\/em>ublicado em 1976, quando o poeta estava com 70 anos.<\/strong><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"fotografo\">Foto:<\/span> <span class=\"fotografo\">Eduardo Beleske\/PMPA<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre completa 246 anos hoje \u00a0e eu fico buscando motivos internos para celebrar. \u00c9 a cidade onde nasci, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":3964,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1155,1156,1154,185,217,221],"class_list":["post-3963","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-aniversario","tag-aniversario-porto-alegre","tag-capital","tag-literatura","tag-porto-alegre","tag-rio-grande-do-sul"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3963\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}